TRIO ELEONORE

O referido Trio apresentou-se no dia 11 de março, também pela série Concertos para Belém da Vale. Criado em Genebra em 1999 é formado pela pianista goiana Ivani Cardoso Venturieri, pela clarinetista israelense Anat Kolodny e pela ciellista sul coreana Mi-Kyung Kim. Considerando-se a raridade da formação é natural que não conheçamos nenhuma das obras apresentadas. E certamente a maioria do público também. Mas como as obras contêm dois dos mais graciosos instrumentos de orquestra (cello e clarinete) a música é de todo agradável. O Trio executou de Bruch: 4 peças Op. 83, de Joachim Stutschewsky: Hassidic Fantasy, de Paul Juon: Trio Miniatura Op. 18 (Rêverie, Humoreske, Elegie, Danse phantastique) e de Glinka: Trio Pathétique em Ré menor.
A maioria das músicas com grande melodismo e doçura. Bruch e Glinka são compositores românticos, portanto, esse melodismo apaixonado já é de se esperar neles. Porém os dois outros compositores não posso afirmar se suas melodiosas obras são naturais do romantismo ou de um romantismo tardio pela falta de suas datas de nascimento e morte para melhor localizá-los no tempo.
Nessa formação o piano deixa seu posto de solista para se entregar ao acompanhamento das melodias feitas pelo clarinete, o verdadeiro solista do trio. O sopro de Anat Kolodny e tão bem controlado e livre de tensões que por horas parece que é um robô tocando e não um ser humano. Se a clarinetista em algum momento fica stressada ela não o deixa atingir sua música, pois no palco parece sempre controlada, visando somente a limpidez de sua interpretação total.
O violoncelo de Mi-Kyung Kim só comprova ser ele o verdadeiro rei da sonoridade entre as cordas com arco. A infelicidade é que nem todo dia encontramos um ciellista com braços vigorosos e dedos destemidos como Kim para fazer-lhe justiça. Nos momentos dados ao cello, ela extraiu uma sonoridade tão poderosa quanto clara. Como sou barítono morri de inveja daquele som. Ah se eu o tiver um dia!
Ivani, premiadíssima, dispensa comentários, mas eu os farei. Dedos igualmente vigorosos e experientes. Mãos certeiras e ouvidos sempre atentos às colegas que acompanhava. As três por alguns momentos pareciam uma orquestra resumida em trio. Outra grande apresentação que deixa Belém na dianteira dos concertos musicais eruditos entre as capitais nortistas, ganhando até de Curitiba, cidade que é muito organizada urbanisticamente, mas que ainda terá que andar muito se quiser se igualar a nós. Para um belenense acostumado a concertos todas as semanas, Curitiba é o fim do mundo musical erudito. Depois de morar lá um ano eu percebi que nós temos muita música, pois outras cidades não têm nenhuma.

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