ARTIGOS SOBRE O I FESTIVAL INTERNACIONAL DE MÚSICA DE CÂMERA DO PARÁ

Jornal do Brasil, sábado, 23 de abril de 1988


RADICAL – Rubens Monteiro

O quarteto municipal de cordas de São Paulo recebeu um sonoro não do prefeito Jânio Quadros e não poderá participar em maio do 1º Festival Internacional de Música de Câmara do Pará.

No despacho ao convite formulado pela Fundação Carlos Gomes, Jânio disparou: “Indeferido. Não sairá da capital”.

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O veto é mais uma seqüela do acidente de dois meses atrás, na inauguração do Teatro Municipal de Americana, no interior paulista, quando o palco desabou e o buraco aberto tragou cerca de 100 músicos da Orquestra Sinfônica Municipal e cantores do coral municipal de São Paulo.

A partir daí, Jânio passou a proibir viagens dos músicos para fora da cidade.

Não abre exceção nem para uma eventual apresentação no Teatro Municipal do Rio.



10 – 1º Caderno – A Província do Pará – Belém – Quinta-feira, 19 de maio de 1988.

Belém sedia 1º Festival de música de câmera

O Governo Hélio Gueiros, através da Fundação Carlos Gomes, estará realizando no período de 23 a 29 de maio o 1º Festival Internacional de Música de Câmera de Belém.

Estarão reunidos em Belém, Grupos Camerísticos de categoria internacional, destacando-se entre os quais o “Quarteto Esterhazy”, da Universidade de Missouri (USA) e o “Quarteto Bessler-Reis”, além da presença do maestro Edward Dolbashian, da Universidade do Missouri, que regerá a Orquestra de Câmera do Festival, no concerto de encerramento, a ser realizado na Catedral Metropolitana de Belém, às 21:30 horas do dia 29 de maio próximo.

Data Hora Local Evento
23 21 Sala Ettore Bosio MADRIGAL DA UFPA
Regente: João Bosco da Silva Castro
24 21 Sala Ettore Bosio ORQUESTRA DE CÂMERA DO PARÁ
Regente: Eugene Ratchev (Búlgária)
25 21 Sala Ettore Bosio QUARTETO ESTERHRAZY, da Universidade de Missouri (USA) Eva Szkely - 1º violino (Romênia), John McLeod - 2º violino (USA), Carolyn Kenneson - viola (USA), Carleton Spotts - cello (USA)
26 21 Sala Ettore Bosio QUARTETO BELÉM, da Fundação Carlos Gomes (Brasil) Eugene Ratchev - 1º violino (Bulgária), Afonso Barros - 2º violino (Brasil), Haralampi Mitkov - viola (Bilgária), Petar Saraliev - cello (Bulgária)
27 21 Sala Ettore Bosio QUINTETO DO FESTIVAL, Maria Vischinia - 1º violino (Uruguai), John Splinder - 2º violino (USA), Marcelo Jaffé - viola (Brasil), Zigmund Kubale - cello (Polônia), Marília Caputo - piano (Brasil)
28 18 Sala Ettore Bosio RECITAL DO PROJETO CORDAS. Direção: Profª, Linda Kruger, da Universidade de Missouri (USA), Coordenação e Supervisão: Anamaria Peixoto, da Fundação Carlos Gomes (Brasil)
21 Sala Ettore Bosio QUARTETO BESSLER-REIS, Bernardo Bessler - 1º violino (Brasil), Michel Bessler - 2º violino (Brasil), Marie-Christine Springel - cello (Brasil). Participação especial: pianista Maria Helena Andrade (Brasil)
29 21:30 Sala Ettore Bosio CONCERTO DE ENCERRAMENTO - ORQUESTRA DE CÂMERA DO FESTIVAL, Regente: Edward Dolbashian (USA)

O 1º Festival Internacional de Música de Câmera de Belém, conta com o patrocínio do Governo do Estado do Pará; Companheiros das Américas Pará-Missouri; Varig; Hotel Equatorial; Hotel Vanja e Imprensa Oficial do Estado e o apoio da Fundação Rômulo Maiorana e da Rádio Cultura FM.

Todos os recitais terão entradas francas, estando os convites à disposição do público interessado na Secretaria do Instituto Estadual Carlos Gomes, situado à Av. Gentil Bittencourt nº 977.

ADENIRSON LAGE



O LIBERAL, Belém sábado 21 maio 1988 1 cad. 3

*** A diretora da Fundação Carlos Gomes, Glória Caputo ficou tão surpresa quanto feliz com a superlotação da Sala Ettore Bosio, na ultima quinta-feira, quando estreou, dentro do projeto Waldemar Henrique, a Orquestra de Câmera Paraense. *** Ela precisou fechas as portas do auditório já superlotado para ouvir a orquestra, que, segundo os planos da professora Glória, em breve será transformada na primeira Orquestra Sinfônica de Câmera do Pará. *** O projeto Waldemar Henrique é promovido pelas Fundações Romulo Maiorana e Carlos Gomes, com o apoio do Governo do Estado e da Vale do Rio Doce.

O Liberal Belém dom 22 maio 1988 1cad. 27.

