quinta-feira, 29 de abril de 2010

LEON KEUFFER: HOMENAGEM AO HOLOCAUSTO

Esta postagem foi-me enviada pela minha colega Cecília Keuffer, cantora judia fluminense que faz carreira na Europa, e atualmente está em Belém do Pará; onde foi criada. Pois bem, Cecília é mãe de Leon Keuffer e esposa de Paulo Keuffer, ambos violinistas paraenses de nascença. Leon está estudando na Inglaterra e participou de uma homenagem ao Holocausto dos judeus ocorrido durante a 2ª Guerra Mundial como todos bem sabem. A postagem original está todo no desagradável idioma inglês e assim eu o repito.

"
MANCHESTER NEWS
Courage is the order of the day

MONDAY'S annual Yom HaShoah ceremony was called Triumph of the Spirit. And there was no shortage of courage at the event at Prestwich's Hilton Suite.

More than 600 people were there to hear testimonies, stories and songs.

Tears welled up hearing the some of the survivors' harrowing and horrific tales.

The event began with the call of the shofar by Shalom Goldblatt, followed by Leon Keuffer's moving rendition of the Schindler's List theme on the violin.

Six memorial candles were lit by three generations of the Kleiman family - Karl, Estelle, Lee, Justine, Scarlett and Lydia.

Peter Elliott paid tribute to his Viennese-born grandfather Herbert Elliott, who died in June, aged 84.

He recalled: "My grandfather was an excellent sportsman.

"The level of antisemitism started to increase in 1933 and rose with the Anschluss - the union between Nazi Germany and Austria."

Herbert's father applied for an exit visa for his son, but he wanted to go to Holland with his friend.

However, his father wanted him to go to Britain and he did - his friend died in Nazi-occupied Holland.

"It was the last time my grandfather saw his father as he was sent to Theresienstadt," Peter said.

"He was liberated by the Russians in 1945 and went to then-Palestine to be reunited with daughter Ilsa, but died soon afterwards."

Herbert was sent to live in Preston with a Jewish couple, Mr and Mrs Jackson, who later acted as his unterfuhers at his wedding to Louise.

He also played amateur football for Preston North End.

Peter added: "My grandfather was more than a symbol.

"His experiences made him want to nature and nurture his own family."

Polish-born Myer Hersh, a survivor of several camps including Auschwitz and Buchenwald, read The Survivors' Legacy, before Yoni Mechlowitz and Chazan Michael Isdale beautifully sang the Partisan Song.

Polish survivor Manya Stern told the audience about her childhood in her village and Janina Isaacs read out Manya's emotional memories.

The B'Yachad Male Choral Group, featuring Jonathan Isdale, sang Ani Ma'amin and Menachem Portnoy told Sam Gontarz's story.

There wasn't a dry eye in the house when Sam's son Robbie paid tribute to his Dad, calling him a "fantastic father" before they embraced.

Ian Oster sang Es Brent and Chazan Isdale Es A Enai And El Maale Rachamim and Sophie Mechlowitz told Czechoslovakian-born Sora Kraus' story.

Manchester Great and New Central Synagogue's Rev Gabriel Brodie spoke of the evil perpetrated against the Jewish people before reciting kaddish, followed by 60 seconds of silent reflection.

Perhaps the most indicative words came from Suzanne Kantor, granddaughter of survivor Joe Rubinstein, who read the Pledge to Remember of the second and third generations.

"Our obligation is to you, our parents, who suffered and survived, to our grandparents, who perished in the flames, to our vanished brothers and sisters, more than one million children, so brutally murdered," it said.

Além dessa postagem, Leon foi honrado com uma reportagem de página inteira, destacando-o como único aluno brasileiro (paraense) a ser aceito na prestigiada escola de música Chethans em Manchester na Inglaterra. Palmas para ele, que já demonstrou ser um violinista talentosíssimo e que nasceu com o gene musical presente nos corpos dos pais. Filho de peixe peixinho é diz o ditado popular. Leon é uma confirmação dele. Quem se liga na vanguarda musical ainda ouvirá muito desse excelente músico paraense que ainda está só engatinhando na vida musical, mas ao que tudo indica, será um dos responsáveis por manter intacta a linhagem de grandes músicos paraenses. Cecília e Paulo estão de parabéns e o Pará certamente agradece a eles por ter-nos dado mais um grande músico. Bravo!

