terça-feira, 17 de março de 2015

Mestifófele: Festival de Ópera 2014

O Festival de Ópera do Teatro da Paz de 2014 iniciou com uma ópera que há décadas não era apresentada no Brasil, trata-se da Mefistófele do escritor e músico italiano Arrigo Boito, autor do libretto e da música. As apresentações foram dadas nas noites de 05, 07 e 09 de agosto abrindo o festival com a clássica estória criada pelo alemão Wolfgang von Goethe.

No geral, foi uma montagem bonita e bem feita, com uma encenação que primou pela economia de tempo, apropiada para uma ópera de longa duração. Porém será mais uma a entrar no esquecimento, pois a produção do festival não reprisa suas montagens num desperdício de dinheiro público.

A direção musical foi do paraense Miguel Campos Neto, um bom regente, mas a leitura de uma partitura como essa requer tempo e esperiência, coisa que ele não teve na preparação da ópera. O resjltado ficou no regular, mas melhoraria se outras récitas houvessem. A elenco de solistas manteve a qualidade vocal do ano passado e superou qualidade vocal do coro que por vários anos foi a melhor coisa do festiva,, mas que neste ano foi o grande responsável por puxar a qualidade vocal da encenação pra baixo.Denis Sedov foi um Mefistófele de alto nível vocal e cênico, que chegou chegando com sua voz de baixo volumosa, brilhante, de belo fraseado e boa presença cênica. Seu Mefistófele foi melhor, musicalmente, que o seu Daland do ano passado; pouco inspirado e muito afrettato. Fernando Portari foi o Fausto nesta producao. Com carreira internacional solida e varias personagens no curriculo, ele foi um par perfeito para Denis Sedov. O alto nivel vocal de ambos foi um dos pontos altos na execucao da opera. Voz brilhante, volumosa, forte, bonito fraseado, musical. Em suma, um grande tenor.

Vídeos: Excertos da 1ª noite




sábado, 14 de março de 2015

Artigos sobre o V Festival Internacional de Música de Câmera do Pará


O Liberal, CAD. 2, pg. 2 – Cartaz, 05 de maio de 1992
V Festival de Música de Câmara
                Belém vai respirar música. Durante oito dias – de 24 a 31 próximos -, músicos de vários países apresentar-se-ão na quinta versão do Festival Internacional de Música de Câmara, realizado todo ano pela Fundação Carlos Gomes. Este ano está confirmado a presença de músicos eruditos dos Estados Unidos e da Rússia. O soprano Leila Guimarães uma vez mais toma parte no evento. Como o do próximo ano já está sendo preparado, a organização já pensa em aumentar em número os dias do evento, devido a grande procura.
                Segundo a superintendente da FCG Glória Caputo, o festival é um evento consolidado. Muitos são os músicos interessados em participar. O melhor é o alcance internacional que o festival tem obtido. “Inúmeros duos, trios e músicos de todos os gêneros manifestam vontade de demonstrar seu trabalho. Gostaríamos muito de garantir uma verba maior para aumentarmos o festival. Oito dias, hoje, são poucos”, diz Glória.
                O evento começou simples, com algumas apresentações no Teatro da Paz, sendo a maioria ocorrendo na Sala Ettore Bosio. Em média, 300 pessoas assistiram às apresentações em 87, primeiro ano do festival. No ano passado, alcançou o auge. Durante a apresentação de Leila Guimarães, no último dia, 900 pessoas lotaram o teatro e quase 500 ficaram de fora. O melhor: a platéia era, sua maioria, formada por jovens. “Formar uma platéia jovem que se interesse pela boa música: eis o objetivo. Essa aceitação, na verdade, está sendo um presente para nosso empenho”.
                Além do intercâmbio com músicos internacionais, os alunos da Fundação poderão participar de pequenos cursos, masters classes, como sempre ocorre. Como essas trocas se realizam de maneira espontânea, um período do festival é reservado. “Mas nada está sendo presente para nosso empenho”.
                Além do intercambio com músicos internacionais, os alunos da Fundação poderão participar de pequenos cursos, masters classes, como sempre ocorre. Como essas trocas se realizam de maneira espontânea, um período do festival é reservado. Mas nada está agendado. “Isso só acontecerá com a chegada dos participantes. Eles decidirão”.
                Os concertos estão previstos para dois turnos: diurnos, realizados na Sala Ettore Bosio do Instituto Carlos Gomes, ao meio dia; e noturnos, a partir das 21 horas, no Teatro da Paz. Já estão confirmadas as presenças, além de Leila Guimarães, do duo Eva e Daniel Schene, do quinteto de sopros United States of America; do quarteto russo Schostakovitch, além dos músicos locais, todos da FCG. “Uma novidade é a participação do grupo mineiro “Trombonemania”, que apresentar-se-á na Praça, já que estamos com os dias lotados. Tudo está pronto. Só falta dar certo”, finaliza Glória.

Diário do Pará, terça-feira, 19 de maio de 1992, Cad. D, pg. 1
Alfa Oliveira, soprano paraense que estreou com a ópera “Don Giovanni”, no Ceará,
Apresenta-se hoje ao público do Teatro da Paz, acompanhada pela pianista Eliana Kotschoubey
O Pará revela a estrela alfa do canto lírico brasileiro atual
                O reconhecimento era previsível, estava muito próximo. Havia iniciado no canto lírico há pouquíssimo tempo e já estreava na ópera Don Giovanni (Mozart), dirigida por Bia Lessa, em Fortaleza (CE). A paraense Alfa Oliveira surpreendeu que ainda não a conhecia. Sua aparição chegou a ser considerada o mais importante na obra operística, pelo crítico Antônio Gonçalves Filho, da Folha de S. Paulo.
                De volta a Belém – já com a agenda com alguns bons compromissos – Alfa Oliveira se apresenta hoje ao lado da pianista Eliana Kotschoubey num recital, às 21:00 horas, no foyer do Teatro da Paz, com o patrocínio da Fundação Carlos Gomes e Caixa Econômica Federal. Haverá nova apresentação da soprano dia 21, no projeto Quintas Musicais, da FCG, na Sala Ettore Bosio. Dia 25 se apresenta no 5º Festival Internacional de Música de Câmera do Pará, na Sala Ettore Bosio, ao meio-dia. Na mesma noite desse dia viaja para Campinas (SP) para estudos. Em agosto estréia, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, no ano que vem. A cantora sempre lembra que o seu reconhecimento está muito ligado a quem lhe deu força, como a “Fundação Carlos Gomes, Gilberto Chaves, Maria Silvia Nunes, etc.”
Polêmica  e revelação
                Alfa Oliveira encarnou o difícil papel de Dona Anna. Logo na primeira cena é Alfa quem está evidente, portanto, tem a função de seduzir os espectadores. Ela lembra que e parte mais difícil é quando seu personagem vê o pai morto, na cadeira de rodas, assassinado por Don Giovanni; ela corre desesperada pelo meio da noite, ainda com a lembrança de ter se relacionado amorosamente com o assassinado, Don Giovanni. Ela, mesmo envolvida pelo assassino, não resiste à dolorosa experiência de morte – “Dona Anna era muito ligada ao pai” – e jura vingança. A dramaticidade desse momento lhe exigiu muito, presicsava trazer de dentro de si o teor mais trágico possível, sem exagero. Alfa não vacilou. Se destacar foi pura conseqüência. Nos ensaios ainda batia insegurança, faltava alguma coisa para encarnar o personagem. Ela não sabe explicar direito como encarnou, mais foi de dentro para fora, como a partir de um estalo.
                A soprano elogia o trabalho de direção de Bia Lessa. Na verdade, ela gostou muito de todos os aspectos da sua experiência no Ceará, no início do ano. Os ensaios “eram abertos e lotavam”. A empolgação do público algumas vezes tinha que ser detida por Bia Lessa. “A platéia ficava então calada”. De cara, esse contato com o público serviu para perder a inibição. O nervosismo da estréia, assim, era um pouco arrefecido. “Essa ópera, mobilizou Fortaleza”. Alfa conta que no último dos três dias de espetáculo, foi colocado um telão na Praça José de Alencar. Além do teatro José de Alencar ficar lotado “45 mil pessoas assistiram à ópera na praça”.
                Mobilizou mesmo. Antonio Gonçalves conta, que em sua matéria de 29 de fevereiro que a ópera “estreou sob protestos”. “Don Giovanni” foi politicamente instrumentalizado e virou um predador também fora do palco. Através dos jornais locais e mesmo professores universitários se manifestaram contrários à montagem (...). o assessor de imprensa do governo do Ceará, Egídio Serpa, reagiu contra o coro dos insatisfeitos, que preferiam ver o dinheiro aplicado nos programas de irrigação do Ceará, o terceiro Estado mais pobre do País”.  A produção de Don Giovanni foi de US$ 150 mil (180 milhões de cruzeiros).
