segunda-feira, 21 de março de 2016

Projeto Sons da Amazônia V: 1º CONCERTO COM TCHAIKOVSKY E BEETHOVEN


       
  A Fundação amazônica de música depois de vários meses de hiato conseguiu uma parte do financiamento necessário para dar continuidade a um de seus mais importantes projetos de concertos de música erudita com entrada franqueada ao público.
O Sons da Amazônia chega a sua quinta fase projetando 12 apresentações, sendo 11 na capital paraense e uma na capital fluminense, novamente com o patrocínio da empresa Vale sob os auspícios da Lei Rouanet do governo federal brasileiro.
        O primeiro concerto desta fase deu-se no início da noite de 6 de março de 2016 tendo no repertório obras de Tchaikovsky e de Beethoven. Uma obra de lirismo inebriante A Serenata para Cordas do compositor russo abriu o programa.

            Impressionante como a audição ao vivo de uma obra orquestral nos dá uma outra percepção da sua sonoridade. Com os instrumentos graves perto de nós deu para ouvir perfeitamente as partes dos celli e contrabaixos. Assim foi fácil perceber que eles não são meros acompanhantes, mas também"cantam" com os violinos e seu pizzicato é de uma  graciosidade só. Em seguida, a hora bombástica, hora agitada Sinfonia nº. 4 de Beethoven encerrou a apresentação como não poderia ser em grande estilo.
               Para os bons conhecedores do repertório sinfônico tradicional, a 4ª Sinfonia de Beethoven é uma das suas sinfonias de maior força criativa, tanto nos temas quanto no volume sonoro que o regente deve tirar da partitura. Tocar uma sinfonia como essa por uma orquestra de alunos é algo como colocar um estudante de medicina do primeiro ano para fazer uma cirurgia e ele conseguir deixar o paciente vivo no final! Pois bem, os jovens da OJVM deram conta do recado e mais uma vez, eles e o regente Miguel Campos Neto conseguiram um bom resultado sonoro e interpretativo para essa sinfonia que foi escrita para músicos profissionais, experientes e de técnica virtuosística; considerando-se que ela não tem passagens tão fáceis e os detalhes interpretativos são vários, desde a força empregada na execução até as cores diversas nos naipes da orquestra, passando, é claro, pelo equilíbrio formal entre os movimentos. No final, mais uma nota 10 para todos e já espero o próximo concerto. Só lamento que a OJVM esteja no lugar comum da maioria das orquestras sinfônicas que acham que o repertório oitocentista é a cereja do bolo da noiva. No século XX muita coisa boa, bonita e sinfônica foi feita. Então, porque não tocar as grandes sinfonias do Novecentos? Além das outras obras sinfônicas escritas no século XX que merecem ser trabalhadas com qualquer orquestra e serem apresentadas ao grande público. Villa-Lobos, Cláudio Santoro, Ravel, Milhaud, Stravisnky são compositores do modernismo musical que merecem sim um lugar no programa. Espero que a OJVM deles esse merecido espaço.


Vídeos:

Pyotr Ilytch Tchaikovsky - Serenata para cordas



Ludwig van Beethoven - Sinfonia nº. 4




Extra: João Sibelius - Finlândia



Imagens:

















Informações do Programa:

