quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Ciclo Schumann no Conservatório Carlos Gomes

A professora Dóris Azevedo organizou entre as noites de 9 a 11 de novembro de 2010 sempre as 18 horas o Ciclo Schumann para homenagear o músico alemão na passagem de seus 200 anos de nascimento. Além dos recitais no início da noite, a programação contou com uma exposição sobre a vida do mestre saxão e a exibição de uma cinebiografia holywoodiana na biblioteca do Conservatório Carlos Gomes em Belém do Pará. Tanto a idealizadora quanto todos os músicos que tornaram esse projeto uma realidade merecem os mais sinceros parabéns e aplausos por não deixarem passar em branco na capital paraense a o bicentenário de nascimento de um homem que pode ter morrido louco, mas que fez do piano um instrumento substituto à lira de Apolo de tão poética que é sua obra. Abaixo os dois momentos finais da programação:


DUO AMATO

Fantasiestücke op. 73: Zart und mit Ausdruck; Lebhaft, leicht; Rasch und mit Feuer


video

Quarteto op. 47- 3ºmovimento: Andante cantabile

Marcus Guedes: violino

Rodrigo Santana: viola

Arthur Alves: cello

Adriana Azulay: piano

video



terça-feira, 23 de novembro de 2010

Gounod: Missa de Santa Cecília na Catedral de Belém do Pará

A Missa de Santa Cecília, do francês Charles François Gounod, foi novamente apresentada em Belém do Pará sob a regência da cubana Maria Antonia Jiménez, porém dessa vez houve uma junção do Coro Carlos Gomes e do Coral Vozes da Amazônia. Thaina Souza (soprano), Heitor Carneiro (tenor) e Eduardo Nascimento (barítono) foram os solistas nessa apresentação que contou com a suntuosa decoração da Catedral de Belém como pano de fundo. Natália Kato esteve novamente ao piano acompanhando o efetivo.
O resultado foi bem diferente da primeira apresentação (gravada e já apresentada na TV aberta várias vezes pela TV Nazaré do Pará). Resultado musical que, no máximo, chega ao regular. A grande variação em relação a primeira apresentação foi o trio de solistas, bastante irregular. Dos três a melhor participação foi a do soprano Thayna Souza. Basta ouvi-la para se ter momentos de prazer com uma voz bonita, bem formada, com boa sonoridade e que só vem crescendo com o tempo. Nada de gritaria operística, Thaina canta com a leveza, brilho e pureza próprias das vozes camerísticas que quando bem preparadas conseguem resultados muito superiores - em termos musicais - que as vozes operísticas; mas daí a fazer mais sucesso que suas irmãs de palco já são outros quinhentos.
Ela, atualmente, está trabalhando como regente de coro. Deveria pensar, também, em participar de concursos de canto para exibir sua voz para diferentes platéias; alem da nossa, para - quem sabe - algum empresário resolver dar-lhe uma chance no mundo profissional do canto lírico. De repente...
Eduardo Nascimento solou mais uma vez a parte do baixo, porém não estava em sua melhor noite, mesmo porque ele tem uma voz mais apropriada ao coro que propriamente de solista de coro, considerando-se que um solista de coro tem uma qualificação vocal diferente dos solistas de ópera.
Heitor Carneiro, tenor, em péssima noite, fez, é claro, péssima apresentação. A sua voz não funcionou de jeito nenhum. A justificativa foi cantar gripado, mas para quem já o ouviu anteriormente sabe que sua voz não é apropriada para o solo. Mas como corista ele sabe o que fazer com ela em prol da música.

