FORMA E ESTRUTURA NA ÓPERA: APRESENTAÇÃO

Dedico este livro a meu sobrinho Mateus, nascido em
27 de agosto de 1995, dia anterior ao término deste trabalho.

APRESENTAÇÃO
O presente trabalho destina-se a apresentar a ópera a um público leigo em música e iniciante na apreciação desse gênero. Este trabalho foi pensado e estruturado para atender as necessidades prementes de um público novato, mas já quase tomado pelo fascínio à ópera. A esta obra não foram acrescentados exemplos musicais, tendo em vista que eles de nada serviriam para o leitor não conhecedor de música. Isto não quer dizer que ao passar do tempo ele não possa adquirir tal conhecimento. Poderá, e certamente ocorrerá; mas pelas dimensões deste trabalho e as condições para o qual foram elaborados, os referidos exemplos quedariam prolixos e forçados.

No que se refere ao conteúdo deste trabalho, recomendamos que ele não seja visto apenas como uma fonte de informações que devem ser incutidas à risca e depois repetidas como princípios incontestáveis. Ele deve ser tomado como um pequeno “ livro de consulta “, ao qual podemos recorrer sempre que necessário. Seus conceitos não tem a pretensão de chegarem a exaustão. Antes, são informações que pretendem dar ao leitor uma visão clara e geral de tudo aquilo que constitui a construção do castelo chamado ópera.
De modo algum o leitor deve se prender aos exemplos dados. Mas deve ter sempre em mente que eles foram pensados para ilustrar e processar, com 8O% de acerto, o seu entendimento dos conceitos, e também servirem como marco inicial para a apreciação operística mais profunda.
Na parte referente a estruturação de uma ópera os modelos dados servem para que o iniciante consiga entender a difícil e complexa construção musical de uma ópera: o que depende de uma coesão das partes que a compõe. Sugerimos que o leitor procure ouvir uma gravação completa das duas óperas “dissecadas” em nosso trabalho, e que a partir delas chegue ao seu próprio esboço do “ esqueleto de uma ópera”.
Ao capítulo referente aos Interpretes e Interpretações, ressaltamos que as opiniões dadas são pessoais e conseqüência de nossa visão particular no tocante à interpretação operística. Ele é, apenas, a maneira aconselhada por nós para uma boa e sincera análise da interpretação do gênero operístico, sem tender aos estereótipos e ao vexatório favoritismo que invalida qualquer tentativa de julgamento. Sinceridade, é o desejado a uma boa e justa análise de interpretação operística.
Um livro de consulta, mas também de leitura agradável e contínua. Estes são os princípios que regeram a elaboração deste trabalho. Esperamos que ele atenda ao nosso objetivo: informar, ensinar, fazer apreciar, fazer enamorar-se o iniciante no gênero operístico, que nada ou quase nada conhece de música. Um passeio primaveril pelas arcádias gregas é o que queremos com este trabalho. À Camerata Fiorentina, agradecemos.
Belém, 28 de agosto de 1995
RICCARDO D’ÁVILA
PRELÚDIO
Um homem. Um outro homem. Um palco. A orquestra. A música. O canto. A encenação. A interpretação. O todo. O quase. O nada. O nunca. Aquilo. Aquele. O outro. A outra. Os elementos misturados. Os elementos condensados. Os elementos combinados. Tudo isso e, muito mais, é a ópera. Arte dos sons, das luzes, dos olhos, dos ouvidos, dos senti dos, das sens-sa-çõ-es. Das emoções. Do eu aqui. Do eu ali. Do eu em mim. Do eu em ti. Do eu em nós.
A ópera, suprema em si, baila pelos campos floridos de infinita relva, de beleza e inconseqüência. “Un bel di, vedremo” o paraíso em cores claras, tonalidades escuras, paisagens exóticas, paixões ardentes e novamente, inconsequentes.
O amor do eu. O amor do teu. O amor do outro. O amor de nós. A ópera é mais, e apenas isso. É canto, dança, rima, mímica, interpretação. É sen-sa-ção. Ah! Rosina estava certa! Se bem que uma voz não faz pouco, faz muito: e como!.

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