terça-feira, 23 de junho de 2015

Orquestra Sinfônica Carlos Gomes e Adriane Queiroz: XXVIII FIMUPA

   O concerto da Orquestra Sinfônica Carlos Gomes, regida pelos brasileiros Matias Volkman e Ronaldo Sarmanho aconteceu na noite 08 de junho de 2015 durante a programação do XXVIII Festival Internacional de Música do Pará. Uma coisa que já se tornou tradicional nos últimos anos do FIMUPA é Paulo José Campos de Melo, o atual superintendente da Fundação Carlos Gomes, agradecendo ao governo do estado do Pará, em especial ao governador Simão Jatene, por não ter deixado o Festival morrer e muito menos perder sua estrutura e características históricas. Bem, esse discurso já é figurinha repetida e essa choradeira já se tornou repetitiva e, por isso, incômoda. Vira o disco Paulo!.
     Quanto ao concerto em si, em algumas peças, foi tocada nesse clima de lamentação devido ao caráter das referidas obras, sobretudo as operísticas. Porem essas, com uma choradeira bem mais agradável que aquela acima citada. Com a presença de Adriane Queiroz, com uma voz mais encorpada e madura,   privilegiou a ópera. e uma presença de palco típica daqueles que têm o palco como uma extensão de si, o programa privilegiou a ópera; indo de Bizet a Carlos Gomes, passando por Verdi e Chiquinha Gonzaga, que não é operística mas escreveu duas valsas dedicadas a Carlos Gomes.
     

VÍDEOS
Chiquinha Gonzaga (1847-1875)         Duas Valsas para Carlos Gomes
(arranjo de Paulo Aragão)                    Saudade
                                                              Carlos Gomes
Regente: Ronaldo Sarmanho




Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) Abertura de D. Giovanni
Regente: Matias Volkman



Don Giovanni, recitativo e ária de Dona Elvira: In quali eccesi, o Numi...Mi tradi quell'alma ingrata




Idomeneo, recitativo e ária de Elettra: Oh smania!... D'Oreste, d'Aiace




Giuseppe Verdi (1813-1901)
La Traviata - Prelúdio
Regente: Matias Volkman



Antônio Carlos Gomes (1836-1896) 
Adriane Queiroz: soprano
Matias Volkman: regente

Come serenamente, ária de Ilara da ópera Lo Schiavo


A qual sorte serbata son io, ária de Delia da ópera Fosca


INFORMAÇÕES DO PROGRAMA:

Adriane Queiroz

    Radicada na Europa há mais de uma década, integra o ensemble solista da Ópera de Berlim Staatsoper. Iniciou seus estudos com Marina Monarcha, no SAM, e Malina Mineva no Conservatório Carlos Gomes. Entrou na Universidade Vienense de Artes, onde se diplomou na classe do Professor Walter Moore na categoria de Lied e oratório e ópera na classe de Helga Wagner. Nesse período cantou n Volksoper de Viena papeis nas produções De la Mancha, Flauta Magica e Elisir d'amore. Cantou com a Filarmônica de Berlim a oitava sinfonia de Mahler com Pierre Boulez, gravando assim para a Grammophone alemã. Em seu repertório operístico encontramos Mozart (As Bodas de Fígaro, A Flauta Mágica, Cosi fan tutte, Don Giovanni) e os românticos Puccini e Bizet, em Turandot (Liu) e Carmen (Michaela) entre outros. No ano Mozart cantou na produção de Keith Warner no Theater an der Wien, sua Zerlina recebeu ótimas críticas no New York Times. Cantou Rosalinde, na operetta O Morcego em Stuttgart em 2010 e na Semperoper Dresden, como convidada, já há 3 anos consecutivos. Em 2012 fez seu debut com Traviata no Teatro Municipal de São Paulo. No âmbito concertista, cantou em São Petersburgo, no festival de Concertos no verão cantando Strauss (as quatro últimas canções) e em Moscou com Semion Skigin repertório brasileiro e americano. Em 2014, debutou em Baden Baden cantando a nona de Beethoven. Gravando em 2011 o CD Sons do Mundo, com canções de Camargo Guarnieri e Francisco Mignone. Em 2013, sua participação na opereta de Millörk, Der Bettelstudent, em Mörbisch, foi registrada em CD pela Oehms Classics. Em 2014, se apresentou no Falstaff, em São Paulo, em Mefistofele, de Boito, no Festival de Ópera em Belém, e cantou as Quatro Últimas Canções, de Strauss, com a Filarmônica de Minas Gerais. No momento tem o acompanhamento da Kammersaegerin Brigitte Eisenfeld.

