CARMINA BURANA NO FESTIVAL DE ÓPERA

     Nas noites de 26, 27 e 29 de novembro de 2011 foram realizadas as recitas da cantata cênica de Carl Orff, favorita das salas de concertos. Isso, talvez, explique o fato de uma cantata ter sido escolhida para um festival operístico. Mas para aqueles que conhecem o festival de ópera paraense sabem que ele nunca foi plenamente operístico.             
     Mas dessa vez pelo menos tiveram  cuidado de escolher uma obra encenável como Carmina Burana; já apresentada anteriormente em Belém dentro do Festival Internacional de Música do Pará.
     Cenicamente, na minha opinião, a cantata foi muito bem montada, com as cenas sendo muito bem encaixadas umas nas outras, sem cortes bruscos no desenvolvimento cênico.
     O figurino ficou bastante bonito, porém “limpinho” demais para a visão suja que temos da Idade Média, mais lembrando pastores austríacos do Setecentos do que sujos camponeses medievais. O destaque ficou para o figurino de Lyz Nardotto, conjugado com o cabelo, ela ficou semelhante uma figura de A Alegoria da Primavera de Boticelli: nota 10.
     A Roda da Fortuna, símbolo mágico do paganismo, dominou o palco e representou o que, de fato, representa: a passagem do tempo e suas várias facetas.
     Musicalmente, a apresentação da 3ª noite; a que assisti, foi bastante desigual. Para manter a tradição o coro esteve entre o muito bom e o excelente; sendo um destaque a parte. Já os solistas alternaram bons momentos e outros entre regular e fraco.
     Embora um colega meu que participou do coro tenha-me afirmado que o tenor tem voz para cantar o cisne, na hora H ele não o fez. Cantou esganiçado e não abriu a garganta para cantar os hiper-agudos exigidos pela partitura. Ou seja, não convenceu.
     O barítono, de excelente voz, também fez algumas escolhas erradas. Quando cantou de voz plena arrasou, mas na hora dos falsetes falhou feio pois não conseguiu alcançar as notas agudas como escreveu Orff: para um tira-teima assistam o vídeo com Thomas Allen e a Filarmônica de Berlim regida por Ozawa; assim vocês terão a justa medida de como as partes em falsetes devem ser cantadas.
     O coro, para variar, foi excelente não deixando a peteca cair em todo o espetáculo. Um momento de glória para ele, e uma grande idéia cênica, foi colocá-lo no paraíso do Teatro da Paz durante a parte final de Banziflor e Helena. As luzes foram acesas e no final uma chuva de pétalas de rosas caiu sobre o público. Fantástico.
     Agora é só esperar a edição da gravação em DVD do espetáculo a ser lançado futuramente pela SECULT do Pará e rever esta grande apresentação de uma grande obra musical.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ESSA NEGRA FULÔ: ANÁLISE

FORMA E ESTRUTURA NA ÓPERA: CENA III - ESTRUTURAÇÃO DE UMA ÓPERA

Mozart: Bastião e Bastiana em português e com sotaque paraense