quinta-feira, 4 de junho de 2015

Sons da Amazônia IV chega ao fim

     
E o que é bom dura pouco ou não dura para sempre. Isto aconteceu com o Projeto Sons da Amazônia IV realizado pela Musikart Produções sob patrocínio da Vale através da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura Brasileiro que teve seu último concerto realizado no início da noite de 31 de maio de 2015 e deixará saudades nos amantes da boa e velha música erudita. E deixará tristeza, pois segundo me informou Glória Caputo, a Vale não tem mais interesse em patrocinar uma continuação desta série de concertos e recitais que trouxe a Belém músicos de renome internacional e diversos vencedores de concursos de música internacionais, ou seja, músicos de alto gabarito que não viriam à capital paraense a não ser por um bom motivo financeiro.
     Vamos fazer uma corrente mental e pedir aos deuses das artes para que poderosos de dinheiro e boa vontade percebam a necessidade da continuidade de um projeto como o Sons da Amazônia e de suas benesses para o incentivo à cultura na capital paraense e que, futuramente, as cidades do interior sejam incluídas para saírem definitivamente deste apagão cultural em que vive a população do interior paraense.
     Bem, mas quanto ao concerto final, a OJVM e seu titular Miguel Campos Neto prepararam um concerto digno de final de temporada; com aquele ar de "para o alto e avante" típico daquelas cenas emocionantes dos filmes do Super-homem, quando esta personagem ainda não desmerecia uma tradução para o português do seu nome. Pois bem, voando alto na qualidade e no entusiasmo Campos Neto deu-nos mais um concerto de arromba. E quem é louco de dizer que a 9ª. de Dvorak não é música emocionante? Todos aqueles que não sentem emoção nenhuma com a música sinfônica. O que fazer? Há de tudo neste planeta. Mas, para nós, emotivos a qualquer melodia bem escrita e de beleza transcendental como esta sinfonia, o simples fato de ouvi-la já é um acontecimento que transcende nossas emoções, sobretudo o 2º movimento, música de beleza feérica e que se não fosse pela entrada imprecisa das trompas e depois do oboé teria-me feito voar em pensamentos na quase totalidade da música. Mas o percurso interpretativo do 2º movimento transcendeu a falha inicial.
     No 1º. movimento, Miguel, desta vez, preferiu acentuar um andamento mais lento e ressaltar, talvez, a dramaticidade da exposição temática cheia de mistério e cores escuras que caminham para a célebre melodia lírica tão famosa e amada pelos melômanos. E quem assistiu ao filme A Conquista do Oeste deve lembrar dela sendo tocada ao final do filme quando as cenas mostram tudo o que o oeste estadunidense se tornou.
     Os dois últimos movimentos, tocados em attacca, mostraram o amadurecimento tanto de Miguel quanto da OJVM nesta icônica sinfonia dvorakiana finalizando com chave de ouro esta explêndida serie de concertos. Mas não esqueço de comentar outra execução animada e primorosa do Intermedio d'A Boda de Luis Alonso de Gerónimo Giménez, bis no concerto anterior e hoje reprisado como pela de abertura do concerto, sempre com o visível entusiasmo de Campos Neto ao regê-la.





Programa:

Gerónimo Giménez (1852-1923)

La Boda de Luis Alonso - Intermedio

Antonin Dvorak (1841-1904)

Sinfonia nº. 9 em E menor Op. 95 "Do Novo Mundo"

Adagio - Allegro molto
Largo
Scherzo - Molto Vivace
Allegro con fuoco


Imagens:







Informações do Programa:

