OJVM BISA TCHAIKOVSKY



OJVM BISA TCHAIKOVSKY
                A Orquestra Jovem Vale Música novamente se apresentou em seu QG no domingo 30 de outubro de 2016 em mais um concerto da serie Sons da Amazônia V sempre com o patrocínio do Governo Federal Brasileiro.
                Além de cumprir suas obrigações com a serie a Orquestra desta vez teve uma função didática, ou seja, trabalhar sua nova geração de instrumentistas de sopro em seu repertório tradicional.
                Para isto, foram bisadas obras de Tchaikovsky, compositor trabalhado há anos pelo seu titular Miguel Campos Neto e que a OJVM já tem completo domínio com um resultado muito elevado para uma orquestra de alunos, não sendo raro,sair-se superior até mesmo a OSTP que é uma orquestra profissional; mas muitas vezes fica-nos devendo uma sonoridade igualmente profissional. O curioso é que ambas as orquestras têm Campos Neto como titular. Mas imaginem dois filhos muitos diferentes saídos do mesmo pai. É como Berg e Webern em relação a Schoenberg.
                A Sinfonia nº. 3 de Franz Schubert foi executada em 1ª audição pela OJVM. Apresentada por Miguel como obra clássica, embora Schubert figure nos livros de história da música no capítulo dos românticos.
                Ao ouvir Schubert uma certeza me veio novamente à mente. Miguel é um regente da sonoridade romântica. É nela que ele está em casa. É nela que ele se faz completo e sua concepção da sonoridade é mais gostosa de se ouvir.
                Ele já regeu vários obras clássicas de Haydn e Mozart com resultados cambaleantes. Basta ouvir as cordas na Sinfonia nº. 29 de Mozart e na Sinfonia nº. 3 de Schubert. Parecem cordas de orquestras diferentes.
                As Variações sobre um tema rococó de Tchaikovsky, mais uma vez foi executada pela OJVM. O resultado depende, lógico, do solista; que é o motor da execução. Uns preferem um andamento mais rápido, outros são moderados. Porém, poucos escolhem a lentidão, pois deixa esta obra bem arrastada.
                O solista desta vez prefere um andamento moderato sem ressaltar o brilhantismo e o virtuosismo da partitura. Sua execução pareceu ser cumprimento de tabela. E ouve um problema: uma das cordas desafinou e a execução teve que ser parada por alguns segundos. Numa obra sem movimentos foi algo bastante incomodo, baixando, claro, a qualidade da execução.
                O solista Philip Hansen mesmo assim foi bastante aplaudido e bisou com o Minueto da Suíte para Cello nº. 1 de Bach. O concerto finalizou com mais uma apresentação da bombástica abertura-fantasia Romeu e Julieta de Tchaikovsky. Com a repetição a orquestra amadurece a interpretação, a sonoridade e amacia os dedos nesta virtuosística obra sinfônica do compositor russo. Miguel e a orquestra tiraram de letra.

PROGRAMA
FRANZ SCHUBERT (1797-1828)
                Sinfonia nº. 3
                               Adágio maestoso – Allegro con brio
                               Allegretto
                               Menuetto – Vivace – Trio
                               Presto vivace

PYOTR ILICH TCHAIKOVSKY (1840 -1893)
                Variações sobre um tema rococó
                Solista: Philip Hansen  

PYOTR ILICH TCHAIKOVSKY (1840 -1893)
                Romeu e Julieta: Abertura-fantasia