15 a 21 de abril de 2010
cultura www.braziliannews.uk.com 22
Violinista brasileiro de 15 anos destaca-se como único brasileiro em famosa escola de música de Manchester
Desafio maior agora é pagar a escola que custa 24 mil pounds por ano!

Quando Cecília escreveu contando ao jornal Brazilian News que seu filho, Leon Keuffer, era a primeira criança brasileira a ser aceita na prestigiosa escola de música Chethams (Chethams é famosa pela biblioteca onde Marx e Engels costumavam se sentar para conversar), em Manchester, a repórter realmente esperava conversar com um garoto, cheio ainda de incertezas
que tivesse deixado Belém do Pará, para concretizar um sonho de estudar música.
Mas Leon, de 15 anos, passa longe de apenas um menino sonhador. Em respostas sérias, é fácil
identificar o quão determinado é em sua carreira de música. Interessado na área desde criança, Leon é filho de pais que sempre tiveram uma veia artística: a mãe é cantora lírica e o pai tocava
violino em orquestra. “Eu sempre me interessei por musica, desde meus primeiros anos. Quando era bebê, minha mãe me levava em concertos em que meu pai tocava com orquestra. Eu também gostava de ouvir meu pai tocar em casa”, conta. E foi assim que seu interesse por música começou.
A escolha pelo violino também foi natural: “Escolhi o violino porque este foi o primeiro instrumento que ouvi tocar; o som do violino entrou na minha mente antes de eu ter nascido! Mas também gosto do desafio e da sensação quando toco violino”.
Foi enquanto estudante de violino que, participando do festival Ex Toto Corde em São Paulo, surgiu uma oportunidade de ampliar seus caminhos: quando o professor brasileiro Carmelo De Los Santos teve que se ausentar do festival, ele foi tomar as aulas com o professor americano Peter Zazofsky, que foi quem indicou o professor Jan Repko, que trabalha na Chetham's School of Music em Manchester, à mãe de Leon. “Eu não conhecia esta escola antes, mas quando fiquei
sabendo, estava certo de que esta era a melhor escolha”, explica Leon.
A preparação para a audição de aceitação foi intensa: ele foi para Belo Horizonte para ter algumas
aulas com o Servio-montinegrense Roman Simovic (que foi recomendado pelo famoso violinista
israelense Shlomo Mintz). “As aulas foram cansativas, mas garantiu o meu sucesso na audição”, conta.
Começando a estudar na Inglaterra em setembro do ano passado, em seis meses, Leon já participou de concertos com orquestra, tocou com seu quarteto de cordas, Keuffer Quartet, fez apresentações solo na escola, na Manchester Cathedral.
Com um horário bastante disciplinado na escola, já que ele é interno, e de muito trabalho, o brasileiro tem aulas de música (que envolve história da música, estilos de música e composição), violino, música de câmara, inglês (literatura), história, matemática, ciências (biologia, fisica e quimica), orientação educacional e educação física.
Único brasileiro em toda a escola, seus colegas são originários de diversas partes do mundo: “Meus colegas não são só ingleses; tem galês, irlandês, grego, francês, japonês, alemão e espanhol na minha turma, mas conheço alguns chineses, azerbajani, jordaniano, noruegueses, singapuriano, australiano e russo. Mas sou o unico brasileiro”.
Com uma agenda cheia, tem semanas que ele deu 5 concertos já. Membro de uma sinagoga local,
a comunidade judaica de Manchester gosta de vê-lo tocando, então ele recebe muitos convites para tocar, aceitando sempre que pode, o que lhe rendeu participação em diversos Mitzvah Day, tocando para idosos e também na festa de Chanuka do Manchester Jewish Museum.
Além disso, ele se apresenta nos concertos da hora do almoço na escola e é membro da Chethams
Symphony Orchestra, que é uma das melhores orquestras jovens da Inglaterra.
A responsabilidade é tão grande que ele é o primeiro violino no Keuffer Quartet, que tem seu nome, justamente por ter esta posição no grupo.
Sobre a experiência como estudante de escola tão importante, ele frisa que os benefícios não se
limitam só à música: “Fiquei mais responsável e independente, inclusive meu interesse por música aumentou bastante. Estou aprendendo coisas novas todos os dias e também conhecendo aspectos interessantes sobre o lugar que moro. Uma boa experiência”.
O desejo futuro? “É ter uma carreira internacional, tocando violino com várias orquestras e, talvez, formar uma carreira de regente e de professor”.
Apesar do empenho de Leon, no entanto, a escola é caríssima (24.000 pounds por ano) e a família não tem todo este recurso. Por isso, a idéia de trazer a história deste menino às páginas do Brazilian News. “Quem sabe algum doador pode ajudar a pagar a escola?”, comenta a mãe coruja Cecília. Para entrar em contato, mande um email para c_keuffer@yahoo.com!!!!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

