quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

NOVA MÚSICA BRASILEIRA 1

Para aqueles que não sabem quais são os caminhos traçados pela música erudita brasileira na atualidade aqui vai um bom exemplo: o compositor gaúcho Danilo Kuhn, que foi meu colega no mestrado em música da UFPR em Curitiba. Nos endereços abaixos, vocês podem conferir dois trabalhos de Kuhn postados no youtube. É só clicar e conferir o que anda sendo feito na vanguarda musical brasileira. Além da música erudita Kuhn também é ligado a música nativista praticada no Rio Grande do Sul. Dêem um clic e confiram.
Endereço da peça Rinascita:
http://www.youtube.com/watch?v=XjCrxAWxGiU


Endereço de São Lourenço Tchê Chama


http://www.youtube.com/watch?v=Hq0RaDoTaWY&feature=related

domingo, 27 de dezembro de 2009

Novo recital de Atala Ayan e Marília Caputo



De férias em Belém para onde retornou a modo de passar as festas de final de ano com a família dando um tempo no seu curso de canto, que hora realiza em Nova York, o tenor paraense Atalla Ayan dará recital na próxima terça-feira 29 de dezembro de 2009 às 20:oo horas na Sala Augusto Meira Filho no Arte Doce Hall na capital paraense. O programa, camerístico por excelência, terá na sua maioria canções para voz e piano e duas árias operísticas para tenor que estão entre as mais aclamadas e queridas no repertório tradicional dos tenores; o destaque antecipado fica por conta da ária de Lensky do III ato da ópera Eugênio Oneguin de Tchaikovsky que põe por terra a afirmativa de muitos eruditos de que o atormentado compositor russo não passava de piegas criador de melodias sentimentais. Kuda, Kuda é extremamente sentimental, mas para aqueles que ainda não a conhecem saberão assim que a ouvi-la que ela é tudo menos piegas. Pelo programa já divulgado Atalla e Marília conseguiram, certamente, os mais sinceros aplausos.



Programa Atalla e Marília – 29/12

Ludwig van Beethoven:

01. Adelaide

Francesco Paolo Tosti:

02. Non t`amo piu

03. Vorrei morire

04. Ideale

05. L`alba separa dalla luce l`ombra

Vicenzo Bellini:

06. Malinconia, ninfa gentile

07. Bella rosa fortunata

Pablo Sorozabal:

08. No puede ser

Intervalo

Franz Liszt:

09. Benedetto sia il giorno, il mese, l`anno

Robert Schumann:

10. Widmung

Heitor Villa-Lobos:

11. Impressoes seresteiras (piano solo)

12. Lundu da Marquesa de Santos

13. Piotr Ilitch Tchaikovsky:

Kuda, kuda vi udalilis


CURRÍCULUS:


Marilia Caputo

“Marilia Caputo tem invejável talento musical e um domínio assaz louvável da técnica pianística. Admirei dela a qualidade de som que extrai do piano, coisa raríssima de ser encontrada, especialmente nos jovens pianistas da atualidade”.

Francisco Mignone, Compositor brasileiro, depois de ouvir a jovem pianista em concerto na Sala Arnaldo Estrela, no Rio de Janeiro (Brazil).

“Eu fiquei impressionado principalmente pelo seu talento natural para o piano”

Nelson Freire, Pianista brasileiro.

Recentemente admitida no Doutorado em Performance na Rutgers University (New Jersey-USA) a pianista brasileira, Marília Caputo, iniciou seus estudos de piano aos 8 anos no Conservatório Carlos Gomes, em Belém-PA. Neste mesmo ano embarcou para os EUA com sua família dando continuidade aos estudos de piano com a Profª Janice Sharon, da Universidade da Califórnia em Stª Bárbara e logo depois com o Prof. Val Underwood especialista em técnica pianística.

Com apenas 10 anos tocou no Olive House e no Faulkner Gallery, (Stª Bárbara–Califórnia). Aos 11 anos de idade foi uma das vencedoras do Young Artists Competition e no ano seguinte foi convidada a tocar no encontro anual da Orquestra Sinfônica de Stª Bárbara. Também participou de uma série de aulas públicas gravadas para a TV Educativa no Steinway Hall, em Los Angeles onde tocou para o renomado pianista argentino Eduardo Delgado.