RONALDO SARMANHO
Natural de Lavras/MG, Sarmanho é vencedor de dois concursos Dóris Azevedo (2005/06) e do Missouri Music Teatchers Association (2011). Começou seus estudos de violino aos 11 anos com o Prof. Paulo Keuffer na EMUFPA. A convite do famoso oboísta Alex Klein, foi membro da YOA (Orquestra Jovem das Américas) na turnê 2008 que teve Carlos Miguel Prieto e Marcello Lehninger como regentes; Nelson Freire e Antonio Meneses como solistas. No mesmo ano, participou no Festival Oferenda Musical em São Paulo, no qual executou diversas obras de câmara com Ricardo Ballestero, Daniel Guedes, Gabriela Queiroz, Emerson di Biaggi, Nigel Shore, entre outros. Cursou e concluiu o Bacharelado em Música da UEPA na classe do Prof. Rucker Bezerra em 2010 e, no mesmo ano, foi para os EUA, país no qual concluiu, em 2013, mestrado em violino e regência orquestral. Nesse mesmo ano, iniciou suas atividades como regente à frente da University Philharmonic em Columbia, MO e da Orquestra Filarmonica de Goias, em uma temporada ofertada a jovens regentes selecionados em todo o Brasil e, desde então, desenvolve intensa atividade pedagógica na Fundação Amazônica de Música, dando aulas e coordenando a Orquestra de Violinos da mesma instituição. A convite da Fundação Carlos Gomes, passou a integrar o quadro docente do Instituto de Ensino Carlos Gomes como diretor musical do Ópera Estúdio e professor de matérias teóricas e práticas do nível superior de ensino. Neste ano, foi convidado para assumir a regência da Orquestra Sinfônica Carlos Gomes e iniciar o processo de institucionalização deste corpo orquestral.

TOBIAS VOLKMANN
Desde a conquista dos principais prêmios no Concurso Internacional de Regência Jorma Panula 2012 na Finlândia e do prêmio de público no Festival Musical Olympus de São Petersburgo em 2013, Tobias Volkmann vem construindo interessante carreira internacional e surge como um dos principais nomes da nova geração de regentes brasileiros. Como regente convidado, já esteve à frente de grandes orquestras europeias e sul-americanas, entre as quais se destacam a Orquestra Sinfônica do Porto, Orquestra Sinfônica Estatal do Museu Hermitage e Orquestra Sinfônica Estatal de São Petersburgo, Sinfônica de Brandemburgo, Orquestra Sinfônica do Chile, Orquestra Sinfônica da UNCuyo Mendoza e Orquestra Petrobras Sinfônica. No Brasil, esteve ainda à frente da Filarmônica de Minas Gerais, Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, Sinfônica de Campinas e dirigiu produções de ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde atuou como maestro assistente. Apresentou-se em grandes salas com a histórica Capela Acadêmica de São Petersburgo e a moderna Casa da Música do Porto. 2015 marca sua estreia na célebre Gewandhaus de Leipzig como convidado da temporada oficial do Coro e Orquestra da Rádio MDR.

