sábado, 21 de março de 2009

EDITORIAL: AGOSTO DE 2006

Nos últimos cinco anos o retorno das férias nos coloca defronte de um compromisso inadiável, o Festival de Ópera do Teatro da Paz. Pois bem meus caros e vips leitores, a preocupação já começa a ameaçar de brancura os meus ainda coloridos cabelos. Explico: neste ano temos eleições para o governo do Estado, e como já é tradicional no Brasil, a falta de continuidade de um governo para o outro enche de ameaças às boas realizações que nos atingem. Neste caso específico, o referido festival. Ora meus caros, o Festival de Ópera é realização do partido tucano – há doze anos no governo paraense – e por isso mesmo identificado diretamente com o bicudo pássaro símbolo do partido social-democrata. Pensar em Festival de Ópera do Teatro da Paz é pensar em Paulo e Gilberto Chaves, super-heróis na criação do Festival; mas como bem é sabido, homens que nos últimos anos trabalharam a favor da cultura paraense sob a indicação direta dos governadores Almir Gabriel e Simão Jatene, são por tabela, indicações tucanas e como tal certamente não sobreviverão à devassa realizada na troca de cargos de confiança numa possível mudança de partido no comando do governo paraense.
Sinceramente não desejo Almir Gabriel novamente no governo estadual. Ele é um membro fiel do PSDB, e por isso fiel aos princípios do partido de vender aquilo que é do povo para a iniciativa privada, como bem fez com a CELPA. Mas Almir Gabriel é tucano, adora Paulo Chaves, tem confiança em Gilberto Chaves e certamente os manterá nos seus cargos. Mas sinceramente meus colegas, se o bem estar do povo paraense depender da exoneração dos primos Chaves e o fim do Festival de Ópera, eu darei, sem remorsos, um adeus aos dois.
Os vermelhinhos do PT e os novatos do P-SOL (cuja cor não conheço) certamente, e como já disse é de praxe no Brasil, botarão Paulo e Gilberto para correr de seus postos, substituindo-os por profissional ligados a estes partidos. É esta a prática da administração pública no Brasil e o Pará não é exceção à regra. Acredito que, talvez, pela força que o Festival de Ópera do Teatro da Paz já tem e sua repercussão internacional, sim, internacional o novo governador não seja louco de acabar com um evento do qual possa tirar proveito político, tipo: - “Pelo nosso compromisso com a cultura paraense, damos continuidade ao Festival de Ópera do Teatro da Paz, iniciado no governo anterior”; ou algo assim. Espero ansiosamente que daqui a um ano eu possa voltar das férias de julho e saber que os ingressos para o Festival de Ópera já estão a venda no Teatro da Paz. Isto será uma grande alegria.

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