De volta ao Brasil, aos 14 anos, ganhou inúmeros prêmios na Competição Villa-Lobos, entre os quais o de melhor intérprete de Villa-Lobos.

Participou de Master Classes com renomados pianistas, entre os quais Oleg Maisenberg, Hans Graff, Nelson Freire e Vladimir Viardo e Richard Goode.

Foi bolsista por sete anos do prestigiado Tchaikovsky Conservatory de Moscou, Russia, tendo sido agraciada com uma bolsa do governo russo, após vencer competição realizada na UFRJ (Brasil). Ainda na Russia, concluiu seu Mestrado, sob a orientação de Alexander Shtarkman e Prof. Ludmila Roschina, pupila do pianista/compositor Samuil Feinberg.

Em Baltimore (USA) concluiu seu Graduate Performance Diploma no Peabody Conservatory, sob a orientação de Boris Slutsky, tendo sido premiada com a Bolsa de Estudos “Virtuose”, do Ministério da Cultura Brasileiro.

Marilia tem tocado pela Europa, América Latina e Estados Unidos, como solista, assim como camerista, já tendo se apresentado com renomados artistas tais como Koh-Gabriel Kameda; São Paulo String Quartet; Reginaldo Pinheiro; Antonio Del Claro; Daniel Guedes; Ignace Jang; Barbara Switalska; Juliana Gondek, entre outros, além de ter desenvolvido intensa atividade pedagógica em sua cidade natal ocupando a cátedra de música de câmara do curso do Bacharelado em Música da Universidade Estadual do Pará.

Tem também participado de diversos Festivais Internacionais, tais como Peppedime University Festival (USA); Festival de Música de Câmera do Norte (Brazil); Festival Internacional de Música de Câmera do Pará (Brazil); Summit Festival (USA) and Hawaii Performing Arts Festival (USA).

Dentre as salas onde se apresentou estão: Weill Hall at Carnegie Hall, Nova York, Sala Rachmaninoff e Malie Sall, Museu Glinka em Moscou, Rússia, Mozarteum , Salzburgo, Áustria, Cecília Meireles, Rio de Janeiro.

ATALLA AYAN

Natural de Belém do Pará, Atalla iniciou seus estudos em 2002 no Conservatório Carlos Gomes, sob orientação da Prof.ª Malina Mineva.

Em 2006, obteve o 2º lugar no X Concurso Nacional Maracanto. Em 2007 venceu o 1º prêmio de Júri e de Público, arrebatando ainda os prêmios Irmãos Nobre e A mais Bela Voz, no I Concurso Internacional de Canto Helena Coelho Cardoso em Belém. Logo após, estreou no Theatro da Paz como Don Alvaro em Il Guarany, de Carlos Gomes e como Rinnucio em Gianni Schicchi, de Puccini.

Participou também como solista do Stabat Mater, de Rossini. Em novembro do mesmo ano ganhou o 1º lugar no Concurso Internacional “Premio Ciudad de Trujillo”, no Peru. Foi um dos vencedores do Concurso Internacional de Canto “Lícia Albanese” em NY- EUA, em 2008.

Apresentou-se pela primeira vez no Theatro Municipal do Rio de Janeiro como Jaquino na ópera Fidelio de Beethoven, em maio de 2008, sob a direção de Roberto Minchuk. Estreou como Rodolfo em La Bohème em Belém e no 20º Greek National Opera em Atenas (2008). Debutou no Teatro Comunale de Bolonha como Ruggero na Ópera La Rondine em fevereiro de 2009.

Seu repertório inclui obras de Mozart, Beethoven, Rossini, Bellini, Donizetti, Schubert, Schumann, Gounod, Massenet, Verdi, Gomes, Puccini, Cilèa e Strauss, entre outros.

domingo, 13 de dezembro de 2009

CORO CARLOS GOMES E O NATAL DE ANA JÚLIA

Teve início na noite de 10 de dezembro de 2009 o Natal para Todos promovido pelo atual governo estadual paraense de Ana Júlia Carepa. Com uma vertente social (doação de brinquedos, lençóis brancos etc.), o evento terá duração estendida até a Noite de Reis de 2010, ou seja, 6 de janeiro, usando música como chamariz de público: música popular, é claro.