ORQUESTRA SINFÔNICA CARLOS GOMES

A Orquestra Sinfônica Carlos Gomes é fruto do processo de institucionalização do ensino de prática orquestral voltado aos alunos do curso técnico e do bacharelado do IECG. Tendo como embrião a Orquestra Jovem da Fundação Carlos Gomes, grupo que já teve Lícia Arantes, Jonas Arraes, Alessandra Castro, Joel Costa, Marcus Guedes e Rodrigo Santana à sua frente, este novo corpo orquestral surge no momento em que se comemoram os 120 anos do Conservatório Carlos Gomes, atual Instituto Estadual Carlos Gomes. A OSCG passa a oferecer aos alunos uma maior possibilidade de desenvolvimento artístico na prática orquestral, com estímulo às habilidades técnicas e musicais, e se coloca como fundamental dentro da disciplina dos Grandes Grupos Instrumentistas, que é parte do currículo do curso superior de música do IECG. O principal objetivo da OSCG é o aprimoramento do aluno dentro de um ambiente artístico, fortemente vinculado ao processo acadêmico, além de promover a prática orquestral realizada pelo IECG. Já em sua concepção, existem vários projetos de interdisciplinariedade e atuação com os diversos grupos artísticos em atuação hoje na Fundação Carlos Gomes e IECG. Tais projetos visam estimular a produção artística dos alunos também no âmbito individual. Em seu concerto de estreia, um grande desafio se apresenta com a programação no XXVIII Festival Internacional de Música do Pará - FIMUPA, e que contará com os convidados de estatura internacional, o regente Tobias Volkmann, e o soprano paraense Adriane Queiroz, atualmente na Ópera Estatal de Berlim.

Integrantes da OSCG

Violinos I: Iossif Grinman (spalla), Sonja van Beek (Concertino), Simone dos Santos, Helena Vidal, Marcus Guedes, Luis Oliveira, Ronaldo Sarmanho, Hans Magno, Renan Cardoso, Feliphe Bruno;
Violinos II: Michael Rein (spalla 2ºs), Gilles Donge, (Concertino), Ayslani Edifrance, Rosângela Ferreira, Carolina Marritt, Maria Izabel Veiga, Camila Guimarães, Sara Moraes.
Viola: Mentje de Roest (Spalla violas), Haroldo Correa, Jennifer Oliveira.



