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Mostrando postagens de Maio, 2011

FORMA E ESTRUTURA NA ÓPERA: CENA III - ESTRUTURAÇÃO DE UMA ÓPERA

A ópera durante sua evolução , teve várias maneiras de ser organizada dentro dos tipos fixos de gêneros que foram surgindo, chegando ao século XX de uma maneira bem mais livre, senão, totalmente livre, na sua elaboração cênica e construção musical, fazendo, assim, que viessem à tona novas maneiras de se pensar a ópera; mas nenhuma delas se atreveram a superar sua maneira mais tradicional de estruturação: em atos e cenas. A cena é a reunião das ações de uma personagem em determinado período de tempo ou local especifico: chamá-la-ei de “pequena cena“. Assim toda a primeira cena de Hans Sachs no terceiro ato dos Mestres Cantores de Nuremberg, é constituída pelo diálogo entre David e Sachs e o consequente monólogo do sapateiro-filósofo, o “Monólogo da Ilusão“, enquanto que no início da Aída, a cena de Radamés é constituída pelo diálogo do jovem soldado egípcio com o sumo-sacerdote Ramphis e sua ária “Celeste Aída“. A cena também pode ser a parte de um ato que se passa em local específico, c…

Recital Nadja Nogueira na Sala Augusto Meira Filho

A pianista paraense Nadja Nogueira deu recital em Belém na noite de 13 de abril de 2011 na Sala Augusto Meira Filho. Tocou Debussy, Mozart, Chopin, Brahms e Ginastera em um recital que ficou entre o regular e bom. Após um bom início com a Claire de Lune de Debussy; numa interpretação agradável, assistimos a Sonata nº. 10 em Dó maior de Mozart, e aí residiu o perigo. Os dedos da mão direita da pianista não estavam numa boa noite e, por isso, não deram a necessária agilidade às notas de Mozart e todo o brilho do primeiro movimento desta luminosa sonata foi perdido. Os dois movimentos finais tiveram melhor execução, sobretudo o segundo, acentuado o fato dele ser o movimento lento. Essa pianista, ao que parece, se dá bem melhor com as músicas lentas, pois os Noturnos de Chopin tiveram execuções bem mais qualificadas que o Mozart. Uma coisa a se destacar nessas execuções; e que me impressionou bastante, foi a extrema facilidade da pianista com a mão esquerda. Nunca vi, ao vivo, nenhum pia…

FORMA E ESTRUTURA NA ÓPERA: CENA I - CLASSIFICAÇÕES E SUB-CLASSIFICAÇÕES VOCAIS

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Una voce poco fa
qui nel cor mi risuono

Uma voz faz pouco ecoou no meu coração; Rosina, em O Barbeiro de Sevilha de Rossini e Sterbini.A voz de ópera é algo que fascina o público do gênero ou qualquer outra pessoa que a ouça. Mas qual o processo produtor da voz?. Há várias teorias, mas ainda hoje, nenhuma chegou a um conceito definitivo. Explicar como é produzida a voz no canto, também é outro grande mistério, que os ardorosos fãs de ópera não estão muito preocupados em co­nhecer. Como escreveu DiGaetani “ a ópera é um dos lugares onde você pode ouvir um canto ‘honesto’, sem nenhuma amplificação “. De fato, o tea­tro de ópera, continua a não lançar mão de processos eletrônicos de acústica para fazer ouvir seus cantores, pois isso é totalmente desnecessário. Um bom teatro de ópera deve ter uma excelente acústica natural, proveniente da sua construção. Nele, tanto uma única voz, como um único instrumento, devem ser perfeitamente audíveis em todo o teatro, não importando a distância entre ess…

FORMA E ESTRUTURA NA ÓPERA: APRESENTAÇÃO

Dedico este livro a meu sobrinho Mateus, nascido em 27 de agosto de 1995, dia anterior ao término deste trabalho.
APRESENTAÇÃO O presente trabalho destina-se a apresentar a ópera a um público leigo em música e iniciante na apreciação desse gênero. Este trabalho foi pensado e estruturado para atender as necessidades prementes de um público novato, mas já quase tomado pelo fascínio à ópera. A esta obra não foram acrescentados exemplos musicais, tendo em vista que eles de nada serviriam para o leitor não conhecedor de música. Isto não quer dizer que ao passar do tempo ele não possa adquirir tal conhecimento. Poderá, e certamente ocorrerá; mas pelas dimensões deste trabalho e as condições para o qual foram elaborados, os referidos exemplos quedariam prolixos e forçados.

No que se refere ao conteúdo deste trabalho, recomendamos que ele não seja visto apenas como uma fonte de informações que devem ser incutidas à risca e depois repetidas como princípios incontestáveis. Ele deve ser tomado como …