EDITORIAL: ABRIL DE 2010

Depois de vários meses sem escrever um editorial eu volto a eles chamando a atenção para a preservação da memória musical do Pará, que aliás é o principal motivo da existência do Informativo Caccini. Memória, o que é memória? O dicionário Aurélio define: 1. Faculdade de reter as idéias, impressões e conhecimentos adquiridos. 2. Lembrança, reminiscência. 3. Dissertação sobre assunto científico, literário ou artístico. O minidicionário Luft define assim: 1. Faculdade de lembrar, reter impressões, idéias, etc. 2. Lembrança; recordação; reminiscência. 3. Fama, celebridade. 4. O que serve de lembrança. Por fim, o dicionário de Sérgio Ximenes dá as seguintes definições: 1. Faculdade de reter impressões e conhecimentos adquiridos, e de recuperá-los pela ação da vontade. 2. Lembrança, recordação.
Pois bem, embora haja evidentes diferenças nas descrições dos significados deste vocábulo pelos três filólogos, em um ponto todos eles tocam: a faculdade de reter, seja impressões, idéias ou conhecimentos adquiridos. Ora pois, preservar a história da música erudita no Pará é uma forma de memória, pois é através do estudo desta história que as futuras gerações conhecerão o que foi feito no passado - para nós, o nosso presente, a música que fazemos neste momento - e assim avaliar se a música erudita tem história contínua em nosso Estado, se os músicos de outrora deixaram algo de duradouro para eles. O que eles podem aprender conosco, com o nosso trabalho atual que venha a dar-lhes idéias, práticas, luzes de como continuar fazendo música erudita na terra paraense e sempre manter acesa a chama da paixão musical, fator importante na personalidade do paraense seja qual for a música, mas no nosso caso específico de música eruditos, a chama que mantém viva a música de concerto em nossa terra.
Como as futuras gerações lembrarão de nós se nenhum registro histórico for feito do trabalho que fazemos atualmente. Como nós mesmos podemos lembrar da nossa história recente e podermos dizer: na minha época era assim; se não retemos informações. E ainda melhor, se não passamos estas informações adiante para nossos descendentes, para aqueles que se dispuserem a nos ouvir contar a história daquele concerto de 20 anos atrás quando o Teatro da Paz, superlotado, teve a infelicidade de deixar gente de fora (nós entre eles talvez) por absoluta falta de espaço em suas dependências. Ou de como é bom recordar uma audição ao vivo da Orquestra de Câmara do Pará, durante os parcos anos de sua existência.
Eis que este mês, volto-me novamente à preservação da memória musical paraense, abrindo espaço a esta orquestra memorável dentro da história do música no Pará e que deixou imensa saudade naqueles que como eu tiveram o prazer, a honra e a imensa felicidade de ouvi-la tocar ao vivo e a cores.
Fora a postagens-homenagem para a Orquestra de Câmara do Pará, logicamente estão alguns dos últimos concertos realizados em Belém como o recital do Dr. David Spencer, de Vadim Klokov e Ana Maria Adade e da jovem pianista mineira Joana Boechat, todos realizados na Sala Augusto Meira Filho no já tradicional Arte Doce Hall, que em poucos anos de existência já tem seu nome marcado na história da música em Belém; graças ao trabalho maravilhoso da equipe da professora Glória Caputo, que de tanto ter feito pela música erudita no Pará já deveria ter batizado uma rua, uma escola, uma avenida. Os meses de entre-safra musical, só não são mais puro silêncio em Belém, pelo trabalho dela, de Izabel Boulhosa, da professora Selma Chaves e de todos aqueles que fazem a Fundação Amazônica de Música. Palmas para elas que todas merecem.