                O crítico da Folha disse que o espetaculo “Valeu não só pela criativa direção de Bia Lessa, mas principalmente por revelar ao Brasil um fenômeno vocal, o soprano Alfa Oliveira, uma religiosa cantora nascida em Belém”. Disse mais: “Os músicos não envergonharam os solistas, entre os quais se destacaram o barítono Boaz Senator, o barítono Jeller Felipe (Masetto) e, evidentemente, a grande estrela da noite, Alfa Oliveira”.
                Em Fortaleza, Alfa conheceu artistas internacionais como também críticos. A musicóloga francesa Brigitte Massain, que escreve na revista Ópera Internacional (de Paris) escreveu “...Alfa Oliveira é jovem, ela começou a cantar há muito pouco tempo. Foi em Belém, na embocadeira do Amazonas, que ela veio se apresentar para ser ouvida e imediatamente contratada”. A cantora foi fazer um teste no Ceará, sem muita segurança de que ganhara o papel e foi aprovada. Massain continua: “Inteligente e musical, precisou aprender tudo para assegurar sua primeira aparição em uma ópera. Ela possui, incontestavelmente, uma voz de timbre cálido, ampla e de um notável facilidade”.
Diário do Pará, Cad. D, pg. 4 – quarta-feira -  20 de maio de 1992.
Lana em Poliarno
Festival Internacional
                Mais em Festival Internacional de Música de Câmera, a começar no dia 24, vai ser realizado em Belém, com concertos diurnos na Sala Ettore Bosio e noturnos no Teatro da Paz: sempre às 21:00 horas, com convites distribuídos na bilheteria do Teatro que, completada a lotação, as portas estarão fechadas.
                O V Festival prolongou-se até o dia 31, e já nesse domingo (24) apresenta-se a Orquestra de Câmara do Pará, no da Paz, tendo como solista Alexandre Serafimov sob a regência de Eugeni Ratchev.
“Concertos Cultura”
                Apresentando sempre os melhores concertos do mundo, em termos de música erudita, o programa Concertos Cultura traz, hoje, um espetáculo musical, gravado ao vivo, na Sala Ettore Bosio, da Fundação Carlos Gomes, com o quinteto de sopros daquela instituição.
                Todas as quartas-feiras, a partir das 20:00, na Cultura FM, os ouvintes têm o privilégio de se deleitar com esta programação, de alto nível, sob o comando e apresentação de Oswaldo Bellarmino. E hoje é dia.
O Liberal, Cad, 2, pg. 4 – Cartaz – quinta-feira, 21 de maio de 1992
* A Fundação Carlos Gomes iniciou, ontem o Curso de Aprimoramento técnico, que terá duração de dois meses no Instituto Carlos Gomes (Avenida Gentil  Bittencourt, 909). É dirigido aos interessados em regência de bandas e técnica em instrumentos de sopro. As aulas serão ministradas pelo bacharel, mestre e doutor em Educação Musical Martin J. Berger, da Universidade de Missouri (EUA). As inscrições estão abertas no  instituto.
O Liberal, Cad. 2, pg. 4 – Cartaz – sexta-feira 22 de maio de 1992
Música de Câmera
* A Fundação Carlos Gomes promoverá no período de 24 a 31 deste mês, o V Festival Internacional de Música de Câmera do Pará, que se caracteriza pela apresentação diária de concertos diurnos na Sala Ettore Bosio, e noturnos, no Teatro da Paz. No dia 24, às 21 horas, porém, só ocorrerá apresentação da Orquestra de Câmera do Pará, com a presença de solista Alexandre Serafimov e do regente Eugueni Ratchev.
Diário do Pará, sábado, 23 de maio de 1992
A partir de amanhã, até o dia 31, a Fundação Carlos Gomes realiza o 5º Festival Internacional de Música de Câmera do Pará. A entrada é franca. São 860 lugares no Teatro da Paz distribuídos, via convite, por ordem de chegada. A bilheteria abre-se às 20:00 horas
Estréia Festival Internacional de Música de Câmera do Pará
                O 5º Festival Internacional de Música de Câmera do Pará estréia amanhã em uma versão mais sofisticada, com algumas novidades, mantendo uma programação de ótimo nível, como nos anos anteriores. A Orquestra de Câmera do Pará (leia quadro) abre esse importante evento, às 21:00 horas, no Teatro da Paz. No decorrer da semana (até o dia 31) o teatro e a Sala Ettore Bosio receberão artistas renomados, entre brasileiros e estrangeiros, e o público poderá assistir gratuitamente a todos os espetáculos.
                No primeiro festival, as apresentações se davam somente à noite, por sete dias. Na atual versão há cinco apresentações ao meio-dia na Sala Ettore Bosio, duas no TP às 18:00 horas e mais oito espetáculos às nove da noite também no TP – em oito dias de festival. Portanto, hoje são mais dias e mais atrações, ascensão proporcional ao público, que cada vez cresce mais.
                Entre as atrações (leia programação), Alfa de Oliveira, Quarteto Vivace, Eva Szekely e Daniel Schene, Leila Guimaraes e o Missouri Art Quintet, que participa do festival, graças ao vínculo da FCG com a Universidade de Missouri. O quinteto vem a Belém financiado por várias empresas e ainda desenvolverá oficinas por uma seman após o festival. Outra atração é o Quinteto Shostakovich (da Rússia), que a superintendente da FCG, Glória Caputo, conseguiu firmar a participação “por sorte”. Ele vem de Buenos Aires (Argentina) e depois de cumprir compromissos no sul do país, se dispôs a vir participar do festival camerístico.
                A apresentação da Orquestra no Festival reunindo todos os participantes, sempre foi muito disputada. Os lugares no teatro nunca foram suficientes. No primeiro festival a orquestra foi formada por 28 pessoas, como lembra Glória Caputo. Nessa quinta versão a grande orquestra se formará por mais de 50 integrantes, um atrativo a mais, certamente. Para possibilitar o acesso de mais público, programou-se duas apresentações da grande orquestra. O que não deve ainda ser suficiente, até mesmo, porque sempre há os que assistem e gostam tanto que retornam para o bis.
                Como o desenvolvimento dos projetos da FCG intencionam uma evolução continua, no próximo ano deverá haver novidades. Glória Caputo adianta que pretende realizar um concerto ao ar livre, em frente ao TP, com a Orquestra do Festival. Reconhece que tal evento necessitaria uma infra-estrutura considerável, pois haveria de se montar palco, interditar a Rua da Paz, ou seja, mobilizar um considerável corpo técnico, além de materiais. Isso não chega a desestimular Glória, que desenvolve seu trabalho à frente da Fundação Carlos Gomes com muita perseverança.
                O que deve ser destacado também em relação ao 5º Festival de Música de Câmera do Pará é a penetração de música brasileira. A Orquestra do Festival, exemplifica Glória Caputo, irá interpretar a Bachiana nº 2, de Villa-Lobos. No canto, obras de Carlos Gomes serão interpretadas. Esse direcionamente à música brasileira será completado com o festival de música brasileira que a Fundação Carlos Gomes planeja realizar provavelmente em outubro, depois do Círio de Nazaré.
Programa do Festival
Sala Ettore Bosio, sempre ao meio-dia
Dia 25 – Alfa de Oliveira (canto) e Eliana Kotschoubey (piano)
Dia 26 – Recital de Música Francesa, com Lúcia Azevedo e Luiza Camargo
Dia 27 – Quinteto da Paraíba
Dia 28 – Quarteto Vivace
Dia 29 – Jairo Chaves (viola) e Daniel Schene (piano)
Teatro da Paz, às 18:00 horas
Dia 25 – Orquestra Jovem da FCG, regida por Jonas Arraes
Dia 28 – Grupo de Percussão, regido por Vanildo Monteiro
Teatro da Paz, às 21:00 horas
Dia 24 – Orquestra de Câmera do Pará, regida por Eugeni Ratchev. Solista: Alexandre Serafimov
Dia 25 – Quinteto de Sopro da FCG
Dia 26 – Missouri Art Quintet
Dia 27 – Eva Szekely (violino) e Daniel Schene (piano)
Dia 28 – Leila Guimarães (canto) e Helena Maia (piano)
Dia 29 – Orquestra do Festival, regida por Ângela Pinto Coelho. Solista: Eugeni Ratchev
Dia 30 – Quarteto Shostakovich
Dia 31 – Orquestra do Festival, regida por Ângela Pinto Coelho. Solista: Leila Guimarães.

