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Mostrando postagens de Março, 2009

CRÔNICAS HISTÓRICAS: FEVEREIRO DE 2007

“FOLHA DO NORTE (1ª pagina) quinta-feira, 25 de maio de 1939”

Prejuízos feitos no Theatro da Paz,
Cuja indemnização a Secretaria Geral exige

Do sr. Secretario geral do Estado, recebeu o nosso confrade Santanna Marques o seguinte officio, acompanhado duma reclamação áquelle endereçada pelo sr. Director do Theatro da Paz, dr. Victor Maria da Silva, contendo uma lista dos estragos causados, durante ás funcções de concurso de musicas carnavalescas, realizadas nos dias 7 e 9 de fevereiro passado, sob o patrocínio do prefeiro Abelardo Condurú, “Estado do Pará” e “Radio Club”.

Sr. Gerente do “Estado do Pará”:
Junto passo ás vossas mãos, para vosso conhecimento e devidos fins, uma copia authenticada de uma reclamação dirigida á Directoria de Educação, pela directoria do Theatro da Paz.
Saudações. – Deodoro Mendonça, secretaria geral.

Eis a lista appensa ao officio da Secretaria Geral do Estado:

Illmo. Sr. Director geral de Educação e Cultura. A…

A 9ª. SINFONIA DE BEETHOVEN NO TEATRO DA PAZ

Silvana Monteiro, que hoje trabalha no Coral do Municipal de São Paulo, contou-me da intenção de Glorinha Caputo de apresentar a nona de Beethoven, lá pelo final da década de 1980 ou início da de 1990, quando Malina Mineva ainda lecionava no Conservatório. Glorinha não conseguiu realizar sua idéia e teve que esperar cerca de 20 anos para a nona ter sua integral belenense na era dos primos Paulo e Gilberto Chaves. Com Mateus Araújo a frente da OSTP, solistas convidados e um coral arregimentado para a ocasião, a Coral estreou em Belém com muita pompa, embora as circunstancias da apresentação não mereçam um 10 como a execução da 7ª e da 8ª.
Com a nona, Mateus confirmou está caminhando a passos firmes para a maturidade como regente, de modo que será uma pena perde-lo, como perdemos os regentes anteriores; embora, e de longe, Mateus Araújo seja o melhor de todos.
Mas quais foram os motivos que me levam a dar uma nota mais baixa para essa execução? - O tempo. Novamente Mateus regeu música len…

AS 7ª E 8ª SINFONIAS DE BEETHOVEN POR MATEUS ARAÚJO

Faz muito tempo que uma apresentação ao vivo de uma orquestra sinfônica não me faz vibrar. Desde a execução da 4ª. Sinfonia de Tchaikovsky com a orquestra do Festival Internacional de Música de Câmera do Pará com Eva Szekely como spalla, o frisson não tomava conta de mim em um concerto em Belém. Pois na noite que a Sinfonia da Dança e a 8ª. Sinfonia estrearam em Belém com 2 séculos de atraso, a alegria de assistir um grande concerto sinfônico tomou conta de mim. O grande responsável por isso: o pulso firme de Mateus Araújo.
Eu sempre acreditei no talento de Araújo para a regência e sabia que um dia ele acertaria a mão na batuta. As suas versões para as citadas sinfonias beethovenianas foram as melhores que ouvi nos últimos anos, compararadas, é claro, com as gravações em disco disponíveis nos últimos anos. A 7ª. se comparada com a gravação d Toscanini com a NBC Symphony Orchestra é muito mais clara e luminosa. Com a de Karajan na integral em vídeo apresentada há alguns anos na televisã…

MARÍLIA CAPUTO NO TEATRO DA PAZ

A Fundação Amazônica de Música promoveu um merecido recital solo da pianista paraense Marilia Caputo no palco do Teatro da Paz. Melhor lugar para Marília não há. A nossa maior casa de espetáculo há tempos não sediava um recital solo dela. O ultimo que assisti deu-se antes dela partir para a Rússia, onde foi aprimorar os conhecimentos pianísticos, diga-se muito bem iniciados em Belém.
No saguão encontrei-me com Lenita Maia. Encantada, afirmou: “Foi o melhor recital dela!”. Acrescentei: “De fato, Marília cresceu muito!”. Crescimento. Creio ser este o melhor termo para a técnica interpretativa de Marília Caputo. Firme. Precisa. Feroz. Poderosa. Prokofieviana com todo direito. Em suma, um “macho do piano”.
Mesmo na época de estudante Caputo já demonstrava um gosto pelo repertorio pianístico forte. Aquele que exige muito “machismo” dos interpretes, pela força, pelo som sinfônico extraído do piano. Em suma, pelo imenso manancial sonoro extraído da partitura.
O programa escolhido para o recital…