Kyrie

video

Gloria

video

Credo

video

offertoriu


video

Sanctus

video

Benedictus

video

Agnus Dei

video

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Quarteto Arnon: concerto em Belém do Pará

O quarteto de cordas alemão Arnon, formado por quatro jovens músicos da Escola de Música Hans Eiler de Berlim, atualmente entre os 24 e 26 anos, apresentaram-se na Sala Augusto Meira Filho em Belém do Pará na noite de 04 de novembro de 2010 com um concerto muito agradável onde obras de J. Haydn, Schumann e Ravel foram apresentadas com alto nível técnico e excelente entrosamento dos músicos. Como os músicos se conhecem desde pequenos quando iniciaram os estudos musicais (todos no violino) as trocas de olhares são mais de que meros sinais para suas entradas; são cumplicidade na interpretação das obras, o que dá visivelmente uma simbiose maravilhosa na interpretação musical.
Não acompanhei a execução do quarteto de Haydn, mas a execução dos quartetos de Schumann e Ravel foram uma surpresa e uma felicidade. Alguns musicólogos chamam o romantismo do compositor saxão de "fogoso" e nada melhor para descrever a música do Quarteto de Cordas nº. 3 Op. 41 em lá maior. Música cheia de vivacidade, animação, calor, emoções violentas, nenhum pudor: mais parece música de um latino que de um germânico. Os rapazes do Arnon tocaram esse quarteto com um vigor surpreendente e uma qualidade muito boa para músicos tão jovens, mas possuidores de técnica musical bem trabalhada e firme. A vestimenta deles deve ter chamado a atenção do público, assim como chamou a minha, pois eles tocaram (ver vídeo) a paisana, dando um ar despojado ao concerto, deixando as casacas de lado. Foi uma novidade que achei válida. Tirando o quarteto de Ravel, que possui momentos intimistas, a graciosidade da obra de Haydn e fogocidade de Schumann cairam bem para as calças jeans e camisas esporte dos músicos.


Robert Schumann (1810-1856) - Quarteto de Cordas nº. 3 Op. 41 em lá maior

1. Andante espressivo - Allegro molto moderato

video

2. Assai agitato

video

3. Adagio molto

video

Ravel - Quarteto de Cordasem fá maior

1. Allegro moderat, très doux

video

2. Assez vif, très rythmé

video

3. Très lent, moderé

video


INFORMAÇÕES SOBRE O QUARTET EXTRAÍDAS DO PROGRAMA:

Emmanuel Hahn, violino

Elias Schödel, violino

Luke Turell, viola

Johannes Dworatzek, cello

"Emmanuel Hahn, Elias Schödel, Martin Schäfer und Johannes Dworatzek, atualmente com idade entre 24 e 26 anos, fundaram o Arnon Quartett durante os estudos na Escola de Música Hans Eisler em Berlim. Com intensa participação em master classes e festivais o grupo tem recebido incentivos calorosos de renomados artistas e quartetos como Kolja Blacher, Auryn Quartett, Amadeus Quartett, Emerson String Quartett, Vogler Quartett, Orlando String Quartetts, Stephan Metz (Orlando String Quartet), Robert Ireland (Lindsay Quartet) e Oliver Wille (Kuss Quartett). Dentre os prêmios conquistados pelo grupo está a menção especial no 3º Concurso Europeu de Música de Câmera Karlsruhe, Alemanha."

"Todos os integrantes do Arnon Quartett tiveram os estudos musicais iniciados no violino por volta dos cinco anos de idade. Aos 8 anos Luke Turell optou pela viola e aos 6 anos Johannes Dworatzek pelo cello. Emmanuel Hahn é também pianista e foi primeiro colocado em violino e piano no Concurso Jovem Músico da Alemanha. Durante todo o ano de 2008 excursionou pela América, Ásia e Europa como integrante da Orquestra Klang Verwaltung de Munique. Martin Schäfer é vencedor do Concurso Internacional Concertino Praga. Possui por inúmeras vezes o 1º lugar e vários prêmios especiais no Concurso Nacional Jovem Músico da Alemanha. Desde 2008, é convidado permanente como violista da Orquestra Filarmônica de Berlim e, desde 2009, é spalla das violas na Orquestra Jovem da União Européia."

"Os membros do Arnon Quartett são vencedores de vários concursos de destaque e mantêm carreira intensa como solistas. Possuem considerável experiência em orquestras importantes sob a regência de maestros renomados como Kurt Masur, Sir Simon Rattle, Sejii Ozawa, Daniel Barenboim, Zubin Mehta, Manfred Honeck e Bernhard Klee, dentre outros."