Promoção: Governo do Estado (Fundação Carlos Gomes)
Apoio: Secult, Seduc, Varig, Funtelpa, Equatorial Palace Hotel, Gráfica Falângola, Cia. Vale do Rio Doce, Consórcio Nacional Marcos Marcelino e Caixa Econômica Federal.
Orquestra de Câmera do Pará abre festival
                A Orquestra de Câmera do Pará é a responsável pela abertura do 5º Festival Internacional de Música de Câmera do Pará, amanhã regida por Eugeni Ratchev, nesse Festival traz a novidade de ter como solista Alexandre Serafimov.
                O núcleo da orquestra foi o Quarteto Belém, formado em 1987 por três professores búlgaros e pelo pianista (sic) paraense Afonso Barros. Desde 1988 o núcleo se transformou na Orquestra de Câmera do Pará, que vem percorrendo palcos brasileiros e agradando muito público e crítica. Apresentando-se regularmente em Belém, a orquestra foi se aprimorando cada vez mais, até ser reconhecida, hoje, como uma das melhores orquestras camerísticas do Brasil.
                A OCP já se apresentou na Sala Cecília Meireles (Rio de Janeiro), Sala de Concertos do Masp (São Paulo), excursiounou por São Luiz (MA), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Poços de Caldas (MG), Paramaribo (Suriname). Recentemente (fevereiro), em Belém, realizou o concerto de Abertura do 1º Simpósio Internacional em Defesa da Amazônia (Sindamazônia).
O LIBERAL Cartaz dom 24 maio 1992 1
Concertos em alto nível
                Um concerto com obras de Leos Jancer (sic), Tchaikovsky e Paganini dará início, hoje, às 21 horas, ao V Festival Internacional de Música de Câmera do Pará. No palco do Teatro da Paz,a Orquestra de Câmera do Pará, com regência de Eugeni Ratchev e solo do violonista Alexander Serafimov, em “I Tealtite – variações para violino e orquestra Opus 13”, de Paganini.
                Evento tradicional promovido pela Fundação Carlos Gomes, o festival vem sendo realizado desde maio de 1988, oferecendo ao público espetáculos gratuitos diários, às 12, 18 e 21 horas, sendo que o primeiro na Sala Ettore Bosio e os dois últimos no Teatro da Paz. Dispondo os concertos desta maneira, a Fundação Carlos Gomes pretende formar um leque grande de opções a quem se dispuser a assistir os espetáculos.
                Além da Orquestra de Câmera do Pará, este ano o festival traz de volta alguns grupos como o Missouri Arts Quintet, dos Estados Unidos, o duo Eva Szekely (violino) e Daniel Schene (piano), o Quarteto Vivace, a maestrina mineira Ângela Pinto Coelho e a soprano carioca Leila Guimarães. Apresentam-se pela primeira vez o Quarteto Shostakovich, da Alemanha, e o Quinteto da Paraíba, que executa obras de Astor Piazzola. Dos músicos da casa, estarão no festival a pianista Eliana Kotschoubey, que faz duo com a soprano Alfa Oliveira, as pianistas Lúcia Azevedo e Luiza Camargo, o Grupo de Trombone, a Orquestra Jovem e o Quinteto de Sopro, formado por músicos tcheco-eslovacos recém-chegados a Belém, esses três últimos estreando também no festival. Grande parte desses músicos voltam juntos ao palco para a formação da Orquestra do Festival, que este ano será novamente regida pela maestrina Ângela Pinto Coelho.        
                Aos músicos, o festival permite a realização de cursos. Este ano, pela segunda vez, o professor Martin Berger ministrará curso de tuba e regência de banda. Além dele, outros músicos realizarão o curso de “Master Class”.
                Por fim, a Fundação Carlos Gomes informa ao público que os ingressos para os concertos a serem realizados no Teatro da Paz têm número limitado de 800, que é a lotação da casa. Os ingressos serão distribuídos gratuitamente, na bilheteria, uma hora antes do início de cada concerto. Com tal controle, a organização do festival pretende garantir a segurança do público e evitar transtornos como o acontecido no recital da sopraon Alfa Oliveira, dia 19, no foyer do teatro. A sala tem lotação em 300 pessoas e quando esta ficou completa as pessoas que ficaram de fora insistiram em entrar, sem sucesso. “Queremos que todos assistam os concertos, mas antes de tudo queremos a segurança do público”, finaliza o assessor da FCG, Felipe Andrade.
                A programação do V Festival está assim definida:
Dia 24 – Orquestra de Câmera do Pará, às 21 horas.
Dia 25 – Alfa Oliveira (canto) e Eliana Kotschoubey (piano), às 12 horas;
            - Orquestra Jovem da FCG, regente Jonas Arraes, às 18 horas;
            - Quinteto de Sopro da FCG, às 21 horas;
Dia 26 – Recital de Música Francesa, com Lúcia Azevedo e Luiza Camargo, às 12 horas;
            - Missouri Arts Quintet, às 21 horas;
Dia 27 – Quinteto da Paraíba, às 12 horas;
             - Eva Szekely (violino) e Daniel Schene (piano), às 21 horas.
Dia 28 – Quarteto Vivace, às 12 horas;
            - Grupo de Percussão, regente Vanildo Monteiro, às 18 horas;
            - Leila Guimarães (canto) e Helena Maia (piano), às 12 horas;
Dia 29 – Jairo Chaves (viola) e Daniel Schene (piano), às 12 horas;
            - Orquestra do Festival, solista Eugueni Ratchev e regência de Ângela Pinto Coelho, às 21 horas.
Dia 30 – Quarteto Shostakovich, às 21 horas.
Dia 31 – Grupo de Trombone, às 10 horas, na Praça da República.
            - Orquestra do Festival, solista Leila Guimarães e regente Ângela Pinto Coelho, às 21 horas.
Orquestra de Câmera do Pará.
OCP
                O primeiro grande grupo formado na Fundação Carlos Gomes, a Orquestra de Câmera do Pará, nasceu Quarteto Belém, com a chegada, em 1987, dos professores, búlgaros Eugueni Ratchev, Haralampi Mitkov e Petar Saraliev, que se juntaram ao violinista paraense Afonso Barros. Esse conjunto, mais tarde ampliado, gerou a OCP, sob a regenci de Ratchev.
                A orquestra já realizou inúmeros concertos em Belém ao lado de renomados artistas nacionais e internacionais, demonstrando um excelente nível técnico e um repertorio dos mais variados. Em novembro de 1988 fez sua primeira excursão pelo sul do país, realizando concertos na Sala de Concertos do Museu de Artes de São Paulo (Masp).
                Em 1989,  OCP esteve no Nordeste, nas cidades de São Luis, Fortaleza e Joao Pessoa, com a participação do violinista italiano Rodolfo Bonucci. Especialmente convidada, realizou o concerto de encerramento do Concurso EPTV para Jovens Instrumentistas de Orquestras em Poços de Caldas (Minas Gerais), em 1990.
                Por ocasião da celebração do 168º aniversário da Indenpendencia do Brasil, apresentou-se em Paramaribo (Suriname), em setembro de 1990, realizando concertos nos teatros Thalia – Theatre e Onserf, com a participção do violoncelista Antônio Del Claro, eventos patrocinados pela Embaixada do Brasil no Suriname, com o apoio cultural do Centro de Estudos Brasileiros, em Paramaribo.
                A convite do Centro de Letras e Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro realizou em dezembro de 1990, no Salão Leopoldo Miguez da Escola de Música da UFRJ, o Concerto de Abertura da I Semana de Música/90, com a participação do violoncelista Antônio Del Claro.
                Em janeiro de 1991, a convite da direção do I Festival Internacional de “Música de Verão” de Poços de Caldas (MG), apresentou-se em dois concertos no Centro Nacional de Convenções daquela cidade. Em fevereiro deste ano realizou concerto de abertura do I Simpósio Internacional em Defesa da Amazônia.
                Com a saída do violista Haralampi Mitkov, atualmente em Madrid (Espanha), e entrada do russo Sergei Firsanov, a orquestra está formada pelos seguintes músicos: Eugueni Ratchev (regente e violino spalla), Serafim Serafimov, Alexander Serafimov, Paulo Keuffer, Nildo Baía, Edir Duarte, Afonso Barros, Flávio Costa, Jorge Catete e Celson Gomes (violinos), Vassil Kazandjev e Petar Saraliev (violoncelos), Jonas Arraes (contrabaixo) e Jairo Chaves e Sergei Firsanov (violas).