Mas para deixar um pouco o populismo petista de lado, foi chamado para “abrir com chave de ouro”, nas palavras da apresentadora, o nosso Coro Carlos Gomes que fez uma apresentação com músicas do repertório popular e algumas do repertório tradicional como Adeste Fidelis. Para variar foi uma boa apresentação, mas sinceramente não gostei nenhum pouco da colocação do Coro dentro da programação.

Todos que estão acostumados a concertos de música popular sabem que as bandas que fazem a abertura desses concertos não passam do limbo musical, afinal de contas elas não estão ali para serem ouvidas. Estão ali somente para encher de música o intervalo antes da verdadeira e principal apresentação. Aquela banda, cantor ou trio elétrico que todos foram lá para ver e ouvir. Portanto, se eu estivesse na organização desse Natal para Todos nunca chamaria um coro medalha de ouro para fazer uma apresentaçãozinha de meia-hora, antecipando a apresentação de um astro da música popular brasileira. Ou mesmo qualquer outro astro. Se o Coro Carlos Gomes não for tratado com o tapete vermelho que merece, mesmo cheio de troféus, ele nunca chegará ao palco principal, pois se ele não tem tratamento vip dentro do circuito erudito de Belém, como ele terá no circuito popular? Será o que foi nesta noite: apenas um coro cantando para um monte de gente que não sabia de sua existência e estavam esperando a apresentação de Ivan Lins; este sim com significado para o público presente.

Muitos aqui de Belém podem e, certamente, consideram-me um chato por cobrar tanto tapete vermelho para este coro. Mas o fato é que eu cobro PORQUE ELE MERECE! Merecem Maria Antonia, Mariane, Rita, Tiago. Todos os que integraram-no, que atualmente o integram e que futuramente o integrarão. O Coro Carlos Gomes já era para ser uma instituição da música no Pará. Mas por conta de muita coisa ruim no meio musical erudito belenense não é. Égua!

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O QUEBRA-NOZES DE ANA UNGER



Final de ano letivo é hora de fazer apresentação dos alunos como culminância de um ano de trabalho e o Centro de Danças Ana Unger não foge a essa regra. A bailarina e coreógrafa paraense, também uma das grandes agitadoras culturais da capital do Pará, este ano fez apresentar no Teatro da Paz uma bela montagem do bailado top de linha escrito por Tchaikovsky e coreografado por Lev Ivanon (Petipa estava doente) em 1892, meses antes da morte do compositor russo.
A montagem contou com a participação de praticamente todo o Centro de Danças, vista a quantidade enorme de bailarinas no palco, acrescida de alguns rapazes abnegados e dedicados ao balé nesta machista terra paraense; dentre eles André Teixeira e Ronilson Cruz que se alternaram na interpretação do Príncipe Quebra-Nozes. Aliás, como não conheço nenhum dos dois bailarinos não sei quem participou na noite de domingo quando assiti e registrei a apresentação.
Visualmente a montagem foi deslumbrante. Os cenários foram bem simples, porém usaram cores vivas e vibrantes para ressaltar o clima de alegria da estória, mas o que, de fato, contribuiu o deslumbre visual foi a iluminação, verdadeiramente bem pensada para ressaltar tanto o cenário quanto os figurinos. esses o maior trunfo da montagem.
Mas tanta beleza plástica esbarrou numa decisão infeliz de Ana Unger responsável pela direção geral do espetáculo: as danças do segundo ato, na maioria, foram reprisadas mais de uma vez (foram feitas edições nas faixas da gravação usada), que de modo que elas ficaram por demais alargadas e para os bons conhecedores do bailado de Tchaikovsky a linearidade e a narrativa econômica da música foram totalmente perdidas.
Já foi escrito que os bailados de Tchaikovsky são verdadeiros bailados de ação. Pois bem, nesta montagem de Ana Unger a ação do mesmo foi totalmente interrompida e prejudicada para que números de sapateado irlandês e espanhol (com castanholas) fossem apresentados parando e alargando a duração da encenação várias vezes. Pensado para ter cerca de hora e meia de encenação, esta versão de Unger teve cerca de uma hora a mais. Certamente não daria para apresentar depois a ópera Iolanta, composta para fazer programa duplo com o bailado em 1892, pois assim sairíamos do Teatro da Paz passada a meia-noite.
A montagem não pode ser considerada profissional pela enormidade de alunos no palco e nem amadora, já que são bailarinos em formação que se apresentaram. Mas o que me incomoda neste tipo de apresentação são os alunos que não sabem para onde ir no palco comprometendo a fluidez da encenação.
Os números de sapateado foram um engodo difícil de engolir, apesar das soluções inteligentes de Ana: eles foram colocados na cena da Batalha e na Dança Espanhola. O grande problema foi que pararam totalmente a ação dramática para as alunas poderem exibir seus dotes coreográficos que, infelizmente, não são primordiais. Ainda faltam muitos toc-toc para elas alcançarem a perfeição. Mas o estágio atual já dá para o gasto.
O espetáculo teve o patrocínio do Super Formosa através da lei SEMEAR e apoio cultural de várias empresas e mais o dinheiro particular das alunas, financiador de suas indumentárias segundo informação dada por uma professora de dança, minha conhecida. Só de olhar dá para perceber que muito dinheiro foi gasto na encenação, confirmando a visão de muitos de nós da área cultural: Belém tem condições de ser um centro cultural de referência. Não é porque a iniciativa privada (detentora da maior fatia de dinheiro) acha um desperdício patrocinar cultura e arte, sobretudo, arte erudita. Público para ela tem.
Como em outras ocasiões, nesta o Teatro da Paz ficou totalmente lotado. A superlotação se repetiu no segundo dia de apresentação com a Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz sob regência do paraense Enaldo Oliveira. Nestas duas noites a entrada foi franqueada ao público.