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Quarteto Arnon na Sala Augusto Meira Filho

Na próxima quinta-feira, 4 de novembro de 2010 às 20hs, a Fundação Amazônica de Música dá um tempo no jejum de concertos e oferecerá um pequeno banquete musical para os melômanos belenenses: o quarteto de cordas alemão Anon apresentar-se-á na capital paraense com um programa formado por três compositores europeus, porém de escolas musicais distintas: o clássico Joseph Haydn, o lelé da cuca romântico Robert Schumann e o impressionista e pra lá de perfeccionista Maurice Ravel.
Para quem conhece o belo quarteto de cordas de Ravel já é um excelente motivo para sair de casa e ir ouvi-lo ao vivo e a cores. Os quartetos de Haydn e Schumann entram como sobremesa.

o programa e a descrição do quarteto seguem abaixo:

QUARTETO ARNON

Joseph Haydn (1732-1809)

Quarteto de Cordas op.33 n.2 em Mib Maior

Allegro moderato - Scherzo

Allegro

Largo e Sostenuto

Presto

Robert Schumann (1810-1856)

Quarteto de Cordas op. 41 n.3 em La Maior

Andante espressivo - Allegro molto moderato

Assai Agitato

Adagio molto

Finale: Allegro molto vivace

Maurice Ravel (1875-1937)

Quarteto de Cordas em Fa Maior

Allegro Moderat, très doux

Assez vif, très rythmé

Trés Lent, modéré

Vif e agité

Arnon Quartett

Emmanuel Hahn, violino

Elias Schödel, violino

Luke Turell, viola

Johannes Dworatzek, cello

Emmanuel Hahn, Elias Schödel, Martin Schäfer und Johannes Dworatzek, atualmente com idade entre 24 e 26 anos, fundaram o Arnon Quartett durante os estudos na Escola de Música Hans Eisler em Berlim. Com intensa participação em master classes e festivais o grupo tem recebido incentivos calorosos de renomados artistas e quartetos como Kolja Blacher, Auryn Quartett, Amadeus Quartett, Emerson String Quartett, Vogler Quartett, Orlando String Quartetts, Stephan Metz (Orlando String Quartet), Robert Ireland (Lindsay Quartet) e Oliver Wille (Kuss Quartett). Dentre os prêmios conquistados pelo grupo está a menção especial no 3º Concurso Europeu de Música de Câmera Karlsruhe, Alemanha.

Todos os integrantes do Arnon Quartett tiveram os estudos musicais iniciados no violino por volta dos cinco anos de idade. Aos 8 anos Luke Turell optou pela viola e aos 6 anos Johannes Dworatzek pelo cello. Emmanuel Hahn é também pianista e foi primeiro colocado em violino e piano no Concurso Jovem Músico da Alemanha. Durante todo o ano de 2008 excursionou pela América, Ásia e Europa como integrante da Orquestra Klang Verwaltung de Munique. Martin Schäfer é vencedor do Concurso Internacional Concertino Praga. Possui por inúmeras vezes o 1º lugar e vários prêmios especiais no Concurso Nacional Jovem Músico da Alemanha. Desde 2008, é convidado permanente como violista da Orquestra Filarmônica de Berlim e, desde 2009, é spalla das violas na Orquestra Jovem da União Européia.

Os membros do Arnon Quartett são vencedores de vários concursos de destaque e mantêm carreira intensa como solistas. Possuem considerável experiência em orquestras importantes sob a regência de maestros renomados como Kurt Masur, Sir Simon Rattle, Sejii Ozawa, Daniel Barenboim, Zubin Mehta, Manfred Honeck e Bernhard Klee, dentre outros.

O ENCERRAMENTO DO IV FESTIVAL INTERNACIONAL DE ÓPERA DA AMAZÔNIA

Na calorenta noite de 2 de outubro de 2010, já em pleno clima de Círio de Nazaré, o IV Festival Internacional de Ópera da Amazônia encerrou sua parca e fajuta programação, certamente ganhando o título de pior ano do Festival de ópera.