Música de Câmera

Belém vai ter o seu I Festival Internacional de Música de Câmera, em promoção do Governo do Estado através da Fundação “Carlos Gomes”, que se realizará a partir de amanhã, na sala “Ettore Bosio” reunindo em nossa cidade grupos camerísticos de categoria internacional, destacando-se “Quarteto Esterhazy” e o “Quarteto Bessler-Reis” e o maestro Edward Dolbashian, todos da Universidade do Missouri. A abertura, às 21 horas de amanhã, será com o Madrigal da UFPa, regido por João Bosco da Silva Castro. O encerramento será no dia 29, na Catedral Metropolitana, às 21:30 horas.

O Liberal Belém dom 22 maio 1988 2cad. 7.

Na rota da erudição

Durante seis dias, em Belém, orquestras nacionais e internacionais participam do primeiro Festival de Música de Câmera

O Pará entra na rota dos concertos internacionais. De 23 a 29 de maio, a Fundação Carlos Gomes estará realizando o I Festival Internacional de Música de Câmera de Belém, que, apesar de não incluir exibições competitivas, mostrará orquestras nacionais e internacionais, de certa forma “competindo”. Mas apenas em qualidade.

Na programação do festival estão incluídos recitais diários, que acontecerão no Conservatório Carlos Gomes, na Sala Ettore Bosio, sempre às 21:00 horas. Na abertura, se apresentará o Madrigal da Universidade Federal do Pará, sob a regência do maestro João Bosco da Silva Castro.

Na dia 24 será a vez da Orquestra de Câmera do Pará, que tem como integrantes: nos violinos, Eugene Ratchev (spalla – violino principal), Márcia Aliverti, Nildo Baía, Jorge Catete, Afonso Barros, Corina Brito e Flávio Costa; nas violas, Harralampí Mitkov e Jairo Chaves; nos violoncelos, Petar Saraliev e Milene Aliverti; no contrabaixo, Marin Iliev; e no cembalo (contrabaixo contínuo), Marília Caputo.

Dia 25 será a noite da atração internacional: O Quarteto Esterhazy, Universidade de Missouri, Estados Unidos, composto por Eva Szekeli, da Rumânia (1º violino), John McLeod, EUA, (2º violino), Carolyn Kenneson, EUA, (viola) e Carleton Spotts, EUA, (violoncelo). Dia 26 ocupa a Sala Ettore Bosio o Quarteto de Câmera de Belém, da Fundação Carlos Gomes, com Eugene Ratchev (1º violino), Afonso Barros (2º violino), Harralampi Mitkov (viola) e Petar Saraliev (violoncelo).

No dia 27 apresenta-se o Quinteto do Festival, formado por Maria Vischnia (1º violino), John Spinder (2º violino), Marcelo Jaffé (viola) e Zigmund Kuballa (violoncelo). A apresentação do Quinteto, que conta com integrantes paulistas, contará com a participação especial de Marília caputo ao piano. Na noite seguinte a programação é dupla, começando no final da tarde: às 18 horas, haverá o recital do Projeto de Cordas, realizado pela Fundação Carlos Gomes com crianças, que tem a coordenação d professora Linda Louise Kruger, da Universidade de Missouri. Às 21 horas acontecerá o concerto do Quarteto Bessler-Reis, do Rio de Janeiro, que tem como seus integrantes Bernardo Bessler (1º violino), Michel Bessler (2º violino), Marie-Christine Springuel (viola) e Alceu Reis (violoncelo).

O encerramento acontecerá no dia 29, mas desta vez às 21:30 horas e na Catedral Metropolitana da Sé. Na ocasião do I Festival Internacional de Música de Câmera de Belém, formado por integrantes dos outros quartetos, quintetos e orquestras que se apresentaram durante o festival: como primeiros violinos, Eugene Ratchev, Maria Vischinia, Eva Szekeli, Márica Aliverti e Nildo Baía; como segundos, John Splinder, John McLeod, Afonso Barros e Corina Brito; nas violas, Harralampi Mitkov, Carolyn Kenneson e Marcelo Jaffé; nos violoncelos, Carletton Spots, Zigmund Kubala e Petar Saraliev; e no contra-baixo, Marin Iliev. A orquestra terá como regente o maestro Edward Dolbashian, Diretor da Orquestra da Universidade de Missouri.

A idéia da realização do festival, segundo a diretora da Fundação e do Conservatório Carlos Gomes, Glória Caputo, nasceu ano passado, quando a fundação recebeu do Quarteto Esterhazy propostra para uma apresentação em Belém; como a Fundação já havia também entrado em contato com outros quartetos, locais e nacionais, resolveu-se realizar um festival e não pequenos concertos separados.

O Liberal, 23 de maio de 1988 – Jornal do Brasil

Grande evento na área da música em Belém

Os grandes nomes da Orquestra de Câmara de vários países do mundo estarão participando do 1º Festival Internacional de Música de Câmara de Belém, que acontecerá a partir do dia 23 de maio, numa promoção da Fundação Carlos Gomes. Grupos como o Quarteto Esterhazy, da Universidade do Missouri, Estados Unidos, e do Quarteto Bessler-Reis, formado por componentes brasileiros e uma búlgara, Marie-Christine Springel, estarão se apresentando na Sala Ettore Bósio, do Instituto Carlos Gomes.

O talento regional estará bem representado pelo Madrigal da Universidade Federal do Pará (UFPa), que abrirá o Festival no dia 23, seguido pela apresentação da Orquestra de Câmara do Pará, no dia 24, regida por Eugene Ratchev, da Bulgaria. Todas as apresentações do Festival serão no horário das 21 horas, na Sala Ettore Bosio, do Instituto Carlos Gomes, com exceção do sábado, dia 28, quando estão programadas duas apresentações, uma para as 18 horas e outra no horário de 21 horas. O programa do Festival e os convites para assistir aos recitais, que acomtecerão no período de 23 à 28 de maio, podem ser retirados na Secretaria do próprio Instituto, na Avenida Gentil Bittencourt, 977.

