Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz: Ciclo Beethoven 2012

   A Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz regida pelo paraense Miguel Campos Neto continuou sua temporada 2012 na noite de 15 de março com uma integral dedicada a Beethoven. Essa integral está dentro de um novo Ciclo Beethoven promovido pelos tucanos paraenses: para lembrar o primeiro ciclo dedicado ao compositor alemão foi a integral de suas sinfonias na época de Mateus Araújo como titular da OSTP. Gilberto Chaves era o diretor do teatro na época e hoje é o seu diretor artístico, estando o teatro atualmente sob a direção de Ana Cláudia Moraes e a Gerência de Música sob a tutela do tenor paraense João Augusto Ó de Almeida.
     Impressionante, para mim, é notar essa obsessão tucana com Beethoven. Tudo bem, ele é um incontestável gênio da música e merece qualquer ciclo de concertos que queiram lhe homenagear: certamente o público não reclama, haja vista que lotou o Teatro da Paz nessa noite; mas parece-me que os ardorosos fãs de Beethoven que agora voltam ao governo paraense esquecem que há muito mais compositores grandiosos para além de Beethoven e que lhe dedicar dois ciclos de concertos, embora com anos de distância, é um pouco repetitivo. Eu particularmente preferiria, se estivesse na SECULT, um ciclo voltado para a música do século XX, ainda muito desprezada pelos músicos paraenses e por quem está na administração das instituições musicais do Pará há várias décadas. Ainda há em Belém do Grão-Pará muito preconceito com a música do Novecentos internacional. Embora tenhamos ouvido, uma única vez, algumas obras do período nos últimos anos como a integral da História do Soldado de Stravinsky e a 5ª Sinfonia de Sibelis: a primeira regida por Maria Antonia Jiménez e a segunda por Mateus Araújo, ainda é muito pouco o espaço dentro dos programas de concertos na terra paraense reservado para a música do scéculo, pois muitos nem sabem que a música escrita no século XX não é só de corrente modernista, pois Puccini, Sibelius, Rachmaninoff e Waldemar Henrique escreveram música essencialmente romântica. Os meus colegas músicos precisam parar de olhar para o distante horizonte musical que seus preconceituosos professores lhes ensinaram a desprezar e ouvir que no século XX muita música boa e bela foi feita.
       Mas voltando ao concerto dessa noite. Foi um bom concerto, embora eu particularmente não tenha achado muito empolgante. Senti um pouco de distanciamento da orquestra com as obras tocadas e a quantidade de músicos no palco não deu o volume a que muitos de nós estamos acostumados a ouvir Beethoven, mas a presença de Emmanuelle Baldini foi fundamental para os grandes momentos da noite. O programa novamente foi muito bem elaborado, com todas as obras seguindo o mesmo tipo de sonoridade e paixão registradas por Beethoven na música. Esse concerto foi em homenagem ao falecido filósofo paraense Benedito Nunes. Espero que dentro do ciclo, Miguel e a administração do da Paz,  preparem um concerto somente com as aberturas sinfônicas de Beethoven, especialmente as escritas para Fidélio. Será o must!

Programa:

As Ruínas de Atenas: abertura em G menor Op. 113
Romance para violino e orquestra nº. 1 em G maior Op. 40
Romance para violino e orquestra nº. 2 em F maior Op. 50
Concerto para violino em D maior Op. 61

Vídeo:

Romance para violino e orquestra em F maior Op. 50 nº. 2

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