A programação contou com somente uma ópera montada e alguns recitais líricos na Igreja de St. Alexandre e Museu do Estado do Pará, totalizando quatro récitas contra uma dada no Teatro da Paz, excluindo a montagem de La Traviata, pois essa deve figurar na categoria montagem.

Os concertos líricos foram os dados por Carol Hill (soprano) e o pianista David Hill, Rosana Schiavi e a pianista paraense Adriana Azulay; ambos em St. Alexandre e o Concerto Lírico usado para reabrir o Teatro da Paz após a sua breve e ligeira reforma, feita às pressas após a queda do foro do saguão de entrada no primeiro semestre deste ano.

Além destes concertos fechados no lírico, João Augusto Ó de Almeida, tenor paraense, apresentou a integral do ciclo O Amor do Poeta, contando novamente com a competência do pianista paraense Davi Martins, ex-aluno de Selma Chaves. Concerto oportunista e para encher programação já que de operístico nada teve.

Mas oportunista mesmo foi usar o concerto da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais dentro da programação do festival, já que este concerto é da turnê 2010 desta orquestra por várias capitais brasileiras, e claro, nada de operístico teve: novamente.

Uma palestra com Sérgio Casoy e o lançamento do livro “Histórias Invisíveis do Theatro da Paz” completaram a programação que deve ser esquecida para não passarmos vergonha e lembrada somente na hora de não cometer novamente tal erro primário de profissionalismo na área de produção cultural.

Mas agora irei para o concerto de encerramento dado, como já é tradição, em frente ao Teatro da Paz com os solistas e a orquestra, literalmente, fazendo música ao vento; o que não é de mais e sim de menos, pois o calor belenense está insuportável.

Cheguei a tempo de ouvir a abertura-fantasia Romeu e Julieta de Tchaikovsky na sua sessão final. Novamente música não operística sendo usada: será que as cabeças que programam os festivais ainda não entenderam o que é um festival temático? Creio que não.

Este concerto de encerramento nem de longe lembrou o brilho e a alegria de outros anteriores. Todo mundo cantando com o pé no freio, meios sorrisos, andamentos arrastados, pouco brilho vocal e quase nenhum tesão. Pareceu mais um réquiem. Ópera mesmo, muito pouco.

Manuel Alvarez cantou com gosto a Canção do Toureiro, mas como o coro foi deixado de fora, a ária perdeu muito de seu brilho. E o coro estava sentado lá no pátio do saguão do teatro, só ouvindo o canto de Manuel.

Lyz Nardotto, voltou a ser solista depois de suas participações como comprimária em Romeu e Julieta (2009) e La Traviata este ano. Cantou a Valsa de Julieta com um tal desânimo e peso vocal, deixando o ar juvenil da garotinha veronesa completamente ausente da música de Gounod. Neste momento não sabia se a classificava como um soprano lírico de coloratura ou lírico-ligeiro tão pesada e escura estava a sua voz para um soprano que tem muita coloratura na voz. Coisa esquisita.

Ela voltou depois para cantar com mais propriedade vocal, embora sem muito sentimento, a O mio babbino caro. Aquele sentimento apaixonado da música de Puccini foi com o vento. Literalmente. Garbo mesmo ela aplicou na reprise da segunda ária da Rainha da Noite; mas é visível que sua voz já não atende às exigências da partitura, sabidamente escrita para um soprano coloratura puro, coisa muito difícil de se encontrar há muito tempo.

Alfa de Oliveira, com voz muito mais organizada que nos anos anteriores, voltou a solar, embora a sua participação tenha sido ínfima em La Traviata (como foi a participação de todos os paraenses). A seu favor conta o fator dela ser uma verdadeira cantora lírica, com voz e postura de uma artista da ópera. Contra, estão todas as escolhas erradas feitas por ela que a tiraram da estrada do sucesso e da carreira. Sobrou...bem deixa pra lá.

No vai e vem de solistas o concerto terminou com o manjado Brindisi da Traviata. Tão reprisado em concertos pelo mundo que já perdeu a graça. Prometeram um festival em 2011. Espero um festival de verdade, não um fajuto como este.