EDITORIAL: FEVEREIRO DE 2007

Final de ano. Festas. Comilança. Pernas para o ar. Mais festa. Mais comilança. E escrever que é bom nada. Trabalhar sim, isto fiz bastante nesta última virada de ano. 2007 chegou com toda a força e as perturbações de sempre. Mais no trabalho que na vida. Ainda bem!
Devido ao nosso longo recesso (melhor dizer jejum) nos concertos musicais na cidade, coincidentes com as férias da EMUFPA e do Conservatório, nada há para criticar sobre os concertos dados na cidade, portanto, o número deste mês traz alguns ensaios que escrevi ano passado por ocasião de alguns concertos que assisti e que devido as grandes ocupações de minha vida profissional (de novo a mesma desculpa!), acrescentado o desânimo de ficar digitando no computador, acabaram por ficar para trás. Mas aqui elas serão divulgadas. A partir deste número uma mudança substancial tomará início. Os números do Caccini não serão mais mensais, já que ficou claro para mim que é praticamente impossível escrever um número do informativo p…

A estréia paraense de A História do Soldado de Stravinsky

Há muita gente em Belém (músicos incluídos) que consideram nossa cidade o fim do mundo no universo musical. Pobres tolos. Tirando a crônica falta de profissionalização dos músicos eruditos paraenses, a música erudita em Belém anda com boas pernas sim senhor. Esses pobres tolos que não se satisfazem com (quase) nada, ainda não acordaram para visualizar Belém no cenário musical brasileiro e perceber que a capital do Grão-Pará está em importante destaque na vanguarda musical brasileira. Belém é uma das capitais brasileiras onde mais se faz música erudita. E de qualidade. Se no plano político Belém perdeu, ante o Brasil e o Mundo, o status de Metrópole da Amazônia, no musical voltou a ser a Metrópole da época da borracha que tanta nostalgia dá aos paraenses mais saudosistas (eu incluído).
No primeiro semestre de 2006, a montagem paraense da Flauta Mágica mozartiana foi reprisada no Municipal de São Paulo com estrondoso sucesso. O Festival Internacional de Música do Pará (ex-Festival de Mús…

ORQUESTRA SINFÔNICA BRASILEIRA, TURNÊ 2006

Infelizmente não pude assistir a primeira parte do concerto da OSB regida por Roberto Minczuk em Belém por chegar atrasado ao Teatro da Paz. Assisti somente a segunda parte, mas isso foi o bastante para ter uma noite de prazer musical. Minczuk ainda está longe de alcançar o panteão dos gênios da regência como Karajan, Toscanini, Solti ou Furtwängler, mais certamente não terá dificuldades de chegar lá; considerando-se o som e as leituras retiradas das páginas apresentadas no da Paz na noite de 03 de outubro de 2006 (a 2ª das duas noites reservadas para Belém)[1]. Dominada pela 5ª Sinfonia de Tchaikovsky, a segunda parte me fez lembrar da minha adolescência, onde o rock nacional dividia a minha atenção com a atenção dedicada ao compositor russo, minha paixão musical adolescente, juntamente com o Bolero de Ravel (a música da minha vida na época) e a ópera Carmen de Bizet. Juntos estes três foram responsáveis por me decidir a devotar a minha vida à música.
Mas sobre a 5ª de Tchaiko…

PANORAMA

Façamos aqui um pequeno mapa de como está o panorama da música erudita em Belém e se está faltando algum buraco a ser preenchido.
No ramo da música vocal temos o Coral Carlos Gomes que se ocupa do repertório vocal sacro e profano dos períodos medieval e renascentista com altíssimo nível vocal e regência exemplar da cubana Maria Antonia Jiménez, várias vezes premiado nacional e internacionalmente.
O grupo Concertos Espirituais lida com o repertório renascentista, barroco e clássico quer na música vocal quanto na instrumental. A lamentar somente as parcas apresentações do grupo.
O Coral Marina Monarcha lida exclusivamente com o coral operístico, sendo figurinha repetida no Festival de Ópera do Teatro da Paz, por um único detalhe: é o único coro operístico paraense. Tem Vanildo Monteiro a sua frente e ainda não ganhou uma noite somente dele no Festival por palermice dos produtores.
A Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz lida com o repertório si…

