Stravinsky: A História do Soldado no XXIX FIMUPA

Já se foram dez anos que houve uma apresentação, também no FIMUPA, da História do Soldado de Igor Stravinsky com montagem do coreógrafo e bailarino paraense Jayme Amaral. Lembro que fiquei muito feliz pela inclusão da integral da obra do mestre russo em primeira apresentação no Pará, mas nem um pouco feliz com o que foi visto no palco. E heis que agora novamente a integral da célebre "ópera sem canto" de Stravinsky volta a ser apresentada na capital paraense; desta vez em versão de concerto integral, sem a participação dos bailarinos, numa montagem para lá de luminosa.
Digo luminosa, devido ao plano de iluminação elaborado para a apresentação que deu um visual bom à apresentação, deixando de lado a maneira tradicional das apresentações de concerto de obras teatrais.
A Cia. Musical Porto Alegre e o regente Evandro Matté saíram-se muito bem na execução musical da partitura de Stravinsky e o narrador Hique Gomez fez um ótimo monólogo, utilizando sua voz para dar vida aos diferentes momentos e personagens desta ópera, que sempre foi mais considerada balé. Estando desde sempre muito mais ligada às companhias de dança que às companhias de ópera.
Certamente, e pelo fato de ser uma apresentação de concerto, esta apresentação não pode ser comparada a de Jayme Amaral, mas certamente supera-a na qualidade do espetáculo apresentado. O ruim é que só ouvimos obras do Novecentos musical como estas em ocasiões especiais como o FIMUPA. Os músicos eruditos paraenses precisão deixar de lado os seus preconceitos musicais românticos e ver que houve uma bela vida musical no século XX e que nós ouvintes paraenses precisamos ouvir esta música dentro de casa.


Vídeos:

Parte 1: Prólogo (não faz parte do original de Stravinsky)


Parte 2: o balé como escrito por Stavinsky e Albert Camus












Parte 3: Epílogo (não faz parte do original de Stravinsky)



INFORMAÇÕES DO PROGRAMA:

A HISTÓRIA DO SOLDADO
de Igor Stravinsky
Hique Gomez, narrador
Evandro Matté, regente
Cia. Musical Porto Alegre
Camilo Simões Rosa, violino
Eder Kinappe, contrabaixo
Diego Grendene, clarineta
Adolfo Almeida Jr., fagote
Thiago Link, trompete
José Milton, trombone
Douglas Guthjar, percussão

HIQUE GOMEZ
Hique Gomez é um dos criadores do espetáculo musical Tangos e Trageidas, que esteve por 30 anos em cartaz pelos palcos do Brasil e exterior. Recebeu a Medalha Cidade de Porto Alegre, honra  concedida pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre em reconhecimento aos serviços culturais prestados à comunidade. Entre homenagens do carnaval gaúcho com o rico universo fictício da Sbornia, e participação nos principais programas da TV brasileira. Receberam também o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes como melhor espetáculo de MPB de 2011 em São Paulo.
Em 2013 foi lançado o Filme de Longa Metragem de Animação, baseado no seu espetáculo Tangos e Tragedias, o qual participou dos mais importantes festivais internacionais de animação.
Hique iniciou seus estudos de violino influenciado por Antonio Agri violinista do quinteto de Piazzolla com quem teve contato em Buenos Aires na década de 90. Foi aluno de violino de Freddi Guerling e teve aulas de arranjo com Kim Ribeiro e Orquestração com Roberto Gnatalli.
Compositor escreveu trilhas para cinema, teatro e fez participações como ator em alguns filmes, entre eles A Festa de Margarette que entrou para o acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York o MoMa representando o Brasil no projeto “Global Lens”, onde participou de palestras em escolas americanas.  O filme rodou nos principais centros de cultura do país em 14 estados, entre eles o Red Cat do Walt Disney Music Hall. Ganhou também o Prêmio Açorianos pelo conjunto de sua obra.
Mostrou inúmeros espetáculos e participou como solistas junto a diversas orquestras. Como diretor se destacam o musical Radio Esmeralda que ficou 9 anos em cartaz com Simone Rasslan e Adriana Marques e o projeto Rock de Galpão, dirigindo dois DVDs e os espetáculos.
Escreveu textos recomendados pelos maestros Antonio Borges-Cunha para adaptação criativa de o Carnaval dos Animais de Saint-Saëns e para o maestro Tiago Flores para concertos da OSPA onde introduz de forma poética todo um repertório de clássicos. Fundou o “Instituto Marcello Sfoggia” onde é responsável pela coordenação das gravações e mixagens de áudio Hi-Fi da OSPA e outras orquestras do Rio Grande do Sul.
 A convite do maestro Evandro Maté, Hique Gomez fez a tradução e adaptação do texto da Histório do Soldado, onde faz não só a narração crua, mas também a interpretação sutil dos personagens numa montagem simples e inventiva.