Em 2014 Campos Neto destacado com um dos melhores regentes de ópera no cenário nacional pelo crítico Leonardo Marques. A crítica especializada também o considera um maestro que “dá ritmo teatral e fluência ao espetáculo e sabe recriar a linguagem musical específica dos personagens principais” (João Luiz Sampaio, ESTADÃO, SP) e que demonstra ‘sua segurança e autoridade musical empenhando-se totalmente à frente da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz’ (Marco Antonio Seta, Ópera e Ballet). Em SALOMÉ, “Campos Neto soube conduzir o espetáculo com propriedade e sempre atento ao discurso dramático” (Nelson Rubens Kunze, revista CONCERTO). A crítica internacional também elogiou sua atuação quando a revista italiana L’Opera publicou que “regida por Miguel Campos Neto, (a OSTP) mostrou afinidade com a música straussiana, da qual exaltou a massa sonora vigorosa e a nuance, mantendo sempre o equilíbrio entre as vozes e o volume orquestra.” (Norberto Modena).
Atualmente regente titular da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, do Festival de Ópera do Theatro da Paz, da Orquestra Jovem Vale Música, da Orquestra Sinfônica Altino Pimenta (UFPA), Campos Neto também atuou cinco anos como Regente Titular e Diretor Artístico da Chelsea Symphony de Nova York e como regente assistente do maestro Luiz Fernando Malheiro na Amazonas Filarmônica e no Festival Amazonas de Ópera (Manaus). Como maestro convidado já regeu a Orquestra Sinfônica de Puerto Rico, a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, a Orquestra Sinfônica do Theatro São Pedro (SP), os Solistas de Câmara da Universidade de Missouri (EUA), a Orquestra do Estado de Mato Grosso e a Orquestra de Câmara do Amazonas. Em 2014 regeu como convidado pela primeira vez no continente europeu, quando liderou orquestra composta de alunos da renomada Academia Franz Liszt na Grande Sala da Academia, em Budapeste, Hungria. Para 2015 estão previstos concertos em Belém, Belo Horizonte, Campinas, São Paulo e um retorno a Nova York para concerto comemorativo com a Chelsea Symphony.
Durante turnês nacionais ele regeu em alguns dos mais importantes teatros do Brasil: Sala Leopoldo Miguez e Theatro Municipal (RJ), Teatro Nacional Claudio Santoro (Brasília), Palácio das Artes (Belo Horizonte), Teatro Ibirapuera (SP), Teatro Santa Izabel (Recife), Teatro Arthur Azevedo (São Luis) e Teatro José de Alencar (Fortaleza).
Miguel Campos Neto possui diploma de mestrado em Regência Orquestral, obtido na Mannes College of Music de Nova York. Seus mentores foram David Hayes, Edward Dolbashian, e Joseph Colaneri (regência operística). Ela já regeu concertos com grandes solistas como o pianista Nelson Freire, Antonio Meneses (cello), Robert Bonfiglio (Harmônica) e Emmanuelle Baldini, violino.


sábado, 19 de março de 2016

OSTP HOMENAGEIA MULHERES COMPOSITORAS

     Na noite de 17 de março de 2016 a Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz deu mais um concerto de sua temporada deste ano com um concerto todo dedicado às mulheres no mês delas. A orquestra foi regida por Cibelle Jemima Donza, atual regente assistente da OSTP cujo regente titular é Miguel Campos Neto. Foi um concerto agradável e que saiu do lugar comum das orquestras sinfônicas, viciadas em nos apresentar obras do repertório tradicional e, sobretudo, do Oitocentos cujas obras já estão pra lá de batidas. Mesmo que a música não seja de gênio, são obras que só pelo fato serem de compositoras que não são frequentemente tocadas e uma que é nossa contemporânea dão um toque especial ao evento.
     Das compositoras apresentadas somente Cécile Chaminade tem seu lugar no repertório variável, ou seja, aquele que é usado quando os Beethoven, Tchaikovsky, Mendelssohn e outros são deixados de lado para ser executada alguma obra de um compositor cujas obras não figuram no repertório dos regentes, digamos, tradicionais.
      A Sinfonia de Amy Beach, morta em 1944 merece várias audições para dela se tirar algumas conclusões a cerca do estilo de composição e de sua estrutura formal. Fanny, irmã de Félix Mendelssohn Bartholdy, comprova em sua Abertura em C maior ser irmã de Félix, pois sua obra tem clara influência da linguagem musical do célebre e genial irmão. O Concertino Op. 107 de Chaminade já têm seu lugar no repertório há anos, por isso é bastante fácil encontrá-lo nos programas de concertos. Só aqui em Belém esse concertino foi executado duas vezes dentro dos concertos que assisti. Finalizando a noite feminino-musical a jovem regente e compositora, que suponho ser paraense, Apresentou sua obra eletroacústica mista "(escreva aqui o seu desejo)". Sim, o título da música é escrito entre parênteses. Só isto já mostra a "modernidade" da obra. Segundo nos explicou a compositora a música foi composta para representar um movimento "vida-morte-vida" e que o título muda de acordo com a vontade do ouvinte, que pode deixar escrito entre parênteses o seu desejo ao qual a música se encarrega de ser a "trilha Sonora". Particularmente achei uma obra de grande força criativa e deixa claro que a jovem Cibelle tem um bom futuro de compositora pela frente se continuar compondo e desenvolvendo sua técnica.
      Infelizmente não pude gravar todo o concerto devido a falta de bateria em minha câmera. E ao cansaço do braço também. Mas aí em baixo está um trecho que consegui gravar na íntegra.

