Percussion Projeckt Rostock: 26º Festival Internacional de Música do Pará

     
   Um recital ou concerto de um grupo de percussão sempre é algo diferencial para os ouvidos dos melômanos acostumados às melodias tradicionais, principalmente dos últimos dois séculos e meio de história da música. Isto posto, pelo fato do repertório dos percussionistas ser quase todo formado por composições exclusivamente escritas para esse agrupamento musical, somando-se o fato de a maioria dos compositores de música para percussão ser percussionistas ou diretamente ligados a eles. Então há um pensamento eminentemente percussionístico no fazer musical para a percussão. 
      Outro bom fator para o frescor das composições para grupo de percussão é o fator delas serem obras escritas a partir do século XX; o que lhes dá aquela aura de atualidade (evito aqui usar modernidade) própria de obras escritas há pouco tempo. É muito raro ouvir esses grupos tocarem música arranjada para outras formações musicais. Geralmente tocam música escrita diretamente para a percussão. Então é fato que  ao ouvir um concerto de um grupo de percussão, ouviremos o que mais novo está sendo feito no mundo musical, diferente dos outros agrupamentos musicais, sabidamente repetidores da tradição musical e tocadores daquilo que já ouvimos um zilhão de vezes; ao vivo ou por discos.
      Bem, essa apresentação do Projeto Percussion Rostock mostrou-nos dois compositores ainda vivos: Bo Holten (1948) e Steve Reich (1936), e um recentemente falecido (Yoshihisa Taira) que deixou este plano em 2005. Portanto, todos nascidos no século passado e que, certamente, beberam no bar modernista. O único "estranho no ninho" foi Verdi que teve temas da Aida arranjados - a maneira de samba - na SambaAida de Alexander Radziewski. 
      A peça Seis Marimbas de Reich testou a paciência de todos nós com uma música repetitiva e aparentemente interminável. Poderia ter o subtítulo de "A Inacabável". No fim das contas, ouvir um grupo de percussão tocar é certeza de ouvir música nova e que nem sempre pode cair nos nossos não tão modernos ouvidos.


Informações do programa:

"O Projeto Percussion Rostock surgiu da unrao entre percussionistas profissionais de orquestras alemãs que pretendiam inovar - com repertório exclusivo para a formação - e desde a sua criação, o grupo foi considerado um fenômeno. Conseguindo a proeza de lotar ginásios de esportes durante as suas apresentações na Europa. 
Nos anos de 2004 e 2005 foram considerados os melhores do mundo pela crítica especializada. Em 2005 vieram pela primeira vez ao Brasil participar do Festival Internacional de Musica do Pará e levaram a platéia, que lotou o Theatro da Paz, ao delírio. 
Foi produzido um documentário sobre a participação do grupo nos ensaios e a participação na grande orquestra do festival. Além do concerto solo, foi gravado na integra e exibido na televisão estatal alemã ARD, o que deu ainda mais destaque ao evento paraense. 
O Grupo renovou alguns músicos que por motivos profissionais não puderam permanecer no Projeto e reiniciaram as turnês internacionais com o mesmo sucesso da primeira formação. Todos os músicos são pedagogos e, além das apresentações altamente virtuosas, ministram master classes, oficinas e seminários, disseminando o gosto pela percussão que é um dos elementos mais importante da Orquestra Sinfônica. 
Primeira audição de SambaAida 
O grupo Projeto Percussion Rostock homenageará a cidade de Belém com a música SambaAida a qual será executada em primeira audição mundial. A peça é de autoria de Alex Radziewski e escrita especialmente para o XXVI Festival Internacional de Música do Pará. 
Em janeiro, quando recebeu o convite para participar do Festival, o percussionista alemão Frank Petrak, um dos integrantes do Projeto, sugeriu que se fizesse algo especial para a ocasião, de forma a homenagear o compositor italiano Giuseppe Verdi por seus duzentos anos e homenagear outros artistas também. Coincidências felizes levaram o compositor a escrever uma história em quatro atos que conta uma versão inédita de Aida: 
1 - Aida atravessa o Atlântico em direção a América do Sul quando uma tempestade afunda o barco e ela se salva com em uma praia desabitada. 
2 - Sem forças ela dorme e sonha com a Europa e ouve música de Verdi, Wagner e Tchaikovsky, quando começa a ouvir os ruídos da natureza que a rodeia e acorda sobressaltada. 
3 - Acordada ela dança um Saltarello ( Ballet de Aida). 
4 - A partir da dança ele retorna ao tema da Marcha do Triunfo, mas já estilizada para o samba com elementos jazzísticos com improvisações e finalmente com a Bossa Nova, Aida chega ao Brasil para ficar. 
O compositor que estará presente espera agradar a plateia com esta pequena história que se transformou em uma composição inédita para a ocasião."



Vídeos:

Sambaída







Bo Holten (1948) Cut
Participação especial: Octeto Vocal
Regência: Ricardo Aquino










Rostock - Integrantes

Alexander Radziewski
Holger Kirstoff
Frank Petrak
Georg Fischer
Marcos Costa*
Ricardo Coelho de Souza*
Ricardo Aquino

Octeto Vocal
Ione Carvalho
Beth Melo
Eugenio Pinon
Jessica Wisniewsky
Edynnrony Mesquita
Idaias Jr.
Murilo Reis do Carmo

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