Ato I, Cena I, nº. 1: A Árvore de Natal

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Sapateado dos soldadinhos de chumbo

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Ato I, Cena, nº. 7: A Batalha; nº 8: A Floresta de pinheiros no inverno

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Ato II, Cena 2, nº. 10: Divertissement a) Chocolate - Dança Espanhola

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Ato II, Cena 2, nº. 13: Valsa das Flores


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FOTOS:

















domingo, 6 de dezembro de 2009

RECITAL ELZBIETA STERNLICHT

A Casa de Estudos Franceses e a Casa de Estudos Germânicos trouxeram para se apresentar em Belém, em recital dado no Teatro da Paz na noite de 26 de novembro de 2009, a pianista polonesa Elzbieta Sternlicht que teve entre seus professores a grande pianista brasileira Magdalena Tagliaferro, estudando Interpretação com ela em Paris. Foi Elzbieta quem selecionou em Hamburgo, Alemanha, o piano de cauda Steinway D usado atualmente para concertos e recitais no Teatro da Paz. De modo que o seu recital foi um reencontro com esse instrumento. Elzbieta é atualmente professora da Universität der Künste em Berlim (Universidade das Artes) sendo especialista em obras pianísticas do século XX, além de obras do repertório tradicional. só mesmo uma pianista estrangeira para dar um recital pianístico todo de obras modernistas em Belém do Pará.
Elzbieta já e uma senhora de idade e por isso mesmo de grande experiência pianística. O seu recital, dividido em duas partes, trouxe o radicalismo moderno de André Jolivet e Olivier Messiaen e após o intervalo o já bastante palatável Claude Debussy. Na minha opinião, só um pouco menos radical que seus colegas.
o Teatro da Paz estava quase vazio, o que é de se estranhar, pois estamos em uma cidade cheia de pianistas. Talvez a divulgação tenha sido insuficiente ou o programa tenha afugentado os nossos conservadores pianistas e ouvintes. O fato é que piano e repertório moderno não atraem multidões na capital paraense. Perderam um grande recital.
André Jolivet (1905-1974) e Olivier Messiaen (1908-1992) foram executados na primeira parte do programa, assim inundando o teatro com os sons mais radicais do pensamento musical novecentista, resultado do comprometimento dos compositores franceses com a vanguarda musical do século XX.
Jolivet teve executada a sua Mana, estruturada em seis movimentos, onde pudemos ouvir dodecafonismo, serialismo, melodia de timbres e as dissonâncias comuns na música novecentista. Aqueles que têm os ouvidos preparados para ouvir somente consonâncias, certamente passaram toda a execução sofrendo com o dissonante colorido da obra de Jolivet, cuja escrita não deve ser fácil de decorar, considerando-se que a pianista a executou lendo a partitura. Mas foi somente esta partitura a ser lida na execução, tanto Messiaen quanto Debussy tiveram as suas obras executadas de cor.