EDITORIAL: OUTUBRO-NOVEMBRO DE 2006

Outro dia, conversando com meu amigo Atalla Ayan, fui acusado por ele de somente falar mal de todos os resenhados neste informativo. Criança tola. 1º. Aqui eu não falo; escrevo. 2º. Meu trabalho é pautado na imparcialidade e na sinceridade de meus comentários. 3º. Minha escrita é ácida porque assim a prefiro e por conta da minha formação literária, impregnada do realismo sem concessões de Machado de Assis e do naturalismo sem muitas mesuras de Eça de Queiroz. 4º. Não teço comentários de cunho pessoal contra os meus comentados – pois não conheço pessoalmente a maioria. Tenho a visão somente da análise musical fria e imparcial – mesmo daqueles que são meus amigos do peito. 5 º. É necessário que haja o entendimento – principalmente dos músicos – que fazer carreira artística nos torna pessoas públicas e alvo de qualquer comentário; seja de entendidos ou de desentendidos nos assuntos musicais. 6º. Vocês músicos eruditos belenenses necessitam se acostumar a serem analisados sobre o vosso de…

CRÔNICAS HISTÓRICAS: AGOSTO DE 2006

Neste mês, apresento-lhes uma portaria de 1865, seguida de uma lei de 1867 sobre a Força de Polícia, nesta sessão por se tratar de material histórico. Nela temos a regulamentação das gratificações recebidas pelos músicos da banda de polícia – órgão estatal – ao tocar em eventos particulares. Este documento foi coletado pelo historiador Vicente Salles e encontra-se em uma cópia datilografada no acervo do mestre na Biblioteca do Museu da UFPA.

“ PORTARIA 18.4.1865, CLGP T27 P. II
‘O Presidente da Província, conformando-se com a proposta do major encarregado da Companhia de Polícia, resolve aprovar o seguinte: Tabela das gratificações que deve perceber a banda de música do corpo de polícia por tocar em festas particulares

Procissões 50$000 rs.
Vésperas de Festas 40$000 ‘
Ditas e fogos de artifício
(não passando de 1 hora da noite) 100$000 “
Batisados …

A RAINHA DA NOITE. LIZ NARDOTTO ROUBA CENA NO V FESTIVAL DE ÓPERA

Foi um concerto em homenagem aos 250 anos do nascimento de Mozart dentro do Festival de Ópera do Teatro da Paz que reuniu os sopranos paraenses Márcia Aliverti, Patrícia Oliveira, Alpha de Oliveira, Carmen Monarcha, Dione Colares e a brasiliense Lyz Nardotto. Cantaram árias das óperas mozartianas num bate-bola onde a brasiliense deu de goleada.
Carmen Monarcha foi a única capaz de se igualar em sonoridade e maturidade vocal à nova Rainha da Noite brasileira. As outras...bem, são as outras!
O programa abriu com Carmen Monarcha cantando a “Ruhe sanft” da Zaïde. Tirou nota 10 na interpretação pela sonoridade límpida, boa colocação vocal e clareza no canto em alemão. Cantou sentada, devido ao acidente sofrido por ela e Sérgio Weintrab no final da encenação de Iara no dia 8 deste mês. O pé machucado a impediu de ficar de pé e nos brindar com sua excelente cena. Carmen é certamente uma das futuras grandes atrizes de ópera do cenário brasileiro e espero, futuramente, do internacional. Cantores…

EDITORIAL: AGOSTO DE 2006

Nos últimos cinco anos o retorno das férias nos coloca defronte de um compromisso inadiável, o Festival de Ópera do Teatro da Paz. Pois bem meus caros e vips leitores, a preocupação já começa a ameaçar de brancura os meus ainda coloridos cabelos. Explico: neste ano temos eleições para o governo do Estado, e como já é tradicional no Brasil, a falta de continuidade de um governo para o outro enche de ameaças às boas realizações que nos atingem. Neste caso específico, o referido festival. Ora meus caros, o Festival de Ópera é realização do partido tucano – há doze anos no governo paraense – e por isso mesmo identificado diretamente com o bicudo pássaro símbolo do partido social-democrata. Pensar em Festival de Ópera do Teatro da Paz é pensar em Paulo e Gilberto Chaves, super-heróis na criação do Festival; mas como bem é sabido, homens que nos últimos anos trabalharam a favor da cultura paraense sob a indicação direta dos governadores Almir Gabriel e Simão Jatene, são por tabela, indicaç…

