Sons da Amazônia V - Concerto no Teatro da Paz

   
Na noite de 04 de junho de 2016 a Orquestra Jovem Vale Música deu mais um concerto pela Série Sons da Amazônia V, desta vez na maior casa de espetáculos paraense, ou seja, o Teatro da Paz sediado na capital paraense para aqueles que não têm esta informação. O programa foi composto por peças ligeiras e excertos de obras de grande duração. Os solistas novamente são integrantes da OJVM dando continuidade à prática de seus alunos fazerem solo com a orquestra; o que é prova do total incentivo dado pela FAM aos seus alunos de melhor preparo técnico e talento.
     O concerto teve uma boa qualidade sonora, embora eu tenha o assistido da varanda que é um dos piores lugares para a assistência no Teatro da Paz. Melhor é assistir nos andares superiores. Perde-se na boa visão, mas ganha-se na qualidade musical. A acústica do da Paz é tão boa que quando cantei nele em uma apresentação dos alunos do curso de licenciatura em Educação Artística - Habilitação em Música da UEPA, tive a total impressão de cantar sozinho, embora os meus colegas estivessem todos ao meu lado. Acústica como a do nosso teatro tem prós e contras na execução musical. Os metais geralmente sofrem com ela, pois qualquer derrapada na afinação será percebida por qualquer ouvido musicalmente treinado. Hoje não foi diferente. A gravação pode enganar, mas ao vivo deu para ouvir os desencontros do trompetes e dos trombones e a falta de pulso firme nas cordas que puxaram a qualidade da execução para baixo. O Brahms chegou em alguns momento com esforço no nível regular.
     Melhor foi a execução do 1º movimento do virtuosístico concerto para violino e orquestra de Jan Sibelius na execução muito boa, porém com um som muito camerístico de Fábio Santos que é um dos alunos da Fundação Amazônica de Música e integrante das cordas da OJVM.  Miguel e Fábio se sincronização e conseguiram dar uma boa leitura do concerto de Sibelius, porém; acho eu, que a grande preocupação em fazer a música acontecer perfeitamente que a agonia de amor e de amar posta no primeiro movimento ficou para trás, mas as melodias de Sibelius são tão fortemente sentidas que mesmo assim conseguiram aparecer em sua melodioso agonia, mesmo os músicos prestando atenção detida na partitura.
    Para deixar o amor agoniante de Sibelius para trás o borogodó musical de Alberto Nepomuceno trouxe a animação das festas de escravos negros do Brasil: o Batuque que tanto escândalo causou em sua estreia no século passado na capital imperial brasileira. O que disser dessa obra curta, bem orquestra e prá lá de agradável? É um pedaço do Brasil posto em música. 


Programa: 

Johannes Brahms - Abertura Festival Acadêmico Op. 80

Jan Sibelius - Concerto para violino e orquestra em D menor Op. 47 1º movimento
solista: Fábio Santos

Alberto Nepomuceno - Batuque

Paul Creston - Concertino para marimba e orquestra 1º movimento: Vigoroso
Solista: Tâmara Aviz

Igor Stravinsky - O Pássaro de Fogo
                            Ronda das princesas
                            Dança Infernal  
                            Canção de Ninar
                            Finale

Vídeos:

JOHANNES BRAHMS (1833-1897) ABERTURA FESTIVAL ACADÊMICO Op. 80


JAN SIBELIUS (1865-1957) CONCERTO PARA VIOLINO E ORQUESTRA EM D MENOR, 
Op. 47 1º movimento: Allegro Moderato



ALBERTO NEPOMUCENO - BATUQUE



PAUL CRESTON (1906-1985) CONCERTINO PARA MARIMBA E ORQUESTRA 
1ºmovimento: Vigoroso



IGOR FEODOROVICH STRAVINSKY (1882-1971) O PÁSSARO DE FOGO (EXCERTOS)

Ronda das Princesas 





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