sábado, 20 de junho de 2015

XXVIII FIMUPA: CONCERTO DE ABERTURA

     
Como é tradição, o concerto de abertura do Festival Internacional de Música do Pará aconteceu na principal casa de espetáculos paraenses, o Teatro da Paz, claro, localizado na capital paraense.
     Na sua 28ª edição o FIMUPA se aproxima de suas três décadas de vida lutando para se manter na ativa e recuperar o viço de outrora, temporariamente perdido de forma perigosa durante o governo petista de Ana Júlia Carepa.
     Paulo José Campos de Melo, junto com os funcionários da Fundação Carlos Gomes e dos músicos paraenses e estrangeiros que arregação as mangas e com força de vontade e garra fazem acontecer mais uma edição do nosso maior festival musical em meio a mais uma crise financeira, daquelas que perturbam a saúde do povo há décadas. Não é demais registrar o interesse do atual governador do Pará, Simão Robson Jatene, em garantir parte das verbas que garantem a ressurreição do FIMUPA das cinzas petistas em que ele se encontrava. Mas isso não faz de mim um defensor de tucanos, viu!
     Quanto ao concerto propriamente dito foi bastante variado. Começou com Carlos Gomes e terminou, sem bis, com Bártok, passando por compositores romanticos brasileiros e o italiano Ettore Bosio. O paraense Wilthon Matos (tuba) e a moscovita Anna Firsanova, filha de Sergei Firsanov,  foram os solistas nesta noite de abertura.
     O concerto começou com a reluzente Alvorada, intermezzo da ópera Lo Schiavo de Antônio Carlos Gomes, paulista que fez a maior parte de sua conturbada carreira operística no Scalla de Milão e foi esquecido pelos teatros de ópera no século XX, ficando resumido ao seu país de origem , o Brasil, que nunca deixou de reverenciá-lo com gênio da ópera que foi. Essa peça orquestral, em particular, é uma das mais famosas e deslumbrantes páginas de Gomes. Construída num crescendo onde os tons "escuros" pouco a pouco vão dando lugar a tons mais "claros" até alcançarem a explosão de luminosidade alcançada na sua secção final. Para quem uma percepção musical aguçada, este é um momento de clímax daqueles de nos deixar com a pele arrepiada. Nesta apresentação a orquestra não conseguiu uma execução 100% devido aos compassos desafinados próximo da secção inicial do naipe dos violinos. Passado esse problema, o restante da execução foi satisfatório sem prejudicar o resultado final e a beleza da obra que prima pelo brilhantismo e representa bem em música o nascer do sol.
     Uma excelente escolha de repertório de Campos Neto foram os compositores paraenses Paulino Chaves e Gama Malcher e do italiano, radicado no Pará em vida, Ettore Bosio, todos da estética romântica tardia.
     O Prelúdio em C menor de Paulino Chaves já foi várias vezes executado por Campos Neto nos últimos dois anos, fazendo-o amadurecer na sua leitura. As obras de Bosio e Gama Malcher foram executadas em menor número que a antecessora, mas deveriam ser mais frequentes nos concertos em Belém dada a suavidade e beleza de ambas.
   Dois momentos de destaque no programa foram os concertos de tuba (Vaughan Williams) e de viola (Bártok). Foi a primeira vez que ouvi esses concertos ao vivo em Belém e fiquei muito grato, pois assim saímos do marasmo repetitivo de obras do período clássico e romântico que infestam os programas de concerto pelo planeta e dão ao público "desentendido" em música erudita a noção de que somente este dois períodos foram capazes de escrever música digna de figurar nos programas de concerto e no panteão histórico-musical.
    Tanto Wilthon quanto Anna brilharam em seus respectivos instrumentos e tocaram com destreza técnica estas duas partituras novecentistas de dois dos maiores músicos do século XX; Ralph Vaughan-Williams, inglês de sólida formação musical e Bártok, que muitos músicos tapados consideram "estranho", mas que é um dos mais inteligentes pesquisadores da música folclórica entre os nacionalistas e, também, entre todos os compositores do panteão musical.
     Ao final, e talvez pela avançada hora, o concerto terminou com muitos aplausos mas sem bis. Esse já havia sido dado por Wilthon Matos ao fim de sua execução do concerto de Vaughan-Williams.

Programa:

Antonio Carlos Gomes (1836-1896)

Alvorada, intermezzo da ópera Lo Schiavo


Ralph Vaughan-Williams (1872-1658)

Concerto para tuba e orquestra
I - Preludio: Allegro moderato
II - Romanza: Andante sostenuto
III - Finale: Rondo alla tedesca: Allegro

Ettore Bosio (1862-1936)

A taboca do Ceguinho

Paulino Chaves (1880-1948)

Prelúdio em C menor

Intervalo

Gama Malcher (1853-1921)

Prelúdio da ópera "Iara"

Béla Bártok (1881-1945)

Concerto para viola e orquestra (comp. 1945)
I - Moderato
II - Adagio Religioso
III - Allegretto vivace

Vídeos: 

Carlos Gomes: Alvorada de Lo Schiavo


Vaughan Williams: Concerto para tuba.



