quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A Música Barroca para Canto e Cembalo



     Na noite de 15 de dezembro de 2011 na Sala Augusto Meira Filho em Belém do Grão-Pará dois músicos franceses fizeram um dos mais luxuosos recitais da temporada de concertos 2011 na capital paraense. A voz pura do mezzo-soprano Maïlys de Villoutreys e os toques suaves e criteriosos do cravista Ronan Khalil encheram a Sala Augusto Meira /Filho da extraordinária beleza da música barroca européia. Todos aqueles que, como eu, compareceram a esse recital devem ter se sentido privilegiados por acompanhar tão encantadora performance musical. Fazia muito tempo que Belém não tinha um recital de música barroca de altíssimo nível como esses dois jovens franceses apresentaram. Infelizmente, por motivo de doença, não pude gravar a apresentação como de costume para que vocês possam assistir aqui. Fica o vácuo. Mas se por bondade o senhor destino trouxer esses dois maravilhosos músicos para tocar novamente em Belém é claro que irei devidamente preparado.

Informações do programa:



A MÚSICA BARROCA PARA CANTO E CEMBALO
MAÏLYS DE VILLOUTREYS· Mezzo
Formada pelo Conservatório Nacional Superior de Música de Paris na classe de Isabelle Guillaud, estreou na ópera de Rennes como Sophie em Let's make an Opera de Britten e depois como Yniold em Pelléas et Melisande de Debussy. Tem se apresentado com diferentes grupos profissionais tais como Lês Musiciens du Paradis, Pygmalion, Sequenza 9.3, La Simphonie du Marais, Coro da Ópera de Rennes. Como solista apresenta-se tanto em recital de música barroca francesa ou cantatas italianas como com repertório do século XX para voz e quarteto de cordas. Gravou Atys de Lully com a Simphonie du Marais.
RONAN KHALIL· Cembalo
Diplomado pelo conservatório Real de La Haia continuou seus estudos no Conservatório Superior de Música de Paris. Recebeu o primeiro prêmio no Concurso Internacional de Cembalo da Fundação M. & R. de Lacour e do concurso Paola Bernardi de Bologne. Solicitado tanto como baixo contínuo como solista tem se apresentado sob a direção de Martin Gester, Jerome Correas, Laurence Cummings, entre outros. Participou de vários festivais em Viena, Lindrea, Itália, Grécia, Coréia do Sul. Criou o Ensemble Desmares especializado no repertório dos séculos XVII e XVIII. É professor no Conservatório de Compiégne.

PROGRAMA
Henry PURCELL (1659-1695)
Music for a While
John BLOW (1649-1708) ,
Ground in D (cembalo)
William LAWES (1602-1645)
Cupid weary of the courtoFairwell fair saintol burnOCan beauty spring
Henry PURCELL(1659-1695)
A new Ground (cembalo)
The blessed Virgin's expostulation
Michel LAMBERT(1610-1696)
Vos mépris chaque jourolris n'est plusOOmbre de mon amant
Jean-Philippe RAMEAU (1682-1764)
Tristes apprets pales fiambeaux (Telaire - Castor et Pollux)
Suite from Les Indes Galantes (cembalo)
Rossignols amoureux (Hippolyte etAricie)



sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Natal com arte em toda parte 2011

      Após o esquecimento da SECULT-PA pelo governo petista de Ana Júlia Carepa, o Natal com Arte em Toda Parte volta a figurar no calendário natalino belenense com o retorno de Simão Jatene ao governo do estado do Pará, novamente com o arquiteto Paulo Chaves no timão da Secretaria Estadual de Cultura. 
      Espetáculo grandioso, como é do gosto dos tucanos, e do público belenense é claro, teve tudo o que lhe é próprio: Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz, Coro Infantil Vale Música, Coro do Festival de Ópera, Patrícia de Oliveira e Atalla Ayan; esse em passagem natalina na sua cidade natal.
      Uma queima de fogos de artifício encerrou o espetáculo lavando e iluminando a alma de todos nós paraense que temos a nossa capacidade cultural de volta, livre das ideologias sindicalistas dos petistas.


VÍDEOS:

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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012


CARMINA BURANA NO FESTIVAL DE ÓPERA

     Nas noites de 26, 27 e 29 de novembro de 2011 foram realizadas as recitas da cantata cênica de Carl Orff, favorita das salas de concertos. Isso, talvez, explique o fato de uma cantata ter sido escolhida para um festival operístico. Mas para aqueles que conhecem o festival de ópera paraense sabem que ele nunca foi plenamente operístico.             
     Mas dessa vez pelo menos tiveram  cuidado de escolher uma obra encenável como Carmina Burana; já apresentada anteriormente em Belém dentro do Festival Internacional de Música do Pará.
     Cenicamente, na minha opinião, a cantata foi muito bem montada, com as cenas sendo muito bem encaixadas umas nas outras, sem cortes bruscos no desenvolvimento cênico.
     O figurino ficou bastante bonito, porém “limpinho” demais para a visão suja que temos da Idade Média, mais lembrando pastores austríacos do Setecentos do que sujos camponeses medievais. O destaque ficou para o figurino de Lyz Nardotto, conjugado com o cabelo, ela ficou semelhante uma figura de A Alegoria da Primavera de Boticelli: nota 10.
     A Roda da Fortuna, símbolo mágico do paganismo, dominou o palco e representou o que, de fato, representa: a passagem do tempo e suas várias facetas.
     Musicalmente, a apresentação da 3ª noite; a que assisti, foi bastante desigual. Para manter a tradição o coro esteve entre o muito bom e o excelente; sendo um destaque a parte. Já os solistas alternaram bons momentos e outros entre regular e fraco.
     Embora um colega meu que participou do coro tenha-me afirmado que o tenor tem voz para cantar o cisne, na hora H ele não o fez. Cantou esganiçado e não abriu a garganta para cantar os hiper-agudos exigidos pela partitura. Ou seja, não convenceu.
     O barítono, de excelente voz, também fez algumas escolhas erradas. Quando cantou de voz plena arrasou, mas na hora dos falsetes falhou feio pois não conseguiu alcançar as notas agudas como escreveu Orff: para um tira-teima assistam o vídeo com Thomas Allen e a Filarmônica de Berlim regida por Ozawa; assim vocês terão a justa medida de como as partes em falsetes devem ser cantadas.
     O coro, para variar, foi excelente não deixando a peteca cair em todo o espetáculo. Um momento de glória para ele, e uma grande idéia cênica, foi colocá-lo no paraíso do Teatro da Paz durante a parte final de Banziflor e Helena. As luzes foram acesas e no final uma chuva de pétalas de rosas caiu sobre o público. Fantástico.
     Agora é só esperar a edição da gravação em DVD do espetáculo a ser lançado futuramente pela SECULT do Pará e rever esta grande apresentação de uma grande obra musical.