Amy Beach (1867-1944) Sinfonia em E menor, Op. 32 "Gaélica" - excerto

video


Fanny Mendelssohn (1805-1847) Abertura em C maior



Informações do Programa:

CIBELLE JEMIMA DONZA

    Cibelle Jemima Donza é a atual Regente Assistente da OSTP, além de ser Regente Titular e Diretora Artística da Big Band Zarabatana Jazz Band, desde 2010. Estudou no renomado instituto de regência Conductors Institute of Bard, da Universidade Bard College, em New York, na classe dos estudantes ativos fellow, com o maestro Harold Farbeman (EUA). Estudou também com o maestro Maurice Peress (EUA), na Universidade de New York (CUNY – Queens College) e com a maestrina Alexandra Arrieche (BRA), no I Studio de Regência de São Paulo.
    Teve a honra de reger em máster classes de Apo Hsu, Leon Botstein, Guillermo Figueroa, Lawrence Golan, Kirk Trevor, Tong Chen, dentre outros. Participou ainda de workshops com os maestros Fábio Mechetti (BRA), Osvaldo Ferreira (POR) e Neil Thomson (ING). Em 2014, participou da Conferencia Internacional Multi Orquestra: Talento, Gestão e Impacto, promovida pelo British Council no Brasil (MG).
     Cibelle Jemima é especialista em composição pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Estudou Composição Eletroacústica com o dr. Stephen Beck (USA), durante o festival internacional de inverno Vale Vêneto, em 2013. Como compositora, atualmente dedica-se às mesclas das sonoridades acústicas e sintéticas (eletroacústica mista), sendo idealizadora e integrante do Projeto Música de Experiência, um grupo de compositores que realiza trabalho autoral voltado à musica experimental. Em 2015, recebeu o premio Bolsa de Pesquisa e Criação Artistica (FCP) para exposição do projeto de mesmo nome, com a criação de obras sensoriais inspiradas no poética de Max Martins. No entanto, também tem em sua produção obras puramente acústicas, para instrumentos solo, formações camerísticas, alem de compor para trilhas onoras e realizar trabalhos de sound design e música acusmática.
     Cibelle J. Donza é mestranda em Artes pela UFPA e é concluinte do Bacharelado em Composição e Arranjo pelo Instituto Carlos Gomes, além de ser graduada em Licenciatura Plena em Música pela Universidade do Estado do Pará (UEPA). É formada pelo nível técnico nos cursos de Regência e Violão Clássico do Conservatório Carlos Gomes.

Bianca Menezes
     Iniciou seus estudos no ano de 2004, no Projeto Vale Música, da Fundação Amazonica de Musica (FAM), com o professor Ricardo Cabrera (Colômbia). No mesmo ano, passou a estudar flauta transversal com o professor Itailan Pinheiro e posteriormente com o professor Fabrício Aleixo.

     Atuou como 1ª flauta da Banda Sinfônica Vale Música, de 2005 a 2010; 1ª flauta do Quinteto Vale Música e 1ª flauta na Orquestra Jovem Vale Música (OJVM), de 2007 até junho de 2011. Participou do Festival Internacional de Ópera da Amazônia, tocando nas óperas O Viajante das Lendas Amazônicas (Serguei Firsanov) – também apresentada em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília -, La Cambiale di Matrimonio (G.Rossini), La Bohème (G. Puccini) e La Traviata (G. Verdi), e ainda como convidada do Festival de Ópera do Theatro da Paz, como flautista na ópera Tosca (G. Puccini) e como flautinista junto à Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz na aclamada montagem de Salomé (Richard Strauss).

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