Como chave de ouro, para fechar o 1º Festival de Música de Câmara de Belém, no dia 29 de maio, às 21:30 horas, na Catedral Metropolitana de Belém, haverá um concerto de encerramento com a Orquestra de Câmara de Belém, regida pelo maestro Erward Dolbashian, da Universidade do Missouri, Estados Unidos. O concerto será aberto ao público que quiser prestigiar o evento e participar de um dos mais importantes momentos lítero-culturais já ocorridos em Belém.

A Província do Pará, 24 de maio de 1988

Quarteto Esterhazy faz apresentação no festival

O 1º Festival de Música de Câmera de Belém, no seu 3º dia de programação, terá amanhã a participação de um Conjunto Camerístico Norte-Americano, o Quarteto Esterhazy, na Sala Ettore Bosio, às 21:00 horas.

Eva Szekely (1º violino), John MacLeod (2º violin), Carolyn Kenneson (viola) e Conleton Spotts (violoncelo), são os instrumentistas que compõem o Quarteto que tem se apresentado constantemente nos Estados Unidos e Canadá, bem como realiza, com sucesso, desde 1976, turnês pela América do Sul (Brasil, Argentina, Venezuela e Chile).

O programa selecionado para noite de hoje está representado pelo Quarteto nº 132 de Beethoven, Quarteto nº 1 do compositor norte-americano Charles Ives e Quarteto nº ‘ do brasileiro Heitor Villa-Lobos.

Segundo crítica do Jornal de Brasília, o Quarteto Estenhazy (sic) é uma síntese de estilo e unidade.

DIÁRIO DO PARÁ Belém 3ª. 24 maio 1988 D-5 LANA

De música

Teve início, ontem, e prossegue até domingo o I Festival Internacional de Música de Câmera de Belém, com a participação de músicos do Brasil, Bulgária, Estados Unidos, Romênia, Uruguai, Polônia e Bélgica. O festival leva a chancela do Governo do Estado do Pará, através da Fundação Carlos Gomes. E os concertos serão realizados todos os dias, às 21:00 horas, na Sala Ettore Bosio, com o encerramento marcado para a Catedral Metropolitana de Belém.

A Província do Pará Belém 4ª 24 maio 1988

Festival de Música de Câmera

EVENTO – Quarteto Esterhazy. DATA: 25 de maio de 1988 (4a. feira). HORA: 21 horas. LOCAL: Sala Ettore Bosio

O 1º Festival de Música de Câmera de Belém, no seu 3º dia de programação, terá hoje a participação de um conjunto Camerístico Norte-Americano, o Quarteto Esterhazy.

Eva Szekely (1º violino), John McLeod (2º violino), Carolyn Kenneson (viola) e Conleton Spotts (violoncelo), são os instrumentistas que compõem o Quarteto que tem se apresentado constantemente nos Estados Unidos e Canadá, bem como realiza, com sucesso, desde 1976, turnês pela América do Sul (Brasil, Argentina, Venezuela e Chile).

O programa selecionado para a noite de hoje está representado pelo Quarteto Nº 132 de Beethoven, Quarteto nº 1 do compositor norte-americano Charles Ives e Quarteto nº 1 do brasileiro Heitor Villa-Lobos.

Segundo crítica do Jornal de Brasília, o Quarteto Esterhazy é uma síntese de estilo e unidade.

O LIBERAL, 3ª 24 maio 1988 Arte/Espetáculo 23

Raízes bem brasileiras na primeira música do festival

Os versos são do poeta e escritor paraense Bruno de Menezes. E a música foi composta e harmonizada pelo maestro João Bosco da Silva Castro, da Fundação Carlos Gomes. Intitulada “Cheiro de Mulata”, esta música, interpretada pelo Madrigal da Universidade Federal do Pará, foi a responsável pela abertura do I Festival Internacional de Música de Câmera de Belém, ontem, às 21 horas, na Sala Ettore Bosio da Fundação Carlos Gomes. Sob a regência do maestro João Bosco da Silva Castro, o Madrigal da UFPa interpretou somente músicas de autores brasileiros, tais como Manoel Dias de Oliveira e padre José Maurício Nunes Garcia, representativas do tempo do Brasil colônia; composições do maestro Guerra Peixe, com sua série Xavante, baseada em fragmentos de uma coletânea de canções dos ameríndios Xavante.

Os temas de origem afro também estiveram presentes na programação do Madrigal da UFPa, através das composições de Carlos Alberto Pinto da Fonseca, Waldemar Henrique, Esther Scliar e Francisco Mignone. Participando intensamente da programação cultural do Projeto de Interiorização da Universidade Federal do Pará, através de recitais nos municípios de Bragança, Abaetetuba, Santa Izabel do Pará, Castanhal entre outros, o Madrigal, composto atualmente por vinte e seis integrantes tem como regente o maestro João Bosco da Silva Castro, da Fundação Carlos Gomes. Iniciativa do Governo do Estado, através da Fundação Carlos Gomes, O I Festival Interncional de Música de Câmera de Belém, que tem o apoio da Fundação Rômulo Maiorana, reunirá em Belém grupos camerísticos de categoria internacional, com destaque para o “Quarteto Esterhazy”, da Universidade de Missouri, Estados Unidos, e o “Quarteto Bessler”.

