A 9ª. SINFONIA DE BEETHOVEN NO TEATRO DA PAZ

Silvana Monteiro, que hoje trabalha no Coral do Municipal de São Paulo, contou-me da intenção de Glorinha Caputo de apresentar a nona de Beethoven, lá pelo final da década de 1980 ou início da de 1990, quando Malina Mineva ainda lecionava no Conservatório. Glorinha não conseguiu realizar sua idéia e teve que esperar cerca de 20 anos para a nona ter sua integral belenense na era dos primos Paulo e Gilberto Chaves. Com Mateus Araújo a frente da OSTP, solistas convidados e um coral arregimentado para a ocasião, a Coral estreou em Belém com muita pompa, embora as circunstancias da apresentação não mereçam um 10 como a execução da 7ª e da 8ª.
Com a nona, Mateus confirmou está caminhando a passos firmes para a maturidade como regente, de modo que será uma pena perde-lo, como perdemos os regentes anteriores; embora, e de longe, Mateus Araújo seja o melhor de todos.
Mas quais foram os motivos que me levam a dar uma nota mais baixa para essa execução? - O tempo. Novamente Mateus regeu música lenta (o 3º. Movimento) com muita rapidez e assim perdeu toda a tristeza suave desse movimento, que é o momento de relaxamento, de tranqüilidade meio fúnebre após os agitados dois movimentos iniciais e um contraponto poderoso à exuberância e alegria do ultimo; o celebre coral com solos de baixo e tenor.
Desde que acostumei meus ouvidos à essa sinfonia, sempre achei o 1º movimento magnificamente cerebral, arquitetonicamente magistral e profundo sonoramente. Nele, Araújo conseguiu manter essas sensações trabalhando grande concentração da orquestra e um som “puro”, sem “ruídos”. O 2º movimento é rápido, frenético, vibrante do jeito que Araújo gosta, por isso ele foi bastante feliz ao executá-lo.
Quanto ao 4º movimento palmas para Mateus que me fez ouvir (pela primeira vez) com clareza, o tema central apresentado pelos baixos e cellos. Mas os trompetistas merecem ser açoitados por não darem o brilho merecido à repetição temática durante o clímax da primeira parte do movimento antes da entrada do coral.
José Galissa cantou com garbo o seu solo, embora a falta de brilho vocal tenha deixado o seu solo um pouco fosco. Edinéia de Oliveira e Silviane Bellato foram coadjuvantes de luxo que não deixaram a peteca cair. Aí chegamos ao maior erro de Araújo nessa execução: reger a orquestra com grande volume sonora que o solo de Atalla Ayan não foi ouvido na segunda parte, perdendo-se assim metade do solo do tenor. Meu amigo Atalla Ayan, saiu-se muito bem no seu solo. Este tipo de música adequa-se como uma luva a ele, pois, tadinho, desprovido de talento cênico, melhor é ficar parado na frente da orquestra. Patrícia Oliveira agora tem companhia no clube do “postes cantantes”.
Tirando esses detalhes a ser corrigidos, a execução fica nota 9.

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