QUARTETO MAESTOSO ABRE A FAIXA DO MEIO-DIA NO FESTIVAL

O Quarteto Maestoso foi o primeiro grupo a se apresentar na faixa do meio-dia no XXI Festival Internacional de Música do Pará e abriram com gala o tradicional horário da “fome de música”, devido a se realizar no horário do almoço. Formado por quatro jovens e talentosos músicos paraenses, o quarteto tocou um programa bem organizado e com obras de peso do repertório camerístico. Luciana Arraes (1º violino), filha do contrabaixista Jonas Arraes, Hélio Saveney (2º violino), Rodrigo Santana (viola) e Lais Tavares (violoncelo) executaram o Quarteto nº 1 de Osvaldo Lacerda, o Quarteto nº 19 em dó maior “Dissonante” de Mozart, um arranjo de M. J. Isaac para o “Tema de Lara” do filme “Dr. Jivago” de David Lean, assim atendendo a temática do Festival e o difícil Quarteto nº Op. 110 de Shostakovich, que foi o ponto alto da apresentação.
Rodrigo Santana, que é violinista de formação, abandonou o agudo instrumento em favor da viola por ter esta um som menos estridente, o que já lhe estava incomodando – daí a troca – e anda se saindo muito bem como violista. Os quatro jovens músicos fizeram sua segunda apresentação neste Festival, já que a estréia deles foi no XX Festival, realizado ano passado. O grupo que foi formado em fevereiro de 2007 e é mais um quarteto de cordas que Belém vê nascer: só espero que ele não morra como os outros que já se formaram na cidade e nunca mais deram as caras.
O grupo está de parabéns pelo recital apresentado e, sobretudo, pelo som trabalhado: limpo, luminoso, vigoroso, atendendo as recomendações dos compositores contidas nas partituras. Infelizmente não assisti ao Osvaldo Lacerda, mas a partir de Mozart pude acompanhar a performance. O Quarteto Dissonante teve suas sonoridades executadas bem a contento e os músicos procuraram destacar as dissonâncias do início do quarteto que lhe deram o referido apelido. Mas um ou outro som um pouco desqualificado, talvez pelo nervosismo da estréia, não deixou a obra mozartiana alcançar uma execução nota dez, mas eles ficam com nove; o que já está de muito bom tamanho. O Tema de Lara arranjado para quarteto de cordas trouxe emoção para a platéia de cinéfilos como eu que além de assistirem ao filme de David Lean amam o apaixonado tema escrito pelo mestre Maurice Jarre. Luciana preparou um clipe com imagens do filme projetado durante a execução da música. Quase chorei.
Mas o auge da apresentação foi o Quarteto de Schostakovich. Música que expressa os horrores da guerra, requer muita concentração e força física dos músicos para executá-la. Obra pesada, cheia de tensão, típica do compositor que também trabalhou os horrores da guerra em outra grande obra sua, a Sinfonia nº 5, que aliás é citada no Quarteto. O primeiro movimento, um Largo, é tranqüilo, porém cheio de tensão, avançando para o vigorosíssimo e sinfônico segundo movimento, um Allegro molto, que requer braço dos músicos acima de tudo. Música pra lá de violenta mostrou que os quatro músicos estão muito qualificados para enfrentar o repertório camerístico de peso como essa obra pesada de Schostakovich. Nota 10 para o programa e outra nota 10 pelo Schostakovich, que demonstrou termos um grande quarteto de cordas e desde já queremos bis.

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