terça-feira, 21 de abril de 2009

LEVEZA NA ABERTA: SINFÔNICA DO PARANÁ INICIA TEMPORADA 2009

No domingo dia 8 de fevereiro às 10h30 a Orquestra Sinfônica do Paraná sob a regência de seu titular Alessandro Sangiorgi deu início à temporada de concertos 2009 com um concerto onde a leveza foi a tônica da apresentação; excluindo o algo sombrio contido na introdução da abertura A Gruta de Fingal, também conhecida como As Hébridas, o concerto foi marcado pela leveza e lirismo do classicismo haydniano e do romantismo germânico de Mendelssohn Bartholdy. O primeiro representado pelo Concerto para oboé e orquestra em dó maior e o segundo pela célebre suíte Sonho de uma noite de verão.
A execução da OSPR foi a melhor desde os últimos concertos do ano passado, tanto na evidente firmeza dos músicos quanto pela leitura apropriada de Sangiorgi, que com este concerto de abertura redimisse da heresia cometida com a temporada d’O Quebra-Nozes durante o natal de 2008. Pulso firme, embora Sangiorgi não alce voos altos, mostrando que não passa de um regente regular como tantos outros que existem neste planeta. Mas pelo menos para música ligeira ele se mostra apropriado, pois não põe invencionices nas partituras interpretadas, sobretudo, quando se trata de partituras conhecidas e favoritas do público no caso das de Mendelssohn Bartholdy.
A Gruta de Fingal, que vai do escuro ao claro, do sombrio ao alegre em sua páginas revelou-me alguns sons desconhecidos, pois só a ouvira em gravações discográficas até então. É a prova de que música no disco não substitui a música ao vivo, pelo menos na erudita. Apesar de eu sentir uma certa “vacilação” das cordas no início e de um ou duas tropeçadas das madeiras, a execução foi boa e sua audição agradável.
Mas verdadeiramente agradáveis foram as execuções do concerto de Haydn e da suíte de Mendelssohn. O solo do concerto haydniano ficou a cargo do spalla dos oboés, o pernambucano Paulo Barreto. Atualmente mestrando em música pela UFPR e formado na Alemanha, onde estudou por cinco anos, Paulo é desses instrumentistas que como Bach desmonta e monta o seu instrumento para dele ter um conhecimento total. Especialista nos multifônicos, Paulo sabe muito bem o que faz com o oboé. Sabe de todas as suas possibilidades e como também sabe consertar o seu instrumento sabe das diferenças de sonoridade entre os diferentes oboés. É um anatomista do oboé, assim como Bach foi um anatomista do órgão. Versado no repertório oboístico, Paulo tirou de letra um concerto que evidentemente já lhe é íntimo há anos e por isso toca com a intimidade existente entre velhos amantes. Sangiorgi, talvez contagiado pelo entusiasmo de Barreto, levou a orquestra com brilho e aquela alegria palaciana contida característica da música de mestre Haydn. Alegria para germânicos não é a mesma para latinos, portanto, não devemos esperar voos muito altos da música do professor de Beethoven. Uma nota 10 pela certeza de Barreto e pelo acompanhamento apropriado de Sangiorgi.
Mas desde que comecei a ouvir as apresentações da Orquestra Sinfônica do Paraná em 2007, e mesmo passando por vários regentes neste período, nunca a ouvira tão luminosa e feliz como foi na execução da suíte Sonho de uma noite de Verão de Mendelssohn Bartholdy. Descontando a entradas furadas na Abertura das madeiras e algumas derrapadas das trompas e trompetes, a execução foi assaz agradável. Executar obra célebre e amada pelo público sempre é sucesso garantido, noves fora, os erros dos instrumentistas que são percebidos por toda a assistência na sala de concerto. Descontando as já citadas derrapadas, a sonoridade obtida por Sangiorgi e a OSPR foi comparável a de um CD; tanto foi o empenho dos músicos na melhor execução possível da obra. Mas nada comparado à execução da Marcha Nupcial que encerra a suíte: vi músicos sorridentes, tão logo os trompetes deram início à sua célebre introdução. Daí foi só “partir para o abraço” e para os aplausos. Mas como é de praxe aqui em Curitiba, não houve bis. Se estivéssemos em Belém do Pará certamente a orquestra teria de reprisar não somente a Marcha Nupcial, mas como o casamento inteiro.

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