segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Festival de Ópera 2015: Recital de Carmen Monarcha

   
 A noite de 29 de agosto de 2015 foi especial dentro da programação do XIV Festival de Ópera do Teatro da Paz. O recital do soprano paraense Carmen Monarcha e do pianista Daniel Gonçalves foi um momento de júbilo, pois o soprano brindou-nos com uma seleção de obras de grande beleza e lirismo interpretadas com sentimento e finesse por ela e por seu pianista acompanhante, que não deixou por menos e nos brindou com duas peças célebres do repertório pianístico.
     Carmen vem ganhando bastante destaque nacional e internacional nos últimos anos, sobretudo, pelos seus anos de trabalho com o violinista marketeiro André Rieu que lhe deram projeção internacional. Com uma legião de fãs mundo afora, Carmen voltou à Belém para esse recital temático contendo canções  e árias de ópera; todas trabalhadas com a temática do amor. Por isso, o nome do recital ser As Faces do Amor. O amor trabalhado em diferentes épocas, estéticas e estilos em canções e óperas de compositores como Mozart, Gustave Charpentier, Puccini e Jayme Ovalle.
     Soprano lírico de alto nível tecnico e destreza interpretativa já consumada e reconhecida Carmen brilhou também na apresentação de cada peça executada. Fazendo-se hora de apresentado e hora de cantora. Com a voz em alta e um frescor juvenil Carmen escolheu um excelente programa para fazer aparecer toda a sua capacidade vocal e interpretativa. Após o recital, ela e o pianista, foram imediatamente para o saguão de entrada do teatro para uma sessão de autógrafos, porém a tietagem foi tão grande que ela nem chegou a alcançar a mesa para os autógrafos: gastou todo o seu tempo recebendo cumprimentos, beijos, abraços e tirando muitas fotos com todos os fãs presentes. Eu, é claro, entrei no clima e só saí de lá depois de receber o meu autógrafo diretamente da edição duplex (CD e DVD) que recebeu seu nome e contendo obras de vários compositores entre populares e eruditos.


 
PROGRAMA: teve algumas alterações abaixo indicadas.

Claude Debussy
Clair de Lune - piano solo

Franz Liszt
Oh, quand je dors

Gabriel Fauré
Mai
Après en Rêve
Toujours   (substituiu Notre Amour, também de Fauré)

Wolfgang Mozart
Als Luise die Briefe (substituiu Dein blaues Auge de Brahms)

Robert Schumann
Widmung

Waldemar Henrique
Primavera
Exaltação

Francis Poulenc
Les chemins de l'amour

INTERVALO

Johannes Brahms - Intermezzo Canaval em Viena - piano solo

Wolfgang \Mozart
Le Nozze di Figaro - Deh vieni non tardar

Giacomo Puccini
Gianni Schicci - O mio babbino caro

Altino Pimenta
Romancello (substituiu Puccini - Quando m'en vo de La Bohème)

Gustave Charpentier
Depuis le jour

Giacomo Puccini
La Bohème - Donde lieta usci

Antonín Dvorak
Rusalka - Canção da Lua

Heitor Villa-Lobos
A Floresta do Amazonas - Melodia Sentimental

Jayme Ovalle
Azulão

Cesare Andrea Bixio
Parlami d'amore Mariú

VÍDEOS:

Schumann - Widmung




Francis Poulenc: Les chemins de l'amour


Georges Bizet - Habanera (Carmen)

video

FOTOS:



















domingo, 30 de agosto de 2015

Festival de Ópera 2015: A Ceia dos Cardeais

   
A CEIA DOS CARDEAIS: ESTREIA EM BELEM NO XIV FESTIVAL
DE ÓPERA DO THEATRO DA PAZ

     Uma estreia histórica ocorreu durante as noites de 18, 19 e 20 de agosto de 2015 no Museu de Arte Sacra do Pará (Igreja de St. Alexandre), promovido pelo governo paraense através da Secretaria Estadual de Cultura. Trata-se da ópera A Ceia dos Cardeais do paraense multi-mídia Arthur Iberê de Lemos, que entre outras coisas foi também compositor, e pelo que ouvimos, de alto calibre.
     Iberê de Lemos trabalhou anos como funcionário público e também, em anos, treinou sua formação como compositor. Sua obra não é extensa e quase toda a totalidade está esquecida. Somente agora com o resgate feito pelo Festival de Ópera do Theatro da Paz é que sua única ópera finalmente foi estreada em sua cidade natal. Anteriormente, seu Prelúdio para orquestra sinfônica, foi executado no concerto temático voltado somente para compositores paraenses e radicados no Pará. Uma ótima ideia da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz que precisa de várias reprises.
     A ópera é uma adaptação da peça homônima de Júlio Dantas, escritor português. adaptação, pois Iberê de Lemos não usou libretto, trabalhando diretamente sobre a obra de Dantas, cujo texto teve várias palavras cortadas pelo compositor, certamente para adaptá-lo à linguagem operística.
     A ópera nao é longa; tem cerca de 1 hora de duração. Porém sua construção musical é contínua e concisa utilizando a melodia contínua da ópera wagneriana, porém na forma melódica da ópera italiana. O resultado foi uma melodia contínua, fluente e que em muitas passagens sua beleza é abafada pelas vozes dos atores, dominadoras de toda a partitura. 
     O festival em outros anos pecou feio por contratar cantores de porte mediano para papeis de grande envergadura, mas nas três últimas edições o nível vocal dos solistas é o mais alto e nessas récitas de A Ceia dos Cardeais os três intérpretes são cantores de alto calibre vocal.



Imagens:

O musicólogo Mauro Chantal apresentou palestra sobre Iberê de Lemos e A Ceia dos Cardeais antes do início da segunda récita.






Cenas da montagem: