segunda-feira, 19 de abril de 2010

EDITORIAL: ABRIL DE 2010

Depois de vários meses sem escrever um editorial eu volto a eles chamando a atenção para a preservação da memória musical do Pará, que aliás é o principal motivo da existência do Informativo Caccini. Memória, o que é memória? O dicionário Aurélio define: 1. Faculdade de reter as idéias, impressões e conhecimentos adquiridos. 2. Lembrança, reminiscência. 3. Dissertação sobre assunto científico, literário ou artístico. O minidicionário Luft define assim: 1. Faculdade de lembrar, reter impressões, idéias, etc. 2. Lembrança; recordação; reminiscência. 3. Fama, celebridade. 4. O que serve de lembrança. Por fim, o dicionário de Sérgio Ximenes dá as seguintes definições: 1. Faculdade de reter impressões e conhecimentos adquiridos, e de recuperá-los pela ação da vontade. 2. Lembrança, recordação.
Pois bem, embora haja evidentes diferenças nas descrições dos significados deste vocábulo pelos três filólogos, em um ponto todos eles tocam: a faculdade de reter, seja impressões, idéias ou conhecimentos adquiridos. Ora pois, preservar a história da música erudita no Pará é uma forma de memória, pois é através do estudo desta história que as futuras gerações conhecerão o que foi feito no passado - para nós, o nosso presente, a música que fazemos neste momento - e assim avaliar se a música erudita tem história contínua em nosso Estado, se os músicos de outrora deixaram algo de duradouro para eles. O que eles podem aprender conosco, com o nosso trabalho atual que venha a dar-lhes idéias, práticas, luzes de como continuar fazendo música erudita na terra paraense e sempre manter acesa a chama da paixão musical, fator importante na personalidade do paraense seja qual for a música, mas no nosso caso específico de música eruditos, a chama que mantém viva a música de concerto em nossa terra.
Como as futuras gerações lembrarão de nós se nenhum registro histórico for feito do trabalho que fazemos atualmente. Como nós mesmos podemos lembrar da nossa história recente e podermos dizer: na minha época era assim; se não retemos informações. E ainda melhor, se não passamos estas informações adiante para nossos descendentes, para aqueles que se dispuserem a nos ouvir contar a história daquele concerto de 20 anos atrás quando o Teatro da Paz, superlotado, teve a infelicidade de deixar gente de fora (nós entre eles talvez) por absoluta falta de espaço em suas dependências. Ou de como é bom recordar uma audição ao vivo da Orquestra de Câmara do Pará, durante os parcos anos de sua existência.
Eis que este mês, volto-me novamente à preservação da memória musical paraense, abrindo espaço a esta orquestra memorável dentro da história do música no Pará e que deixou imensa saudade naqueles que como eu tiveram o prazer, a honra e a imensa felicidade de ouvi-la tocar ao vivo e a cores.
Fora a postagens-homenagem para a Orquestra de Câmara do Pará, logicamente estão alguns dos últimos concertos realizados em Belém como o recital do Dr. David Spencer, de Vadim Klokov e Ana Maria Adade e da jovem pianista mineira Joana Boechat, todos realizados na Sala Augusto Meira Filho no já tradicional Arte Doce Hall, que em poucos anos de existência já tem seu nome marcado na história da música em Belém; graças ao trabalho maravilhoso da equipe da professora Glória Caputo, que de tanto ter feito pela música erudita no Pará já deveria ter batizado uma rua, uma escola, uma avenida. Os meses de entre-safra musical, só não são mais puro silêncio em Belém, pelo trabalho dela, de Izabel Boulhosa, da professora Selma Chaves e de todos aqueles que fazem a Fundação Amazônica de Música. Palmas para elas que todas merecem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário