Encerramento do XIII Festival de Ópera do Teatro da Paz

     Na noite de 27 de setembro de 2014 aconteceu o tradicional concerto de encerramento do Festival de Ópera do Teatro da Paz. Dessa vez, houve uma mudança radical na realização do concerto: vários cantores líricos paraenses, inclusive alguns saídos do coro, participaram do espetáculo realizado, como sempre, na frente do teatro. Bom por ter dado aos paraenses a chance merecida de participar do nosso festival, ruim pois muitas vozes estão longe de serem boas e muito há de se fazer para melhorá-las. Mas só o fato dos paraenses dominarem a noite já é um ponto positivo para a organização do Festival, que já estava devendo isso aos nossos cantores há anos. 
   A falta de qualidade vocal em alguns deles, demonstra que os nossos cursos de canto lírico precisam ser reorganizados e os nossos professores de canto requalificados ou mesmo trocados; pois é visível o trabalho incompleto e até mesmo de "anular vozes" que eles estão fazendo. 
    Tiago Costa, finalmente, teve chance dentro do Festival, pois foi ignorado regiamente durante todos esses anos. Sua participação só não foi excelente devido a ele ter cantado personagens que não se adequam à sua barroca e clássica voz. As personagens românticas para tenor lírico leve não se adequam à sua voz. Haendel e Mozart seriam escolhas melhores. Ele cantou a cabaletta do Duque de Mântua "Possenti amor mi chiama", mas o resultado não foi bom. Antônio Wilson tem a voz mais adequada para o Duque.
      Aliás, Antônio Wilson Azevedo teve uma ótima participação no concerto. Pena que não consegui ingresso para a Otello de Verdi e não pude conferir o seu Cassio que, apesar de pequeno, deve ter sido muito bom.
      Aliane Souza também participou do espetáculo. Mas com voz cansada, não conseguiu um bom resultado. A coralista Ione Carvalho foi apoiada pela organização e também participou do momento. Tendo aulas com um bom professor que lhe encaminhe corretamente poderá vir a ser uma boa solista, já que sua voz ainda dispõe de certa jovialidade.
      O epílogo de Mefistófele encerrou o concerto que uma música maravilhosa e de grande efeito musical, daquelas que deixam o público sem fôlego e querendo um imediato bis. Sávio Sperandio foi o Mefistófele da fez e até não fez feio na execução, apesar da voz inapropriada para o papel.
        Miguel Campos Neto teve uma boa participação na regência e fez o que pôde com a Orquestra do Teatro da Paz, tocando ao ar livre e com um péssimo sistema de som montado para o evento. Aliás, um dos piores até agora. No final, noves fora, a conta saiu positiva pelo bonito espetáculo. Sobretudo, pelo hino do Pará que foi executado ao final do concerto e com a imensa bandeira da nossa terra hasteada em frente ao teatro em meio a chuva de papel laminado e picado. Ninguém esperava por essa, mas a surpresa foi maravilhosa.
       


Vídeos:

Strauss Jr.: Abertura de O Morcego - OSTP E MIGUEL CAMPOS NETO



Verdi: Stridde la vampa (Il Trovatore) Aliane Souza

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Verdi - Scorrendo uniti remota via - Tiago Costa e coro masculino


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Bizet: Seguidilla (Carmen) 

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Donizett: Ah mes Ami (A Filha do Regimento) Antônio Wilson Azevedo

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Gounod: Valsa de Julieta (Romeu e Julieta) 

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Saint-Saëns: Mon coeur s'ouvre a ta voix (Sansão e Dalila)

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Verdi: Quarteto de Rigoletto - Tiago Costa,  


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Pablo Luna: De España Vengo "Canção Espanhola" (El niño judio)


Donizetti - Sexteto (Lucia di Lammermoor)

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Rossini: Largo al factotum (O Barbeiro de Sevilha) Leonardo Neiva

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Occhi piangi Sávio Sperandio

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Boito: Epílogo (Mefistófele) Sávio Sperandio e coro lírico

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