"CURRICULUM

A pianista Elzbieta Sternlicht vem da Polônia. Por causa do anti-semitismo emigrou com seus pais para França, perdeu parte de sua família durante o Holocausto, e estudou finalmente em Paris piano com Vlado Perlemuter, música de câmera com Jacqueline Dessol e interpretação com Magda Tagliaferro. Após uma série de anos de atividades artísticas na França, mudou em 1977 para Berlim. A artista, além do repertorio clássico standard, se especializou em obras para piano do século 20, dentre outros.

Elzbieta Sternlicht trabalha atualmente como professora na Universidade das Artes (Universität der Künste) em Berlim.

Como excelente interprete de compositores franceses, de reconhecimento internacional, a participação da pianista no “Ano da França no Brasil” introduziria um elemento europeu nas programações previstas para Belém, respectivamente para Brasil (“A França Aberta”).

Cabe mencionar que foi a referida pianista que escolheu em Hamburgo, Alemanha, o grande piano de cauda Steinway D para o Theatro da Paz.

Maiores informações sobre a pianista em WWW.sternlichtelzbieta.de"


PROGRAMME

André Jolivet

(1905-1974) Mana

I. Beaujolais

II. L’Oiseau

III. La Princesse de Bali

IV. La Chèvre

V. La Vache

VI. Pégase


Olivier Messiaen

(1908-1992) Vingt Regards sur L'Enfant Jésus

Regard de l'étoile
Noël
Regards des prophètes, des bergers et des Mages
Première communion de la Vierge


entracte

Claude Debussy

(1862-1918) Images séries 1§2

Reflets dans l’eau

Hommage à Rameau

Mouvement

Cloches à travers les feuilles

Et la lune descend sur le temple qui fut

Poissons d’or

Vídeos:


Olivier Messiaen - Vingt Regards sur L'Enfant Jésus: Regards des prophètes, des bergers et des Mages

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Olivier Messiaen - Vingt Regards sur L'Enfant Jésus: Première communion de la Vierge


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Claude Debussy: Images série 2 - Cloches à travers les feuilles

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Claude Debussy: Images série 2 -

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Fotos:







quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

SIBERIAN VIRTUOSI

Na noite de 16 de novembro de 2009 a Orquestra de Câmera Siberian Virtuosi, liderada pelo maestro Fabio Mastrangelo, fez uma apresentação em Belém na Sala Augusto Meira Filho pela Série Concertos para Belém II, realização da Musikart Produções com patrocínio da Vale e apoio do MinC (pela Lei Rouanet). O programa foi o seguinte: Barber: Adagio para Cordas, Mozart: Divertimento em F maior K. 138, Berlioz: Marcha Húngara de A Danação de Fausto, Elgar: Serenade, Villa-Lobos: Prelúdio das Bachianas Brasileiras nº. 4, Holtz: Suíte St. Paul. Houve um bis com uma peça que me é desconhecida.

A orquestra foi formada em 1995 em Novosibirsk, capital da Sibéria. A maioria de seus 14 integrantes também compõem a Sociedade Filarmônica Estatal de Novosibirsk. O repertório apresentado privilegiou duas cores distintas: a luminosa, das obras de Mozart, Berlioz e Holst e a opaca das intimistas obras de Barber e Villa-Lobos e da sóbria (ma non troppo) Serenade de Sir Elgar.

O concerto iniciou com o célebre Adagio para Cordas de Samuel Barber. Já o ouvi várias vezes em diversas gravações, mas esta foi a primeira vez ao vivo. Este adágio de Barber pertence ao grupo de obras com uma escrita tão transparente que qualquer dedo fora do lugar é claramente denunciado, de modo que colocá-la no início do concerto denunciou a coragem dos músicos russos de não temerem causar uma primeira má impressão. Mesmo sendo intimista e de cores opacas, o seu clímax alcança a luminosidade (nas gravações), mas ao vivo este clímax não foi tão luminoso. Mas relembro que música gravada e ao vivo tem um oceano de distância e os engenheiros de som que fazem tudo melhorar, com a ajuda dos músicos, é claro. Mas aqui o que ouvimos é a sinceridade da música sem maquiagem.