Adolfo Almeida Jr.
É solista de fagote da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre; foi membro do Trio de Madeiras de Porto Alegre, e integrante do grupo Arthur de Faria & Seu Conjunto, que se apresentou em Viena e Barcelona; assim como do grupo Ex-Machina, formado por compositores. É professor de fagote na UFRGS, assim como nas sete edições do Festival de Música de Pelotas; lecionou no Projeto Prelúdio da UFRGS; na orquestra da UFSM; no Conservatório de Pelotas; e nos Verões Musicais em Gramado e Canela. Como solita, atuou à frente da OSPA; da Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro; da Orquestra de Câmara da ULBRA; e da Orquestra da UNISINOS. Possui Mestrado e Bacharelado em Compósição Musical na UFRGS onde foi aluno de Armando Albuquerque e bruno Kiefer. Possui larga experiência na criação de trilhas sonoras originiais para espetaculos teatrais, tendorecebido em 1997 o Premio de Melhor Musica Original no V FENARTE em Maceió. Recentemente atuou improvisando livremente sobre declamação de Julia Lemertz no espetáculo A Tragedia Latina Americana dirigido por Felipe Hirsch encenado em São Paulo. Em 2006 foi ganhador do premio Açorianos como melhor instrumentista erudito. Participou, entre 2004 e 2008, como solista ao lado de Paulo Moura e Altamiro Carrilho, no projeto Um Sopro de Brasil, que incluiu o lançamento de um CD, livro e DVD, e shows em várias cidades. Lançou em 2006 um CD de música improvisada intitulado Paradoxos para Todos, muito bem recebido pela crítica.
Douglas Gutjahr
Nascido em Jaraguá do Sul (Santa Catarina), graduou-se no ano de 204 em Percussão pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Entre os anos de 2001 e 2010, integrou o Grupo de Percussão da UFSM, o Quarteto de Percussão íncubos, a Orquestra Sinfônica de Santa Maria e a Orquestra Filarmônica da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Nos anos de 2007 e 2008 foi membro da Orquestra Jovem Mundial (JMWO), se apresentando em algumas das principais salas de concerto da Europa, entre elas, Berliner Philharmonie (Berlim), Muziekgebow (A,sterdam) e Palau de dês Arts (Valência). Foi finalista do Prêmio Uglione de Música Instrumental e indicado ao prêmio de Melhor Instrumentista no Prêmio Açorianos de Música. Como baterista e percussionista já acompanhou importantes nomes do cenário musical brasileiro, entre eles Gilberto Gil, Fafá de Belém, Os Fagundes, Kleiton e Kledir, Jair Rodrigues e Maria Rita.
Visando a inclusão social por meio da música e a formação de novos músicos, desenvolve desde 2009, junto aos projetos Vida com Arte (Unisinos) e Orquestra Villa-Lobos um intenso trabalho de ensino da percussão. Desde 2011 atua como professor da classe de percussão do Festival Internacional SESC de Música, realizado em Peloras-RS.

Atualmente, ocupa o cargo de timpanista da Orquestra Sinfonica da Universidade de Caxias do Sul (OSUCS) e atua como músico convidado em algumas das principais orquestras do Sul do país, entre elas, Orquestra Unisinos Anchieta, Orquestra do Theatro São Pedro e Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA), onde foi aprovado em primeiro lugar para o cargo de Timpanista Solo no concurso público realizado em 2014.

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