ARNALDO COHEN: RECITAL EM BELÉM DO PARÁ 2011




O pianista brasileiro Arnaldo Cohen: certamente um dos maiores pianistas do planeta da atualidade, após longos anos voltou a capital paraense para um recital extraordinário na Sala Augusto Meira Filho. Dessa vez o exímio pianista tocou dentro da série Concertos para Belém III, sempre com a realização da MUsikart Produção, patrocínio da Vale e do MINC.
           Nem é preciso escrever que o recital atendeu todas as expectativas daqueles que já conhecem a arte de Arnaldo Cohen, sua habilidade técnica e sua leitura musical refinada e cheia de garbo, ou seja, o recital foi perfeito do início ao fim, com dois ou três bis; não lembro bem.
           A pedido do pianista sua apresentação não pode ser gravada.

         INFORMAÇÕES DO PROGRAMA

ARNALDO COHEN - Piano
Após uma apresentação de Arnaldo Cohen em Nova lorque, Shirley Fleming, crítica do jornal The New York Post, assinalou: "a performance do pianista brasileiro foi tão prodigiosamente poderosa que alguns chegaram a desejar, de vez em quando, uma pausa para descanso. A vulcânica Sonata em Si menor, de Liszt, mostrou uma síntese do pianista: sonoridades violentas, pacíficos interlúdios de tonalidades suaves e ardentes, e absoluta clareza de toque. A avalanche de notas escrita por Liszt não chegou, em momento algum, a ameaçar Cohen. Duvido mesmo que algo consiga ameaçá-lo”.
A crítica internacional não tem economizado elogios aos concertos, aos recitais e às gravações de Arnaldo Cohen, festejando-o como um dos grandes pianistas de nosso tempo. Quando do lançamento de sua versão das Variações sobre um Tema de Haendel, de Brahms, registrada para o selo VOX, o então crítico do The New York Times, Harold Schoenberg, escreveu: "não conheço nenhuma gravação moderna que se aproxime desta". A publicação norte-americana Fanfare assinalou que a interpretação de Arnaldo Cohen se encontrava "no mesmo nível de Rudolf Serkin". Um outro Cd, com obras de Liszt para o selo Naxos, chegou a ocupar durante quatro meses os primeiros lugares das listas dos mais vendidos na Inglaterra. Para o selo sueco BIS, Cohen gravou um CD inteiramente dedicado à música brasileira - "Brasiliana - Três Séculos de Música do Brasil". Sobre essa gravação, o crítico do jornal inglês The Times escreveu: "Cohen é possuidor de uma técnica extraordinária e capaz de chamuscar as teclas do piano ou derreter nossos corações". A revista Gramophone escolheu a gravação de Cohen para o selo BIS, com obras de Liszt, para integrar a prestigiosa e seleta lista do "Editor's Choice" e justificou: "Sua interpretação de Liszt não fica nada a dever à famosa gravação feita por Horowitz tanto em cores como em temperamento. Sua maturidade musical e virtuosidade estonteante o colocam na mesma categoria de Richter. A mesma Gramophone não poupou elogios ao Cd de Cohen, como solista da Orquestra Sinfônica de São Paulo (OSESP), regida por John Neschling. Executando os dois concertos de Liszt e a Totentanz, o crítico Jeremy Nicholas resumiu: "difícil de superar".
A gravadora Biscoito Fino acaba de lançar o Cd com os Concertos Nos. 2 e 4 de Rachmaninoff, interpretados por Cohen juntamente com a OSESP, regida pelos maestros John Neschling e Jan Pascal Tortelier, respectivamente.
