CORAL CARLOS GOMES PRÉ-OLÍMPICO

O premiado e invejado Coral Carlos Gomes, regido com precisão pela cubana Maria Antonia Jiménez, apresentou-se na sexta-feira dia 06 de junho na faixa de concertos das 18:00 horas no Teatro Waldemar Henrique, após o término da jornada de concertos no mesmo horário mas realizados na Igreja de Santo Alexandre. Selecionados para a próxima Olimpíada de Corais e ainda a procurar patrocínio, o Coral apresentou um programa pesado que é a revisão do repertório do grupo com a maioria das obras já apresentadas em outros concertos e agora, novamente, contando com a participação do barítono Daniel Araújo que por mais de ano ficou fora do coral e do tenor Adamilson Abreu, que é o criador e regente do Madrigal Experimental de Repertório. Tiago Costa que será Ernesto na montagem da D. Pasquale donizettiana no próximo Festival de Ópera da Amazônia também fez seu solo. O grupo continua com a mesma qualidade técnica na execução do repertório e com o mesmo som límpido e sem tensões, propícios para as obras corais de fino trato trabalhadas por Maria Antonia e o Coral.
O programa foi o seguinte: Nunes Garcia: Judas Mercator Pessimus; Victoria: O Magnum Misterio; Bruckner: Ave Maria; Tchaikovsky: Liturgia Russa; Fauré: Salve Regina; Mozart: Letanie Lauretanie; Ernani Aguiar: Psalmus CL. Intervalo. Guastavino: Arroz con leche; Taneev: Estrelas; Genée: Salada Italiana; Ronaldo Miranda: Cantares; Ariel Ramirez/Felix Luna: Alfonisna y el mar; Escobar: Flora, cinco canções de amor; Ronaldo Miranda: Belo-Belo. Devido a apresentação ter iniciado com vinte minutos de atraso e logo a seguir estar programada a apresentação do Muiraquitã Jazz não houve bis.
A apresentação toda foi um primor. Como o repertório já foi apresentado anteriormente na quase totalidade, fico com destaque para uma peça que nunca tinha ouvido o coral apresentar; trata-se da Salada Italiana Richard Genée. Imaginem um coral todo construído com as indicações de tempo e expressão que usamos na música, tais como: Smorzando, sforzando, con piacere, piano, forte, fortíssimo, fine dell’opera e por aí vai, auxiliados pelo solo do barítono cantando frases soltas e igualmente desconexadas. Com a cara de fanfarrão feita por Daniel Araújo o coral que foi escrito de forma hilária ficou impagável de tão engraçado. Um momento ímpar dentro do programa. Bastaria esse coral para a apresentação ganhar nota 10, mas como sempre ele vai para o conjunto da obra.

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