Filarmônica do Espírito Santo, Juiz de Fora 2010

A Orquestra Filarmônica do Espírito Santo é mais uma orquestra pública brasileira que usa o termo errado para se nomear. Mantida pela Secretaria de Cultura do Espírito Santo, órgão público, portanto, deveria ser nomeada como orquestra sinfônica, pois este termo se aplica às orquestras públicas enquanto as filarmônicas são orquestras de instituições privadas, comumente associações filarmônicas; de onde vem a descrição para elas.
Essa orquestra é muito boa, tendo um som excelente e uma execução muito agradável das obras apresentadas. Na minha opinião, a grande sensação da noite, foi o Concerto para Harpa e Orquestra de Radamés Gnatalli que já conhecia de gravação discográfica mas foi a primeira vez que ouvi ao vivo. Uma obra de grande beleza como esta e totalmente integrada à estética novecentista deveria ser executada mais frequentemente pelas orquestras brasileiras, embora os harpistas não sejam encontrados em todas as esquinas musicais como os pianistas. Encontrar grandes harpistas aí já é tarefa para Hércules, mas a harpista Cistina Carvalho tocou com muita propriedade esta partitura.
Para os que tem conhecimento de estrutura do concerto perceberão que essa obra é um concerto clássico ao contrário, ou seja, o 3º movimento (rondó) é apresentado antes do movimento lento, enquanto o 1º movimento (allegro) ficou em último. O esquema clássico que era Rápido - Lento - Muito Rápido ficou Muito Rápido - Lento - Rápido, isto é, de trás para frente.
A Sinfonia em ré menor de Cesar Frack encerrou o concerto com brilhantismo e todo a grandiloquência típicas da música romântica, que apesar de estar fora dos objetivos do Festival sempre é bem vinda em qualquer concerto. Apesar da hora avançada o público não permitiu que a Orquestra fosse embora sem um bis: a peça de Walton foi reprisada para por termo ao concerto.

"A ORQUESTRA FILARMÔNICA DO ESPÍRITO SANTO vem se firmando de maneira positiva no cenário musical nacional. Mantida pela Secretaria de Estado da Cultura (SECULT), a orquestra tem uma atuação marcante. O repertório apresentado pela orquestra nos últimos anos inclui obras significativas, como a integral das sinfonias de Beethoven, sinfonias de Schumann, Brahms, Mozart, Mendelssohn e Dvorak, peças de Debussy, Ravel, Fauré, Rimsky-Korsakov, Stravinsky e Mussorgsky, obras do repertório sinfônico-coral, como o Stabat Mater, de Rossini, a Grande Missa em Dó menor, de Mozart, o Te Deum, de Bruckner, as óperas Cavalleria Rusticana, Madama Butterfly, La Traviata, La Bohéme e O Elixir de Amor Na música brasileira, algumas obras executadas são os Choros 6 e as Bachianas Brasileiras 4 e 7, de Villa-Lobos, a Sinfonia nº 4, de Cláudio Santoro e a Sinfonia de Alberto Nepomuceno. Anualmente a orquestra estréia uma ou duas peças de compositores brasileiros.
Dentre os solistas que já se apresentaram com a Orquestra, podemos destacar Daniel Guedes, Antônio del Claro, Linda Butani, Dang Thai Son, Dilson Florêncio, Gabriela Queiroz, Marcelo Verzoni, Edson Scheid, Luis Carlos Just, Arthur Moreira Lima, Miguel Proença, Márcio Carneiro, Alceu Reis, Luiz Senise, Lilian Barreto, Marco Antônio de Almeida, Maurício Freire, Ricardo Amado, Luis Garcia, Hugo Pilger, dentre outros. Apresentaram-se ainda com a OFES artistas como Wagner Tiso, Altamiro Carrilho, Sivuca, Hermeto Paschoal, Milton Nascimento, Ivan Lins, Zizi Possi, Naná Vascaoncelos, Fafá de Belém, Simone e Geraldo Azevedo, dentre outros.
Desde 1992, a orquestra é dirigida por seu maestro titular, Helder Trefzger, e pelo maestro adjunto, Modesto Flávio. Dentre os maestros e convidados que regeram a OFES, destacam-se Roberto Duarte (RJ), Emilio de César (Brasília), Sidney Harthar (Pittsburgh), Sergio Oliva (Roma), André Cardoso (RJ), Sérgio Magnani (MG), Silvio Barbato (RJ), Jorge Richter (East Carolina) e Ernani Aguiar (RJ)."


William Walton - Prelude and Fugue "The Spitfire"

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Radamés Gantalli - Concerto para harpa e orquestra

1º movimento: Allegro moderato

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