segunda-feira, 9 de maio de 2016

OJVM TOCA WAGNER

   
Ah, se minha imaginação me levasse a adivinhar os números sorteados de alguma loteira eu já estaria milionário. Já faz mas de anos que imagino a OJVM tocando o prelúdio de Os Mestres Cantores de Nuremberg. E heis que na noite de 4 de abril de 2016 a minha imaginação se tornou realidade. O belo prelúdio de Richard Wagner fechou o programa do segundo concerto da série Sons da Amazônia V novamente realizado no QG da orquestra, a Sala Augusto Meira Filho na capital paraense. Os demais compositores foram Wolfgang Mozart e Robert Schumann.
     Nesse programa a tônica foi a música sinfônica. A Sinfonia nº. 29 do gênio salzburguês e a nº. 4 do fogoso romântico saxão anteciparam a complexa obra do politicamente incorreto Richard Wagner.
     O violinista e estagiário de regência orquestral Renan Cardoso fez mais uma vez o uso da batuta na interpretação da sinfonia de Mozart e com a ajuda de seus colegas da orquestra - que não deixaram a peteca cair - deram-nos uma aceitável interpretação dessa graciosa sinfonia, embora detalhes tenham que ser melhorados como a sonoridade dos primeiros violinos que necessita ser mais uniforme. Cabe ao regente obter esta uniformidade.
    O regente titular Miguel Campos Neto subiu ao pódio para nos apresentar sua versão da 4ª Sinfonia  de Schumann. Pulso firme no 1º movimento, pois a fogosidade de Schumann imprimiu uma sonoridade maciça a esse movimento.
     Miguel já provou ser homem das sonoridades maciças e essa sinfonia é um ótimo veículo para sua condução. As cordas tiveram o seu necessário destaque, porém os sopros também foram bem audíveis, embora eu discorde dos naipes ficarem ao mesmo nível que as cordas. Um plano mais elevado para eles é melhor e sua equalização com as cordas sai mais apropriada assim.
      Finalmente chegou a hora dos Mestres Cantores se fazerem presente à sala de concerto e com eles uma quantidade extra de músicos para fazerem frente à  pesada sonoridade de Wagner. Porém, heis que os meus sonhos foram sogados ao relente e estão agora ardendo no mármore do inferno de tanta foi a decepção com a versão apresentada por Campos Neto.
    Wagneriano que sou desde a adolescência (pensem num adolescente wagneriano, fui eu!) sou íntimo desse prelúdio desde os meus 17 anos e já o ouvi uma centena de vezes com os mais variados maestros e orquestras. Além de ter estudado a partitura amiúde e assistido a ópera na íntegra pra mais de 10 vezes nestes anos. Assim posso afirmar que sou profundo conhecedor dos Mestres Cantores, que juntamente com o Holandês Voador são as duas óperas de Richard que mais conheço e moram há muito tempo em meu coração.
      Mas vou agora para a análise da interpretação. O início foi fraco com tempo arrastado tirou o brilho da introdução desse belo prelúdio. Houve uma preocupação excessiva com as cordas e pouco destaque aos demais naipes. Os motivos foram apresentado de forma embaralhada e sem o devido significado. A cuidada estrutura contrapontística criada por Wagner, que é uma clara marcha ré no avanço harmônico de Tristão, combina de maneira tradicional, porém bastante inventiva, vários motivos condutores de significativa importância ilustrativa no decorrer da ópera. Chega-se a ouvir quatro motivos simultaneamente na sessão central do prelúdio. Desse modo faltou equalizar a sonoridade da orquestra para destacar os motivos em seu devido momento e destaque.
        A orquestra foi tratada como um todo unitário em termos de sonoridade e para esse prelúdio isso não serve. Ao mesmo tempo que o motivo da canção do prêmio é apresentado, os motivos do ridículo, da marcha dos mestres cantores e da guilda dos mestres cantores também o são e cada um deles deve ser destacado para que tenham o necessário destaque na execução. Assim cada um desses motivos e os demais devem ser tocados com um volume mais alto que o restante da orquestra para não serem abafados por ela e, infelizmente, foi isso o que aconteceu. Um bis obrigatório do prelúdio do se faz necessário para corrigir esses erros e melhorar a interpretação da orquestra e a mão de Miguel ao reger Wagner.
      

Vídeos:

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

Sinfonia nº. 29 em A maior K. 201

1º movimento: Allegro moderato



2º movimento: Andante




3º movimento: Menuetto e Trio


video


4º movimento: Allegro con spirito




Robert Alexander Schumann (1810-1856)

Sinfonia nº. 4 em D menor Op. 120



Richard Wagner (1813-1883)

Prelúdio da ópera Os Mestres Cantores de Nuremberg





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