domingo, 18 de abril de 2010

RELEMBRANDO A ORQUESTRA DE CÂMERA DO PARÁ


A extinta Orquestra de Câmera do Pará, que durante os anos de existência, foi um dos melhores grupos camerísticos do Brasil, com sua qualidade reconhecida tanto pelo público quanto pela crítica, ainda hoje causa saudade naqueles que como eu tiveram o prazer (imenso) de ouvi-la tocar.
Ela foi formada no primeiro semestre de 1988, pouco antes da criação do então denominado Festival Internacional de Música de Câmera do Pará: em 2000, o festival perdeu a designação de câmera para atender ao seu imenso crescimento e diversificação musical de sua programação.
A orquestra teve como spalla e regente o búlgaro Eugeni Ratchev, que veio diretamente para Belém em 1987 a convite da Fundação Carlos Gomes (igualmente recém criada) para trabalhar como professor de violino no Conservatório Carlos Gomes juntamente com seus compatriotas Haralampi Mitkov e Petar Saraliev. Os três juntaram-se ao violinista paraense Afonso Barros e formaram o Quarteto de Cordas Belém; sendo esse o embrião da Orquestra de Câmera do Pará.
A OCP foi um dos grupos criadores do Festival Internacional de Música de Câmera do Pará, fazendo sua primeira apresentação na história desse que é o maior festival musical do norte e nordeste do Brasil na noite de 24 de maio de 1998, isto é, a segunda noite do Festival. A OCP voltou a se apresentar na noite de 1 de junho juntamente com todos os grupos participantes para a apresentação da primeira Orquestra do Festival, uma tradição que só foi interrompida vinte anos depois quando o governo Ana Júlia Carepa não permitiu a formação dessa orquestra por conta da redução da verba liberada para o Festival, e logicamente aliada a total falta de prática que o Partido dos Trabalhadores tem em lidar com a cultura de modo geral.
Mesmo depois da criação da Orquestra de Câmera do Pará o Quarteto Belém continuou suas atividades em paralelo às da orquestra para mais a frente ser desfeito. O Quarteto Belém também se apresentou ao lado da OCP no 1º Festival Internacional de Música de Câmera do Pará.

A primeira formação da OCP contava com os seguintes músicos:

Violinos: Eugeni Ratchev, Nildo Baía, Corina Brito, Jorge Catete, Afonso Barros, Flávio Costa, Edir Duarte.

Violas: Haralampi Mitkov, Jairo Chaves

Violoncelos: Petar Saraliev, Milene Aliverti

Cembalo: Irina Ratchev

Contrabaixo: Marin Iliev

A OCP teve depois vários outros músicos integrantes e continuou sua trajetória de sucesso em Belém até que em 1993, ano do 6º Festival, ela tomou um rumo totalmente inovador na música erudita paraense. Nesse Festival, a FCG já cogitava a possibilidade de firmar convênio com o governo paraibano para a formação de uma orquestra que pertenceria aos dois estados, apresentar-se-ia neles e nos outros do Brasil, mas a história andou em outro rumo. O então governador do Pará, Jader Barbalho, apoiou a causa da Fundação Carlos Gomes e as insistências de Glória Caputo (então presidenta da Fundação) nesse caminho. Doou instrumentos à FCG e com as cordas da Orquestra de Câmera do Pará criaram a Sinfonieta que depois foi transformada na Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz. E assim, a lacuna sinfônica no Pará estava finalmente preenchida. Mas perdemos uma das maiores glórias musicais que o Pará teve em todo a sua história.

