ALEXANDRE GISMONTI NO WALDEMAR HENRIQUE

O filho de Egberto Gismonti pela primeira vez se apresentou no Festival Internacional de Música do Pará em um horário novo para um público que não chegou a lotar o teatro, mas foi um público impecável pela atenção que deu ao músico. Alexandre executou obras suas, de seu pai e quatro outros compositores: Palle Windfeldt, Tom Jobim, Luiz Gonzaga e Sivuca. Mostrou habilidade ao violão e total intimidade com seus dois acompanhantes: o contrabaixista Mayo Pamplona e o percussionista Felipe Cotta. Executaram obras do repertório popular arranjadas pelo trio como Feira de Mangaio de Sivuca que Clara Nunes gravou e imortalizou e Asa Branca de Luiz Gonzaga num belo arranjo que não distorceu o original do mestre do forró.
Alexandre não apresentou as obras na ordem descrita no programa e para cada execução anunciava as músicas. No programa as obras estão assim registradas: Alexandre Gismonti: Sapateado; Forrozinho; Cosmopolita; Chora, Antônio!; No meio da rua; Baião de Domingo (que segundo o autor é um forró com F maiúsculo) e Saudades. Egberto Gismonti: Frevo; Alegrinho; Palhaço; Loro. Palle Windfeldt: Abispa. Tom Jobim: Samba do Avião. Luiz Gonzaga: Asa Branca e, por fim, Sivuca: Feira de Mangaio.
Os três músicos são ainda muito jovens, todos na casa dos vinte anos (Alexandre tem 25), eles mostram bastante habilidade no que fazem e Alexandre já é aclamado em vários lugares como um jovem virtuoso do violão. De formação erudita, sólida e abrangente ele tem se apresentado em vários festivais pelo mundo: Brasil, Italia, Espanha, Israel, Dinamarca, Portugal, França, Chile, Uruguai, Argentina, Cuba, Mexico, República Dominicana, entre outros países e acompanhou o pai, Egberto, em suas turnês internacionais. Como compositor tem suas obras selecionadas para importantes festivais de música instrumental brasileira como o 1º Festival Guarulhos Instrumental e o 1º Festival TIM de Choro realizado aqui em Belém.
Alexandre demonstrou em sua apresentação no Teatro Waldemar Henrique uma grande habilidade técnica e uma postura musical centrada na música e na parceria com seus acompanhantes. O violão brasileiro tem mais um virtuoso a seu dispor.

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