CONCERTO DE NATAL DA ORQUESTRA SINFÔNICA DO TP

O concerto de natal da Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz deu-se na noite de 16 de dezembro de 2005, com início previsto para as 20:00 horas. Tocaram a abertura de Oberon, ópera de Weber, as Danças de Galanta, de Kodály, as Variações sobre um tema de Haydn, de Brahms, e o Aleluia do Messias, de Haendel. Como extra tivemos mais uma versão de Noite Feliz de Gruber.
Gravei este concerto com meu gravador digital (ah ! A tecnologia!) e já o ouvi várias vezes a caminho do trabalho. Constatações: 1) Mateus Araújo é um regente que sabe escolher um programa uniforme; 2) Tem talento; 3) Parece gostar de executar compositores novecentistas; 4) precisa de mais tempo para ensaiar com a orquestra; 5) Reapresentar os programas tantas vezes a ponto de os músicos tocarem as obras pelo simples fato de apertar-lhes o nariz; 6) A Orquestra está boa, mas pode ficar muito melhor após um concurso que a oficialize e que eleve o nível técnico e interpretativo dos músicos. É de se notar que os músicos que estão na orquestra pouco ou nada sabem sobre os compositores e as obras que executam. Vê-se, também, que a grande maioria do que chega a nós na platéia vem do conhecimento histórico e estilístico de Araújo. Um colega meu, cantor do Coral Marina Monarca, já me confidenciou sobre as explicações de Araújo e até indicações de gravações dadas pelo maestro a quando dos ensaios de Madame Butterfly.
O maestro tem por obrigação profissional saber desses assuntos? Sim. Mas os músicos também. Um fato que a maioria dos nossos músicos: cantores incluídos; acham que a preparação técnica é tudo para ser um bom músico. Total engano. Lembro-me de um curso que participei capitaneado por Madalena Aliverti, em visita à Belém quando mestranda nos Estados Unidos, e ressaltava a importância de um cantor saber o quê, quem, quando, onde, como e porquê está se cantando aquela obra, para se dar total veracidade à interpretação da mesma.
Pelo pouco que nos mostrou Mateus Araújo tem isso, mas se os músicos da orquestra além de técnica, não tiverem cultura musical, todo e qualquer regente que trabalhe com eles gastará muitos minutos de explicações e esclarecimentos sobre o “esqueleto” e “alma” das obras executadas.
A orquestra do Teatro da Paz tem condições de ser uma grande orquestra? Sim, tem! Mas para isso é necessário ter músicos com dedicação exclusiva a ela, que não trabalhem nela pensando nas várias aulas e nos vários alunos que têm que preparar. Um músico de orquestra precisa de concentração no seu trabalho e de muitos ensaios, para dar vida às obras executadas. Sem isso as apresentações da orquestra ficarão no âmbito do “esta orquestra toca assim porque não é profissional, somente um serviçinho do governo estadual para dizer que está incentivando a cultura paraense!”. Ora meus colegas, por favor, uma orquestra não se faz de favores e sim de profissionalismo e a apresentação natalina da orquestra do TP fica no mediano por que falta profissionalismo dela. Não dos músicos, mas do governo!

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