ORQUESTRA JOVEM VALE MÚSICA - OJVM
     Integrando o Projeto Vale Música, a Orquestra Jovem VALE MÚSICA, que foi criada em janeiro de 2010, tem em sua formação 67 alunos, com idade entre 12 e 13 anos. Seu Regente é o maestro Miguel Campos Neto.
     O repertório da orquestra inclui peças eruditas e populares, dando ênfase ao caráter didático musical. Os alunos que integram a Orquestra Jovem Vale Música tem larga experiência em apresentações musicais, em diversos eventos culturais, onde se destacam a participação na Ópera Infanto-Juvenil O Viajante das Lendas Amazônicas, apresentada no Pará, em Belém (Theatro da Paz) e no Ginásio Poliesportivo de Marabá, no Palácio das Artes em Belo Horizonte-MG, no Teatro Claudio SAntoro em Brasilia e na reabertura do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, assim como na Ópera de Rossini, Cambiale di Matrimonio, parte integrante do Festival Internacional de Ópera da Amazônia de 2009.
   Em março de 2010, apŕesentou-se sob a regencia do maestro sul-coreano Jooyong Ahn, tendo com solista o trompetista estadunidense David Spencer, convidados do Projeto Vale Música-Belém e sob o patrocínio da Universidade do Memphis (USA). Em junho de 2010 apresentou-se com o renomado violoncelista Antonio Meneses, em Belem-PA, e novamente no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde interpretou peças de Beethoven e Tchaikovsky. Logo depois, em julho, apresentou-se sob a regência do maestro alemão Walter Michael Vollhardt, convidado pelo Projeto Vale Música e sob o patrocínio do Instituto Goethe e da Casa de Estudos Germanicos da UFPA, que realizou um trabalho intensivo com seus integrantes.
    Desde setembro de 2010, a OJVM participa do Projeto SONS DA AMAZÔNIA, que tem por objetivo a realização de concertos didáticos mensais, com entrada franqueada ao público. Através deste projeto a Orquestra Jovem Vale Música já executou diversos concertos em Belém, tendo também se apresentado em Marabá e Santarém, além de ter excursionado em turnê realizada em julho de 2011, nas cidades de S. Paulo (Auditório Ibirapuera), Vinhedo (Teatro Municipal - Festival de Inverno), Rio de Janeiro (Salão Leopoldo Miguez) e Manaus (Teatro Amazonas).
     Em agosto de 2011 realizou concerto que teve como solista o violinista italiano Emmanuelle Baldini. Em  novembro do mesmo ano, realizou concerto com o renomado pianista brasileiro Nelson Freire. Também em novembro de 2011, participou do concerto A Dança, com a Cia. de Ballet AnaUnger e Recital Lírico, dentro da programação do Festival Internacional de Ópera do Pará-ano 2011, além da participação de seus integrantes na Orquestra de Encerramento do FEstival.
     Em maio de 2012, a OJVM realizou mais uma turnê nacional, excursionando pela primeira vez no Nordeste brasileiro, onde se apresentou nas cidades de Sao Luis-MA, Fortaleza-CE e Recife-PE. Em novembro de 2012, a orquestra participou do XI Festival Internacional de Ópera do Theatro da Paz, na ópera "João e Maria", do compositor alemão Engelbert Humperdinck.
     Em abril de 2013, juntamente com a Cia. de Dança Ana Unger, se apresentou no Theatro da Paz, com o Ballet Coppelia. Em agosto do mesmo ano, a OJVM participou do XII Festival de Ópera do Theatro da Paz, na ópera "Elixir de Amor", do compositor Donizetti. No mesmo mes, realizou concerto com a participaçao do violoncelista Marcio Carneiro com solista.
     No intuito de gerar o aperfeiçoamento de seus componentes, a OJVM tem desenvolvido o intercambio com instrumentistas e regentes internacionais, entre os quais: David Spencer (USA), Jooyong Ahn (Coreia do Sul), Ricardo Cabrera (Colombia), Brian Lewis (EUA), Yerko Tabilo (Chile), Alexander Shityakov (Rússia), Evgueny Pustovalov (Rússia), Emmanuele Baldini (Itália), Eva Szekely (USA), entre outros.

ORQUESTRA JOVEM VALE MÚSICA - FORMAÇÃO

Violino I                                                 Violoncelo                                    Fagote
Alexandre Negrão (spalla)                      Alex Nascimento                         Sérgio Galisa Lopes
Fábio Santos                                            Jamily Cordeiro                           Luiz Henrique Oliveira
Patrícia Araújo                                        Ingrid Santos
Nathália Vidal                                         Emilyn Larissa Silva                   Trompa
Samuel Vasco                                         William Ambé                              Jaqueline Louzada
Renan Cardoso                                        Lucas Santiago                             Fabrício Santos
Arielson Souza                                                                                             Ezequiel Rocha 
Allan Peter Gomes                                                                                       Erlon Xavier
Davi Costa

Violino II                                               Contrabaixo                                  Trompete
Pedro Teixeira                                       Eric Marvin                                   David Nascimento 
Vivian Pinho                                         Filipe Yuri Coimbra 
Dilael Melo                                           Ruan Patrick Pires
Rosângela Ferreira                                Antônio Mamedio
Jefferson Moraes                                  Joel Saraiva
Isabely Farias Martins
Lívia Souza Maciel
Silvana Pereira                                      Flauta
                                                              Ayron Yves Barata                                                                
Viola                                                     Taíssa Miranda
Haroldo Fonseca                                   Nilton Rocha 
Gabriel Gonçalves                                Victor Oeiras
Thiago André Silva
José Igor Ferreira                                 Oboé
Lucas Carvalho                                    Yuri Laurent
Nayara Moraes                                     João Marcos Matos
                                                             João Marcos Palheta
                                                             Gabriel Batista
                                                             Matheus Feio Lacerda

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