Spalla e regente da OCP
                Eugueni Ratchev nasceu em Rasgrad, na Bulgária. Aos 13 anos já apresentava seu primeiro concerto como solista. Estudou na cidade de Berna, na Escola Musical Estatal “D. Kristov”, na classe de violino de Genoveva Petrova. Fes (sic) graduação e mestrado no Conservatório de Sófia, na classe da professora Elena Geneva.
                Foi solista de quase todas as orquestras sinfônicas da Bulgária. Em 1973, fez curso de especialização de “Mestre de violino”, com o professor Fritz Elers, no Conservatório “Ferenz Liszt”, na cidade de Weimar (Alemanha). Especializou-se em camerista na cidade de Bayrouth (sic) (Alemanha), com o professor Zigfred Palm.
                Foi spalla e solista do “Studio Concertante”, na Bulgária, com o qual se apresentou na Alemanha, Itália, França, Bélgica, Tcheco-Eslováquia, Áustria, Hungria, Espanha, Suiça, Argélia e Túnis. Realizou também duos com a pianista Irina Ratcheva.
Atualmente é spalla e regente da Orquestra de Câmera do Pará e leciona violino no Instituto Carlos Gomes. No Brasil, atuou como solista em festivais internacionais realizados em Poços de Caldas, Belo Horizonte, Cascavel, Londrina e Brasília.
Vida dedicada à música
                Alexander Serafimov, de nacionalidade búlgara, fez sua primeira apresentação aos 11 anos de idade. Sua técnica vem da Escola Russa sob orientação dos professores Emil Kamilanov e Dora Ianova. Laureado em concursos e festivais, soma a esses prêmios o Concurso Vioti, na Itália.
                Durante dois anos foi spalla da Orquestra de Câmera de Estudantes e membro, por louvor, da Orquestra de Câmera Juventude Musical da Bulgária e Orquestra Sinfônica, em 1976, lecionou na Escola Especial de Música de Sofia e participou de Cursos de aperfeiçoamento como professor e violinista. Em 1980, como membro e primeiro violino do Conjunto Musical de Câmera “solistas de Sofia”, percorreu toda a Europa, Rússia, Estados Unidos, América Central, Colombia, Equador, Brasil, China, Filipinas, Indonésia, Japão e Austrália.
                Alexander é detentor dos seguintes prêmios: Prêmio Especial do Ministério da Cultura da Bulgária (como professor), Prêmio do Governo de Sofia, Prêmio Lira de Ouro de Sofia, medalha “República da Bulgária Grau Superior”.
O LIBERAL, segunda, 25 de maio de 1992
Música de Câmera
A Fundação Carlos Gomes estará promovendo, até o dia 31 deste mês, o V Festival Internacional  de Mùsica de Câmera do Pará, que se caracteriza pela apresentação diária de concertos diurnos na Sala Ettore Bosio (FCG), e noturnos no Teatro da Paz. Hoje, às 12 horas, se apresenta a cantora lírica Alfa Oliveira e a pianista Eliana Kotschoubey. Às 18 horas, será a vez da Orquestra Jovem da FCG, que será regida por Jonas Arraes; e, às 21 horas, o Quinteto de Sopro da FCG.
O LIBERAL, segunda 25 maio 1992
Duo, orquestra e quinteto na “Ettore Bosio” e no TP
                O segundo dia do V Festival de Música de Câmera, promoção da Fundação Carlos Gomes, traz concertos nos três horários, às 12 horas, na Sala “Ettore Bosio”, às 18 e às 21 horas, no Teatro da Paz. O primeiro será do duo Alfa Oliveira (canto) e Eliana Kotschoubey (piano); o segundo, da Orquestra Jovem da FCG, com a regência de Jonas Arraes; e o terceiro, o Quinteto de Sopros da FCG. Sempre lembrando que os ingressos para os concertos no TP serão distribuídos gratuitamente na bilheteria uma hora antes do início do programa e que a lotação de 800 lugares será cumprida.
                Alfa Oliveira e Eliana Kotschoubey repetem o concerto realizado na semana passada, no foyer do Teatro da Paz, cujo programa é formado por canções francesas, italianas e alemães, árias de óperas de Bellini, Puccini, Verdi e, é claro, de Mozart. Para quem ainda não assistiu ou quem quer rever este programa, esta será a última apresentação da soprano spintto que daqui seguirá para Londrina (PR), onde terá aulas com a professora Niza Tank. Alfa Oliveira tem sido bastante assediada no meio musical brasileiro e mesmo internacional, depois de sua performance na ópera “Don Giovanni”, realizada em janeiro deste ano, em Fortaleza (CE). Ao seu lado, mais uma vez a pianista Eliana Kotschoubey, professora do Instituto Estadual Carlos Gomes e da Escola de Música da Universidade Federal do Pará, e que se vê constantemente à voltas com recitais e espetáculos solos.
                O segundo concerto será com a recém-criada Orquestra Jovem da FCG, formada por alunos das classes de cordas dos professores Alexander Serafimov, Celson Gomes e Paulo Keuffer (violino), Jairo Chaves (viola), Vassil Kazandjiev (violoncelo) e Jonas Arraes (contrabaixo). A orquestra executará composições de Bartok, Brahms, Schumann, Guerra Peixe, Cláudio Santoro e autor anônimo.
                E o terceiro nostrará ao público a performance dos músicos tcheco-eslovacos recém-chegados a Belém, Jaroslav Pelikan (flauta), Lucie Holobova (oboé), Jindrich Sidla (clarinete), Zdenek Haloun (fagote) e Stanislav Schulz (trompa) vieram ao Brasil compor o núcleo de sopros da Fundação Carlos Gomes, assim como divulgar às composições de grandes autores tcheco-eslovacos como Dvorak e Smetana.
O LIBERAL, terça 26 maio 1992, Cartaz, pg. 2
 Duo de piano e quinteto no festival
                Dois concertos marcam o terceiro dia do V Festival Internacional de Música de Câmera do Pará. Um, às 12 horas, na Sala “Ettore Bosio”, com as pianistas Luiza Camargo e Lúcia Azevedo, e outro, às 21 horas, no Teatro da Paz, com o Missouri Art Quintet, dos Estados Unidos. A entrada é franca e os convites serão distribuídos ao público na Fundação Carlos Gomes, para o recital da Sala Ettote Bosio, e para o noturno na bilheteria do Theatro da Paz, uma hora antes do início.
                O primeiro reúne duas gerações de pianistas. Luiza Camargo, professora aposentada da Escola de Musica da Universidade Federal do Pará, atualmente lecionando na Escola Superior de Educação Física, dedicou grande parte de sua vida à iniciação de crianças na música. No ano passado, publicou o livro “Pequenas peças para piano”, com músicas de sua autoria, voltadas para o aprendizado infantil. Atualmente, elabora um segundo livro, só que desta vez voltado para os universitários.
                Lúcia Azevedo foi iniciada na música por sua mãe, a também pianista Dóris Azevedo. Do aprendizado em família passou ao do Instituto Estadual Carlos Gomes, onde se formou em 1985. Daí para cá, Lúcia vem se dedicando às aulas práticas de piano para crianças e adultos e também conciliando com os recitais.
                Choque de gerações é idéia logo descartada pelas pianistas. Lúcia acredita estar vivendo uma grande experiência ao tocar ao lado de Luiza. Esta, por sua vez, elogia a partner e afirma  que as diferenças, pelo contrário, somam e que o que vale é o profissionalismo. E se há diferenças há também afinidades. Além de terem sido criadas em ambiente musical, ambas aprenderam a gostar dos compositores românticos e impressionistas, como Debussy e Fauré, cujas obras compõe o recital de hoje.
                Na primeira parte do programa, interpretarão de Bizet “Children’s Games”, composição para dois pianos constituída de doze peças. Na segunda parte, iniciam com Claude Debussy, em “Petit Suíte” (em bateau, cortege, menuet e ballet) e encerram com Gabriel Fauré, com “Dolly” Op. 56 (Berceuse, MI-a-ou, Le Jardin de Dolly, Kitty-valse, Tendresse e Le pás Espagnol).
                À noite, o concerto fica por conta do quinteto Steven Geibel (flauta), Laurence Lowe (trompa), Todd Waldecker (clarinete), Barbara Wood (fagote) e Dan Willet (oboé), da universidade do Missouri, em Columbia (EUA). O quinteto existe há treze anos e vem pela segunda vez ao festival. Neste ano, a novidade é a entrada do clarinetista Waldecker que substitui Paul Garritson.
