OJVM toca Christian Bach, Gerónimo Giménez e Maurice Ravel


     No início da noite de 29 de março de 2015 a Orquestra Jovem Vale Música e seu titular Miguel Campos Neto uniram-se ao violista Haroldo Fonseca para realizar mais um concerto da série Sons da Amazônia IV na Sala Augusto Meira Filho. Foi um concerto de bom repertório, porém o resultado musical não possou do nível regular, pois os braços de Campos Neto não tem o mesmo vigor técnico e leitura apaixonada nos clássicos quando ele rege românticos e modernos como Gerónimo Giménez e Maurício Ravel, que tiveram execuções bem mais vigorosas e estilisticamente ajustadas que o concerto para violoncelo de João Cristiano Bach, o filho de João Sebastião que é chamado desde sua época de "O Bach londrino".
     Haroldo Fonseca é mais uma cria do Projeto Vale Música da Fundação Amazônica de Música cuja equipe é digna dos mais altos elogios e seus alunos e ex-alunos são um orgulho para a música erudita paraense. Haroldo deu-nos uma boa leitura do concerto de Bach e sua juventude e carreira ainda recente são necessários para descontar qualquer erro de percurso: incentivado como  está e com uma carreira regular, futuramente teremos um grande ciellista paraense para nos orgulharmos.
     As obras de Giménes e Ravel foram os grandes trunfos da noite. Nesse repertório Miguel é mais "solto" e, certamente, mais hábil como regente, dada a desenvoltura de suas leituras. Atenção nos movimentos de braços no Intermedio de Luiz Alonso; eles são de um regente totalmente envolvido objetiva e subjetivamente com a obra executada. Vibrante, é o adjetivo mais adequado para esta apresentação do Intermedio.
     O poema coreográfico de Ravel, La Valse, é uma obra de destaque da música sinfônica novecentista e de grande apreço entre os admiradores da arte da orquestração - eu incluído neles. Íntimo que sou dela desde a adolescencia, fiquei extremamente feliz ao vê-la no programa, pois nunca a havia ouvido ao vivo em concerto. A execução foi vibrante e "calorosa" como deve ser este mini-bailado de Ravel. Não prestei atenção total na orquestra, pois os sons me levaram a imaginar o programa do poema escrito pelo próprio compositor: 
  • " Através de nuvens turbilhonantes, são vistos aqui e ali pares que valsam. A névoa se dissipa gradualmente, distinguindo-se um imenso salão povoado por uma multidão que baila. A cena se torna cada vez mais iluminada. As luzes dos candelabros se acendem(…). Encenada na corte imperial, por volta de 1855."

     Finalizada em 1919, quando o compositor já havia dado baixa do exército na 1ª Guerra Mundial, a a obra tem seu lado conturbado e caótico, devido aos horrores que ele presenciou no campo de batalha, e o romantismo inicialmente programado foi deixado um tanto de lado nela. Assim podemos entender as suas passagens barulhentas e bagunçadas; agitadas e violentas. Assim é possível entender o porquê da leitura de Miguel ter sido como foi.

Informações do Programa:

