quarta-feira, 1 de maio de 2013

Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz: compositores paraenses de ontem e de hoje

     Na noite de 25 de abril de 2013 a Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz fez um imenso serviço à cultura paraense: deu concerto somente com obras de compositores paraenses e uma do italiano Ettore Bosio que viveu em Belém do Grão-Pará no início do século XX. Como se tratou de um concerto para divulgar a música paraense de ontem e de hoje em homenagem ao historiador paraense Vicente Salles; falecido recentemente, o concerto possuiu aquela desigualdade sonora típica de coletâneas musicais de épocas diferentes e de diferentes pensamentos musicais. Mas isto não foi um inconveniente, pois o objetivo do mesmo era divulgar a música de compositores paraenses a muito esquecidos pelos próprios paraenses como  Arthur Iberê de Lemos que chegou a ter sua biografia publicada no jornal Folha do Norte e várias de suas obras executadas em Belém, mas depois de sua morte foi esquecido.
     Também foram executadas obras de Luiz Pardal, Marcos Cohen, Jacinto Kawage e Agostinho Jr. todos jovens, ainda vivos, e que estiveram presentes ao concerto com exceção de Cohen. O concerto também contou com a participação da violinista paraense Gina Reinert que em 2012 concluiu seu doutorado em violino na Universidade do Texas no Estados Unidos, caminho natural para os músicos paraenses ligados a Fundação Carlos Gomes.
      Nem todos as peças foram gravadas devido a duas falhas na minha câmera, mas a maioria das peças foram registradas para serem assistidas. É ouvir, avaliar, julgar e etc, etc, etc.

Informações contidas no programa:

MIGUEL CAMPOS NETO
Após sua estreia na Ópera Salome em Novembro de 2012, a crítica especializada considerou Campos Neto um maestro que "dá ritmo teatral e fluência ao espetáculo e sabe recriar a linguagem musical específica dos personagens principais". (João Luiz Sampaio, ESTADÃO, SP.) A revista CONCERTO, principal periódico da música erudita e ópera no Brasil disse que "Campos Neto soube conduzir o espetáculo com propriedade e sempre atento ao discurso dramático" (Nelson Rubens Kunze). Já Sergio Casoy do site movimento.com apontou que o maestro, "muito concentrado e seguro, não permitiu sequer uma vez que a massa orquestral ocultasse as vozes".
Atualmente Regente Titular da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, do Festival de Ópera do Theatro da Paz, da Orquestra Jovem Vale Música, e da Orquestra Sinfônica Altino Pimenta (UFPA), Campos Neto também atuou cinco anos como Diretor Artístico e Regente Titular da Chelsea Symphony de Nova York e como regente assistente do Maestro Luiz Fernando Malheiro na Amazonas Filarmônica e no Festival Amazonas de Ópera (Manaus). Como convidado ele já regeu a Orquestra Sinfônica de Puerto Rico, The Mannes Orchestra, os Solistas de Câmara da Universidade de Missouri (EUA), e a Orquestra de Câmara do Amazonas.
Durante turnês nacionais ele já se apresentou em alguns dos mais importantes teatros do Brasil: Sala Leopoldo Miguez e Teatro Municipal (RJ), Teatro Nacional Claudio Santoro (Brasília), Palácio das Artes (Belo Horizonte), Teatro Ibirapuera (SP), Teatro Santa Izabel (Recife), Teatro Arthur Azevedo (São Luiz) e Teatro José de Alencar (Fortaleza). Trabalhou lado a lado em ensaios com o compositor Roger Waters (ex-membro da Banda Pink Floyd) em sua ópera "Ça Ira" e regeu performances encenadas da mesma no famoso Festival Amazonas de Ópera. Também colaborou com o compositor Stephen Schwartz (3 Oscars de melhor canção) nos detalhes finais da sua primeira ópera, regendo a sua pré-estreia em Nova York com solistas da New York City Opera. Miguel Campos Neto possui diplomas de Performance em violino (Bacharelado e Mestrádo) e em Regência Orquestral (Mestrado), obtido na Mannes College of Music de Nova York. Seus mentores foram David Hayes, Edward Dolbashian, e Joseph Colaneri (regência operística). Ele já regeu concertos com grandes solistas como o pianista Nelson Freire, Antonio Meneses (Cello), Robert Bonfiglio (Harmônica) e Emmanuelle Baldini, violino.

