Salomé: Festival de Ópera 2012

      Descontando os anos que não assisti ao Festival Internacional do Teatro da Paz durante minha estada em Curitiba, o Festival de 2012 foi, no geral, um dos melhores festivais até este ano. Até agora o festival operístico paraense promovido pela Secretaria Estadual de Cultura, então capitaneada pelo arquiteto paraense Paulo Chaves e com total apoio do então governador Simão Jatene somente exibiu grandes óperas do repertório internacional, fazendo algumas remontagens históricas como das óperas Bug Jargal e Iara do paraense José Cândido da Gama Malcher (1853-1921). Em 2012 não foi diferente em termos de repertório, mas houve um diferencial: quase todos os atores de ópera contratados tem grandes vozes, assim deixando a parte vocal do Festival bem mais uniforme que nos anos anteriores quando algumas óperas foram prejudicadas na sua execução pela qualidade desigual dos principais intérpretes. Os figurinos foram outro quesito a merecer vários comentários desfavoráveis também: quem assistiu a Romeu e Julieta deve lembrar do horroroso figurino desenhado para Julieta no primeiro ato.
     Nesse ano de 2012 quase tudo saiu perfeito. Hänsel e Gretel de Humperdinck, apresentada como João e Maria, devido ao tradicional título usado no Brasil para o conto de fadas dos Irmãos Grimm teve encenação visualmente deslumbrante e musicalmente a dupla de intérpretes principais sustentaram a ópera com  vozes que pedem vários bises. Os atores coadjuvantes também fizeram boas participações, sobretudo, Leonardo Neiva que interpretou o pai com um frescor vocal agradabilíssimo; coisa muito boa considerando que os barítonos desse festival, na maioria, nunca passaram do regular.
    Salomé de Richard Strauss fechou o Festival desse ano com uma marca histórica: todas as três noites com lotação esgotada e o teatro deveras cheio de gente que passou 1 hora e 40 minutos de puro deleite musical compenetrados pela dissonante, histérica e estressada música de Strauss que dá caracterização musical perfeita às personagens de Oscar Wilde cujos adjetivos descritos anteriormente foram traduzidos em música pelo compositor alemão.
   O elenco encabeçado pelo soprano holandês Annemarie Kremer aguentou com bravura a pesada partitura de Richard Strauss e levaram a encenação com a melhor direção cênica que vi até agora no Festival. Parabéns para Mauro Wrona. Cenários (Duda Arruk) e figurinos (Elena Toscano) não deixaram devendo às grandes produções estrangeiras disponíveis em vídeo. 
     A Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz teve que receber um reforço de cerca de 50 músicos e uma ampliação do foço para dar conta da massa sonora criada por Strauss. Um detalhe que não fugiu aos olhos de ninguém foi a localização das duas harpas no camarote lateral esquerdo do palco, ou seja, faltou mesmo espaço no foço!
     No final das contas e juntando todos os esforços para levar à cena a montagem de uma ópera heavy metal como essa, noves fora, o resultado foi excelente. Aplausos!!!!

Fotos:

 













 Rodrigo Esteves: Herodes Antipas



 Eu e Mauro Wrona após a saída da segunda récita



     

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