PARAENSES FAZEM “PATINAÇÃO NO GELO” NO MARACANTO

Enquanto os astros globais estão, nos últimos domingos, quebrando a cara para dar vexame no quadro “Dança no gelo” do infame Domingão do Faustão, os cantores líricos paraenses estão fazendo do Maracanto sua pista de patinação no gelo particular, considerando-se a quantidade – proporcional – alta de vencedores paraenses neste concurso de canto lírico.
Comparo estas vitórias paraenses no Maracanto à patinação no gelo, pois é visível que a patinação no gelo é esporte gracioso, cheio de leveza e suavidade, beirando a arte da dança. Para nós, que somente vemos de longe esta prática, parece ser de fato maravilhosa. Talvez não seja fácil patinar no gelo, mas para quem sabe o difícil pode se tornar fácil e assim transmitir esta sensação para quem vê.
O Maracanto, agora em 2006, foi como uma pista de patinação para os cantores líricos paraenses – todos estudantes” – pois dos cinco participantes somente um não obteve premiação. E estes quatro vêm a se juntar aos vencedores anteriores, aumentando o número de paraenses premiados.
Uma comparação boa de se fazer agora, acredito eu, é o fato do Concurso Bidú Sayão ser sediado em Belém e a participação dos cantores líricos paraenses ser exígua ou quase nula. Este concurso internacional realizado no Teatro da Paz parece ser um acontecimento desconfortável para os paraenses e, tenho certeza, para muitos dos meus colegas cantores, que em conversas já disseram, com todas as letras, não valer a pena participar de um concurso de canto lírico, onde nós paraenses somente servimos para ser platéia. E é até bom dessa maneira, pois a maioria dos premiados estão longe de ter uma grande voz. Da técnica vocal deles não falarei, pois aí já terei que baixar o nível para me igualar ao nível técnico da maioria dos participantes, e isto não farei, para manter este informativo em um nível razoável. O Bidú Sayão é concurso para “queimação” de cantores, mas que para suas exaltações.
Mas com o Maracanto a coisa é diferente. Paraenses, além de participarem, são premiados. Neste ano de 2006, foram premiados Jéferson Oliveira, tenor (3º. Lugar, categoria Júnior); Atalla Ayan, tenor (2º. lugar, categoria Júnior); Antônio Wilson, tenor (1º. lugar, categoria Máster) e Diogo Monteiro, barítono (Prêmio Júri Popular na categoria Júnior). Somente Márcio André, aluno de Márcia Aliverti, não foi agraciado com premiação. Compreensível. Em 2005, Taina Roberta foi 1º lugar e Júri Popular na categoria Junior; Gigi Furtado foi 3º lugar na Senior e Dione Colares 2º lugar e Júri Popular na Máster.
Ora meus amigos, tanta premiação é de se estranhar que nossos cantores líricos sejam mais premiados fora que dentro de casa. A inveja pelo talento alheio e até pela inteligência alheia em Belém é caso de policia. E isto, levará todos os nossos grandes músicos a fazerem carreira fora de Belém, considerando-se que dentro de nossa própria cidade ninguém com o poder cultural na mão dá-lhes o devido mérito. Nenhum dos vencedores do Maracanto deste ano receberam pelo menos um muito obrigado oficial das instituições onde estudam. Termino com a dita: se for para “puxar-saco” de músicos de fora, então pelo menos que mandem os nossos estudar na Rússia, na Itália ou outro estado brasileiro. Quando eles voltarem terão pelo menos um beneficio que os estrangeiros não têm: Todos são falantes de português!

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