Embora a Orquestra de Câmera do Pará tenha sido extinta, e um dos motivos de sua extinção foi a criação da Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz, a sua sonoridade ficou registrada em um CD gravado sob patrocínio do Governo do Estado do Pará, via Secult, e Companhia Vale do Rio Doce em 1992, sendo lançado na abertura do VI FIMCAMP em 24 de maio de 1993 no Teatro da Paz. É este CD que o link abaixo oferece a possibilidade de download. Ouçam a pureza da música dessa orquestra que deveria ser lembrada por todos aqui em Belém, mas que a memória curta dos brasileiros não permite ser lembrada.

O CD foi editado por Otto Drechsler, que também fez a direção de gravação e edição do disco. Pecado mortal foi deixar as obras de Tchaikovsky e Janacek sem a divisão dos movimentos; cada obra foi gravado numa única faixa, o que impossibilita a escolha direta dos movimentos da Serenata para Cordas de Tchaikovsky e da Suite para Orquestra de Cordas de Janacek, ambas executadas ao vivo mais de uma fez pela OCP. Sendo esta edição "em bloco" a única objeção que faço ao disco. Bom mesmo é ouvir essa única gravação de uma orquestra única na história do Pará. Para aqueles que nunca visitaram Belém, somente um adendo. Na contra capa o teatro informado é o Margarida Schiwazzappa, mas a foto foi feita na escada do saguão do Teatro da Paz.

CD - Orquestra de Câmara do Pará


domingo, 11 de abril de 2010

RECITAL DE FAGOTE: VADIM KLOKOV E ANA MARIA ADADE

O fagotista russo Vadim Klokov, há anos radicado no Brasil, e que durante anos trabalhou em Belém do Pará realizou um recital na Sala Augusto Meira Filho, acompanhado pela pianista paraense Ana Maria Adade, na noite de 03 de março de 2010. No programa, obras de Bizet, Schumann, Villa-Lobos, Weber e do próprio Vadim que também é compositor.
O currículo de Vadim e o programa seguem abaixo:


Currículo:

Nascido em Moscou, iniciou sua formação musical aos 08 anos, através do piano, na Escola de Música Primária do S. Rakhmaninov. Aos 14 anos ingressou no estudo do fagote, na mesma escola. Em 1981 iniciou na Escola Secundária de Música do Conservatório Estatal de Moscou, tendo sido aluno do fagotista VP Gorbatchov. Em 1985 ingressou no curso superior do Conservatório Tchaikovsky, na classe de RP Tyerokhin, prosseguindo em 1991 seu doutoramento em fagote.

No período de 1989 a 1993, foi solista do "Camer-Colegi" (octeto de solistas dos instrumentos de sopros de Moscou) realizando inúmeras turnês pela Rússia e gravando vários CDs. Posteriormente, integrou a Orquestra Sinfônica Acadêmica de Moscou, sob a regência de Eugeny Svetlanov, tendo gravado o cicio de sinfonias de Mahler. Participou de vários festivais de música na cidade de Evian (França), realizados sob a regência do maestro M. Rostrapovich, apresentando-se também com a Orquestra do Festival sob a regência de Y.Bashmet. Em Viena integrou o conjunto de música moderna de sopros, para gravação do CD com obras de compositores contemporâneos austríacos. Como solista apresentou-se com algumas Orquestras de Câmara na Espanha, França e Inglaterra.

Em 1994 mudou-se para o Brasil, a convite do Governo do Estado do Pará, para fundar o primeiro curso de fagote no conservatório Carlos Gomes e na Universidade Estadual do Pará, UEPA. Em 1996, como integrante do Quinteto de Sopros de Moscou, junto com o pianista brasileiro Marco Antonio Almeida realiza uma turnê pelo Brasil, apresentando-se em várias cidades como, Rio de Janeiro, Londrina, São Paulo e Florianópolis entre outras.

