domingo, 17 de junho de 2012

OJVM NO XXV FIMUPA

     A Orquestra Jovem Vale Música fez sua apresentação no XXV Festival Internacional de Música do Pará no início da noite de 09 de junho de 2012 às 18 horas e repetiu mais um bom concerto para variar. Desta vez apresentaram-nos dois concertos e o Capricho Italiano de Tchaikovsky. Os solistas saíram-se muito bem e as obras foram executadas com vibração por todos liderados pelo regente paraense Miguel Campos Neto. O meu destaque particular vai para o concerto de Weber, um chodó meu desde a adolescência. Conhecedor deste concerto há mais de 20 anos posso afirmar que o clarinetista João Marcos Matos deu-lhe uma interpretação a altura da partitura de Weber e Miguel não deixou por menos com a orquestra, conseguindo uma explosão de vivacidade nos movimentos rápidos com o central dentro dos conformes.
     A única coisa que não deixou o concerto ser perfeito foi um idiota que não desligou o celular e não o atendeu prontamente quando o mesmo começou a tocar incessantemente durante a execução da música de Tchaikovsky.


Programa:

Christian Bach (1735-1782) Concerto para violoncelo e orquestra em C menor Op. 24

Allegro molto
Allegro molto espressivo
Allegro molto energico

Solista: Lucas Amaro

Carl Maria von Weber (1786-1826) Concerto para clarineta e orquestra nº. 2 em E bemol Op. 74

Allegro
Andante con moto
Alla pollaca

Solista: João Marcos Matos

Pyotr Ilych Tchaikovsky (1840-1893) Capricho Italiano Op. 45

Orquestra Jovem Vale Música

Miguel Campos Neto


VÍDEOS:

Johann Christian Bach - Concerto para violoncelo e orquestra

1º. movimento: Allegro molto

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2º. movimento: Allegro molto espressivo

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3º. movimento: Allegro molto energico
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Carl Maria von Weber - Concerto para clarineta e orquestra nº. 2

1º. movimento: Allegro

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2º. movimento: Andante con moto

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3º. movimento: Alla pollaca

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Tchaikovsky - Capricho Italiano


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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Quarteto Esterhazy: o retorno ao FIMUPA

     Após vários anos de ausência o Quarteto Esterhazy voltou a figurar na programação do Festival Internacional de Música do Pará. Importantíssima presença, o quarteto estadunidense, agora em nova formação, tem importância histórica no FIMUPA pois é um dos quartetos fundadores do festival, tendo participado anos consecutivos desde sua criação em 1988. 
    A violinista Eva Szekely acabou criando um forte vínculo com Belém e uma duradoura amizade com Glória Caputo, criadora do festival, sendo constantemente vista na capital paraense nos últimos anos mesmo não trabalhando no FIMUPA e nem fazendo nenhuma apresentação; mas sua presença em Belém do Grão-Pará já denota o apreço que ela criou pela Cidade das Mangueiras.
     A apresentação no Teatro da Paz não ficou lotado; o que achei estranho pois em outros momentos históricos do FIMUPA as apresentações de câmera - eixo principal do festival - levaram muito mais gente ao teatro, mas a programação com vários concertos e recitais programados para o mesmo horário a noite deve ter dividido bastante o público. Ruim para quem não foi. Perdeu um grupo instrumental cujos integrantes são afinadíssimos, tanto na música quanto na integração como músicos cameristas. Ou seja, todos os quatros tem alta musicalidade e uma leitura uniforme das obras apresentadas, fundamental para qualquer grupo de câmera. 
     A conjunção dos sons das quatros partes foi tão sintonizadas que em alguns momentos fechei os olhos e parecia estar ouvindo um só músico tocando. 
     Todos os três quartetos executados são belíssimos e o programa foi bem organizado deixando os modernos Villa-Lobos e Ives na primeira parte e isolando o Dissonante de Mozart na segunda. Assim a sonoridade clássica de Wolfgang não destoou das modernidades novecentistas do compositor brasileiro e do estadunidense. Certamente um grande recital.