PARAENSES FAZEM “PATINAÇÃO NO GELO” NO MARACANTO

Enquanto os astros globais estão, nos últimos domingos, quebrando a cara para dar vexame no quadro “Dança no gelo” do infame Domingão do Faustão, os cantores líricos paraenses estão fazendo do Maracanto sua pista de patinação no gelo particular, considerando-se a quantidade – proporcional – alta de vencedores paraenses neste concurso de canto lírico.
Comparo estas vitórias paraenses no Maracanto à patinação no gelo, pois é visível que a patinação no gelo é esporte gracioso, cheio de leveza e suavidade, beirando a arte da dança. Para nós, que somente vemos de longe esta prática, parece ser de fato maravilhosa. Talvez não seja fácil patinar no gelo, mas para quem sabe o difícil pode se tornar fácil e assim transmitir esta sensação para quem vê.
O Maracanto, agora em 2006, foi como uma pista de patinação para os cantores líricos paraenses – todos estudantes” – pois dos cinco participantes somente um não obteve premiação. E estes quatro vêm a se juntar aos vencedores anteriores, aumentando …

O FESTIVAL DE ÓPERA DO TEATRO DA PAZ

Oh, céus! O meu pior temor acabou acontecendo. O ano de 2006 viu surgir no palco do Teatro da Paz a pior montagem até agora dentro do Festival de Ópera. A Rigoletto de Verdi teve uma produção que foi aquém do esperado, considerando-se a envergadura da obra e sua fama constante e inabalável dentro do repertório tradicional. Como se trata de uma ópera amada por todos e com público garantido em qualquer lugar, esperava-se uma montagem à altura. Mas o que vimos foi uma sucessão de erros e equívocos, transformando a tragédia de Rigoletto em um pastelão que até as infames produções da Televisa mexicana corariam de vergonha.
Uma crítica completa dessa montagem requer muito português, portanto, separarei os comentários em partes:

A MONTAGEM

O cenário criado por Raul Bongiorno estava bonito e bem resolvido nas mudanças de cena. A iluminação privilegiou os tons de escuro; o que cai bem na aura de tragédia e maldição que inunda a obra de Verdi e nas ambientações noturnas de várias cenas.
A funcional…

“O CENTENÁRIO DE BELLINI”

A seguinte encontra-se na Biblioteca do Museu da UFPA. Ela provavelmente foi escrita por Ulysses Nobre, pois a encontrei na Hemeroteca de seu irmão Alcebíades. E Alcebíades tinha o hábito de arquivar todas as crônicas publicadas pelo irmão. Esta foi publicada no jornal Folha do Norte de 5 de fevereiro de 1935, sendo assinada somente por um A maiúsculo seguido de ponto. Ela se refere ao centenário de nascimento de Vicenzo Bellini, como indica o titulo.

“O CENTENÁRIO DE BELLINI”

No corrente anno a Itália celebra o centenario de Bellini.
A’s manifestações italianas associaram-se todas as nações que admiram a musica e a arte do compositor siciliano, entre ellas, além do Brasil, a França, a Allemanha, o Chile, a Suécia e os Estados Unidos da América.
Também a cidade de Belém, que possue um Conservatório de Musica, quer manifestar sua admiração pelo filho da irmã latina, cuja vida as Parcas cortaram há cem annos, quando ainda muito novo tinha deante de si abe…

EDITORIAL SETEMBRO DE 2006

O Festival de Ópera do Teatro da Paz terminou. Inicia-se um ano de jejum operístico em Belém. Prometeram um festival para 2006, mas as mudanças no governo, podem trazer-nos algumas surpresas desagradáveis. Oh céus! A grande deusa pode nos dar força para agüentarmos isso. Mas agora, na minha opinião, devemos visualizar os meses finais de 2006, e nos preparar para o que ainda está por vir: Encontro de Arte de Belém, Encontro Internacional de Dança da Amazônia, as Sinfonias de Beethoven nº. 6 a 9, Concertos na Arte Doce Hall, Sala Ettore Bosio. Enfim, muita música ainda há por vir. É só esperar e depois apreciar.

