EDITORIAL - NOVEMBRO DE 2005

Certas coisas tardam mais não falham. Uma delas é esta minha idéia de criar um informativo musical para divulgar o meu trabalho musicológico e também abrir espaços para meus colegas e aqueles que tenham textos sobre música a divulgar. Quando estava cursando a faculdade de Educação Artística – Música, na falecida Faculdade de Educação do Pará, posteriormente transformada em Universidade do Estado do Pará, a Professora Doutora Lia Braga Vieira (sempre ela!) criou o igualmente falecido Informativo Estágio, onde eu, Rui Henderson, a própria Lia Braga entre outros escreveram textos sobre música a modo de dar um impulso na divulgação e na leitura, em Belém, de texto musicológicos e afins. Foi um espaço de informações históricas, discussão de qualidade musical e como não poderia deixar de ser, de análise da educação musical em Belém. Infelizmente, como muita coisa neste país, teve vida efêmera e hoje é somente história na mente daqueles que dele participaram ou dos que o leram e ainda lembram desse “momento musical” belenense. Para este número de abertura, dou-lhes alguns textos meus escritos já há anos e alguns recentes trabalhados para minha monografia de especialização, cuja orientação ficou a cargo (sempre ela!) da Professora Doutora Lia Braga Vieira. Quanto ao nome deste informativo, pensei em vários, pois não são pouco os músicos que também foram escritores, geralmente cronistas da música de seu tempo, como Debussy, Berlioz, Wagner. Pensei em Ottavio Rinuccini, poeta e libretista italiano. Também Arrigo Boito foi cotado por ser compositor e libretista, nome forte neste caso. Mas decidi por homenagear um músico plenamente músico como foi Giulio Caccini, cantor e compositor italiano. Foi integrante da Camerata do Conde Bardi e, por isso, um dos desavisados criadores da Favolla Drammatica que futuramente foi chamada somente de ópera. Poderia eu ter pensado em alguém mais recente historicamente, mas preferi um homem do Renascimento italiano, plenamente envolvido com uma das maiores revoluções culturais da história. Tudo bem! Amo a Renascença italiana e o que ela representa para o pensamento humano e A Sereníssima República de Veneza para mim é o maior encanto. Portanto, podem dizer que foi tendencioso escolher um italiano para um Informativo destinado para uma classe musical dominada pela influência italiana. Que falem! Pelo menos isso! E que também leiam, pois a leitura nos transforma e nos torna pessoas de maior conhecimento, embora nem sempre de melhor personalidade – O que fazer?!. Caccini foi homem de música e viveu de música. E como este informativo é destinado àqueles da música, nada melhor que um grande músico de uma grande época da música para dar nome a este Informativo. Até a próxima.
Ricardo Rimas-D’Ávila.

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