                O grupo tem apresentado uma série de recitais no campus de Columbia, onde cada músico exerce a função de professor do Departamento de Música da Universidade, bem como um grande número de recitais no Estado do Missouri e no meio-oeste dos Estados Unidos. Em janeiro de 1989, o grupo estreou no “Carnegie Hall”, em Nova Iorque, quando recebeu a crítica favorável de New York Times. Em 1991, o quinteto participou do IV Festival internacional de Música de Câmera do Pará, tendo participado da Orquestra do Festival, sob a regência de Ângela Pinto Coelho, e ministrado cursos de “Master Class” aos estudantes de música em Belém.
                A participação desses músicos no festival foi possível graças a participação da Fund Ford U. S. Artists at Exibitions, que se preocupa em divulgar as artes dos Estados Unidos em outros países.
                O programa do Missouri Art Quintet é o seguinte: de David Maslanka, Quintet nº 2; de Samuel Barber, “Summer Music” Op. 31; Antonio Dvorak, “American Quintet”, com arranjo de Dan Willet; e de Mozart, “Excepts from die Zauberflote”, com arranjo de Dan Willett.
O Liberal, Cad. 2, pg. 4 – Cartaz – 26 de Maio de 1992, terça-feira.
Cursos.
     A fundação Carlos Gomes iniciou, dia 20 passado, o curso de Aprimoramento Técnico, para os interessados em regência de bandas e técnica em instrumentos de sopro. O curso, que terá duração de dois meses, esta sendo ministrado no Instituto Carlos Gomes (Avenida Gentil Bittencourt, 909), pelo bacharel, mestre e doutor em Educação Musical Martin I. Beyer, da Universidade de Missouri (EUA). Inscrições e maiores informações no instituto, ou pelo fone 241-0906.
O Liberal, terça 26 maio 1992
Pianistas franceses fazem concerto
                Uma programação de última hora alvoroçou a Fundação Carlos Gomes ontem. A notícia de que estaria vindo para Belém os quatro melhores pianistas franceses da atualidade pegou os organizadores do V Festival Interncional de Música de Câmara do Pará de surpresa. Michel Beroff, Brigitte Eugerer, Alain Planes e Jean-François Heisser se apresentam, hoje, às 18 horas na Sala “Ettore Bosio”, do Instituto Estadual Carlos Gomes, por ser o único espaço com dois pianos de sonoridade semelhante aqui em Belém. Os convites, limitados, estão sendo distribuídos na Fundação Carlos Gomes.
                O Concerto, denominado “La Fête Du Piano Français”, está cumprindo turnê pelo Brasil com patrocínio da Label Nantes, CREA, Foundation Sacem, Ville Du Nantes e Ministério da Cultura da França. No programa, música de Berlioz, Debussy, Bizet, Ravel, Saint-Saëns, Milhaud e Dukas.
                Michel Beroff nasceu em Epinal, em 1959, foi aluno do Conservatório de Nancy e de Paris, onde obteve o primeiro prêmio em 1966. Seu primeiro e triunfal concerto foi em 1967, em Paris, e neste mesmo ano obteve o primeiro prêmio do concurso Internacional de Piano “Olivier Messiaen”. Atualmente tem se apresentado em todos os países do mundo, em recitais e como solista das maiores orquestras, sob a direção dos mais renomados regentes, como Boulez, Baremboim,Mazur, Abbado e Rostropovitch.
                Brigitte Engerer iniciou sua formação pianistica aos cinco anos de idade e se aperfeiçoou com Stanislav Nenhaus, no Conservatório Tchaikovsky de Moscou, onde recebeu o diploma do curso superior. Laureado nos concursos internacionais Marguerite Long, Tchaikovsky e Rainha Elizabeth da Bélgica. À carreira internacional da pianista teve início em 1980, quando Herbert Von Karajan convidou-a a tocar com a Orquestra Filarmonica de Berlim. Atualmente toca com as grandes orquestras sob a regência de nomes famosos como Zubin Melita (sic), Daniel Baremboim e Rostropovitch.
                Alain Planes nasceu em Lyon e aos doze anos de idade obteve seu primeiro prêmio de piano. Neste mesmo ano foi admitido no Conservatório Nacional Superior de Paris, onde estudou com Jacques Février. Frequentemente convidado por Rudolf Serkim para participou no Festival de Marlboro, nos Estados Unidos, o pianista foi assistente de Menahen Pressler, na Universidade Indiana, em Bloomington, dando aulas de piano e música de câmera, ao mesmo tempo que se apresentava em concertos com Janos Starker.
                Jean-Fraçois Heisser nasceu em 1950, em Saint-Etienne, tendo começado seus estudos de piano no Conservatório dessa cidade, diplomando-se no Conservatório Superior de Música de Paris, com seis primeiros prêmios. Primeiro prêmio no Concurso Internacional de Jaen (Espanha) e laureado no Concurso Internacional Vianna da Motta (Portugal), o pianista se apresentou sob a regência de Zubin Mehta, Myung-Whun Chung, Michale Tilson-Thomas entre outros grandes maestris (sic). Jean-François Heisser é grande intérprete de Beethoven e Brahms e gravou a obra integral de Manoel de Palla (sic).
O Liberal, Cartaz – cad. 2 - pg 4, 27 de Maio de 1992, quarta-feira.
Piano e violino na Festa da Paz.
“Já vim tantas vezes aqui que me sinto ema casa”. Foi assim que a violinista Eva Srekely definiu sua quinta participação no Tradicional Festival Internacional, promovido pela Fundação Carlos Gomes e realizado todos os anos no final de maio. Eva, que forma um duo de piano e violino com Daniel Schene, apresenta-se hoje, as 21 horas, na Festa da Paz.
Para ela, sempre é muito especial tocar em Belém. O Teatro da Paz, segundo Eva, é um dos palcos mais bonitos onde se apresentou. “Esse teatro tem muita hístoria”.
No programa de hoje à noite, os dois apresentaram um programa bem selecionado. “Pensamos em músicas com muito carinho. Sempre fomos bem recebidos aqui”. Dessa maneira, os dois interpretaram três peças: o conceito “K-306”, de Mozart, e duas sonatas, uma de Debussy e a “Ofur 9”, de Szymanovsky.
Paralelo as interpretações com o duo ambos ensaiaram com a orquestra do festival que se apresenta no ultimo dia. “É ótimo esse intercâmbio. Ver e ouvir o que se produz em vários paises bem de perto”, diz ao tocar uma viola construída por Eugeni Ratchew, spalla da Orquestra de Câmera do Pará.
Além dessa apresentação, dentro da programação do festival pode ser assistida, às 12 hora, na sala Ettore Borio do Instituto Carlos Gomes, o concerto do Quinteto Ravel, um grupo de cordas formado há dois anos, que se apresenta pela primeira vez em Belém.
A PROVÍNCIA DO PARÁ Belém quinta 28 de maio de 1992 2 cad. 1 EDWALDO
*Dia de muitas atrações no V Festival Internacional de Música de Câmera do Pará: na Sala Ettore Bosio, ao meio-dia, o Quarteto Vivace; no Teatro da Paz, às seis da tarde, o grupo de percussão regido pelo maestro Vanildo Monteiro, e, às nove da noite, Leila Guimarães cantando e Helena (Lenita) Gomes Maia ao piano.
O Liberal, Cad – 2 – Cartaz – pg 1 – Belém, 28 de Maio de 1992, quarta-feira.
 Free Jazz, enfim, para quem quiser
Não foi vã a luta de musica instrumental em Belém. O Câmera 5, ou Cristal Jazz Band, pega no ar o exemplo dos grupos que o antecederam na trilha de novos sons leva o jazz para a vida noturna. Com a certeza de que, apesar de tudo, ainda é possível florescer e, quem sabe, permanecer.
Não é de hoje que músicos paraenses tentam desenvolver trabalhos com musica instrumental em Belém. Entre os que se destacam pela persistência estao o Anestesia Geral, hoje desfeito, o quarteto do contrabaixista Minni Paulo e o pentagrama, da fundação Carlos Gomes, que também paralisou suas atividades. Quando parecia inútil todo o trabalho de formação de platéia para esse tipo de musica, aparece a câmera 5 – agora especialmente também chamado de Band – a principal atração do Café, Pub e Restaurante Cristal, as quintas, sextas e sábados, a meia-noite.
A banda é formada por Afonso Barros, Moises Jr., o Tiquinho, e Moises Freire. Juntos há quatro meses como Câmera 5, grupo ligado a Fundação Carlos Gomes, há pouco tempo eles receberam a proposta do Cristal para desenvolver  proposta de um novo espaço cultural. O repertorio musical não mudou e o grupo permanece fazendo um bom free jazz, mais acessível ao publico, p.. pelas composições de Kenny G., Didier Lockwood e Jean-Lee Pomty, entre outros, e musicas próprias, dentre as quais se destaca “Paradise” de autoria coletiva.
