segunda-feira, 24 de maio de 2010

TRIO GUEDES, DEL CLARO E CAPUTO EM RECITAL

Qualquer um, musicólogo ou não, que venha trabalhar a história da música de concerto em Belém do Pará inevitavelmente irá encontrar dois nomes repetitivos nessa história, sobretudo, quando se trata do Festival Internacional de Música de Câmera do Pará; hoje denominado sem o "de câmera" para abranger o crescimento e diversificação do mesmo. Que nomes são esses?: Antonio del Claro e Marília Caputo. Ele regente titular da Camerata do Festival por várias edições. Ela participou da criação do FIMP e de várias edições posteriores. Maior pianista paraense da atualidade e, muito provavelmente, de todos os tempos no Pará até o surgimento, no futuro, de um melhor. Preciso dizer mais?: Acho que não.
Marcos Guedes, ainda veio pouco à Belém, e por isso não conta com a estrada dos colegas nos nossos palcos. Pelo pouco que mostrou, precisa voltar mais vezes.
Os três juntaram-se para tocar na série Concertos para Belém II um repertório a altura de seus dedos experientíssimos. Schumann, Rachmaninoff e Dvorak. Por problemas técnicos faço a postagem somente da peça de Rachmoninov e parte do trio de Dvorak.

Programa:

Schumann: Phantasiestücke Op. 88

Romance
Humoresque
Duett
Finale

Rachmaninov: Trio Elegíaco nº. 1 em sol menor

Intervalo

Dvorak: Trio para piano em E menor, Op. 90 "Dumky"

Lento maestoso
Poco Adagio
Andante
Andante Moderato
Allegro
Lento Maestoso



Vídeos:

Rachmoninov - Trio Elegíaco nº.1 em sol menor

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Dvorak - Trio para piano em E menor, Op. 90 "Dumky"

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quinta-feira, 20 de maio de 2010

RECITAL DO DUO FREIRE-ROSSELINI

Na noite de 18 de fevereiro, portanto, logo após o carnaval 2010, o duo de flauta e piano formado pelos ótimos Maurício Freire (piano) e Miguel Rosselini (piano). O duo cumpriu o programa divulgado sem nenhuma alteração e brindou o público com um movimento de uma sonata para flauta e piano que Mozart escreveu aos 7 anos de idade, logicamente, sob a orientação de Leopold; o que foi comum na formação do milagre salzburguês e um noturno do brasileiro Ary Ferreira.
Instrumentistas de sólida formação musical, ambos tocam com a firmeza própria dos músicos com sólida formação técnica. Som límpido, esclarecido, sem sujeira, bem articulado e evidente compreensão da linguagem musical dos compositores escolhidos.
O programa manteve uma linearidade na sonoridade, do início ao fim, não destoando quase nada, embora os compositores escolhidos sejam de estéticas distintas: o romântico Schumann, o brasileiro Brenno Blauth e o moderno Prokofiev. Bom para os nossos ouvidos que não sofreram com choques sonoros bruscos pela agressiva mudança estilística de alguns programas mal elaborados; o que não foi o caso.
Os três romances Op. 94 de Schumann são um primor da poética musical do compositor saxão. Maurício Freire tocou sua flauta com tal limpeza sonora que mais parecia ser a reprodução de um CD, acompanhado corretamente por Miguel Rosselini.
Brenno Blauth foi executado logo a seguir com a sua Sonata T. 5 para flauta e piano. Não conheço a obra desse compositor que viveu entre 1931 e 1993, assim não posso fazer considerações estilísticas sobre sua obra. A música tem uma sonoridade claramente tonal, mais ligada ao modernismo brasileiro que às vanguardas dissonantes da Europa.
O programa terminou com um obra neoclássica de Prokofiev: a Sonata para flauta e piano nº. 2 que esperando ser cheia da boa acidez de Prokofiev antes de retornar à URSS revelou-se uma música tranquila, cálida onde o modernismo do compositor russo se fez mais presente na estrutura da sonata: é uma sonata clássica ao contrário com alteração no último movimento da estrutura padrão usada no período clássico. Ao invez de construir sua sonata na seguinte ordem 1) Allegro 2) Andante 3) Scherzo ou Minuetto 4) Rondó ou Allegro, Prokofiev a estruturou assim: 1) Moderato 2) Scherzo 3) Andante 4) Allegro con brio. Como se pode ver a estrutura da sonata-clássica está invertida, dando a sensação de ouvirmos uma sonata clássica do último para o primeiro movimento. Uma concepção simples, porém genial na minha opinião. Uma obra de porte galante para finalizar esse recital único no início da temporada de concertos 2010 em Belém do Pará.
Como bis foram apresentadas o Allegro da já referida sonata para flauta do menino Mozart e um bonito noturno de Ary Ferreira. Infelizmente. não fiz gravações nem em áudio nem em vídeo dessa bonita apresentação. Fica para uma próxima vez.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

