Cavalleria Rusticana no Teatro da Paz

      Na noite de 17 de outubro de 2012 teve início o 11º Festival de Ópera do Teatro da Paz com a 1ª de 3 récitas da ópera de Leoncavallo que eclipsou todas as outras desse compositor italiano.
     Segundo Gilberto Chaves no programa do festival, essa ópera foi um dos espetáculos mais apresentados no Teatro da Paz na virada do século XIX para o XX "queridos da platéia paraense à época, que, decerto, nossos bisavós tiveram a oportunidade de aproveitar". Portanto, um retorno histórico da partitura verista à cena do da Paz.
     A noite teve vários altos e baixos. O primeiro a saltar aos olhos de quem conhece a ópera foi o cenário, bastante simples e muito inadequado para a ópera. Uma pequena escadaria semicircular encimada por colunas e só. Uma visão cênica bem mais apropriada para uma encenação de Salomé. A vila da Sicília onde se passa a estória da ópera nem de longe foi visualizada. Quando o coro entrou com suas vestes novecentista mais pareceu que dois tempos históricos foram postos em um só lugar.
     Os cantores não contribuíram muito para a grandeza da noite: Laura de Souza é um soprano de muito boa voz, mas perdeu muito na dramaticidade em uma personagem escrita para mezzo-soprano, embora vocalmente tenha sido a melhor solista da noite, pois o tenor Rinaldo Leone deixou-se engolir pela orquestra em vários momentos chegando a não ser ouvido no dueto No, no Turridu. Leone tem boa voz, mas na noite de estréia sua voz ficou fora do palco na maior parte da encenação. Cansaço? Muito esforço nos ensaios? ou sua voz já está "indo embora"?. Não afirmarei nada.
     Alpha de Oliveira fez uma mamma Lucia aceitável, porém como acontece quando ela canta papéis para mezzo sua voz perde bastante volume, sua interpretação ficou bastante pálida. Rodolfo Giugliani garantiu-nos um Alfio de qualidade e até bonachão fazendo uma cena bastante agradável.
     O coro do Festival, para variar, foi a melhor coisa da noite, e aqui cobro novamente uma noite dedicada somente a ele na programação dos próximos festivais. Como no ano passado houve a noite da dança na ópera, já passou o tempo de dar ao coro uma noite só sua. Coros operísticos não faltam para essa noitada musical. Entre prós e contra essa noite ficou com conceito regular para mim.   

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