A criação de um grupo de jazz é um sonho antigo do violonista Afonso Barros. De formação musical clássica (é um dos membros da Orquestra de Câmera do Pará), ele sempre quis que de seu violino não saíssem apenas sonetos e concertos, mas também o som de raízes negras como o jazz. Assim, um trabalho paralelo ao desenvolvido na orquestra, resolveu criar a Câmera 5, ao lado de músicos experientes  em musica instrumental. A primeira apresentação  foi na Praça da República no projeto “De Bach a Pixinguinha”, da Fundação Carlos Gomes.
A principio, os músicos pretendiam continuar tocando esse repertorio mais leve, na tentativa de ganhar o gosto do publico. Só aos poucos, o jazz mais tradicional, “mais raiz” começou a ser introduzido. “O processo tem de ser lento”, comenta Afonso, ”uma vez que a platéia paraense, em sua grande maioria, defendia a riqueza dessa expressão musical. Mas acredito que esse é meu quadro que tende a se reverter. Há de se ter paciência, no entanto, porque não se forma platéia do dia para a noite”. E cita o caso da musica erudita, que hoje tem grande aceitabilidade de anos de resistência dos músicos.
Para ele, as muitas tentativas de se divulgar o jazz junto ao publico paraense irão de criar um ambiente favorável, no qual poderão florescer – e, quem sabe, enfim, permanecer – muitos grupos.
Mauricio Alves (Bateria)– Começou a tomar gosto pela musica na banda inicial do colégio Lauro Sodré, com os instrumentos de percussão e depois o trombone. Mais tarde integrou vários grupos, entre eles o de Ely Farias e o Nova Dimensão, que toca em bailes, acompanha cantores e trabalha em estúdios de gravação. Há quatro anos estuda musica no Instituto Estadual Carlos Gomes, alem de tocar na Big Band e no grupo de Percussão da Fundação Carlos Gomes, com os quais desenvolve trabalho instrumental.
Marreto (Contrabaixo)- teve os primeiros contatos com a musica através de seu pai, o violinista Chiquito, que lhe ensinou as primeiras lições. Mais tarde foi free-lance em algumas bandas, inclusive religiosas, e ha seis anos desenvolve trabalho profissional, o mais recente dos quais é o Câmera 5.
Moises Jr. (Teclados)- aprendeu a tocar violão aos dez anos por influencia de amigos. Mais tarde começou a tocar contrabaixo, tendo nessa época estudado no Instituto Estadual Carlos Gomes. Integrou a banda do SESC e la tomou as primeiras lições de teclado, Definindo-se tecladista, engrenou pela musica popular, sacra e agora instrumental.
Moises Freire (Guitarra)- também influenciado por seu amigo, o guitarrista Davi Silva, começou a aprender musica. Estudou teoria e harmonia musical como autodidata. Nesse período, tocou na noite acompanhando o cantor Aguinaldo Silva. Atualmente estuda violão clássico em caráter particular.
Afonso Barros (Violinista)- começou a tocar violão aos 9 anos no serviço de atividades musicais da Universidade Federal do Pará (hoje Escola de Musica), onde teve sua formação básica. Anos depois transferiu-se para o Instituto Carlos Gomes onde ,em 1988, foi escolhido para integrar o núcleo de cordas ao lado dos músicos búlgaros Petar Saraliev, Haralanpi Mitkov e Eugeni Ratchev, mais tarde “Quarteto Belém”, que originou a Orquestra de Câmera do Pará. Afonso é um dos primeiros violinos da orquestra e com ele desenvolver intensa atividade musical no Pará.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                
O Liberal, quinta 28 maio 1992, Cartaz, Cad. 2, pg. 2 – Ibrahim Suede
Piano e voz mostram árias de óperas
Leila Guimarães, carreira internacional, une sua voz ao piano.
                O concerto da soprano Leila Guimarães e da pianista Helena Maia, às 21 horas, no Teatro da Paz, é o ponto alto da programação do V Festival Internacional de Música de Câmera de hoje. Mas também estão agendados os concertos do Quarteto Vivace, às 12 horas, na Sala Ettore Bosio, do Instituto Estadual Carlos Gomes (avenida Gentil Bittencourt, 909, entre as avenidas Quintino Bocaiúva e Generalíssimo Deodoro), e do Grupo de Percussão, às 18 horas, também no Teatro da Paz. Os convites para o primeiro concerto estão sendo distribuídos na Fundação Carlos Gomes e para os dois últimos na bilheteria do teatro, uma hora antes do início.
                Leila Guimarães e Helena Maia se encontram pela segunda vez no festival internacional. No ano passado, as duas fizeram uma parte da programação do evento, interpretando músicas de Carlos Gomes. Este ano, o programa é composto de árias de óperas de Mozart, Puccini, Mascagni, Wagner, Carlos Gomes e Ponchielli, além de canções de Waldemar Henrique, Carl Böhm e Villa-Lobos.
                A cantora é hoje uma das mais importantes representantes brasileiras na ópera interncional. Isso se deve, em grande parte, a sua atuação em 1981, no Concurso Internacional de Canto “Luciano Pavarotti”, na Filadélfia (Estados Unidos), cujo prêmio era exatamente realizar uma apresentação do lado do grande tenor italiano. Tendo conquistado o primeiro lugar, Leila interpretou com Pavarotti “La Boeme” (sic) e, tal foi a produção, que recebeu o prêmio Emmy naquele país.
                A partir daí, Leila passou a se dividir entre o Brasil e o exterior. Morando no Rio, recebeu convites para apresentações na Alemanha, França (Paris, Dijon, Nice, Bourdeaux, Aix, emProvence) (sic) e na Itália. Mas foi mesmo no Municipal do Rio de Janeiro que, em 1987, apresentou-se ao lado de outro grande nome da ópera mundial, o tenor Plácido Domingo, programa que repetiu no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo.
                Em 1989, fixando residência em Milao, foi contratada pela Ópera de Roma para a montagem de “Tosca”, de Puccini. Em 90 atuou em “Norma”, de Bellini. De volta ao Rio, nesse mesmo ano interpretou “Madame Butterfly”, no Municipal, e, em Brasília, no Teatro Nacional.
                Leila acaba de voltar de uma turnê por toda a França com “Lohengrin”, de Wagner. A boa receptividade por parte da crítica fez com que fosse contratada para cantar “La Traviata”, em novembro próximo, em Paris, e “Nabucco”, de Verdi, em Dijon, em março do próximo ano.
                Helena Maia, a pianista, tem enriquecido sua carreira como recitalista e solista, além de realizar inúmeras apresentações camerísticas com outros intérpretes, Helena, mestre em música, é professora da Escola de Música da Universidade Federal do Pará, mas já exerceu a mesma atividade no Instituro Estadual Carlos Gomes, a mesma escola pela qual se formou (quando ainda era Conservatório), na classe de Enid Barroso Rebello.
                No primeiro concerto, que incluirá obras de Mozart, Haydn e Villa-Lobos, o Quarteto Vivace, formado por Paulo Keuffer e Celson Gomes (1º violino), Jairo Chaves (viola) e Vassil Kazandjiev (violoncelo), todos da Orquestra de Câmera do Pará, contará com a participação especial do oboísta Fernando Thá Filho.
                Já o Grupo de Percussão apresentará composições de Astor Piazzola, Korf, Spears, Sheperd, Fernando Iazzeta, Chick Corea, Fernando Marconi e do próprio grupo – “Festa dos tambores”. O grupo foi criado pelo professor Luiz Roberto Cioce Sampaio, em 1988, com o objetivo de aperfeiçoamento acadêmico e artístico dos alunos de percussão e também para divulgar o repertório existente nesta área. Dentre os concertos já realizados destacam-se os da segunda e terceira versão do festival internacional a do Projeto Rede Nacional de Música do extinto Ministério da Cultura e do II Encontro Nacional de Percussionistas em São Paulo.
                Atualmente é regida por Vanildo Monteiro, em substituição a Cioce, que voltou a São Paulo, sua terra natal. Além da iniciação com o músico paulista, Vanildo Monteio estudou com Steven Schick (EUA), Ney Rosauro, Carlos Tarcha, Tierri Miroglio (França), Joaquim Abreu, Flávio Pimenta, John Boudler, João Carlos Delgalarrondo, Luiz Carlos Xavier e Alfredo Lima, entre outros.