CONCERTOS PARA BELÉM II: PAMELA PYLE E BRIAN LEWIS

O Duo de piano e violino formados pelos norte-americanos Pamela Pyle e Brian Lewis realizaram um super recital na noite de segunda-feira, 10 de maio de 2010, na Sala Augusto Meira Filho, do Arte Doce Hall em Belém do Pará como já havia anunciado na postagem anterior.
Já está bastante repetitivo eu escrever que os músicos foram perfeitos na execução, com som límpido, excelente leitura das partituras, entrosamento mais que perfeito etc. Mas dessa vez houve um diferencial, sobretudo pelo violinista Brian Lewis, que conseguiu uma comunicação muito sincera com a platéia (conferir nos vídeos); o que deixou a formalidade e aquela distância respeitosa entre público e músicos de fora da performance dessa vez. Ponto para ele: quem ganhou foram todos nós.
O recital, na sua maioria, foi estruturado por peças arranjadas para violino e piano, pois as originais foram escritas para outras formações intrumentais. Palmas para os arranjadores que fizeram um excelente trabalho. O meu destaque para o recital foi a Sonata Op. 108 de Brahms. Beleza de peça. É impressionante como Brahms, quando queria, conseguia escrever música sinfônica para uma formação camerística. Botar sinfonismo na música de câmera era uma habilidade e até mesmo um hábito em outro compositor que não era fã da música de Brahms e até mesmo é colocado como opositor do barbudo alemão por alguns de seus admiradores: coisa que eu também fiz na adolescência; mas hoje já ouço Brahms com o entendimento das suas particularidades para saber diferenciar o romantismo de um alemão e de um russo: sim, eu estou falando de Pyotr Ilych Tchaikovsky.
Os dois bis foram um espetáculo a parte: haja habilidade técnica para tocar o Canário foguento de Paul Nero em arranjo de Florian Zabach. Pirotecnia musical sempre levanta o público. O que fazer? Deixar o público feliz. Quem não foi perdeu um recital ímpar.

Aqui estão os vídeos da apresentação que levantou o público que compareceu ao recital:

Vivaldi/Respighi - Sonata em D maior

1. Moderato (a fantasia)

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2. Allegro moderato

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3. Largo

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4. Vivace

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Brahms - Sonata em d menor, Op. 108
1. Allegro 2. Adagio 3. Un poco presto e con sentimento 4. Presto agitato


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Bela Bartok - Rapsódia nº. 2
I. Lassu-Moderato II. Friss-Allegro moderato

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Fritz Kreiler - Syncopation


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Rachmaninoff/Kreisler - 18ª variação sobre um tema de Paganini

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Rachmaninoff/Kreisler - Polka Italiana

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Aaron Copland - Hoe-Down de "Rodeo"

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Bis 1: Kreiler - La Gitana

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Bis 2: Paul Nero - O Canário Foguento

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quarta-feira, 5 de maio de 2010

RECITAL LEWIS/PYLE NO ARTE DOCE HALL

Na próxima segunda-feira dia 10 de maio de 2010 às 20hs, o Duo Lewis/Pyle formado pelos instrumentistas estadunidenses Brian Lewis (violino) e Pamela Pyle (piano) estarão dando recital na Sala Augusto Meira Filho no Arte Doce Hall. O recital é mais um número da série Concertos para Belém II promovido pela Musikart Produções Culturais com patrocinio da Vale e apoio do Minc/Governo Federal. Como sempre, é um recital altamente recomendável para aqueles que estão em Belém e podem ir ouvir música de alta qualidade com um grupo que deve ser de primeira linha. Eu vou.

Currículos:

Pamela Pyle

Começou a estudar piano com a mãe aos quatro anos, mais tarde tendo estudado com Patricia Zander no New England Conservatory, Ann Schein em Aspen e Kaplinsky Yoheved, Sanders e Samuel Feldman Jonathan na Juilliard. Nessas instituições, Pamela Pyle também se dedicou à música de câmara com expoentes Eugene Lehner, Louis Krasner, Joseph Fuchs, Robert Mann e Felix Galimir.

Seu reconhecimento musical por suas interpretações de música de câmara teve início com sua contratação por Dorothy DeLay para a Juilliard School.

Por mais de uma década, atuou como pianista principal nos estúdios de DeLay e Itzhak Perlman. Esta imersão no repertório para piano e cordas levou Pamela Viktoria Pyle a colaborações com membros dos quartetos Juilliard, American, Ying e Mendelssohn , incluindo Joel Smirnoff,Joel Krosnick e Daniel Avshalomov , bem como solistas, como Robert McDuffie, Sarah Chang, Alan Harris e a soprano norueguesa Anne-Lise Berntsen .