Programa Variado

O maestro norte-americano Edward John Dolbashian, da Universidade de Missouri, que foi especialmente convidado a participar do festival, regerá a Orquestra de Câmera do I Festival Internacional de Música de Câmera de Belém, no concerto de encerramento do festival, dia 29, que será realizado na Catedral Metropolitana de Belém, às 21:30 horas. Na opinião do maestro João Bosco da Silva Castro, o I Festival Internacional de Música de Câmera de Belém representa “uma célula embrionária de movimentos coletivos, a nível regional, nacional e internacional”.

O I Festival Internacional de Música de Câmera de Belém, também tem o patrocínio da organização Companheiros das Américas Pará-Missouri, Varig, Hotéis Equatorial e Vanja, Imprensa Oficial do Estado e apoio da Rádio Cultura FM. A programação do festival é variadíssima, e no repertório há desde composições de Haendel e Vivaldi, a Samuel Barbie (sic) e Mozart. Com exceção do concerto de encerramento, que será na Catedral Metropolitana às 21:30 horas, toda a programação do festival está sendo realizada na Sala Ettore Bosio da Fundação Carlos Gomes, às 21:00 horas. O outro evento a ser realizado fora daquele horário é o Recital do Projeto Cordas. Dirigido pela professora norteamericana (sic) Linda Louise Kruger, e coordenado pela professora Anamaria Peixoto, da Fundação Carlos Gomes, o Recital Projeto Cordas será apresentado às 18 horas, na Sala Ettore Bosio.


A Província do Pará 25 de maio de 1988

Câmera em festival

O Conjunto camerístico Quarteto Esterhazy, norte-americano, considerado pela crítica como “uma síntese de estilo e unidade”, faz o programa do I Festival de Música de Câmera de Belém que a Fundação Carlos Gomes vem promovendo, em sua Sala Ettore Bosio. Para a apresentação de logo mais, às nove da noite, foram selecionadas peças de Beethoven, Villa-Lobos e Charles Ives.

Amanhã será a vez do Quarteto Belém, nos mesmo local e horário, desta feita sendo ouvidas músicas de Mozart, Haydn e Carlos Gomes, interpretadas por Eugene Ratchev, Afonso Barros, Haralampi Mitkov e Petar Saraliev.

O Liberal Arte/Espetáculo 25 maio 1988 4ª p. 21 Belém

À medida que o programa é cumprido, desfilando mestres clássicos e abrindo raro espaço à boa música, os ouvidos ficam mais atentos e são premiados. Ontem a orquestra paraense mostrou a qualidade dos músicos locais. Hoje o talento é importado. E imperdível.

Lugar cativo para o entusiasmo

As notas estão assanhadas na pauta musical. Repetindo o sucesso da estréia na segunda-feira, a programação do I Festival Internacional de Música de Câmera do Pará teve como atração, ontem, a recém-criada Orquestra de Câmera do Pará – e reservou para hoje uma oportunidade inédita para os amantes da boa música em Belém: a apresentação do Quarteto Esterhazy, conjunto camerístico norte-americano que, segundo a crítica especializada, é uma síntese de estilo e unidade.

A apresentação da Orquestra de Câmera do Pará, ontem, na Sala Ettore Bosio e onde está sendo cumprido todo o programa do Festival e seguir a trilha deixada pelo Madrigal da Universidade Federal do Pará, que abriu o evento na segunda-feira. Um clima de intimidade com a música erudita, proposta pelos organizadores do evento. Agora é estimular ainda mais os ouvidos e cumprir, na íntegra, o programa que encerra apoteoticamente no dia 29, com um recital imperdível da Orquestra de Câmera do Festival, que será regida pelo maestro norte-americano Edward John Dolbashian, na Catedral Metropolitana de Belém.

Outro destino

Ontem foi o dia de grandes mestres desfilarem pelos instrumentos da Orquestra, com solos de Eugene Ratchev, Nildo Baía, Afonso Barros, Haralampi Mitkov e Petar Saraliev. Um recital bem variado e bonito, que inclui composições clássicas universais de Bach, Vivaldi e Corelli.

Primeira orquestra subvencionada pelo Governo do Estado e seus componentes, Eugene Ratchev, Márcia Aliverti, Nildo Baía, Jorge Catete, Afonso Barros, Corina Brito e Flávio Costa (violinos); Haralampi Mitkov e Jairo Chaves (violas); Petar Saraliev e Milene Aliverti (violoncelo); Marília Caputo (cembalo); e Marin Iliev (contrabaixo) são, agora, funcionários públicos – a Orquestra de Câmera do Pará é o resultado, também, da persistência da Fundação Carlos Gomes. E espera-se que seu destino não seja o mesmo de outras orquestras que já foram compostas no Pará – como a da Universidade Federal e a Orquestra de Cordas do Projeto Espiral, que sucumbiram às dificuldades financeiras. Se depender do exemplo de dedicação e organização de seus músicos, ela permanecerá. E se sua apresentação de ontem, no Festival Internacional, contar alguma coisa, essa permanência é inquestionável.

Esterhazy

Mas o entusiasmo também tem lugar cativo, hoje, quando será apresentado o Quarteto Esterhazy, às 21 horas. O grupo é composto pelos músicos Eva Szekely (1º violino), John McLeod (2º violino), Carolyn Kenneson (viola) e Conleton Spotts (violoncelo), e tem-se apresentado constantemente nos Estados Unidos e no Canadá, além de já ter realizado turnês pela América do Sul – foi à Argentina, esteve no Chile e na Venezuela e chegou até o Brasil, embora, naquela vez, não tenha vindo ao Pará.