Bis: Rabisco Sonoro


Gama Malcher: Prelúdio da ópera Iara




Informações do Programa:

WILTHON MATOS


    Natual de Belém/PA, Wilthon inicia seus estudos musicais aos treze anos em Belém com o professor Josiel Saldanha, junto a uma das Igrejas Evangélicas da Assembleia de Deus e, posteriormente, junto à Banda de Música da Universidade Federal do Pará, sob a regência do Maestro Biraelson Correa. Em 1993 ingressa no Conservatório Carlos Gomes na classe do professor Ricardo Cabrera (Rússia - Colômbia). Participante de vários encontros e festivais, em 1999 participa do concurso "Novos Talentos Brasileiros" (RJ), recebendo os prêmios Revelação, Melhor Jovem Tubista Brasileiro e a 4ª. colocação geral no concurso. Em 2001 foi semifinalista do "Lieksa Internacional Tuba Competition", participando também da "International Tuba and Euphonium Conference" na Sibelius Hall em Lahti - Finlândia e no mesmo ano, recebeu o prêmio "Melhor Músico do Ano 2001", idealizado pela Câmara Municipal de Belém/PA. Participou do I, IV e V Festival Eleazar de Carvalho". Em 2003 participa do convênio entre a Fundação Carlos Gomes e a Universidade de Columbia - Missouri - EUA, tendo classes com o professor Angelo Manzo e participando do "Great Plains Regional Tuba and Euphonium Conference" na Universidade da cidade do Kansas (Missouri/EUA), obtendo neste evento o 4º. lugar e menção honrosa no "Students Competition". Atuou junto a importantes orquestras como: Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz e da Amazônia Jazz Band (Belém/PA), Banda Sinfônica de Tunja (Colômbia) e Orquestra Sinfônica do Teatro Claudio Santoro. Desde 2008, reside em Porto Alegre atuando como tubista da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre - OSPA.

ANNA FIRSANOVA


     Natural de Moscou, Anna Firsanova mudou-se para Belém/PA, onde aos 4 anos iniciou seus estudos musicais no Conservatório Carlos Gomes, primeiro com o Prof. Nicolai Khit, e depois com seu pai, o Prof. Seguei Firsanov. Em 2004 regressou a Moscou e entrou no Academic Music College at the Moscow Conservatory. De 2006 a 2008 foi parte do grupo de solistas "Premiera" e ganhou a bolsa de Elina Bystritskaya para jovens talentos. Em 2013 se formou em viola no Tchaikovsky Moscow State Conservatory. Se apresentou em importantes festivais internacionais como: East-West Music festival, 2011 e 2012 (Austria), "Moscow's Conservatory talented youngs", 2012 (Rússia), Ohrid Summer Festival, 2013 (Macêdonia), Sviatoslav Richter's Festival in Tarusa, 2013 (Rússia).  Em 2013 ganhou o 3rd Gaydamovich Chamber music Competition, Magnitogorsk, Rússia (Grande Prêmio). Em 2014 ganhou o primeiro lugar em Fidelio Wien Wettbewerb, com o seu "Es-Que Trio". Desde 2015 é parte da orquestra de câmara "Bron Chamber", dirigida por Zahar Bron e se apresenta junto a Mannheimer Philharmoniker. Atualmente está se aperfeiçoando em Viena com o Prof. Alexander Zemtsov.