GINA REINERT
Em Maio de 2012 terminou seu doutorado em Violino na Universidade do Texas (EUA) na classe do Professor doutor John Gilbert (EUA), concluiu seu mestrado em 2007 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul em Práticas Interpretativas-violino na classe do Professor doutor Fredi Gerling (BRA). Em 2005 concluiu o Bacharelado na Universidade Estadual do Pará na classe do professor Serguei Firsanov (RUSS). Sua experiência profissional em orquestra iniciou-se em 1996 quando passou a integrar a Orquestra Sinfonica do Theatro da Paz, sendo na época um dos membros mais novos da orquestra,fundada naquele ano. Entre os anos de 2000 e 2005 foi professora de violino da escola de Musica Musicart em Belem-PA. Participou de diversos festivais de Música, como o Festival Internacional de Música do Pará, Festival de Campos do Jordão, Festival Eleazar de Carvalho, Festival Internacional de Música de Londrina entre outros. Em 2005 residindo em Porto Alegre participou como músico convidado da Orquestra Sesi Fundarte, também em Porto Alegre. Nos anos de 2005 a 2007 desenvolveu pesquisa sobre a obra Fantasia de Concerto para violinos e orquestra de Octavio Meneleu Campos, e sobre sua importância para a formação de violinistas na cultura brasileira. Em 2007 tocou na OSBA como musico convidado e ministrou master-classes frente à orquestra do Projeto Neajibá.
Em 2008 foi aceita na Universidade do Texas com bolsa de estudos para cursar seu Doutorado em Performance, também sendo contratada como professor assistente da graduação. Durante sua estadia no Texas foi aprovada para a orquestra local Lubbock Symphony como membro oficial e fez parte desta orquestra até maio de 2012. Junto à Orquestra da Universidade no Texas ocupou as posições de chefe de naipe e também de Spalla durante os 4 anos de sua permanência na Universidade. Participou também de outras orquestras de cidades vizinhas como, por exemplo, Midland Symphony, Abeline Symphony e Big Spring Symphony, entre outras cidades, tocando ocasionalmente com estas orquestras.
Entre os anos de 2010 e 2011 foi convidada a liderar os ensaios de primeiro e segundo violino da orquestra jovem de Lubbock-Texas (LYSO) ministrando master classes e liderando ensaios de naipe para os alunos da orquestra jovem. De volta ao Brasil foi convidada a participar junto à Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, da gravação do CD em homenagem ao compositor Wilson Fonseca, e participou da Orquestra do Festival de Ópera do Theatro da Paz de 2012. Em 2013 foi contratada como Professor na Universidade do Estado do Pará para os cursos de Bacharelado em Violino e Licenciatura em Música, além de ter sido aprovada no concurso para membro efetivo da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz.

VICENTE SALLES
"Dizem que ninguém é insubstituível. Será? Particularmente acho que no campo da pesquisa da música paraense o axioma inicial não é verdadeiro. Não pela atividade desenvolvida em seu fim propriamente dito, mas em razão da maneira como era feita. Ideal, flama, doação, enfim, o esforço e o sacrifício de uma vida inteira colocada a serviço não só da nossa música mas das nossas coisas. O legado que nos deixa Vicente Salles, algumas peças do qual estão no concerto desta noite e, de resto, o seu imenso acervo, pode ser encontrado na Biblioteca do Museu da UFPA, disponível para pesquisa, o que só foi possível graças à imensa generosidade e à vontade de transmitir a outros o que ele obteve com a febre do seu trabalho e que deu luz a tantas preciosidades.
Este texto, como veem, não é biográfico, mas sim para dizer obrigado, Vicente. Você, como disse o poeta, nunca teve a alma pequena".
Gilberto Chaves

Programa:

Arthur Iberê de Lemos (1901-1967) - Prelúdio para orquestra sinfônica

Paulino Chaves (1880-1948) - Prelúdio e Fuga em C menor

Jacinto Kahwage (1966) - Semana de XXII

Marcos Cohen (1977) - Fantasia Urbana

Meneleu Campos (1872-1924) - Fantasia de concerto para violino e orquestra
solista: Gina Reinert

Intervalo

Ettore Bosio (1862-1936) - A taboca do ceguinho e Samba do Costa (Cenas pitorescas brasileiras para orquestra Sinfônica)

Agostinho Jr. - Estudo orquestral

José Domingues Brandão (1855-1941) - Eh! Bumbá (II Rapsódia de Cantos Populares Paraenses)

Luiz Pardal (1960) - Gestos Imaginários


VÍDEOS:


Arthur Iberê de Lemos (1901-1967) Prelúdio para orquestra sinfônica

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Paulino Chaves (1880-1948) Prelúdio e Fuga em C menor

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