Informações do Programa:

"Desde 1968, o Quarteto Esterhazy, formado na Universidade de Missouri, tem cumprido uma missao dupla: executar o repertório de quarteto de cordas e promover essa formação para o público dos EUA bem como ao público internacional.
 O grupo tem sido historicamente um forte catalisador na criação e execução de novas obras para quarteto de cordas, especialmente de compositores das Américas do Norte e Sul. As atividades nesta área incluiram performances mundiais com vários primeiras audições e gravações (incluindo peças de Roberto Escobar, Barry James, Headrick Samuel, Horvit Michael, Vanneschi Luca e Willey James), colaborando com os compositores na preparação de partituras para execução e gravação, promovendo oficinas com jovens compositores, incluindo uma residência anual na Berklee School of Music em Boston.
 Por mais de quatro décadas, o público gostou da cordialidade e elegância que o Quarteto Esterhazy exibiu aos mais exigentes. Críticos elogiaram o Quarteto pelo requinte, inteligência e tons aveludados.
 O Esterhazy mantém uma agenda de shows ativa nas Américas e na Europa, incluindo apresentações para o Mozarteum em Buenos Aires, a Sociedade de Beethoven, em Santiago do Chile, o Festspiele Haydn na Áustria e no Banff Centre for the Arts, no Canadá. Eles foram apresentados repetidamente em transmissões de rádio nacionais públicas como o aclamado "Hear America First", a série "Quartessence", e tem aparecido como artistas convidados em festivais, incluindo o Arts Festival, o Festival de Música do Texas e do Festival Internacional de Música do Pará, no Brasil. Suas gravações podem ser ouvidas nos rótulos CRI, Spectrum e Albany Records. Seu CD mais recente de quatro quartetos de cordas de James Willey foi emitida pela Albany Records, em Fevereiro de 2011.

"A concepção gradiosa foi apresentada com completa dignidade... triunfante sucesso. 'La Nación, Buenos Aires'"

"O Quarteto Esterhazy interpretou Haydn de maneira sensível(...). Foi uma grande performance!" Jornal Diário, Caracas

"A música é cheia de humor e sofisticação. Os artistas envolvidos são sensíveis. Uma gravação memorável". Repertório Compactos des Disques, França

Programa: (sem alterações)

Heitor Villa-Lobos     Quarteto de Cordas nº. 01

Cantilena
Brincadeira
Canto Lírico
Cançoneta
Melancolia
Saltando como um Saci

Charles Ives                Quarteto de Cordas nº. 01

Andante con moto
Allegro
Adagio cantabile
Allegro marziale

Intervalo


W. A. Mozart               Quarteto em C maior KV 456 (Quarteto das dissonâncias)

Adagio-Allegro
Andante cantabile
Menuetto
Allegro molto


Eva Szekely - violino
Susan Jensen - violino
Leslie Perna - viola
Darry Dolezal - cello

Vídeos:

Mozart: Quarteto de cordas em C maior KV 456 "Das Dissonâncias"

1º movimento:  Adagio-Allegro

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2º movimento:  Andante Cantabile


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3º movimeno: Menuetto

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4ºmovimento: Allegro molto


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Bis:

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terça-feira, 12 de junho de 2012