MIGUEL CAMPOS NETO

     Regente titular da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, do Festival de Ópera do Theatro da Paz,
da Orquestra Jovem Vale Música, da Orquestra Sinfônica Altino Pimenta (UFPA, Campos Neto também atuou cinco anos como Regente Titular e Diretor Artístico da Chelsea Symphony de Nova York e como Regente Assistente do Maestro Luiz Fernando Malheiro na Amazonas Filarmonica e no Festival Amazonas de Ópera (Manaus), Miguel Campos Neto possui diploma de Mestrado em Regência Orquestral, obtido na Mannes College of Music de Nova York. Seus Mentores foram David Hayes, Edward Dolbashian e Joseph Colaneri (regência operística). Ele já regeu concertos com grandes solistas como o pianista Nelson Freire, Antonio Meneses (cello), Robert Bonfiglio (Harmônica) e Emmanuelle Baldini (violino). Como maestro convidado já regeu a Orquestra Sinfônica de Puerto Rico, a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, a Orquestra Sinfônica do Theatro São Pedro (SP), os Solistas de Câmara da Universidade de Missouri (EUA), a Orquestra do Estado de Mato Grosso e a Orquestra de Câmara do Amazonas. Em 2014 regeu como convidado pela primeira vez no continente europeu, quando liderou orquestra composta de alunos da renomada Academia Franz Liszt na Grande Sala da Academia, em Budapeste, Hungria. Para 2015 estão previstos concertos em Belém, Belo Horizonte, Campinas, São Paulo e um retorno a Nova York para concertos comemorativo com a Chelsea Symphony. Durante turnes nacionais regeu em alguns dos mais importantes teatros do Brasil: Sala Leopoldo Miguez e Teatro Municipal (RJ), Teatro Nacional Claudio Santoro (Brasília), Palácio das Artes (Belo Horizonte), Teatro Ibirapuera (SP), Teatro Santa Izabel (Recife), Teatro Arthur Azevedo (São Luis) e Teatro José de Alencar (Fortaleza).

EDUCAÇÃO MUSICAL NO MARAJÓ

     Na semana de 8 a 12 de junho de 2015, a professora Glória Caputo, incansável na cruzada pela educação musical no Pará, foi à Ilha do Marajó levar alguns instrumentos musicais novos em folha, e fabricados no estado por luthiers locais, para a escola de música da  Associação Musical de Santa Cruz do Arari na Ilha do Marajó. O projeto existe já há 4 anos e é uma criação da Fundação Amazônica de Música em parceria com a prefeitura da referida cidade marajoara. 
     A estrutura é a seguinte: a FAM é responsável pelos salários dos professores, instrumentos e apoio técnico, enquanto a prefeitura de Santa Cruz do Arari fica responsável pela logística, pois a localização da escola é no centro da ilha. Acompanhou a professora Glória o professor responsável por ministrar as oficinas de cavaquinho, banjo, e bandolim. Mais um grande esforço de todos os envolvidos pela difusão da aprendizagem musical no estado do Pará. Parabéns. 







quinta-feira, 4 de junho de 2015

Sons da Amazônia IV chega ao fim

     
E o que é bom dura pouco ou não dura para sempre. Isto aconteceu com o Projeto Sons da Amazônia IV realizado pela Musikart Produções sob patrocínio da Vale através da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura Brasileiro que teve seu último concerto realizado no início da noite de 31 de maio de 2015 e deixará saudades nos amantes da boa e velha música erudita. E deixará tristeza, pois segundo me informou Glória Caputo, a Vale não tem mais interesse em patrocinar uma continuação desta série de concertos e recitais que trouxe a Belém músicos de renome internacional e diversos vencedores de concursos de música internacionais, ou seja, músicos de alto gabarito que não viriam à capital paraense a não ser por um bom motivo financeiro.
     Vamos fazer uma corrente mental e pedir aos deuses das artes para que poderosos de dinheiro e boa vontade percebam a necessidade da continuidade de um projeto como o Sons da Amazônia e de suas benesses para o incentivo à cultura na capital paraense e que, futuramente, as cidades do interior sejam incluídas para saírem definitivamente deste apagão cultural em que vive a população do interior paraense.
     Bem, mas quanto ao concerto final, a OJVM e seu titular Miguel Campos Neto prepararam um concerto digno de final de temporada; com aquele ar de "para o alto e avante" típico daquelas cenas emocionantes dos filmes do Super-homem, quando esta personagem ainda não desmerecia uma tradução para o português do seu nome. Pois bem, voando alto na qualidade e no entusiasmo Campos Neto deu-nos mais um concerto de arromba. E quem é louco de dizer que a 9ª. de Dvorak não é música emocionante? Todos aqueles que não sentem emoção nenhuma com a música sinfônica. O que fazer? Há de tudo neste planeta. Mas, para nós, emotivos a qualquer melodia bem escrita e de beleza transcendental como esta sinfonia, o simples fato de ouvi-la já é um acontecimento que transcende nossas emoções, sobretudo o 2º movimento, música de beleza feérica e que se não fosse pela entrada imprecisa das trompas e depois do oboé teria-me feito voar em pensamentos na quase totalidade da música. Mas o percurso interpretativo do 2º movimento transcendeu a falha inicial.
     No 1º. movimento, Miguel, desta vez, preferiu acentuar um andamento mais lento e ressaltar, talvez, a dramaticidade da exposição temática cheia de mistério e cores escuras que caminham para a célebre melodia lírica tão famosa e amada pelos melômanos. E quem assistiu ao filme A Conquista do Oeste deve lembrar dela sendo tocada ao final do filme quando as cenas mostram tudo o que o oeste estadunidense se tornou.
     Os dois últimos movimentos, tocados em attacca, mostraram o amadurecimento tanto de Miguel quanto da OJVM nesta icônica sinfonia dvorakiana finalizando com chave de ouro esta explêndida serie de concertos. Mas não esqueço de comentar outra execução animada e primorosa do Intermedio d'A Boda de Luis Alonso de Gerónimo Giménez, bis no concerto anterior e hoje reprisado como pela de abertura do concerto, sempre com o visível entusiasmo de Campos Neto ao regê-la.