Mas nunca é tarde – ou pelo menos ainda não é. O Quarteto apresenta, esta noite, na Sala Ettore Bosio da Fundação Carlos Gomes, o seguinte programa: Quarteto nº 132 de Beethoven, Quarteto nº 1 do compositor norte-americano Charles Ives e abre espaço para o mestre brasileiro Heitor Villa-Lobos, interpretando o Quarteto nº 1.

O Liberal Arte/Espetáculo 25 maio 1988 4ª p. 21 Belém

Carência de recursos humanos é a barreira

A vinda a Belém do maestro norte-americano Edward John Dolbashian, se deu através do programa Companheiros das Américas Pará-Missouri, que prevê um intercambio nos campos da cultura, tecnologia e ciência, e o presidente do comitê em Belém é o vice-reitor da UFPA Almir Morrisson. Atualmente trabalhando como regente da Orquestra formada por professores da Universidade de Missouri (EUA), onde também leciona regência e música de câmera, o maestro Dolbashian é natural de Nova York. Na entrevista, o maestro lembrou que dois paraenses fazem parte da orquestra da Universidade de Missouri, Nelsimar Neves e Áureo Freitas Jr., ambos violoncelistas, foram alunos da professora Linda Kruger e são oriundos do Projeto Espiral, que funcionou de 79 a 81, no Instituto Carlos Gomes.

Nos poucos dias que está em Belém, o maestro já manteve contato com o trabalho que vem sendo desenvolvido pela FCG, e considerou-o excelente. Depois de se congratular com os diretores e coordenadores da fundação, ele destacou a “dedicação que a FCG tem dispensado ao ensino da música para as crianças”, experiência que o maestro reputa como a primeira que ele já viu em todo o mundo. Nesse aspecto, o maestro João Bosco observou “que estamos (a FCG) cada vez mais convictos de que o investimento deve ser priorizado para as crianças e os jovens”, e acrescentou ser esta a “principal linha de conduta levada a efeito pela Fundação Carlos Gomes”.

Linguagem universal

E o maestro Bosco lembrou que no recital do dia 28, oitenta e quatro crianças de seis a doze anos colocarão em prática o que aprenderam nos meses de janeiro e março. Ao assistir à estréia da Orquestra de Câmera do Pará, o maestro norte-americano ficou fascinado, considerando que a orquestra tem apenas um mês de vida. Ela foi criada com a chegada a Belém do professor japonês, o violinista Zenzo Matsumoto, que também é instrutor de cordas. Matsumoto veio a Belém através de um convenio com as Fundações do Japao e Carlos Gomes. Com a chegada dos professores búlgaros, em junho de 87, a Orquestra de Câmera foi criada a partir de uma seleção dos melhores alunos. Foi formado primeiramente o Quarteto de Cordas e, depois, a orquestra.

Segundo pôde observar o maestro Dolbashian, falta em Belém recursos humanos para formação de mais orquestras. E ele acredita que, suprida esta carência, Belém poderá se transformar no futuro “um grande centro cultural do Brasil, pois tem tudo para conseguir esse posto”, disse o maestro. Depois de se considerar um privilegiado por ter sido convidado a participar do Festival, o maestro norte-americano, que vem pela primeira vez ao Brasil, explicou com propriedade o eventual problema que poderia surgir com relação à comunicação com os músicos brasileiros: “A língua não é barreira para o músico, que sabe muito bem que a música é uma linguagem universal”.

ARTE/ESPETÁCULOS O LIBERAL Belém 5a 25 maio 1988 1cad. 25

Suspiros de Mozart no Festival

Prosseguindo a programação do I Festival Internacional de Música de Câmara de Belém, se apresenta hoje, a partir de 23 horas, na Sala Ettore Bosio da Fundação Carlos Gomes, o “Quarteto Belém”. Formado por um brasileiros e três búlgaros, o quarteto foi criado na Fundação Carlos Gomes, no ano passado. A chegada dos instrumentistas búlgaros a Belém, em junho de 1987,proporcionou a materialização de um antigo e acalentado sonho da comunidade belenense: possuir um Quarteto de Cordas permanente. Oficialmente o Quarteto foi lançado num brilhante concerto realizado no Teatro da Paz, na noite de 30 de setembro de 1987.

Sob um clima mozartiano, Eugene Ratchev (1º violino), Afonso Barros (2º violino), Haralampi Mitkov (viola) e Petar Saraliev (violoncelo), se apresentaram oficialmente numa formação que recebeu o nome de “Quarteto a Belém”, uma homenagem à cidade. Desde esse dia, o quarteto não mais parou de se apresentar. Antes de excursionar recentemente para o município de Porto Trombetas, se apresentando no auditório da Mineração Rio do Norte, o “Quarteto Belém” realizou concertos no Teatro da Paz, na Sala Ettore Bosio da Fundação Carlos Gomes, na Assembléia Paraense, no Hilton Hotel, e na Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves.