A ligação de Pamela Pyle com o estúdio de Dorothy DeLay continua nas recentes aparições em concerto com muitos de seus ex-alunos, incluindo Brian Lewis, Shapira Itai e Frank Almond.

Como uma premiada solista e câmerista, Ms. Pyle tem atuado por todo os Estados Unidos, Europa e Japão, em locais como Carnegie Hall, Alice Tully Hall, Jordan Hall e Wolftrap e em eventos como o ”Lincoln Center Great Performers Series” e a “Casals Series”. Compromissos recentes incluem uma turnê em Taiwan a convite do violinista Nancy Tsung, dando concertos de música de câmara e apresentando uma série de aulas sobre o repertório para violino e piano na Universidade Nacional das Artes de Taipei e no Instituto de Artes de Tainan. Em Maio de 2009, Pamela deu um recital com o spalla da orquestra sinfônica de Baltimore como parte do “Live Recital KHFM Series”.

Pyle participa regularmente como pianista em cursos de férias, tais como o reconhecido Starling-Delay Symposium on Violin Studies na Juilliard School; Brian Lewis Young Artist Program, em Ottawa, Kansas; Robert McDuffie Festival de Cordas da Mercer University, em Macon, Geórgia e a Summit Music Festival, em Nova York. Durante o verão, é integrante freqüente do Aspen Music Festival.

Atualmente é professora de Piano Universidade do Novo México, onde criou uma série chamada UNM Concertos na Comunidade, para levar música clássica à locais não-tradicionais de interesse turístico e estimular o desempenho de novas oportunidades para seus alunos.

Tem gravações em CD pelos selos Albany e Prairie e numerosas apresentações em programas como CBS Sunday Morning, Charlie Rose Show, CNN, Martha Stewart Show, da Rádio Pública Nacional, WGBH Boston, WNYC WQXR & New York, e na PBS um especial sobre Itzhak Perlman.

Brian Lewis - currículum

Um dos violinistas mais versáteis da cena atual, Brian Lewis é um excepcional
artista, talentoso e carismático.
"Há um monte de bons violinistas no palco de concerto de hoje, mas poucos podem se igualar a Lewis em termos de uma interpretação verdadeiramente virtuosística á serviço da música", artigo do Topeka Capital-Journal.

Muito procurado como performer e professor, Sr. Lewis é concertista e ensina ao redor do globo. Recentemente lançou, como solista, seis CDs para o selo DELOS, com a Orquestra Sinfônica de Londres, interpretando músicas de Leonard Bernstein e do compositor de Hollywood Michael McLean.

O Sr. Lewis iniciou seus estudos de violino aos quatro anos de idade, participando da Suzuki Ottawa Strings Program e viajou para o Japão duas vezes para estudar com o Dr. Suzuki. Ele recebeu as graduações de Bacharel e mestre da Juilliard School, onde estudou com a renomada pedagogo, Dorothy DeLay. Lewis tem o “David e Mary Winton Green Chair” em
String Performance
e Pedagogia pela Universidade do Texas em Austin. Também é

Diretor Artístico do Simpósio DeLay Starling sobre estudos de violino no The Juilliard
School, em Nova York, spalla da Orquestra de Câmara de River Oaks, em
Houston, fundador do Quarteto de Piano do Texas, e diretor artístico da Starling Distinguished Violinist Series, na UT.

Duo Lewis-Pyle: Programa


Sonata in DM -------- Vivaldi Respighi

Moderato (a fantasia)

Allegro moderato

Largo

Vivace

Sonate in dm, OP. 108 ------------ Johannes Brahms

Allegro

Adagio

Un poco presto e con sentimento

Presto agitato

Intervalo

Rhapsody No. 2 ------Bela Bartok

I. Lassu- Moderato

II. Friss- Allegro moderato

Syncopation--------- Fritz Kreisler

18th Variation on a Theme of Paganini -------Rachmaninoff/ Kreisler

Italian Polka--------Rachmaninoff/Kreisler

Hoe-Down from "Rodeo"---------Aaron Copland

RECITAL FLORES DE MAIO


Na próxima sexta-feira, 7 de maio, às 20 horas na Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Belém do Pará o Coral Vozes da Amazônia estará apresentando seu concerto em homenagem às mães. Não irei porque estarei trabalhando (ó céus!), mas recomendo-o. Vale a pena sair de casa para ouvir este que é o melhor coral amador da capital paraense. Também pudera, eles são regidos por ninguém menos que Maria Antonia Jiménez ( a nossa cubana de estimação) e agora preparados vocalmente pelo tenor paraense Tiago Costa, só podem estar no ótimo nível vocal para quem não é cantor de formação.