Programa:

Gerónimo Giménez (1852-1923)

La Boda de Luis Alonso - Intermedio

Antonin Dvorak (1841-1904)

Sinfonia nº. 9 em E menor Op. 95 "Do Novo Mundo"

Adagio - Allegro molto
Largo
Scherzo - Molto Vivace
Allegro con fuoco


Imagens:







Informações do Programa:

ORQUESTRA JOVEM VALE MÚSICA - OJVM
     Integrando o Projeto Vale Música, a Orquestra Jovem VALE MÚSICA, que foi criada em janeiro de 2010, tem em sua formação 67 alunos, com idade entre 12 e 13 anos. Seu Regente é o maestro Miguel Campos Neto.
     O repertório da orquestra inclui peças eruditas e populares, dando ênfase ao caráter didático musical. Os alunos que integram a Orquestra Jovem Vale Música tem larga experiência em apresentações musicais, em diversos eventos culturais, onde se destacam a participação na Ópera Infanto-Juvenil O Viajante das Lendas Amazônicas, apresentada no Pará, em Belém (Theatro da Paz) e no Ginásio Poliesportivo de Marabá, no Palácio das Artes em Belo Horizonte-MG, no Teatro Claudio SAntoro em Brasilia e na reabertura do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, assim como na Ópera de Rossini, Cambiale di Matrimonio, parte integrante do Festival Internacional de Ópera da Amazônia de 2009.
   Em março de 2010, apŕesentou-se sob a regencia do maestro sul-coreano Jooyong Ahn, tendo com solista o trompetista estadunidense David Spencer, convidados do Projeto Vale Música-Belém e sob o patrocínio da Universidade do Memphis (USA). Em junho de 2010 apresentou-se com o renomado violoncelista Antonio Meneses, em Belem-PA, e novamente no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde interpretou peças de Beethoven e Tchaikovsky. Logo depois, em julho, apresentou-se sob a regência do maestro alemão Walter Michael Vollhardt, convidado pelo Projeto Vale Música e sob o patrocínio do Instituto Goethe e da Casa de Estudos Germanicos da UFPA, que realizou um trabalho intensivo com seus integrantes.
    Desde setembro de 2010, a OJVM participa do Projeto SONS DA AMAZÔNIA, que tem por objetivo a realização de concertos didáticos mensais, com entrada franqueada ao público. Através deste projeto a Orquestra Jovem Vale Música já executou diversos concertos em Belém, tendo também se apresentado em Marabá e Santarém, além de ter excursionado em turnê realizada em julho de 2011, nas cidades de S. Paulo (Auditório Ibirapuera), Vinhedo (Teatro Municipal - Festival de Inverno), Rio de Janeiro (Salão Leopoldo Miguez) e Manaus (Teatro Amazonas).
     Em agosto de 2011 realizou concerto que teve como solista o violinista italiano Emmanuelle Baldini. Em  novembro do mesmo ano, realizou concerto com o renomado pianista brasileiro Nelson Freire. Também em novembro de 2011, participou do concerto A Dança, com a Cia. de Ballet AnaUnger e Recital Lírico, dentro da programação do Festival Internacional de Ópera do Pará-ano 2011, além da participação de seus integrantes na Orquestra de Encerramento do FEstival.
     Em maio de 2012, a OJVM realizou mais uma turnê nacional, excursionando pela primeira vez no Nordeste brasileiro, onde se apresentou nas cidades de Sao Luis-MA, Fortaleza-CE e Recife-PE. Em novembro de 2012, a orquestra participou do XI Festival Internacional de Ópera do Theatro da Paz, na ópera "João e Maria", do compositor alemão Engelbert Humperdinck.