MIGUEL CAMPOS NETO
     
      A crítica especializada considera Campos Neto um maestro que "dá ritmo teatral e fluência ao espetáculo e sabe recriar a linguagem musical específica dos personagens principais" (João Luiz Sampaio, ESTADÃO, SP) e que demonstra "sua segurança e autoridade musical empenhando-se totalmente à frente da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (Marco Antonio Seta, Ópera e Ballet). Em  SALOMÉ, "Campos Neto soube conduzir o espetáculo com propriedade e sempre atento ao discurso dramático" (Nelson Rubens Kunze, revista CONCERTO). A crítica internacional também elogiou sua atuação quando a revista italiana L'Opera publicou que "regida por Miguel Campos Neto, (a OSTP) mostrou afinidade com a música Straussiana, da qual exaltou a massa sonora vigorosa e a nuance, mantendo sempre o equilíbrio entre as vozes e o volume orquestral." (Norberto Modena).
     Atualmente regente titular da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, do Festival de Ópera do Theatro da Paz, da Orquestra Jovem Vale Música, da Orquestra Sinfônica Altino Pimenta (UFPA), Campos Neto também atuou cinco anos como Regente Titular e Diretor Artístico da Chelsea Symphony de Nova York e como regente Assistente do Maestro Luiz Fernando Malheiro na Amazonas Filarmônica e no Festival Amazonas de Ópera (Manaus). Como maestro convidado ja regeu a Orquestra Sinfônica do Theatro São Pedro (SP), os Solistas de Câmara da Universidade de Missouri (EUA) e a Orquestra de Câmara do Amazonas. Em 2014 regeu como convidado pela primeira vez no continente europeu, quando liderou a orquestra da Academia Franz Liszt na Grande Sala da Academia, em Budapeste, Hungria.
     Durante turnês nacionais ele regeu em alguns dos mais importantes teatros do Brasil: Sala Leopoldo Miguez e Teatro Municipal (RJ), Teatro Nacional Claudio Santoro (Brasília), Palácio das Artes (Belo Horizonte), Teatro Ibirapuera (SP), Teatro  Santa Izabel (Recife), Teatro Arthur Azevedo (São Luiz) e Teatro José de Alencar (Fortaleza).
     Miguel Campos Neto possui diploma de Mestrado em Regência Orquestral, obtido na Mannes College of Music de Nova York. Seus mentores foram David Hayes, Edward Dolbashian, e Joseph Colenari (regência operística). Ele já regeu concertos com grandes solistas como o pianista Nelson Freire, Antonio Meneses (cello), Robert Bonfiglio (harmônica) e Emmanuelle Baldini (violino).


HAROLDO FONSECA – Viola
     Iniciou seus estudos musicais de viola em 2010, no Projeto Vale Música, na classe do Prof. Serguei  Firsanov.
     A partir deste período participou de Master Class com os professores Alexandre Razera (Brasil), Emerson Di Biaggi (Brasil), Márcio Heraldo Matos (Brasil), Orácio Schaeffer (Brasil), Leslie Perna (EUA), Samuel Espinoza (Brasil).
    Como músico de orquestra já participou de concertos com renomados artistas, tais como: David Spencer (EUA), Antonio Meneses (Brasil), Nelson freire (Brasil), e Reginaldo pinheiro (Brasil), já tendo, inclusive, se apresentado em diversas cidades do país, tais como Belo Horizonte, Brasília, rio de janeiro, fortaleza, recife, são Luis e Manaus.
Também participou de varias edições do Festival de Ópera do Theatro da Paz, tocando nas recitas da “Cavalleria Rusticana” (P. Mascagni), “João e Maria” (E. Humperdinck), “Elixir de Amor” (Donizetti), entre outras. Em 2013, integrou a orquestra do Concerto de Celebração ao Centenário de Nascimento do compositor[1] russo Stravinsky, na interpretação da peça “Sagração da Primavera”.
     Em março de 2014, foi classificado como o primeiro colocado do Concurso Jovens Solistas do OJVM; competição promovida pela Fundação Amazônica de Música, entre os alunos do Projeto Vale Música.
    Atualmente é integrante da Orquestra Jovem Vale Música – OJVM e da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, ambas sob a regência do maestro Miguel Campos Neto, tendo participado também de concertos com os maestros Jooyong Ahn (Coreia do Sul), Walter Michael Vollhardt (Alemanha), Emiliano Patarra (Brasil), Phillip Forget (França) e Jamil Maluf (Brasil) e Gianluigi Zampieri (Itália).



[1] Na verdade, foi ao centenário da estreia do balé A Sagração da Primavera ocorrido em 1913 no Teatro dos Campos Elíseos em Paris.



Vídeos:

Johann Christian Bach: Concerto para viola e orquestra em C menor Op. 24
solista: Haroldo Fonseca




Gerónimo Giménez (1852-1923) La Boda de Luis Alonso

Intermedio

video

José Maurício Ravel - La Valse




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