No período de 1994 a 2006 integrou o corpo docente da Fundação Carlos Gomes e do bacharelado em música da UEPA (Universidade do Estado do Pará), e fez parte da Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz (OSTP) desde a sua fundação. Em junho de 2005, apresentou a sua composição "Jivelox, ou 7 notas para Doudouk" no Festival Internacional de Música do Pará dentro do qual se destacou como pianista na estréia mundial desta obra acompanhado pela Amazônia Jazz Band, regida pelo maestro Barry Ford (USA)

Durante seus quase 13 anos em Belém, participou de vários concertos como solista, em palcos como Teatro da Paz, Igreja de Santo Alexandre e participou de todos os festivais promovidos no Pará, inclusive no recente Festival de Ópera. Formou várias turmas e hoje seus alunos atuam em várias orquestras sinfônicas do país.

Gravou, em 2005, seu primeiro CD "Jivelox" com obras de própria autoria com participação gráfica de Boris Vallejo. De abril a dezembro de 2006 integrou Orquestra Sinfônica da Petrobras, no Rio de Janeiro, sob regência do maestro Isaac Karabichevsky.

No período de junho a dezembro de 2007, foi para Moscou para uma reciclagem e reencontro com suas origens. Fez várias apresentações com parceiros, como "Moscow Classic Ensemble".

De volta ao Brasil, escolheu o interior de Minas Gerais para morar. Lá novas sinalizações sonoras o inspiram e ao mesmo tempo encontra a paz para fazer suas composições. Em 2008 lançou o CD de fagote clássico com obras primas dos compositores Marccello, Bach, Fasch e Saint-Saens, tendo também participado, junto com violonista Tavynho Bonfa, no Festival de Inverno de Petrópolis, apresentando algumas obras inéditas.

Atualmente, lançou um novo trabalho, criando pocket shows, aonde une a música, do clássico ao alternativo tocando fagote, piano e duduk.



PROGRAMA:

1. Houve um adagio aqui;

2. Bizet: La fleuer que tu m'avais jetée

3. Schumann: Widmung

4. Klokov: Fragmentos

Intervalo

5. Villa-Lobos: Ciranda das Sete Notas

6. Weber: Andante e Rondó ONGARESE

Vídeos:


video


video


video


video

quarta-feira, 7 de abril de 2010

JOANA BOECHAT: PIANISTA MINEIRA




"O povo brasileiro não têm consciência de que a arte do piano, ao longo deste século [XX], atingiu aqui um primor esplendoroso. Não tem noção de que ela aqui transcendeu em muito o nível da arte comum que fazem pelo mundo até nomes célebres. Coisas houve aqui, que espiritualizaram o piano."
Arnaldo José Senise, musicólogo

A pianista mineira, natural de Belo Horizonte, Joana Boechat, realizou na noite de 12 de março de 2010 na Sala Augusto Meira Filho em Belém um super recital, parte do programa Música Minas promovido pela Secretaria de Cultura de Minas Gerais e o Forum da Música de Minas Gerais, que selecionou músicos mineiros para exibirem-se nas capitais brasileiras.

O recital de Joana foi um luxo só e mostrou porque os pianistas brasileiros merecem ser respeitados dentro e fora do Brasil: porque eles são o máximo!

Há décadas os pianistas brasileiros vêm se destacando internacionalmente pela habilidade técnica, sensibilidade musical e forte personalidade pianística. O povão que idolatra o futebol nem sequer imagina a aura de preciosidade que o piano brasileiro alcançou; mas os europeus sabem, tanto que vários de nossos pianistas estão aí fora fazendo carreiras regulares: alguns figurando no circuito internacional de concertos como Nelson Freire, Arnaldo Cohen e Cristina Ortiz.
Joana, que ainda está com 25 anos, já é bacharel em piano pela UFMG promete manter viva essa aura de preciosidade e grandeza que cerca o piano brasileiro, deixando o povão alheio ao que de grande acontece na música erudita brasileira: azar deles. Se eles  soubessem que músicos como Joana Boechat vieram ao mundo somente para nos encher de alegria, felicidade e prazer, certamente a bola de futebol perderia a aura divina recebida pelo povão brasileiro.
O recital foi heavy metal, com muita música que exige dedos fortes e forte personalidade do pianista. Compositores reconhecidamente tarimbados na composição pianística figuraram no programa, sendo este um pequeno resumo da significativa música pianística dos séculos xix e xx, brindando-nos com uma peça bastante recente de Ronaldo Miranda, compositor brasileiro vivo e ainda na ativa.
Este foi o programa
Brahms: Peças para piano Op. 118
1. Intermezzo
2. Intermezzo
3. Ballade
Debussy: Suite pour le piano
- Prelude
- Sarabande
- Toccata
Scriabin: 6 Prelúdios Op. 11 nº. 4, 5, 6, 15 e 14
Ginastera: Prelúdios Americanos
1. Para los acentos
2. Triste
3. Danza criolla
R. Miranda: 3 Micro-peças
1. incisivo
2. Lírico
3. Lúdico
Bis: Villa-Lobos: Passa, passa gavião.