LEO BROWER EM BELÉM DO GRÃO-PARÁ


     O Festival Internacional de Música do Pará finalmente voltou aos eixos na edição de 2012; ano comemorativo de seu jubileu de prata. 25 anos de festival e quase duas décadas de crescentes nas programações. Músicos de renome internacional se apresentaram nele diversas vezes. Compositores de destaque como Ernani Aguiar vieram pessoalmente para Belém e nele se apresentaram.
    Outro destaque importante foram alguns grupos musicais que acabaram se tornando residentes do festival ao longo dos anos como o Valerius Ensemble, o Quarteto Esterhazy e o Quinteto da Paraiba. Sempre trabalhando para dar o melhor da música internacional ao público paraense, Glória Caputo e Paulo José Campos de Melo - os dois primeiros superintendentes da Fundação Carlos Gomes, criadora e administradora do festival, puseram em prática duas décadas de grandes momentos musicais na capital paraense. 
   Mas uma nuvem negra pousou sobre o festival durante o governo de Ana Júlia Carepa e as ideologias petistas fizeram nosso festival ser totalmente descaracterizado. Resultado: esvaziamento de público! Ficou claro para todos que a maioria de nós que acompanhávamos o festival desde sua criação nao estávamos contentes com os rumos que o festival tomou e a sua evidente descaracterização.
    Mas heis que nesta edição de prata as coisas voltaram aos trilhos; e em grande estilo. Um dos momentos históricos do festival aconteceu na noite de 09 de junho quando um dos músicos americanos de maior destaque no planeta se apresentou no Teatro da Paz. Ninguém menos que Leo Brower. O compositor cubano que nomeia o Festival Internacional de Violão desde 2008 na cidade de São Paulo e o Festival de Música de Câmara Leo Brower na capital de seu país natal, Cuba.
    Teatro da Paz lotado, apesar da chuva, ouvimos três obra de Leo e uma do paranaense Henrique de Curitiba. O momento também foi histórico também, pois pela primeira vez veio a Belém a Orquestra de Câmara Solistas de Londrina, Nessa orquestra estão vários integrantes da desfeita Orquestra de Câmera do Pará e alguns dos músicos criadores do Festival Internacional de Música de Câmera do Pará. Portanto, um retorno feliz de músicos que ajudaram a construir o nosso festival e que fizeram história no Pará com uma orquestra que nunca deveria ter sido desfeita, chegando a ser considerada uma das melhores orquestras de câmera do Brasil.
     
Informações do programa:

"Leo Brower


     Membro de Honra da UNESCO, do Instituto Italo-Latinoamericano, da Academia de Belas Artes de Granada e Compositor Residente da Academia de Artes e Ciências de Berlim, entre outras nomeações em prestigiosas instituições internacionais.
     Compositor, regente, violonista, pesquisador, pedagogo e promotor cultural, Brouwer figura entre os mais reconhecidos músicos da atualidade. Foi pioneiro na direção dos primeiros departamentos de música do ICAIC (Instituto  Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica) em 1960, do Teatro Musical de Havana (1962) e na fundação e direção do Grupo de Experimentação Sonora do ICAIC (1968). Participou de comissões julgadoras em numerosos concursos de violão, composição e de direção orquestral. Já regeu mais de cem orquestras e grupos de câmara em todo o mundo, com especial destaque para a Filarmônica de Berlim, Orquestra de Câmara da BBC e a Orquestra Nacional do México. Foi regente titular da Orquestra de Córdoba, Espanha (1992-2001)    e diretor geral da Orquestra Sinfônica Nacional de Cuba (1981-2003).
     Sua obra, que ultrapassa trezentos títulos, abrange quase todos os gêneros e formas musicais, e sua discografia apresenta mais de seiscentas gravações. Leo Brouwer possui mais de duzentas distinções artísticas e acadêmicas internacionais, como o "Prêmio Manuel de Falla" (1998, Espanha), o "Prêmio Nacional de Música de Cuba" (1999), o "Prêmio MIDEM Clássico", (2003, Cannes) - na categoria solo-orquestra com seu Concerto de Helsinki para violão e orquestra - o "Prêmio Goffredo Petrassi de Composição" (2008, Itália), o Latin American Music Award SGAE Tomas Luis de Victoria (2010, Espanha) e o Grammy Latino (2010). Vários grupos e festivais levam seu nome: Brouwer Guitar Quartet (EUA), B3: Brouwer Trio de Valência, Espanha e Juventude Philharmonic Leo Brower. Desde 2008 nomeia oficialmente o Festival Internacional de Violão em São Paulo, e o Festival de Música de Câmara Leo Brouwer (Cuba). Atualmente preside o Instituto Leo Brouwer com sede em Havan. Possui títulos de "Doutor Honoris Causa".