Programa de hoje

Na programação a ser apresentada hoje no I Festival Internacional de Música de Câmera de Belém, o “Quarteto Belém”. Interpretará composições dos mestres da música clássica estrangeira como Joseph Haydn e Wolfgang Amadeus Mozart, e brasileira, aí representada por Antonio Carlos Gomes. De Haydn o quarteto tocará o “Quarteto Op. 17 nº 5”, (em sol maior), nos quatro movimentos Moderato, Minueto, Adagio e Presto. De Mozart, será tocada pelo “Quarteto Belém” a peça “Quarteto nº 15 (em si b maior), nos três movimentos Andante grazioso, Allegro e Rondo. Após um rápido intervalo, o “Quarteto Belém” volta a tocar, dessa vez a belíssima “Sonata para Cordas”, em sol maior, de Carlos Gomes, nos quatro movimentos Allegro animato, Schersoso, Adagio, lento e calmo e Vivace “O burrico de pau”.

Após quarenta dias em Belém, depois de formarem o quarteto, os instrumentistas búlgaros formaram a primeira Orquestra de Câmera do Pará, que anteontem se apresentou na Sala Ettore Bosio da FCG, pela segunda vez desde que foi criada. A partir daí, eles começaram a dar aulas de música para alunos da Fundação Carlos Gomes. Na Bulgária, segundo declarou Haralampi Mitkov, os três instrumentistas – que em princípio ficariam dois anos em Belém, mas que poderão estender esses contrato até os cinco – tocam em orquestras de câmera, sinfônica e filarmônica. Está nos planos da superintendente da Fundação Carlos Gomes, Glória Caputo, formar a Orquestra Sinfônica da FCG. E esse projeto seria realizado a partir da colaboração dos músicos búlgaros.

Turnê no 2º semestre

Apesar de não tocarem juntos na Bulgária, os três músicos já se conheciam. E a experiência de tocarem no mesmo conjunto para eles está sendo muito interessante. Todos os quatro componentes do “Quarteto Belém” lecionam música (nas matérias relacionadas a seus respectivos instrumentos) na Fundação Carlos Gomes – cada um tem uma turma de cerca de dez alunos. Os brasileiros que pretendem estudar música erudita, na opinião de Haralampi, irão esbarrar numa dificuldade: a falta de uma tradição clássica. Nos países europeus, explicou o búlgaro, desde os quatro anos de idade, os estudantes tem a música em seu currículo escolar uma matéria obrigatória (e eliminatória, às vezes). Para Haralampi Mitkov, o que falta em Belém (e, inclusive, no Brasil, de um modo geral) para se formar bons músicos (“e os brasileiros, já podemos observar, são de uma musicalidade impressionante, têm muito ritmo”) é preciso “incrementar mais a divulgação da música clássica”.

Para ele, houve um tempo em Belém (na época da borracha), que a música clássica foi bastante incentivada, com a contratação de grandes orquestras e músicos de renomes para apresentações no Teatro da Paz. Passou a fase áurea da borracha, “passou o entusiasmo pelo clássico”, lamentou Haralampi. A partir do segundo semestre, o “Quarteto Belém” e também a “Orquestra de Câmera do Pará” farão apresentações por cidades brasileiras e estrangeiras. Em outubro, por exemplo, o quarteto fará uma turnê pelo Suriname e Guiana Francesa. Para Haralampi, a maior divulgação que pode haver “é um conjunto tocar em vários lugares”. Ao finalizar a entrevista, os instrumentistas búlgaros declararam esperar que “nosso trabalho dê bons resultados para os alunos da Fundação Carlos Gomes”.

A PROVÍNCIA DO PARÁ Belém 4ª 25 maio 1988 1cad. 4

Rubens Silva

Festival de Música de Câmera

Cena atração especial será apresentada, hoje, às 21 horas, no 1º Festival de Música de Câmera de Belém, que está sendo promovido pela Fundação Carlos Gomes. É o Quarteto Esterhazy, americanos, que desde 1976 realiza turnês pelos países da América do Sul, já tendo visitado, além do Brasil, a Venezuela, Argentina e o Chile. Saudado pela crítica como uma síntese de estilo e unidade, o Quarteto Esterhazy na sua programação o Quarteto Número 1 de Villa-Lobos.

A Província do Pará, Belém, 26 de maio de 1988

Do programa do I Festival Internacional de Música de Câmera que a terrinha assiste, hoje, constará uma audição especial do Quarteto Belém. A exibição será na Sala Ettore Bosio, da Fundação Carlos Gomes, com o quarteto formado por Eugene Ratchev, Afonso Barros, Haralampi Mitkov e Petar Saraliev tocando peças de Haydn, Mozart e Carlos Gomes.

A Província do Pará, 26 de maio de 1988

Quarteto Belém no festival Camerístico

Evento: Quarteto Belém

Data: 26 de maio de 1988 (5ª feira)

Hora: 21 horas

Local: Sala “Ettore Bosio”

Mais uma vez a comunidade belenense estará aplaudindo o Quarteto Belém, que hoje se apresenta na Sala Ettore Bosio, integrando o elenco de conjuntos camerísticos que estão participando nesta semana do 1º Festival Internacional de Música de Câmera de Belém.

Oficialmente, o Quarteto Belém foi lançado num brilhante concerto realizado no Teatro da Paz, na noite de 30 de setembro de 1987.

Do programa de hoje constam peças de Joseph Haydn (Quarteto Op. 17 nº 5) Wolfgang A. Mozart (Quarteto nº 15 em si b maior) e de Antonio Carlos Gomes (Sonata para Cordas), que serão interpretadas por Eugene Ratchev (1º violino), Afonso Barros (2º violino), Haralampi Mitkov (viola) e Petar Saraliev (violoncelo).

