AS 7ª E 8ª SINFONIAS DE BEETHOVEN POR MATEUS ARAÚJO

Faz muito tempo que uma apresentação ao vivo de uma orquestra sinfônica não me faz vibrar. Desde a execução da 4ª. Sinfonia de Tchaikovsky com a orquestra do Festival Internacional de Música de Câmera do Pará com Eva Szekely como spalla, o frisson não tomava conta de mim em um concerto em Belém. Pois na noite que a Sinfonia da Dança e a 8ª. Sinfonia estrearam em Belém com 2 séculos de atraso, a alegria de assistir um grande concerto sinfônico tomou conta de mim. O grande responsável por isso: o pulso firme de Mateus Araújo.
Eu sempre acreditei no talento de Araújo para a regência e sabia que um dia ele acertaria a mão na batuta. As suas versões para as citadas sinfonias beethovenianas foram as melhores que ouvi nos últimos anos, compararadas, é claro, com as gravações em disco disponíveis nos últimos anos. A 7ª. se comparada com a gravação d Toscanini com a NBC Symphony Orchestra é muito mais clara e luminosa. Com a de Karajan na integral em vídeo apresentada há alguns anos na televisão brasileira pela Rede Globo é mais feliz.
Araújo merece um 10 na execução de ambas as sinfonias, pela unidade obtida na orquestra e a homogeneidade sonora tirada da partitura. Mateus tem o mau hábito de correr nos tempos, sobretudo, nos lentos; mas na execução dessas sinfonias o seu controle dos andamentos foi exemplar. Nem mais, nem menos. Apenas o correto.
Ele deve amar essas sinfonias, sobretudo a 7ª., pois a paixão foi uma tônica na execução. Notou-se claramente a integração regente-partitura-compositor do primeiro ao ultimo movimento. O resultado foi uma execução exemplar, onde a música de Beethoven soou às mil maravilhas e reafirmou a grandiosidade dessa, que o próprio mestre, considerava uma de suas melhores composições.
A 8ª. Sinfonia, com suas dimensões de retorno ao classicismo haydniano, tem uma sonoridade mais camerística, embora seja sinfonia para valer. Embora tenha um tema forte a iniciá-la, é obra para uma marcação que relembra os elegantes salões e o charme vienense da época dos Estehazy. Nela, Mateus manteve a pulsação sobre controle e o fraseado foi preparado na medida certa, para não cair na perigosa tentação de “sentar a mão”. De fato, um concerto para os anais da historiografia musical belenense.

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