A PROVÍNCIA DO PARÁ Belém sexta 29 de maio de 1993 1 cad. 3
*O 5º Festival Internacional de Música de Câmera do Pará, que a Fundação Carlos Gomes promove até este domingo (teve início dia 24), foi ressaltado na Assembléia pelo deputado Nélson Chaves. O festival tem proporcionado apresentações diárias de músicos locais e internacionais na Sala Ettore Bosio e no Teatro da Paz, gratuitamente.

O Liberal, sexta 29 de maio de 1992.

Uma orquestra só para o festival.
                Sob a regência de Ângela Pinto Coelho, 49 músicos reúnem talento no Teatro da Paz
A dois dias de seu encerramento, o V Festival de Musica de Câmera do Pará, promoção da Fundação Carlos Gomes, apresenta hoje, as 12 horas na Sala Ettore Borio, o duo de viola e piano com Jairo Chaves e Daniel Scheme, e as 21 horas, no Teatro da Paz, o primeiro concerto de orquestra do festival sob a regência maestrina mineira Ângela Pinto Coelho, tendo como solista o violinista e  spalla da Orquestra de Câmera do Para, Eugeni Ratchev.
Tradição no Festival Internacional de Musica de Câmera do Pará, a promoção de uma grande orquestra, reunindo grande parte de musicas que participaram do evento, se repete na quinta versão do festival. São os músicos, desta vez, entre brasileiros e estrangeiros, que interpretam Weber e ... . Ao solista caberá o concerto para violino Op. 64 em Mi menor, de ... . ,na primeira parte do programa.
Eugeni Ratchev, búlgaro radicado ha quatro anos em Belém, onde ajudou a criar a Orquestra de Câmera do Pará, conseguindo levantar aplausos por sua performance, em passagem por outras cidades brasileiras. A critica também se rendeu. Para o jornal “O Estado de Minas”, “Ratchev despeita emoçao na platéia...” ou “...o programa foi aberto com a introdução e Rondo Caprichoso de Saint Iaeus para violino e orquestra, virtuosisticamente executado pelo solista ratchev...” e o “Jornal da Casa” fala de um Eugeni Ratchev “notável!, exuberantemente notável violinista...”.
A maestrina Ângela Pinto Coelho, desde que ouviu pela primeira vez a Orquestra de Câmera do Pará, em 1989, ficou impressionada com a performance. Cada vez que volta a Belém, por ocasião do festival, sente segundo comenta, que o grupo tem crescido a ponto de figurar entre os melhores do Brasil. Ela, que já veio inúmeras vezes a Belém, ainda é a única maestrina brasileira, tendo se formado em regência de orquestra pela Universidade Federal de Minas Gerais, em 1986, onde teve como professores os maestros David Machado e Guerra Peixe.
Com uma atuação extremamente apaixonada em palco, Ângela Pinto Coelho subirá ao palco do Teatro da Paz pela segunda vez, neste festival, durante o encerramento do evento. Estará novamente à frente da orquestra, tendo como solista a soprano carioca Leila Guimarães.
Antecipando a grande atração da noite, os músicos Jairo Chaves, violista, e Daniel Schene, pianista norte-americano, fazem o concerto das 12 horas, interpretando Bach, Schubert, Brahms e Guerra Peixe. Jairo Chaves é um dos integrantes da Orquestra de Câmara do Pará: mineiro, começou a estudar violino em Belém, no Serviço de Atividades Musicais da UFPA, tendo passado, mais tarde, para a classe de viola. Vários prêmios fazem parte de seu currículo, dentre eles o “Pró-Arte”, em 1986, quando vencedor do concurso Jovens Concertistas Brasileiros, na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro.
Daniel Schene nasceu em Nova Iorque, onde iniciou seus estudos musicais. Estudou, ainda, em Charlotte, na Carolina do Norte e obteve seu grau na Universidade de Indiana, onde estudou com Gyorgy Sebok, Rebeca Renneys e Eurica Cavalo-Gulli. Como solista tem se apresentado em concertos de música de câmara nos Estados Unidos e Canadá. Apresentou-se, ainda, com a violoncelista Zara Nelsova e com o violinista Denes Kovacs. Recentemente foi nomeado titular dos cursos da Keyboard Studies e Webster University, em Saint Louis.
Os ingressos para o concerto das 12 horas estão sendo distribuídos gratuitamente na Fundação Carlos Gomes (avenida Gentil Bittencourt, 909, entre as avenidas Quintino Bocaiuva e Generalíssimo Deodoro). Para o noturno, a distribuição será feita na bilheteria do Teatro da Paz, uma hora antes do início do concerto. São apenas 800 ingressos.


O Liberal,  dom 31 maio 1992 Cartaz 1
A grande noite da emoção
                Reunir tantos músicos de talento, na última apresentação do festival, é, para a regente Angela Pinto Coelho, como sintorizar uma seleção de futebol no rumo da vitória. Ela considera Belém já um grande centro produtor de cultura. E um exemplo para o país inteiro.
                Hoje é o último dia do Festival Internacional de Música de Câmera. Durante sete dias, instrumentistas e cantores, nacionais e estrangeiros, transformaram Belém em um grande centro exibidor e espectador da boa música. Como todos os anos, a Orquestra do Festival apresenta-se no encerramento. Pela segunda vez consecutiva, todos os músicos que participaram do evento – serão regidos pela maestrina Ângela Pinto Coelho. Nesse espetáculo, que une timbres bem brasileiros com as célebres óperas mundiais já compostas, a cantora lírica Leila Guimarães será a solista.
                Pela quinta vez, Ângela está em Belém. A primeira vez que aqui veio foi para ministrar um curso de regência, na Universidade Federal do Pará, há sete anos. Depois, regeu a ópera “O Empresário”, de Mozart em 90. Duas participações no festival e mais a apresentação do Réquiem”, nas comemorações do bicentenário da morte do austríaco, compõem as idas e vindas da maestrina mineira. Para ela, que acompanhou todo o processo de formação da Orquestra de Câmara do Pará, além de vivenciar o festival do ano passado, a cidade está muito bem acolhida. De um ano para outro, o salto foi enorme. “É uma diferença muito grande. No ano passado participei de um mini-festival. Hoje faço parte de um grande evento que o Brasil inteiro deveria ter como exemplo”, exalta.
                Ângela vê grandes perspectivas para a música erudita no Estado. Interessada em frisar bem todas as suas palavras, a maestrina, que nasceu e continua produzindo no eixo sul do país diz que nada do que acontece nos outros Estados chega aos pés do produzido aqui. “Esse movimento musical paraense é magnífico. Belém está se caracterizando como o pólo produtor de cultura mais efervescente dessa nação. A cada ano, esse festival vai ganhando um corpo maior, repercussão internacional mais sólida”, continua.     
                E isso se deve, segundo ela, à pessoa da superintendente da Fundação Carlos Gomes, que promove o evento, Glória Caputto. Para Ângela, Glória, além de uma apaixonada pela música, é uma ótima administradora. “Nenhum diretor de cultura está fazendo o que essa mulher tem feito. Graças a ela, Belém pode aplaudir um festival desse nível. Todos os louros devem ser dados a ela”.
                Outros nomes podem ser colocados nesse rol de competência que Belém abriga, segundo ela. A Orquestra de Câmara do Pará, que fez a abertura do festival é, para a maestrina, senão a melhor orquestra do gênero no Brasil. Isso se dá pelo pulso, firmeza e sensibilidade do spalla Eugeni Ratchev. “Sem dúvida nenhuma é a melhor do Brasil. Outro nome que o país deveria conhecer. Eugeni, que tem uma escola búlgara e um know-how que poucos possuem, é também um grande construtor de violinos. É realmente um conhecedor dessa arte, tanto da utilização quanto da fabricação”, continua.
A última noite
                Para o encerramento, Ãngela preparou um programa diversificado, com dois pólos opostos. A apresentação tem início com a exaltação do ritmo brasileiro com a interpretação de “Batuque”, de Lourenço Fernandez. Essa é uma composição especial para a maestrina. “É a dança dos negros do país. Cheia de timbre, rica de movimentos instrumentais, a música é a cara de nosso povo. Por que não começar com ela?”. Depois, a orquestra ataca de Villa-Lobos. Nada melhor para representar a música erudita do país, que a “Bachiana Brasileira nº 2”. “Essa então nem se fala. Ela tem tudo. Tem paixão, lirismo, toques de serenta e termina com a inspiração lúdica do “Trenzinho do Caipira”. É linda”.