     Em abril de 2013, juntamente com a Cia. de Dança Ana Unger, se apresentou no Theatro da Paz, com o Ballet Coppelia. Em agosto do mesmo ano, a OJVM participou do XII Festival de Ópera do Theatro da Paz, na ópera "Elixir de Amor", do compositor Donizetti. No mesmo mes, realizou concerto com a participaçao do violoncelista Marcio Carneiro com solista.
     No intuito de gerar o aperfeiçoamento de seus componentes, a OJVM tem desenvolvido o intercambio com instrumentistas e regentes internacionais, entre os quais: David Spencer (USA), Jooyong Ahn (Coreia do Sul), Ricardo Cabrera (Colombia), Brian Lewis (EUA), Yerko Tabilo (Chile), Alexander Shityakov (Rússia), Evgueny Pustovalov (Rússia), Emmanuele Baldini (Itália), Eva Szekely (USA), entre outros.

ORQUESTRA JOVEM VALE MÚSICA - FORMAÇÃO

Violino I                                                 Violoncelo                                    Fagote
Alexandre Negrão (spalla)                      Alex Nascimento                         Sérgio Galisa Lopes
Fábio Santos                                            Jamily Cordeiro                           Luiz Henrique Oliveira
Patrícia Araújo                                        Ingrid Santos
Nathália Vidal                                         Emilyn Larissa Silva                   Trompa
Samuel Vasco                                         William Ambé                              Jaqueline Louzada
Renan Cardoso                                        Lucas Santiago                             Fabrício Santos
Arielson Souza                                                                                             Ezequiel Rocha 
Allan Peter Gomes                                                                                       Erlon Xavier
Davi Costa

Violino II                                               Contrabaixo                                  Trompete
Pedro Teixeira                                       Eric Marvin                                   David Nascimento 
Vivian Pinho                                         Filipe Yuri Coimbra 
Dilael Melo                                           Ruan Patrick Pires
Rosângela Ferreira                                Antônio Mamedio
Jefferson Moraes                                  Joel Saraiva
Isabely Farias Martins
Lívia Souza Maciel
Silvana Pereira                                      Flauta
                                                              Ayron Yves Barata                                                                
Viola                                                     Taíssa Miranda
Haroldo Fonseca                                   Nilton Rocha 
Gabriel Gonçalves                                Victor Oeiras
Thiago André Silva
José Igor Ferreira                                 Oboé
Lucas Carvalho                                    Yuri Laurent
Nayara Moraes                                     João Marcos Matos
                                                             João Marcos Palheta
                                                             Gabriel Batista
                                                             Matheus Feio Lacerda