Quarteto Arnon: concerto em Belém do Pará

O quarteto de cordas alemão Arnon, formado por quatro jovens músicos da Escola de Música Hans Eiler de Berlim, atualmente entre os 24 e 26 anos, apresentaram-se na Sala Augusto Meira Filho em Belém do Pará na noite de 04 de novembro de 2010 com um concerto muito agradável onde obras de J. Haydn, Schumann e Ravel foram apresentadas com alto nível técnico e excelente entrosamento dos músicos. Como os músicos se conhecem desde pequenos quando iniciaram os estudos musicais (todos no violino) as trocas de olhares são mais de que meros sinais para suas entradas; são cumplicidade na interpretação das obras, o que dá visivelmente uma simbiose maravilhosa na interpretação musical.
Não acompanhei a execução do quarteto de Haydn, mas a execução dos quartetos de Schumann e Ravel foram uma surpresa e uma felicidade. Alguns musicólogos chamam o romantismo do compositor saxão de "fogoso" e nada melhor para descrever a música do Quarteto de Cordas nº. 3 Op. 41 em lá maior. Música cheia de vivacidade, animação, calor, emoções violentas, nenhum pudor: mais parece música de um latino que de um germânico. Os rapazes do Arnon tocaram esse quarteto com um vigor surpreendente e uma qualidade muito boa para músicos tão jovens, mas possuidores de técnica musical bem trabalhada e firme. A vestimenta deles deve ter chamado a atenção do público, assim como chamou a minha, pois eles tocaram (ver vídeo) a paisana, dando um ar despojado ao concerto, deixando as casacas de lado. Foi uma novidade que achei válida. Tirando o quarteto de Ravel, que possui momentos intimistas, a graciosidade da obra de Haydn e fogocidade de Schumann cairam bem para as calças jeans e camisas esporte dos músicos.


Robert Schumann (1810-1856) - Quarteto de Cordas nº. 3 Op. 41 em lá maior

1. Andante espressivo - Allegro molto moderato


2. Assai agitato


3. Adagio molto


Ravel - Quarteto de Cordasem fá maior

1. Allegro moderat, très doux


2. Assez vif, très rythmé


3. Très lent, moderé



INFORMAÇÕES SOBRE O QUARTET EXTRAÍDAS DO PROGRAMA:

Emmanuel Hahn, violino

Elias Schödel, violino

Luke Turell, viola

Johannes Dworatzek, cello

"Emmanuel Hahn, Elias Schödel, Martin Schäfer und Johannes Dworatzek, atualmente com idade entre 24 e 26 anos, fundaram o Arnon Quartett durante os estudos na Escola de Música Hans Eisler em Berlim. Com intensa participação em master classes e festivais o grupo tem recebido incentivos calorosos de renomados artistas e quartetos como Kolja Blacher, Auryn Quartett, Amadeus Quartett, Emerson String Quartett, Vogler Quartett, Orlando String Quartetts, Stephan Metz (Orlando String Quartet), Robert Ireland (Lindsay Quartet) e Oliver Wille (Kuss Quartett). Dentre os prêmios conquistados pelo grupo está a menção especial no 3º Concurso Europeu de Música de Câmera Karlsruhe, Alemanha."

"Todos os integrantes do Arnon Quartett tiveram os estudos musicais iniciados no violino por volta dos cinco anos de idade. Aos 8 anos Luke Turell optou pela viola e aos 6 anos Johannes Dworatzek pelo cello. Emmanuel Hahn é também pianista e foi primeiro colocado em violino e piano no Concurso Jovem Músico da Alemanha. Durante todo o ano de 2008 excursionou pela América, Ásia e Europa como integrante da Orquestra Klang Verwaltung de Munique. Martin Schäfer é vencedor do Concurso Internacional Concertino Praga. Possui por inúmeras vezes o 1º lugar e vários prêmios especiais no Concurso Nacional Jovem Músico da Alemanha. Desde 2008, é convidado permanente como violista da Orquestra Filarmônica de Berlim e, desde 2009, é spalla das violas na Orquestra Jovem da União Européia."

"Os membros do Arnon Quartett são vencedores de vários concursos de destaque e mantêm carreira intensa como solistas. Possuem considerável experiência em orquestras importantes sob a regência de maestros renomados como Kurt Masur, Sir Simon Rattle, Sejii Ozawa, Daniel Barenboim, Zubin Mehta, Manfred Honeck e Bernhard Klee, dentre outros."

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ESSA NEGRA FULÔ: ANÁLISE

FORMA E ESTRUTURA NA ÓPERA: CENA III - ESTRUTURAÇÃO DE UMA ÓPERA

Mozart: Bastião e Bastiana em português e com sotaque paraense