Mozart: Bastião e Bastiana em português e com sotaque paraense


      O soprano paraense Madalena Aliverti criou um novo grupo musical na capital paraense para agitar ainda mais a já bastante agitada vida musical de Santa Maria de Belém do Grão-Pará. Há alguns anos Madalena arregimentou um grupo de estudantes de canto lírico da capital (todas mulheres) e apresentou Suor Angelica de Puccini quase na íntegra em apresentações que se deram na Igreja de Santa Alexandre, hoje o Museu de Arte Sacra do Pará.
      Desta vez Madalena; contando com a produção cultural de Verena Juliana; que conseguiu menos de R$ 5.000,00 de um único patrocinador, chamou alguns cantores, para juntos, montarem a ópera Bastien und Bastienne do salzburguês Mozart em versão livremente adaptada para a língua portuguesa, trazendo a encenação para a Amazônia e seus trajes típicos, além, é claro, da linguagem típica que só paraense entende, pois a montagem evidentemente foi pensada somente para o público paraense, já que os estrangeiros não conhecem a linguagem papa-xibé.
     A montagem também contou com a participação da pianista Leandra Vital ao piano. Sim, a montagem foi acompanhada por piano e não orquestra. Financiamento para a cultura erudita no Pará é caso muito sério... pelo desinteresse geral do meu povo quanto a este tipo de financiamento.
      Houveram duas apresentações na Sala Ettore Bosio a título de ensaio geral, mas a estréia está reservava para o Sesc Boulevard durante a quadra nazarena. Madalena e Thaina Souza revesaram-se como Bastiana, Maurício de Souza Jr. e Severo Almeida como Bastião e Diogo Monteiro fez Herr Kolas. Assisti e gravei a segunda noite na Sala Ettore Bosio e os comentários abaixos são sobre esta apresentação.
       O cenário simples e colorido reproduziu características do folclore paraense, notar os vestidos de Leandra e Taina e a roupa usada por Severo., bem como a estampa usada para o fundo do palco que lembra as estampas usadas pelos grupos de carimbó.
          Musicalmente a apresentação foi bastante desigual. Leandra precisa amadurecer mais a sua parte ao piano e os cantores têm níveis vocais muito diferentes, esta sim a verdadeira causa do desequilíbrio do grupo. Thaina Souza já tem uma voz de soprano lírico formada e amadurecida, enquanto Diogo Monteiro - mesmo não tendo formalmente concluído o curso de canto - tem uma voz de barítono lírico já em pleno processo de amadurecimento. Mas Severo Almeida está ainda muito verde para cantar ao lado de vozes amadurecidas e que já têm uma certa estrada como solistas.
        Ele deve continuar cantando sim, pois assim é que sua voz amadurecerá, mas para manter um equilíbrio vocal nas apresentações os demais cantares deveriam estar no mesmo patamar vocal que ele; assim, musicalmente, estariam todos no mesmo nível e não em níveis vocais diferentes como nesta temporada.
            Fica muito difícil para nossos ouvidos equalizarmos um soprano com voz já preparada com um tenor ainda bem verdinho como Severo. Mas, futuramente, talvez; e se ele continauar cantando, possa ser que tenhamos um bom tenor. Quem sabe? 
IMAGENS:

Thayna e Diogo

Diogo, Thayna e Severo

Leandra Vital

vídeos:
parte 1:



parte 2:


Final:



Comentários

  1. Oi Ricardo,

    Muito obrigada pela divulgação. Apesar do pouco dinheiro patrocinado é importante dizer que muita coisa saiu das nossas reservas pessoais e emocionais que não tem preço. Porém, contamos com a captação de mais patrocinadores, pois fizemos muitos contatos e acreditamos que este espetáculo possa crescer cada vez mais, para que mais crianças, jovens e adultos possam se deliciar com esta adorável ópera.

    bjs,

    Verena.

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