PROGRAMA


Brahms: Peças para piano Op. 118

1. Intermezzo 2. Intermezzo 3. Ballade

video

Debussy: Suíte pour le piano

video


Scriabin: Prelúdios para piano n. 4, 5, 6, 15 e 14


video

Ronaldo Miranda: 3 Micro-peças

video

Alberto Ginastera: Prelúdios Americanos

video

Bis. Villa-Lobos: Passa, passa gavião

video

sexta-feira, 2 de abril de 2010

RECITAL DAVID SPENCER: TROMPETE AO REDOR DO MUNDO

A Fundação Amazônica de Música e o Projeto Vale Música dão continuidade à sua série musical com a apresentação na capital paraense de um dos mais destacados trompetistas internacionais da atualidade: o Dr. David Spencer, estadunidense de nascimento e músico que transita com desenvoltura da música de câmera e de orquestra para o jazz e outros gêneros populares. A revista Fanfarre já declarou sobre ele: "Deve haver trompetistas tão bons quanto David Spencer, mas ao ouvi-lo você não vai se dar ao trabalho de procurar por ele". Como é de praxe o programa da apresentação deu-nos um pequeno currículo de sua trajetória artística que reproduzo mais abaixo.
David contou com a ajuda de Isabel Boulhosa para se fazer entender pela plateia. Bem, Isabel não é intérprete, mas conseguiu fazer a ligação dele com o nosso entendimento. Palmas para ela.
O próprio David declarou que o programa do recital foi pensado de modo a não ser chato, com peças longas e enfadonhas e de difícil audição. Trouxe à Belém peças curtas de vários países para que o recital fosse uma viagem pela música do mundo e de épocas diversas. Seu roteiro musical (conferir programa abaixo) saiu de seu país natal, o famigerado Estados Unidos da América, passando por França, Holanda, Bélgica, Rússia, Brasil, voltou à França e terminou na Alemanha. Uma viagem e tanto.
Só mesmo um recital para trompete daria-me a oportunidade de ouvir peças inéditas aos meus ouvidos; por isso mesmo não tenho base de comparação para analisar nenhuma delas.
Trompete é um dos meus instrumentos favoritos pelo timbre e pelo tipo de música que se pode escrever para ele: a música barroca para trompete, para mim, é fundamental para se sentir as potencialidades deste príncipe galante dos metais. Como brinde de luxo, Dr. Spencer tocou o trompete barroco no bis do recital; o que foi de grande valia para nós, admiradores deste belo instrumento.
O recital contou com o apoio da universidade de Memphis e da Rudi E. Scheidt School of Music. A pianista paraense Ana Maria Adade, mas uma vez participou como acompanhante e os professores Illson Cruz, Benedito Junior, Sóstenes Siqueira e Fábio Moraes fizeram uma participação mais que especial. A noite de 7 de março de 2010 brilhou.

PROGRAMA

Joseph Turin (n. 1947) - Caprice (U.S.A)

video

Eugene Bozza (1905-1991) Badinage (França)

video

Otto Ketting (n. 1935) Intrada (Holanda)

video

Flor Peeters (1903-1986) Aria Op. 51 (Bélgica)

video

Alexander Goedicke (1877-1957) Concert Étude, Op. 49 (Rússia)

video


Porfírio Costa, arr. Duda - Peguei reta choro (Brasil)


video

Paul Dukas (1865-1935) Fanfare de "La Peri" (França)


video

Anônimo (1685) Sonata de "Die Bankelsangerleider" (Alemanha)

video

Bis:


video


video