Uma grande distância na sonoridade deu-se já na segunda obra: o Divertimento K. 138 de Mozart. Para ele, deveria, de fato, seu um divertimento compô-los de tão alegres, leves e luminosos que são. Embora eu considere os divertimentos nº. 11 e 17 bem mais agradáveis, este K. 138 não fica devendo nos quesitos luminosidade, prazeirosidade e beleza. Para este Divertimento a orquestra deu um salto substancial: tocou com vivacidade, luminosidade, leveza e a graciosidade próprias de Mozart.

A primeira parte do concerto terminou com um arranjo para cordas da Marcha Húngara de Berlioz. Os músicos demonstraram entrosamento e leitura centrada, ou seja, souberam dar vida a um arranjo para cordas de uma música pensada para a orquestra.

Após o intervalo, Sir Edward Elgar foi executado com aquela sobriedade própria dos ingleses e um lirismo próprio do estilo romântico. A música é muito bonita como vocês podem conferir nos vídeos anexados e a Siberian Virtuosi fez jus à sonoridade da Serenade, sobretudo, nas cores mais escuras (e tristes) sentidas por Sir Elgar para o segundo movimento. O terceiro movimento, para mim, não chega a ser alegre, mas não retorna à tristeza do segundo. É mais música de caráter tranqüilo do que alegre.

Eu não sei o porquê de Villa-Lobos ter sido incluído no programa. Pode ter sido uma lembrança pelos 50 anos de falecimento do nosso maior compositor. Se ele foi incluído no programa como homenagem pela passagem, em 2009, de meio século sem Villa, os russos estão de parabéns, pois Villa-Lobos está sendo virtualmente ignorado nas salas de concerto de Belém, que andam prestando mais atenção ao Ano da França no Brasil do que nas cinco décadas de falecimento daquele que deu uma certidão de nascimento à música brasileira de concerto. A orquestra não apresentou as Bachianas Brasileiras nº. 4 na íntegra, apenas uma versão reduzida do primeiro movimento, em andamento mais rápido que o habitual. Mas apesar de corrida, a execução foi boa e com evidente compreensão da partitura de Villa. Isso somente confirma a universalidade de Villa-Lobos como compositor. Apesar de brasileiríssimo, ele soube usar as técnicas de composição vanguardistas de sua época sem deixar “aquele som brasileiro” se perder nas suas obras mais internacionalista.

Gustav Holst e sua St. Paul Suite foram incluídos no programa pelos músicos da orquestra de última hora, considerando-se que no programa estava prevista as Bachianas Brasileiras nº. 9 e não a nº. 4 como última peça. Essa suíte de Holst é bem alegre e multifacetada quanto a paleta de cores. Holst era inglês, mas estranhamente eu senti o primeiro movimento como sendo a descrição de uma alegre cavalgada no velho oeste norte-americano.

Holst é desses compositores cuja imaginação musical combinava o melodismo popular com o erudito de forma tão equilibrada que em algumas paginas dá para duvidar da classificação de sua música: devemos classificá-las como popular ou erudita? Ou mesmo semi-erudita? O pouco que conheço de sua obra me leva a classificá-lo como compositor erudito, mas em determinados momentos a “puxada” para a música popular é tão evidente que acho melhor classificá-lo como compositor de “música de concerto”. Essa St. Paul Suíte, para mim, cabe bem nessa classificação. Ouçam-na completa nos anexos e tirem suas próprias conclusões. Eu, a priori, destaco os primeiro e último movimentos por estarem bem dentro dessa dúvida de classificação musical.

O concerto terminou com uma alegre obra que desconheço como bis.

Samuel Barber: Adagio para Cordas

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Mozart: Divertimento nº. 3 em F maior KV 138 - 1º Allegro

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Mozart: Divertimento nº. 3 em F maior KV 138 - 2º Adagio

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Mozart: Divertimento nº. 3 em F maior KV 138 - 3º Presto


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Berlioz: Marcha Húngara (A Danação de Fausto)


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Elgar: Serenade


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