AMAZÔNIA JAZZ BAND FAZ 20 ANOS

A big band mais famosa da região norte completa duas décadas de vida com super-concerto de aniversário onde, lógico, não faltaram convidados e obras de peso do repertório do grupo. Dirigida pelo seu atual regente titular, o percussionista paulista Ricardo Aquino, a Amazônia contou com as presenças do clarinetista paraense Marcos Cohen, o trompetista paraibano Moisés Araújo Alves – apelidado pelos colegas de Paraibinha – e o Trio Manari de percussionistas paraenses – entre eles, Nazaco Gomes – mais uma pá de músicos da Fundação Carlos Gomes, que além de ajudarem a soprar as velinhas, ajudaram na execução de parte do repertório. O programa reapresentou obras que foram encomendadas pela FCG especialmente para a Amazônia Jazz Band: Amazônia de Marlos Nobre, Derivations de Morton Gould e a Toccata Amazônica de Dimitri Cervo, mais obras que já haviam sido executadas pelo grupo.
O programa, como já é tradição nas apresentações do grupo, teve uma alteração: no lugar de Partindo pro Alto de Nelson Aires foi executado um arranjo de uma canção de Gonzaguinha; ficando assim o programa: Marlo Nobre – Amazônia, Morton Gould – Derivations, Dimitri Cervo – Toccata Amazônica. Intervalo. George Michael – kissing a fool, Mike Stern – Chromazone, Djavan – Flor de Liz, A canção de Gonzaguinha[1], Arturo Sandoval – Closely Dancing, Mongo Santamaria – Afro Blue, Pat Metheny – Awaking.
O barítono paraense Daniel Araújo, convidado que solou a canção de George Michael, Kissing Fool foi obrigado pelo técnico de som a fazer uma apresentação acústica, pois o dito-cujo não ligou a caixa amplificada que serviria para a apresentação de Daniel. Seu canto foi ouvido bem baixinho pois cantar música popular requer microfone, o que não teve. Mas Daniel é cantor lírico de formação e como já é habituée do Teatro da Paz, sabemos que voz para encher o teatro ele tem, só que música popular não é ópera e vice-versa. Valeu a tentativa. No próximo ano o técnico liga a caixa de som.
Mas quando se trata de som eles não faltaram nas obras executadas em todo o programa. Aquivo, como sempre muito feliz à frente da Banda, não falou muito e levou o concerto inteiro numa seriedade que não lhe é muito comum nas apresentações. Concerto de aniversário necessita ser centrado e ele sabe disso. De obras que requerem uma leitura precisa da partitura com a de Nobre a arranjos de músicas populares a Jazz Band foi perfeita. Só não foi perfeito o público, lotado de jovens ainda na adolescência, que ainda estão por aprender a se comportar em um concerto. A nova geração de ouvintes faz exatamente o que a minha geração fez: falam durante a apresentação, pensam que as cadeiras do Teatro da Paz são de praça pública, riem, fazem brincadeiras e se distraem ouvindo a música. Daqui a alguns anos eles estarão pedindo silêncio durante os concertos.
O que dizer dos músicos da Amazônia Jazz Band? Que eles são fenomenais, que fazem a música que fazem com total paixão e prazer em fazê-la? Sim, e muito mais. A habilidade técnica requerida para este tipo de músico e visível para todos. A banda possui músicos muito bem treinados e habilidosos no seu metier. A Amazônia Jazz Band completa vinte anos de vida dando ao Pará o orgulho de ser a maior big-band do norte do Brasil e uma das maiores do país. Ouvi-la é sempre um prazer.



[1] A referida canção de Gonzaguinha foi utilizada pela Rede Globo na abertura da telenovela Duas Caras exibida recentemente.

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