CARLOS GOMES

Estava pesquisando partituras de compositores paraenses do inicio do século XX na Biblioteca do Museu da UFPA, quando encontrei este ensaio escrito por Ulysses Nobre e anexo a uma das partituras. Acho de bom tom reproduzi-lo aqui no informativo pela honra e pela glória da memória do nosso barítono-cronista.

Antonio Carlos Gomes nasceu em Campinas, a 11 de junho de 1836. com 9 anos de idade já fazia parte da banda dirigida por seu pai José Gomes, de quem recebeu as primeiras lições de música, chegando a tocar todos os instrumentos. Numa das excursões que aqueles músicos fizeram à capital da província, Carlos Gomes, instado pelos estudantes, compôs o “Hino Acadêmico” que obteve grande sucesso. Encorajado pelos mesmos estudantes, empreendeu a fuga para o Rio, onde conseguiu, por intermédio do Imperador D. Pedro II, matricular-se no Conservatório, dirigido nessa época por Francisco Manuel da Silva, o autor do Hino Nacional.
Terminado o seu curso, compôs a primeira ópera “A Noite do Castelo”…

EDITORIAL: FEVEREIRO DE 2006

Confesso que nunca fui fã de carnaval a maneira brasileira. Sempre sonhei em participar dos carnavais venezianos, usar as máscaras de carnaval da Sereníssima República em plena Piazza di San Marco e me entregar aos excessos carnavalescos do Renascimento italiano. Isso muito bem fantasiado de alguma figura tradicional ou com aquelas famosas roupas negras de mascaras brancas que escondiam a identidade e revelaram o despudor do foliões. Esta é uma das poucas concessões que faço às antigas festas, pois para mim o carnaval atual está longe de ser algo atraente e que me causa frisson. Prefiro o galanteio dos namoricos por debaixo de uma máscara que essas porcarias de “tô ficando atoladinha!”. Adoraria também freqüentar o Teatro Argentina, o San Cassiano, o Alla Scala ou qualquer outro mais baratinho e acompanhar as suas temporadas de operísticas do período carnavalesco. Ópera e carnaval, para mim tem tudo haver: é puro luxo, é pura Itália, é pura emoção. Já que não tenho como voltar no temp…

CRÔNICAS HISTÓRICAS

Na publicação de 12 de dezembro de 1935 no jornal O Estado do Pará, Ulysses Nobre publicou esta tira comemorativa ao aniversario do Palace Theatre, prédio particular que hoje não mais existe e estando esquecido na memória do belenense. Esta tira encontra-se no Acervo Vicente Salles da Biblioteca do Museu da UFPA, sendo originalmente coletado por Alcebíades Nobre, irmão de Ulysses, para a sua hemeroteca particular.

Ha vinte e dois annos na data de hoje, era inaugurado o popular Palace Theatre, annexo ao Grande Hotel, á praça da República, ambos mandados construir pelo fallecido capitalista paraense Bento José da Silva Santos Júnior, sendo encarregada das suas construcções a casa Salvador Mesquita e Comp., sob a direcção do extinto architecto portuguez Ricardo Mesquita, então sócio daquella firma.
A inauguração realizou-se em a noite de 12 de dezembro de 1913, com a estréa de uma companhia de operetas e revistas dirigida pelo bacharel e actor portuguez dr. Christiano de Sousa, recentement…

MUSICOLOGIA

Este tópico foi escrito para a minha monografia de especialização versada sobre os teatros de Belém. Referia-se diretamente ao capítulo preparado sobre o Teatro da Paz, mas acabou sendo cortado em algumas partes e acrescentadas no capítulo III da Monografia, versado sobre o público dos teatros pesquisados, enquanto que outros parágrafos foram incorporados aos textos já escritos para outros tópicos do trabalho. Esta é a versão original que foi eliminado da versão final do livro.

Das questões sociais

Para aqueles que nasceram na segunda metade do século XX, a visão do Teatro da Paz está marcada por glamour, superioridade aos demais teatros da cidade, infreqüência dos espetáculos e diversas reformas que o deixaram fechado por vários anos.
A pompa decorativa do teatro e sua grandeza impecável certamente dominam a memória de quem o freqüentou nesse período, portanto, impossível imaginar que esse mesmo teatro passou na primeira metade do século XX por vários transtornos q…