Fábio Martino e a má educação paraense

     A noite de 04 de dezembro de 2011 ficará marcada nos anais belenenses como uma noite em que a má educação paraense deu as caras e acabou com a reputação até dos que têm boa educação. Noite muito complicada para o histórico dos concertos na capital paraense, teve falhas dentro e fora do palco.
     O primeiro grande fora da noite foi a altamente desigual execução do Réquiem de Gabriel Fauré pelo Madrigal da UEPA (Univesidade do Estado do Pará) dirigido pelo professor de canto belenense Milton Monte e nessa ocasião dirigido musicalmente pelo francês Phillipe Forget. O apresentação ficou desequilibrada pois o coro fez sua parte e saiu-se bem, sustentando os bons momentos da execução.  O contraponto desagradável foram os solista: o já citado Milton Monte (barítono) e Dione Colares. Ele com voz já desgastada, mas ainda insistindo em cantar, entrou em campo e não jogou nada. Dione, por sua vez, em péssima noite, apresentou-nos o Pie Jesu mais horroroso que já ouvi até então. 
     A apresentação tinha bons elementos para ser uma grande apresentação: a orquestra foi substituída por um piano (executado a contento por Leandra Vital); tornando a música de Fauré ainda mais intimista e o coro - mantendo a tradição paraense - fez uma boa participação, embora a rotatividade dos integrantes do Madrigal da UEPA ainda não permita ao grupo criar sua personalidade musical: o que deve acontecer quando parar o entra-e-sai de integrantes.
      Porém o momento mais marcante para nós que estivemos lá e que será lembrado por muitos anos como algo extremamente desagradável para nós paraenses ocorreu durante a apresentação do pianista Fábio Martinucci: originalmente tocaria o Imperador de Beethoven, e não o fez pois não se sentiu confortável com a Orquestra Sinfônica Altino Pimenta que o acompanharia musicalmente, sob a regência de Miguel Campos Neto. Uma parcela do público que já vinha fazendo ruídos mil durante as apresentações anteriores perdeu a pouca compostura que possui e iniciou uma ruidosa série de entra-e-sai da sala de espetáculos do Teatro da Paz, atrapalhando toda a apresentação da Sonata para piano de Brahms. Martino, visivelmente, aborrecidíssimo com tal comportamento, saiu do palco com cara de nenhum amigo e não desejando retornar para ela: só o fez devido aos insistentes aplausos que a outra parcela da platéia (eu no meio) executou até o seu retorno com visível aborrecimento no rosto. 
     Nos bastidores alguns disseram que a barulheira foi promovida por familiares dos integrantes da Orquestra, ofendidos pelo pianista ter cancelado a apresentação do célebre concerto de Beethoven, deixando claro que a orquestra não está ao nível técnico da partitura: basta ouvir o vídeo inicial para constatar que essa orquestra de alunos de fato é bem fraca. Piora se for comparada a Orquestra Jovem Vale Música. 
     Noites como esse devem servir de exemplo para todos nós: sala de concertos não é lugar de conversas, desavenças e qualquer manifestação ruidosa prejudicando a concentração dos músicos e a própria execução musical. Pois o silêncio, antes de tudo, cobre os músicos de respeito pelos seus trabalhos e também por todos os frequentadores das salas de concertos que vão para ouvir música e não desaforos de pessoas sem educação, postura ou respeito pelo músico, e por fim, pela música.
     A formação de platéia de concertos em Belém deve ser reabilitada, pois essa gente nova que anda frequentando os recitais e concertos na capital paraense devem, urgentemente, aprender a controlar suas mãos e impulsos para o bem da música de concerto em Belém do Grão-Pará.

Adalbert Carneiro: Suíte

video

Gabriel Fauré: Requiem

Parte 1:

video


Parte 2:

video

Parte 3:

video


Johannes Brahms: Sonata para piano 


video


video


video

video

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ESSA NEGRA FULÔ: ANÁLISE

FORMA E ESTRUTURA NA ÓPERA: CENA III - ESTRUTURAÇÃO DE UMA ÓPERA

Mozart: Bastião e Bastiana em português e com sotaque paraense