EDITORIAL: OUTUBRO-NOVEMBRO DE 2006

Outro dia, conversando com meu amigo Atalla Ayan, fui acusado por ele de somente falar mal de todos os resenhados neste informativo. Criança tola. 1º. Aqui eu não falo; escrevo. 2º. Meu trabalho é pautado na imparcialidade e na sinceridade de meus comentários. 3º. Minha escrita é ácida porque assim a prefiro e por conta da minha formação literária, impregnada do realismo sem concessões de Machado de Assis e do naturalismo sem muitas mesuras de Eça de Queiroz. 4º. Não teço comentários de cunho pessoal contra os meus comentados – pois não conheço pessoalmente a maioria. Tenho a visão somente da análise musical fria e imparcial – mesmo daqueles que são meus amigos do peito. 5 º. É necessário que haja o entendimento – principalmente dos músicos – que fazer carreira artística nos torna pessoas públicas e alvo de qualquer comentário; seja de entendidos ou de desentendidos nos assuntos musicais. 6º. Vocês músicos eruditos belenenses necessitam se acostumar a serem analisados sobre o vosso desempenho, pois isto faz parte da vida de um artista. Aqueles que querem pisar no palco e somente receber elogios, então repensem os seus conceitos e considerem – com bastante seriedade – a possibilidade de desistirem da vida artística, pois artista de carreira está sujeito à crítica alheia. E olha que em Belém por estes tempos somente eu me meti a fazer crítica musical no papel. Todos os músicos que freqüentam concertos formam as suas opiniões, assim como o público mais tradicional e que já tem uma boa percepção do que está sendo feito em termos musicais. Não há como escapar das críticas. Nem eu com este informativo estou livre das críticas dos jornalistas de formação ou de escritores mais experientes. Se tivesse medo de ser criticado teria desistido da idéia de criar o Caccini. Vida artística não é para crianças mimadas, ciosas de conseguirem o que desejam e de sempre serem admiradas. Ser artista é estar a serviço da arte e não – nunca – tentar colocar a arte a nosso serviço. Isto é desonesto com ela e conosco enquanto artistas. Muitos pensam em se tornar artistas para serem milionários, famosíssimos e amados por multidões. Tolos, tolos, tolos. Quantos artistas conseguem entrar nesse seleto grupo? Demorou para pensar e listar artistas desse grupo? Não se assuste, a nossa classe sempre foi uma classe pobre e de quase nenhum reconhecimento. Portanto, aqueles que aqui já foram analisados, é bom irem se acostumando, se de fato, quiserem ser artistas de carreira. Pois se um dia eu deixar de escrever o Caccini, certamente não deixarei de dar meus comentários. Mas pode acontecer algo mais significativo: os jornais de Belém podem passar a ter uma coluna exclusiva para críticas musicais, então, eu deixarei de ser o único que analisa o que vocês fazem no palco. Terei pelo menos mais dois companheiros fazendo isto. Detalhe: eles não podem ser músicos como eu, e daí, se perguntem se eles tecerão comentários musicais com conhecimento musical como eu faço. Ser criticado por um músico de formação é uma coisa. Por um jornalista que pouco ou nada entende de música erudita é outra. Termino afirmando: ao analisá-los, não estou querendo o mal de ninguém, somente fazendo o balanço do que se está fazendo e de como está sendo feito em termos de música erudita em Belém. Só isso e nada mais.

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