OJVM: CONCERTO COM TRÊS SOLISTAS

   


 Dando continuidade à série Sons da Amazônia, a Fundação Amazônica de Música programou mais um concerto da Orquestra Jovem Vale Música na Sala Augusto Meira Filho na capital paraense no Dia dos Pais de 2016, isto é, na noite de 14 de agosto deste ano. No programa, obras de Saint-Saëns, Joseph Haydn e Franz Liszt. Cada obra com um solista; coisa rara na série.
       O fato mais importante da noite foi a despedida de Alexandre Negrão, violinista, ex-integrante da OJVM, onde chegou a ser spalla por mais de ano. Eu não sou partidário de ressaltar a velha história do "ele era pobrinho, e com muita luta, blá-blá-blá". Por isso, só vou destacar a pobreza de Alexandre pelo fato de não ter nascido em berço esplêndido e agora está indo para os Estados Unidos fazer o bacharelado. Mas isso só foi possível para este rapaz que nasceu em família pobre porque houveram pessoas que lhe deram o que muitos não têm: oportunidades. E as oportunidades vieram através da Fundação Amazônica de Música que criou um projeto de formação musical para crianças pobres e pela companhia Vale que passou anos financiando este projeto. E à honestidade dos integrantes da Fundação que fizeram chegar a quem precisava o dinheiro investido pela Vale.
     Alexandre, que é violinista capaz, deu conta da partitura de Saint-Saëns com seus colegas da OJVM e Campos Neto na regência. Particularmente, eu achei uma interpretação arrastada, pois sou partidário de mais velocidade no andamento desta peça francesa. Mas, acho que ambos os intérpretes - Alexandre e Miguel - preferiram um andamento mais ralentado para, talvez, ressaltar a sobriedade da música na parte da Introdução, porém o brilho foi perdido na parte do Rondó que tem música que requer brilhantismo dos executantes. E já ouvi intérpretes que a tocaram com bem mais velocidade e brilhantismo, devidamente acompanhados pela orquestra.
       Outra obra que nunca foi do meu agrado devido à temática é o Concerto para piano e orquestra nº. 1 de Franz Liszt. Sinceramente, sempre achei esse concerto um pássaro que não sabe voar. Mas nessa interpretação da OJVM e de Thiago Bertoldi ouvi uma força temática que nenhuma das gravações da minha coleção de discos têm. É claro que ouvir música de concerto no disco e ao vivo são experiencias bem diferentes. Mas, claro, há gravações que nos empolgam mesmo sendo um registro fonográfico. Ouçam Karajan e a Filarmônica de Berlim nos vinis das décadas de 1960 e 1970 para saberem do que estou falando. Mas essa interpretação dada nesta noite foi surpreendentemente forte para mim. Tanto a orquestra quanto o pianista não tiveram medo de atacar os temas com força e uma leitura vibrante da partitura de Liszt, remetendo assim a sua destacada virtuosidade interpretativa. Sim, esse concerto para piano foi escrito para um pianista de força tanto técnica quanto interpretativa. Coisas que o maestro foi de forma magistral. Thiago Bertoldi não fica atrás. Pianista de técnica firme e de brilho interpretativo, literalmente, arrasou na sua leitura com Miguelito e os "meninos" da orquestra.
     Por fim, volto ao tema da oportunidade. O pré-adolescente Cihan Sahin, aluno de Thiago Bertoldi, apresentou-se antes de seu mestre e nos apresentou uma impressionante leitura do Concerto para piano e orquestra em D maior de Joseph Haydn. Esse rapazinho está no caminho certo e com um bom professor, sabedor de como lapidar o talento desse pequeno notável do piano. Sua interpretação não deixou de lado a graça e a leveza da música de Haydn e sua execução do concerto foi bastante  agradável.


Vídeos:

Camille Saint-Saëns - Introdução e Rondó Caprichoso para violino e orquestra Op. 28



Franz Liszt - Concerto para piano e orquestra nº. 1 em Eb maior

1º movimento: Allegro maestoso



2º movimento: Quasi adagio


3º movimento: Allegretto Vivace - Allegro animato


4º movimento: Allegro marziale animato


Programa:*

Camille Saint-Saëns (1835-1921)
  
            Introdução e Rondó Caprichoso Op. 28

                      Andante melancolico
                      Allegro ma no troppo
                      Più Allegro

solista: Alexandre Negrão

Joseph Haydn (1732-1809)

           Concerto para piano e orquestra em D maior

                       Vivace
                       Un poco adagio
                       Rondo all'ungarese
                       Allegro assai

solista: Cihan Sahin   

Franz Liszt (1811-1886)

          Concerto para piano e orquestra nº. 1 em Eb maior

                      Allegro Maestoso
                      Quasi adagio
                      Allegretto vivace - Allegro animato
                      Allegro marziale animato

solista: Thiago Bertoldi      

* no programa impresso o Haydn e Liszt estão invertidos, porém esta foi a ordem de apresentação.



FOTOS:





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