Orquestra de Câmara "Solistas de Londrina"

    Fundada no ano de 1998 com o propósito de divulgar a música de câmara erudita. Na temporada de 2000 se estabeleceu como importante núcleo cultural no Estado do Paraná. Realizou concertos com solistas internacionais como o violoncelista Antonio Lauro del Claro, o violinista Fábio Zanon, os violinistas Eva Szekely, Evgenia-Maria Popova, Alessandro Bogomanero, o oboesta Bojin Nedelman e o violista Jairo Chaves. Em 2001, a orquestra gravou seu primeiro CD, o "Imagens Brasileiras".
    Em 2001 participou no 12º Festival de Música Antiga de Juiz de Fora, do Festival de Inverno de Ouro Preto e do Festival de Música de Tiradentes. Considerado a excelente interpretação da Sonata para Cordas de Carlos Gomes, gravado no CD "Imagens Brasileiras", a Orquestra foi escolhida para participar do Projeto Família Imperial - Álbum de Retratos, desenvolvido pelo Arquivo Histórico do Museu Imperial. Com a série Concertos Paraná a Orquestra realizou um circuito de apresentações em cidades do Paraná, firmando-se como um dos mais interessantes e ativos projetos propostos para a música erudita do estado.

Quaternaglia

    O grupo tem sido aclamado como um dos mais importantes quartetos de violões da atualidade, tanto pelo alto nível de seu trabalho camerístico quanto por sua importante contribuição para a ampliação do repertório. Em seus vinte anos de atuação, vem estabelecendo um cânone de obras originais e arranjos audaciosos, o que inclui a colaboração com compositores brasileiros de diversas gerações como Egberto Gismonti, Almeida Prado, Paulo Bellinati e Sérgio Molina, além do cubano Leo Brouwer.
  Sua atuação começou a despertar o interesse da crítica internacional após a obtenção do 'Ensemble Prize' no "Concurso Internacional de Violão de Havana" (Cuba) e da participação em importantes séries de violão e música de câmara dos Estados Unidos.
     Em 2012 o quarteto comemora 20 anos de carreira atuando frente a diferentes orquestras brasileiras, e o concerto desta noite celebra a data no XXV Festival de Música do Pará. 'Gismontiana', concerto para quatro violões e orquestra, é uma homenagem ao Brasil e a um de seus grandes músicos, Egberto Gismonti. Escrita pelo maestro e violonista cubano Leo Brouwer - que irá dirigir pessoalmente a apresentação -, a obra marca a interação entre Brouwer, Gismonti e Quaternaglia neste templo da cultura brasileira que é o Teatro da Paz.



Henrique de Curitiba: Evocação das Montanhas (1978) poema sonoro


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sexta-feira, 8 de junho de 2012

XXV FIMUPA: PROGRAMAÇÃO

     Bastou os tucanos voltarem ao governo paraense para o nosso Festival Internacional de Música voltar ao eixo tradicional, ou seja, voltar a ser de fato um festival internacional, livre das ideologias petistas que música erudita é coisa de elite financeira. Baboseira.
    Após quatro anos, no qual viveu seu período de trevas, o FIMUPA volta a brilhar e ter uma programação adequada com gente da pesada do mundo musical; isto pelo simples fato de ser organizado por gente que sabe, muito bem, o que este festival significa para o calendário cultural paraense e o que ele significa para o povo paraense, sobretudo, para nós belenenses que o acompanhamos desde 1988, ano de sua criação.
    Este ano o festival conseguiu trazer Leo Brouwer, o cubano sensação ao qual dedica-se um festival exclusivo para sua obra - com a participação dele, é claro - na cidade de São Paulo. Um dos compositores vivos de maior destaque no mundo atualmente a sua presença em Belém já está nos anais do FIMUPA como um dos acontecimentos mais importantes do festival.
   A programação voltou a ser diversificada trazendo várias banda do interior do estado para se apresentarem em Belém e Ananindeua foi incluída na programação; o que é um diferencial na história do festival. Mas o festival ainda está muito centrado no centro histórico de Belém, não aproveitando os espaços das praças do subúrbio de Belém para apresentações com a Dalcídio Jurandir da Cremação que tem um grande anfiteatro, muito bom para apresentações musicais. É necessário fazer apresentações nestes locais para levar o festival para onde ele nunca foi na capital paraense e assim apresentá-lo para uma parcela grande da população que não sabe da existência dele, mas certamente não se furtará a assistir uma apresentação musical de alto nível bem ali perto de casa. Fica a sugestão.
     Para quem está em Belém ou passará pela cidade nos dias do festival a programação pode ser conferida na página exclusiva que a Fundação Carlos Gomes colocou no ar para nós termos todas as informação dele.