Ao receber suas primeiras aulas de música, aos cinco anos de idade, Arnaldo Cohen iniciava o percurso que o levaria a se tornar o único aluno na história da universidade brasileira a graduar-se, com grau máximo, em piano e violino, pela Escola de Música da UFRJ. Aos 20 anos, após uma passagem de três anos pela Faculdade de Engenharia, Cohen optou pelo piano e passou a trabalhar sob a orientação do grande pianista Jacques Klein, com quem estudaria por quatro anos. Para pagar seus estudos, o pianista trabalhou como violinista da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Complementando sua formação no Brasil, Cohen se transferiu para Viena, onde estudou com Bruno Seidlhofer e Dieter Weber. Em 1972, o talento, a sensibilidade e a técnica do músico brasileiro levariam-no a conquistar, por unanimidade do júri, o Primeiro Prêmio do prestigioso Concurso Internacional de Piano Busoni, realizado em Bolzano, Itália.
Radicado em Londres desde os anos 80, Arnaldo Cohen vem cumprindo uma carreira internacional que o tem levado a teatros como o Scala de Milão, o Concertgebouw de Amsterdã, o Symphony Hall de Chicago, o Théâtre des Champs-Elysées, em Paris, o Gewandhaus de Leipzig, o Teatro La Fenice de Veneza, o Royal Festival Hall, o Barbican Centere o RoyalAlbert Hall.
Ao longo de sua carreira, Cohen se apresentou em mais de 3,000 concertos como solista de orquestras como a Royal Philharmonic Orchestra, a Philharmonia Orchestra, a Orquestra de Cleveland e da Filadélfia, a Filarmônica de Los Angeles, a Sinfônica de Berlim, a Sinfônica da Rádio da Bavária, a Orquestra da Accademia di Santa Cecilia de Roma, a Orchestre de Ia Suisse Romande e a Tonhalle de Zurique, colaborando com regentes como Yehudi Menuhin, Kurt Masur, Wolgang Sawallish, Kurt Sanderling e Klaus Tennstedt, dentre outros.
Além de suas apresentações como recitalista e  concertista, Arnaldo Cohen transita também, com igual desenvoltura, pelos domínios da música 'de câmara: durante cinco anos integrou o Trio Amadeus, formado pelo violinista Norbert Brainin e violoncelista Martin Lovett, membros do Quarteto Amadeus, um dos mais célebres de todos os tempos. Tem colaborado regularmente com formações como os Quartetos Lindsay, Orlando, Endellion, Chilingirian e Vanbrugh.
Paralelamente à atividades concertística, Cohen continua dedicando especial atenção à vida acadêmica e à formação de novos pianistas. Na Inglaterra, lecionou na Royal Academy of Music e no Royal Northern College of Music, onde recebeu o título de Fellow Honoris Causa. Seu interesse pela vida acadêmica levou-o a participar, como jurado, de vários concursos internacionais, como o Concurso Chopin, em Varsóvia, o Concurso Liszt na Holanda e o Concurso Busoni, na Itália. Foi condecorado pelo governo brasileiro com a Ordem do Rio Branco por seus serviços prestados ao país na área cultural.
Após viver mais de vinte anos em Londres, Cohen transferiu-se para os Estados Unidos em 2004, tornando-se o primeiro músico brasileiro a assumir uma cátedra vitalícia na Escola de Música da Universidade de Indiana. O brasileiro mantém ainda uma intensa agenda de máster classes junto a inúmeras instituições acadêmicas em todo o mundo. Recentemente, o crítico Steve Smith do The New York Times definiu a arte de Cohen: "Com uma técnica infalível, sua performance foi um modelo de equilíbrio e de imaginação." Yehudi Menuhin, um dos maiores violinistas de todos os tempos, foi mais longe: "Arnaldo ·Cohen é um dos mais extraordinários pianistas que já ouvi".

PROGRAMA
Ludwig van Beethoven                      Sonata para piano nº. 8 em C maior. Op. 13 (Patética)
(1770-1827)

Ludwig van Beethoven                      Sonata para piano nº. 8 em C maior. Op. 13 (Patética)
(1770-1827)

                               Intervalo

Franz Liszt                                          Sonata para piano em B menor
(1811 - 1886)







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