                Na segunda parte do programa, Leila Guimaraes entra em cena. A soprano, também mineira, acredita que essa seja sua última apresentação no Brasil, já que firmou contrato com a França, onde interpretará “La Traviata”, em novembro, e pretende fixar residência na Italia. Ambas preparam esse repertório que inicia com Carlos Gomes, com a abertura da ópera “O Guarani” e “O Ciel di Parahyba”, da ópera “Lo Schiavo”, e termina com Verdi, precisamente com as interpretações de “Tacea la notte plácida”, da ópera “Il Trovatore”, a abertura de “La Forza del Destino”, “Tu Che le vanita”, ária de “Don Carlo”, e “Pace, pace Mio Dio”, também de “La Forza do Destino”. “Tocar a abertura da obra máxima de Carlos Gomes é um presente. É uma homenagem à Fundação Carlos Gomes e principalmente à Glória. Ela merece isso, já que abraçou a causa cultural”, afirma Ângela.
                Leila, que já apresentou na noite de quinta um concerto com a pianista Helena Maia, está ansiosa para cantar com toda a orquestra. No ano passado, devido a um choque térmico que resultou em um resfriado, a soprano só fez uma participação no festival. Para ela, o evento é muito brilhante e fazer parte dele só pode ser definido como uma honra. “É um exemplo maravilhoso para esse país carente de arte. Atuar nessa cidade é muito bom. Pelo amor que tenho à arte que abracei e principalmente pelo amor que cultivo a Carlos Gomes”, diz.
                Colocar uma orquestra bem afinada durante uma semana é como selecionar jogadores que nunca entraram em campo juntos, e fazê-los ganhar o jogo. Encontrar essa harmonia é o mais importante em um empreendimento como este. Quando perguntada sobre essa dificuldade a maestrina foi categórica. “Sempre penso as palavras de meu mestre Sergi Cellibidache, maestro titular da Filarmonica de Munique: “Reja qualquer que seja a orquestra como se estivesse conduzindo a Filarmonica de Berlim, a melhor do mundo. Isso penso na hora. Não tenho medo pois estou sendo auxiliada pelos melhores do país”.
A ORQUESTRA AFINA
Amor e talento. Graça e beleza.
Solista: Leila Guimarães
Regente: Ângela Pinto Coelho
Violinos I: Moises Mendel (spalla), Eva Szekely, Wilma Nastasity, Yerko Pinto, Eugeni Ratchev, Paulo Keuffer, Nildo Baía e Jorge Catete.
Violinos II: Afonso Barros, Luisa Cherquer Lemos, Marilene Martins, Celson Gomes, Nelson Rios, Serafin Serafimov, Flávio Costa e Edir Duarte.
Violas: Serguei Firsanov, Jairo Chaves, Diógenes Nebias, Edith Gozea e Samuel Espinoza.
Violoncelos: Petar Saraliev, Vassil kazandjev, Nelson Campos, Nelzimar Neves e Lenka Pelikanova.
Contrabaixos: Jonas Arraes, Adail Fernandes e Francisco Chagas.
Flautas: Steven Geibel e Jaroslav Pelikan
Oboés: Dan Willett e Lucie Holubova
Clarinetes: Toon Waldecker e Jindrich Sidla
Clarone: Jacob Cantão
Fagote: Bárbara Wood e Zdenek Haloun
Saxofone: Victorio Aniceto
Trompas: Laurence, Stanislav Schultz, Marcus Bonna e Sérgio Martins.
Trompetes: Antônio Efraim Brito, Renison Santos e Renaldo Costa Ferreira.
Trombones: Paulo Lacerda, Wagner Santos, Hélio Pereira e Oscar Pereira Rocha.
Tuba: Martin Bergee
Piano: Nelson Neves
Harpa: Ana Angélica Vianna
Percussão: Emílio Gama, Vanildo Monteiro, Ana Margarida Camargo, Odília Cozzi e Ricardo Coelho de Souza.
O Liberal, Belém, segunda-feira, 01 de junho de 1992, Cad. 1, pg. 2
Dezenas ficam de fora de show no Teatro da Paz
                Dezenas de pessoas com ingressos nas mãos foram impedidas de entrar no Teatro da Paz, ontem, para assistir ao último dia do V Festival de Música de Câmara do Pará, promoção da Fundação Carlos Gomes. Segundo algumas dessas pessoas, que estiveram na redação de O LIBERAL  para reclamar do fato, a ordem para que os portões fossem fechados, antes mesmo do início das apresentações, marcado para as 21 horas, partiu da direção da casa de espetáculos.
                De acordo com Maria do Socorro Araújo, num policial militar alegou que o teatro estava lotado e não comportava mais ninguém em suas dependências. Maria do Socorro, entretanto, afirma ter certeza de que havia espaço para mais pessoas dentro do teatro, pois “assisti ao espetáculo na sexta e no sábado, e nestes dois dias havia muita vaga”. Além disso, completou ela, “pessoas que chegaram em carrões e bem vestidas tiveram acesso ao teatro. Nós, que aguardávamos na fila, acabamos barrados”.
                O tenente que comandou os policiais, segundo Maria do Socorro, entrou no teatro e depois de alguns minutos voltou dizendo que o teatro estava fechado por ordem da direção do TP. “É lamentável que só no Pará ocorram coisas desse tipo. A elite teve acesso ao espetáculo e o povão foi barrado”, concluiu Maria do Socorro.
O LIBERAL Cartaz dom 2 JUNHO 1992 1
Divinos cellos arrebatam Belém
Cristino Martins
Orquestra e Cellos é uma das atrações de hoje no Festival Internacional de Música de Câmara
                Orquestra de Violoncelos é a atração de hoje, a partir das 18h, no Festival Internacional de Música de Câmara do Pará, que vai até 7 de junho, no Teatro da Paz e no Núcleo de Artes da UFPA. A apresentação encerra o I Encontro de Cellos da Amazônia. O grupo se apresenta com Alpha de Oliveira e sob a regência de Barry Ford. Às 21h, no TP, a atração será norte-americana: Esterhazy Quartet & a soprano Jo Ella Todd. À meia-noite o show será do grupo paraense Quarteto de Percussão, no Núcleo de Arte. O Festival é uma realização do governo do Estado, Fundo Nacional de Apoio à Cultura do MinC, Fundação Carlos Gomes, com patrocínio da Telepará e apoio cultural da Universidade do Estado e Núcleo de Arte da UFPA. O quarteto de violões Quaternaglia, de São Paulo, se apresenta a partir das 18h do dia 3 no Teatro, sob a regência de Barry Ford. Logo depois, às 21h, no TP, Amazonia Jazz Ensemble, tendo como solistas Paulo José Campos de Melo e Ricardo Aquino. Os regentes serão Marlos Nobre e Andi Pereira. À meia-noite apresenta-se o Vox Brasilis, regido por Ana Maria Santos, no Núcleo de Arte. No dia 4 volta ao palco o Quinteto Brassil, às 18h no TP. Logo depois, às 21h no TP, Trio Américas, reunindo músicos do Brasil e dos Estados Unidos. O dia encerra com espetáculo marcado para iniciar à meia-noite do Pentagrama Jazz Trio, no Núcleo de Arte.
                Dia 5, apresenta-se a Orquestra Jovem da FCG, regida por Jonas Arraes, no TP. Às 21h o Beethoven String Trio, de Londres, estará também no TP, com participação especial de Paulo José Campos de Melo ao piano. No mesmo dia o paraense Quinteto Mistura e Manda se apresenta no Núcleo de Arte. O Festival trará no 6 de junho a Orquestra do Festival, regida pelo americano Edward Dolbashian, às 21h, no TP. E o último dia terá duas atrações, a Baby Band da FCG, regida por Andi Pereira, às 22h no Núcleo de Arte, e novamente a Orquestra do Festival, às 21h no TP. 
O Liberal, 02 de junho de 1992. CAD. 2, pg. 5
CRÔNICA
Bom-senso
Ana Diniz
                Uma amigo, apreciador de música, comenta comigo: “Pela primeira vez, em Belém, eu voltei da porta do teatro porque a lotação estava esgotada para um concerto”. Ele perdeu o concerto mas estava feliz com o ocorrido – uma sensação de que não estamos mais sozinhos, de que há um universo cada vez maior para partilhar o som. Isso ocorreu neste festival de música de câmara que acaba de se encerrar. Também fui, num só concerto porque o tempo da semana não dá para mais. E constatei que o longo e extremamente trabalho de Glória Caputo começa a mostrar resultados. Eu vi uma platéia de público jovem, e, para controle da moçada que pensa que música erudita é só para um tipo de pessoas, reconheci uma porção de metaleiros lá dentro – é, gente, pessoal do Morfeus, inclusive – o que vem mostrar o quanto essa turma roqueira está trabalhando música a sério.
                Mas eu queria pedir para uma parte da