O Liberal, Belém 6ª 27 maio 1988 p. 23

Entrosamento se destaca no recital de hoje

A primeira parte da programação de hoje do Festival Internacional de Música de Câmera de Belém repete aquela intimidade harmônica em torno das composições de Wolfgang Amadeus Mozart. O trio camerístico da Fundação Carlos Gomes, formado por Jacob Cantão (clarinete), Marília Caputo (piano) e Jairo Chaves (viola) iniciarão o programa às 21 horas, na Sala Ettore Bosio, tocando o Trio Mozart KV 496 nº 7, nos três movimentos andante, minueto e allegretto, e a Sonata Op. 120, nº 1, de Brahms. Interpretando obras de Joseph Haydn, Amadeus Mozart e Antonio Carlos Gomes, a apresentação de ontem do “Quarteto Belém”, formado por três búlgaros e um brasileiro, foi considerado um sucesso pela superintendente da Fundação Carlos Gomes, Glória Caputo.

Após a apresentação do trio camerístico da FCG, é a vez do “Quarteto Estherhazy”, que volta ao palco da Sala Ettore Bosio, para interpretar o Quarteto op. 33, nº 3, de Joseph Haydn. A romena Eva Zsekely, 1º violino do Quarteto Estherhazy, mora nos Estados Unidos e chegou a Belém no último domingo, junto com o conjunto – que se apresenta pela terceira vez em Belém: a 1ª, foi em 80; e a 2ª, em 82. Considerando o resultado do Festival até agora como maravilhoso, a violinista romena se surpreender ao ver os alunos do então Projeto Espiral (realizado em 80) tocando com técnica apurada e profissionalismo. “Quando eu os conheci, eram apenas crianças ainda. Hoje, estão adultos, e tocando na Orquestra de Câmera do Pará, e maravilhosamente bem”, resumiu Eva.

Ela, que dá aulas diariamente a alunos da FCG, tem notado” que eles estão muito flexíveis, bem preparados e dedicados, empenhados com seriedade em seguir a carreira de instrumentista”, disse. E ascrescentou estarem esses alunos sendo muito bem preparados pelos professores da Fundação Carlos Gomes. Sobre o festival, ela o considera “muito importante para o desenvolvimento do aluno”. Já o trio camerístico da FCG, se apresentou pela primeira vez na Série Carlos Gomes, do Projeto Waldemar Henrique. Os três, que começaram a ensaiar em fevereiro, também já se apresentaram no Teatro Margarida Schiwazzappa, do Centur.

A pianista Marília Caputo, filha da diretora da FCG, Glória Caputo, começou a aprender piano aos oito anos, com a professora Dóris Azevedo. Depois viajou com a família para os EUA, onde ficou por três anos, estudando música na Califórnia. Após participar de vários concursos para piano e outros instrumentos, ela tocou em Los Angeles, Miami. Voltou a Belém em 82 onde fez várias apresentações. Em 84, ganhou três prêmios no Concurso Villa-Lobos, em Vitória, Espírito Santo, Marília talvez participe da turnê que o Quarteto de Cordas da FCG fará a partir de outubro, para o Suriname. Hoje, ela fará um duo com Jairo Chaves, na Sonata op. 120, nº 1 de Brahms.

Entrosamento perfeito

O clarinetista Jacob Cantão, iniciou os estudos de música aos dez anos, no Conservatório Carlos Gomes, onde fez musicalização – teoria musical – durante três anos. Depois foi para o Serviço de Atividades Musicais da UFPa, onde está até hoje. Com a diferença de que agora, ele é professor. Ele também leciona música na FCG. “Meu caminho foi diferente dos demais músicos”, explica o clarinetista, “porque me interessei demais pela arte didática do instrumento”. Depois que seu professor Ribamar de Souza foi embora para o Rio, “deixou uma lacuna no SAM, e não havia ninguém para substituí-lo”, explicou Jacob. Como ele era um dos alunos mais adiantados, primeiramente ficou como monitor da turma, e posteriormente, como professor provisório. Finalmente, foi efetivado logo depois como professor da matéria.

Participou de vários festivais em cidades brasileiras como Brasília, Rio de Janeiro, Curitiba e Blumenau. Atualmente ele estuda técnicas de clarinete com o professor titular da Universidade de Brasília Luiz Gonzaga Carneiro. “Eu poderia seguir o mesmo caminho dos outros músicos, que, quando atingem um estágio de relativo domínio do instrumento, vão embora estudar fora”, observou Jacob. Mas, “pra não ficar com peso na consciência” ele assumiu a de professor e “dar uma força para os instrumentistas de sopro do Pará, especialmente o clarinete”, disse Jacob Cantão.

O Liberal, 28 de maio de 1988 na matéria “Em cordas o folclore universal”

Às 21 horas, é a vez de se apresentar o “Quarteto Bessley-Reis”, formado por músicos jovens e do plano internacional. Bernardo Bessley (1º violino), Michel Bessley (2º violino), Marie Christine Springel (viola) e Alceu Reis (violoncelo), formam um conjunto já tradicional e de grande prestigio no meio musical brasileiro, europeu e norteamericano. Em 1985, o Quarteto realizou seus primeiros concertos na Europa e foi calorosamente acolhido pelo público e pela crítica. Uma outra série de concertos o levou para os Estados Unidos em 87. Eles gravam, atualmente, a série completa dos dezessete Quartetos de Cordas de Heitor Villa-Lobos pela Kuarup Discos, que são editados na Europa pela Chaut du Monde (França). “Divertimento KV 138 em fá maior, o Quarteto nº 3 em lá menor compõem a primeira parte do programa que será apresentado hoje, na Sala Ettore Bosio da Fundação Carlos Gomes. Na segunda parte será interpretado o Quinteto para piano e Quarteto de Cordas OP. 34 em fá menor, que terá a participação especial da pianista paraense Maria Helena Andrade.



