LA BAYADÈRE NO TEATRO DA PAZ

O espetáculo apresentou o bailado de Ludwig Minkus pela Companhia de Dança Ballare, situada à TV.: Padre Eutíquio, próximo à Av. Conselheiro Furtado. O bailado teve sua estréia no Teatro Mariinsk de São Petersburgo no Império Russo em 1877. O mesmo, como indica o ingresso, previa o início às 20:00 hs, mas começou com meia-hora de atraso! Foi a primeira vez que o referido bailado subiu à cena paraense quase na íntegra. Quase, porque a cena em que Solor é consolado por um amigo e toma ópio, fazendo-o delirar, foi suprimida iniciando o 2º ato diretamente na cena das Baiadeiras Mortas, conseqüência do delírio de Solor.
A coreografia apresentada foi a original de Marius Petipa com revisão de Natalia Makarova, atualmente levada à cena, também, no Covent Garden de Londres. Os cenários e indumentárias respeitam a versão original, de modo que a nossa sensação foi de ter voltado no tempo, sentindo-nos na São Petersburgo imperial.
Quanto ao elenco, formado por professoras e alunas da Companhia Ballare, mostra a garra com que as escolas de dança paraenses tentam criar um universo profissional para a dança clássica no Pará.
As alunas, muitas delas já avançadas nos estudos, conseguiram levar a coreografia rebuscada de Petipa com competência, embora se note claramente, a falta de amadurecimento técnico em que elas se encontram atualmente. Isto, digo, não é empecilho para elas continuarem a dançar, e sim é condição importante para seguir na arte da dança. Certamente, essas meninas, futuramente e já amadurecidas, darão ao público paraense a fina arte da dança clássica. Hoje, La Bayadère, amanhã O Lago dos Cisnes, A Bela Adormecida, O Quebra-Nozes, Raimonda, Paquita, D. Quixote, sem esquecer os brasileiros como A Floresta do Amazonas de Villa-Lobos. A arte do bailado pode não ser tão admirada quanto a arte operística nesta cidade eminentemente vocal, mas o ímpeto do repertório tradicional de dança, feito por quem gosta e sabe fazê-lo, dá-nos a grata felicidade de saber que Belém dança. Dança com graça, com garra e com vontade de dançar!
P.S.: A crônica falta de meninos estudantes de dança no Brasil, mais uma vez se fez sentir nessa apresentação!

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