A HORA E A VEZ DO JAZZ

O LIBERAL, Belém, Sexta-feira, 6 de junho de 1997 3
Dentro da programação do festival de música de câmara do Pará, o trio Pentagrama se apresenta amanhã no Núcleo de Arte da UFPA
O Pentagrama se apresenta amanhã à meia-noite no Núcleo de Arte da Universidade Federal do Pará, na Praça da República. O espetáculo é parte do X Festival Internacional de Música de Câmara do Pará, que acontece desde o dia 1º e encerrará neste domingo. O show é imperdível para os amantes do jazz. O trio jazzístico formado pelo pianista Nelson Neves, pelo baixista Adelbert Carneiro e pelo baterista José Sagica, todos músicos de primeira linha, foi formado em 1989 e tem a proposta de desenvolver uma linguagem própria. No programa: “Some Day My Prince Will Came” *”Um Dia Meu Príncipe Chegará”), de Churchill, um tema de Branca de Neve; “Tamba Tajá”, do maestro Waldemar Henrique, que ganhou o devido tratamento para ser encaixada como jazz; “Emily”, de Johny Mandel; “Super Blue”, de Bernard Ighner; e duas composições de Nelson Neves: “Ballad for Lucila” e “Find Out”.
Na “Meia-noite de Música” o público paraense terá a oportunidade ímpar de conhecer o suingue negro do jazz, um tipo de música que não admite meio termo: ou se gosta ou não se gosta. Nelson, 38 anos, que leciona piano no Conservatório Carlos Gomes, tem uma formação clássica. Ele começou a tocar aos quatro anos e nunca mais parou. Foi bolsista do governo nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, onde aprimorou seus conhecimentos e viveu nos Estados Unidos, estudando música na Universidade de Columbia, em Missouri. Para ele, não há formação melhor para o músico de jazz que a erudita. “É imprescindível. É nesta formação que se adquire a técnica”.
Nelson sempre gostou de música popular, mas seu contato mais detido com o jazz foi no final da década de 70, no Rio de Janeiro. Ouviu Bill Evans, “um branco que conseguiu entrar no mundo negro do jazz e que foi considerado um gênio pela crítica americana”, e nunca mais largou o ritmo. Desde então, se apaixonou pelo jazz. E se depender do músico esse romance é para a vida toda.
O pianista fala com empolgação do ritmo que elegeu para marcar sua carreira: “O suingue é o elemento vivo do jazz. Vinte músicos de uma big band podem tocar uma nota curta em frações de segundos e às vezes ela nem pode ser escrita. Ou seja, ou você sente o momento ou você está por fora do jazz. O jazz não é algo que se toca, ele é “como se toca”. É ritmo, fraseado... Improviso! E com improviso vem a liberdade”. Para Nelson, o músico clássico consegue a técnica e interpreta. “Agora, o jazz é ao mesmo tempo três coisas: composição, interpretação e improvisação. Um barato e tanto”.
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SERVIÇO – O show do Pentagrama acontece a partir de meia-noite de sábado no Núcleo de Arte da UFPA, na Praça da República, como parte do X Festival Internacional de Música de Câmara do Pará. Deve durar de uma hora a uma hora e meia.
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