Arte/ESPETACULOS O Liberal 28 maio 1988 p. 22

Em cordas, o folclore universal

Com a participação de oitenta e quatro crianças de seis a quatorze anos, o Recital do Projeto Cordas, será o único evento do I Festival Internacional de Música de Câmera de Belém a ser realizado às 18 horas, hoje, na Sala Ettore Bosio, da Fundação Carlos Gomes. Sob a direção da professora norteamericana (sic) Linda Louise Kruger, da Universidade do Missouri (EUA), e coordenado pela professora Anamaria Peixoto, FCG, os músicos mirins que compõem o Projeto Cordas colocarão em prática o que aprenderam durante dois meses (janeiro e março) de aulas. São trinta e cinco alunos da turma de janeiro, que já havia recebido durante um ano aulas de musicalização na FCG; e o restante da turma do mês de março, que ainda não haviam recebido aulas de musicalização.

Estes últimos, já aprendem música em contato direto com o instrumento ao contrário dos primeiros que, antes, receberam aulas de musicalização, para só depois tocar efetivamente o instrumento. Este processo, que está sendo utilizado recentemente, consiste no ensino da música em grupo, quer através do teclado, sopro, percussão, cordas, ou outro instrumento qualquer. Segundo a professora Anamaria Peixoto, este processo, além de ser interessante é mais agradável “porque permite à criança ou adolescente colher um resultado mais imediato de seu aprendizado”. A professora Anamaria, que dedica boa parte de sua vida ao ensino da música na Fundação Carlos Gomes, acredita que “todo trabalho em grupo propicia um salutar clima de competição entre os alunos, fazendo com que cada um deles faça o melhor que pode”.

Feito com carinho

Esse processo de ensinamento está sendo desenvolvido com o método especialmente criado para essas crianças. Denominado “Iniciando cordas através do teclado”, método está em fase de editoração e foi escrito pelas professoras Linda Kruger e Anamaria Peixoto. Para fazer o método, as duas professoras realizaram uma intensa pesquisa na musica folclórica brasileira, desde setembro do ano passado, quando chegou a Belém a violoncelista Linda Kruger. O resultado foi o levantamento de um grande número de canções do folclore brasileiro. Parte desse material, foi utilizada no primeiro volume do método escrito pelas duas professoras. “Carinhosamente elaborado pela professora Linda Kruger”, como observou Anamaria Peixoto, o método foi criado visando reduzir as dificuldades interpretativas, de modo a facilitar o aprendizado das crianças.

Por conta dessas dificuldades – entre outras, a extensão das melodias aliada à riqueza rítmica do folclore brasileiro -, não foi possível utilizar somente músicas brasileiras neste primeiro volume do método, mas também canções do folclore universal, em menor escala. O trabalho em grupo observaram as professoras de música, também estimula o desenvolvimento paralelo de todas as crianças. Embora alguns dos alunos demonstrem maior aptidão para a música do que os demais do grupo, o objetivo principal das professoras Linda Kruger e Anamaria Peixoto é no sentido de que “todos brilhem e atinjam um grau de conhecimento equilibrado”. Um dos pontos de maior importância do Projeto Cordas, segundo declarou a professora Anamaria Peixoto, é que “paralelamente ao projeto, estão sendo preparados pela professora Linda Kruger os professores que irão lecionar música para as crinaças”. Esses professores são todos oriundos da Fundação Carlos Gomes e do Serviço de Atividades Musicais da Universidade Federal do Pará. As 84 crianças tocarão peças do folclore universal e serão regidas por Milene Aliverti.

A Província do Pará 29 de maio de 1988

Música na Catedral

Um belíssimo espetáculo que se pode agendar para hoje, às nove da noite: na Catedral de Belém, concerto de encerramento do I Festival Internacional de Música de Câmera do Pará. Violinos, violas, cellos, baixo, cembalo e órgão (este a cargo de João Bosco da Silva Castro) entrarão em cena, com a Orquestra de Câmera do Festival executando peças de Handel, Albinoni, Vivaldi, Mozart e Barber, regida pelo maestro Edward Dolbashian.

Sociedade O Liberal dom 29 maio 1988 1cad. 27

ADENIRSON LAGE

Concerto na Sé

*O I Festival Internacional de Música de Câmera do Pará, promovido pela Fundação “Carlos Gomes”, será encerrado à noite de hoje, com um concerto da Orquestra de Câmera do Festival, às 21 horas, na Catedral Metropolitana, sob a regência do maestro Edward Dolbashian e tendo Joao Bosco da Silva Castro ao órgão. A entra será franqueada ao público e é uma programação realmente imperdível.

O Liberal 1º de junho de 1988

Artes

O QUARTETO Esterhazy, da Universidade do Missouri (EUA), abre hoje a programação da Série Wilson Fonseca do Projeto Waldemar Henrique, com uma apresentação em Santarém, terra natal de um dos mais importantes e brilhantes compositores paraenses, homenageado com o recital e com o título da série.

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