QUARTETO BRAHMS

No dia 05 de março foi a vez do Quarteto Brahms se apresentar pela mesma série de concertos. Tocaram o Klavierquartett em Mi bemol maior op. 47 de Schumann e o Klavierquartett em dó menor op. 60 de seu patrono. Formado pelos músicos Noé Herói (violino), Julian Heichelbech (viola), Lisiane de los Santos (violoncelo) e Naila Alvarenga (piano). Formação internacional, posto que Noé é Belga de Bruxelas, Julien alemão e as duas moças brasileiras: Lisiane é de Porto Alegre e Naila é mineira.
Os quatro têm pouca idade: ainda estão na casa do vinte, mas tocam com a precisão técnica e o apuro interpretativo que ainda deixam as escolas musicais européias na vanguarda da formação musical deste planeta, excetuando-se Naila, que sendo pianista graduou-se na maior escola de piano do planeta, ou seja, o Brasil. Sim senhores, eu disse Brasil!
Nunca havia ouvido essas duas obras anteriormente. De Schumann já é meu velho conhecido o Quinteto para piano e vários peças para piano solo. Desse modo já tenho uma pequena visão da música camerística do cabeludo saxão e amigo e incentivador de Brahms. Aliás, uma grande e boa sacada foi ter juntado os dois amigos em um programa. Dá para ouvir a sobriedade típica dos alemães que se fez muito presente, sobretudo, nas suas obras de câmera e também dá para diferenciar os caminhos e objetivos que levaram os dois compositores a se diferenciar na conclusão de suas obras. Enquanto Schumann era um poeta do piano nos dizeres de Fernando Palácios e preocupação de Brahms com o legado beethoveniano parece-me que sempre o travou de imprimir um caráter apaixonado em sua música, sempre excessivamente preocupada com o aspecto da construção técnica da música e de sua mania de fazer e refazer a partitura inúmeras vez. Levou 29 anos para escrever a 1ª Sinfonia por puro medo do legado de outro cabeludo alemão: ele mesmo, Ludwig.
Voltando aos jovens músicos do quarteto sua apresentação merece nota 10 pela limpeza do som, pela igualdade na dinâmica e pela total interação na interpretação. Já houve dentro do Festival Internacional de Música de Câmera do Pará dois quartetos; um de Schumann e um de Mendelssohn interpretados por um conjunto alemão que deixaram o Teatro da Paz totalmente sonolento. Talvez por serem alemães e sentirem essa austeridade alemã como natural e, creio eu, pelo desejo de mostrar a música alemã como puramente alemã tenha levado esse quarteto cujo nome não me recordo a imprimir uma interpretação germânica demais para uma platéia latina como a nossa. Mas nesse erro não caíram esses quatro giovinetti. Tanto Schumann quanto Brahms, que Tchaikovsky considerava maçante, foram executados de uma maneira não cansativa para nossos ouvidos. Muito bom, pois música de câmera deve ser tudo, menos cansativa.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ESSA NEGRA FULÔ: ANÁLISE

FORMA E ESTRUTURA NA ÓPERA: CENA III - ESTRUTURAÇÃO DE UMA ÓPERA

Mozart: Bastião e Bastiana em português e com sotaque paraense