Informações do programa

Miguel Campos Neto - Maestro
Em 2014 Campos Neto destacado com um dos melhores regentes de ópera no cenário nacional pelo crítico Leonardo Marques. A crítica especializada também o considera um maestro que “dá ritmo teatral e fluência ao espetáculo e sabe recriar a linguagem musical específica dos personagens principais” (João Luiz Sampaio, ESTADÃO, SP) e que demonstra ‘sua segurança e autoridade musical empenhando-se totalmente à frente da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz’ (Marco Antonio Seta, Ópera e Ballet). Em SALOMÉ, “Campos Neto soube conduzir o espetáculo com propriedade e sempre atento ao discurso dramático” (Nelson Rubens Kunze, revista CONCERTO). A crítica internacional também elogiou sua atuação quando a revista italiana L’Opera publicou que “regida por Miguel Campos Neto, (a OSTP) mostrou afinidade com a música straussiana, da qual exaltou a massa sonora vigorosa e a nuance, mantendo sempre o euilíbrio entre as vozes e o volume orquestra.” (Norberto Modena).
Atualmente regente titular da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, do Festival de Ópera do Theatro da Paz, da Orquestra Jovem Vale Música, da Orquestra Sinfônica Altino Pimenta (UFPA), Campos Neto também atuou cinco anos como Regente Titular e Diretor Artístico da Chelsea Symphony de Nova York e como regente assistente do maestro Luiz Fernando Malheiro na Amazonas Filarmônica e no Festival Amazonas de Ópera (Manaus). Como maestro convidado já regeu a Orquestra Sinfônica de Puerto Rico, a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, a Orquestra Sinfônica do Theatro São Pedro (SP), os Solistas de Câmara da Universidade de Missouri (EUA), a Orquestra do Estado de Mato Grosso e a Orquestra de Câmara do Amazonas. Em 2014 regeu como convidado pela primeira vez no continente europeu, quando liderou orquestra composta de alunos da renomada Academia Franz Liszt na Grande Sala da Academia, em Budapeste, Hungria. Para 2015 estão previstos concertos em Belém, Belo Horizonte, Campinas, São Paulo e um retorno a Nova York para concerto comemorativo com a Chelsea Symphony.
Durante turnês nacionais ele regeu em alguns dos mais importantes teatros do Brasil: Sala Leopoldo Miguez e Theatro Municipal (RJ), Teatro Nacional Claudio Santoro (Brasília), Palácio das Artes (Belo Horizonte), Teatro Ibirapuera (SP), Teatro Santa Izabel (Recife), Teatro Arthur Azevedo (São Luis) e Teatro José de Alencar (Fortaleza).
Miguel Campos Neto possui diploma de mestrado em Regência Orquestral, obtido na Mannes College of Music de Nova York. Seus mentores foram David Hayes, Edward Dolbashian, e Joseph Colaneri (regência operística). Ela já regeu concertos com grandes solistas como o pianista Nelson Freire, Antonio Meneses (cello), Robert Bonfiglio (Harmônica) e Emmanuelle Baldini, violino.

PHILIP HANSEN - violoncelo

         O comprometimento de Philip Hansen com os diversos gêneros musicais, projetos educacionais e comunitários lhe renderam a distinção como interprete e inovador no campo das artes. Sua forma intensamente particular e colorida de tocar já foi apresentada em performances do barroco ao jazz, e em cada grande obra escrita para violoncelo solo e orquestra. Como Embaixador do Departamento de Estado de Cultura dos Estados Unidos na Rússia, Phil foi destaque em salas de concerto de Moscou ao extremo Oriente. Foi também artista residente nos Conservatórios Centrais de Pequim e Shangai e membro por longa data da Académie Internacionale Musicale, em Provença, na França.
          Fundador e Diretor Artístico do Quadra Island Festival de Música de Câmara, no Canadá, Phil coordena programas inovadores de música clássica e contemporânea. Com um forte interesse em conduzir outros músicos em direção a um crescimento musical holístico, seus retiros, chamados Cello Zen, são realizados anualmente ao redor do mundo, possibilitando uma abordagem da técnica do violoncelo adequada tanto ao profissional avançado, quanto ao ávido amador. Seu processo de ensino engloba as influências de seus mentores, Steven Doane, Lynn Harrell, Jürgen de Lemos e Patricia Pinkston.

                Bragatissimo, seu álbum solo dedicado ao tango, vem sendo transmitido em várias partes do globo, inclusiva na NPR dos Estados Unidos e na CBC. Phil colaborou e compôs a musica tema de Charlie the Cello, um livro infantil e também produção teatral de Deborah Nicholson, em que toca junto à Filarmônica de Calgary, no Canadá.
Vídeos:

Franz Schubert (1797-1828) Sinfonia nº. 3



Johann Sebastian Bach (1685-1750)    Minueto da Suíte para cello nº. 1

video

Pyotr Ilych Tchaikovsky (1840-1893)

Variações sobre um tema rococó



Romeu e Julieta, abertura-fantasia Op. 20



Imagens:








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